Os "reality shows" invadiram a tevê brasileira há pouco mais de 20 anos e se tornaram uma "febre". Aos poucos, o confinamento de pessoas de diferentes personalidades em disputas na natureza ou em uma casa ficou parecendo pouco desafiador.
Desta forma, o fator "realidade" recorreu a talentos na cozinha, na música, mercado de trabalho, moda, maquiagem, produção de festas, casamentos arranjados, e foi adquirindo outros apetrechos na busca por originalidade e apelo popular.
Ao longo de duas décadas, muitas foram as ideias, mas poucas que realmente se firmaram nas programações.
Às vésperas do lançamento de mais uma edição do "Big Brother Brasil", que após muitas edições irrelevantes conseguiu se reerguer nas duas últimas temporadas ao adicionar famosos à receita, percebe-se o desgaste dos "realities" de um modo geral e muito por conta da insistência das emissoras em saturar o formato até o limite do público.
"Menina dos olhos" da Band por muitas temporadas, o "Masterchef" apelou para versões com profissionais e crianças para diversificar suas edições.
Hoje, até mesmo sua versão original, com "chefs" amadores, precisa suar muito para garantir ao menos 5 pontos de audiência.
Outro caso de uso da marca até o esgotamento de ideias é o "The Voice Brasil".
Das temporadas enfadonhas da edição "kids" ao sopro de frescor e maturidade da versão para maiores de 60 anos, quem sofre mesmo é o formato original.
Com poucas alterações no time de técnicos, o programa parece mais do mesmo desde 2012 e até hoje nenhum de seus vencedores conseguiu trilhar uma carreira real de sucesso no meio musical.
Para deixar tudo ainda mais nebuloso, as acusações de antigos participantes nas redes sociais sobre o desleixo da produção com o processo artístico dentro do programa é um fator que evidencia ainda mais a decadência.
A Record bem que tenta também. Atualmente, a emissora aposta no musical "Canta Comingo", na disputa de casais "Power Couple" e no rural "A Fazenda". Mas só se dá bem mesmo com o último.
Ao reunir celebridades do segundo escalão na luta pelo prêmio de R$ 1,5 milhão, a Record vai fundo no que há de mais sincero nos "realities": o real esquecimento das câmeras.
Em contrapartida, a direção do programa joga contra seus trunfos com os diversos erros nas provas e eventuais confusões no sistema de regras.
Correndo por fora, serviços de streaming como Netflix e Amazon têm apostado também na setor, sempre amparadas por um esquema já conhecido do público da MTV e da Paramount+, detentoras do sucesso "De Férias com o Ex": programas rechados de jovens e que abusam de cenas de sexo, casos de "Soltos em Floripa" e "Brincando com Fogo", recomendados apenas para quem gosta de ver pessoas em trajes de banho 24 horas por dia.
A boa exceção dentro da imensidão dos aplicativos reside no engenhoso "The Circle", onde os participantes interagem por uma plataforma virtual e os que permanecem no jogo só se conhecem no dia da final. Entre erros e acertos, é fato que os "reality shows" ainda têm seu público e podem render, mas o fato "surpresa" é primordial para a manutenção da relevância.



Nelly Braga de Souza e Claudio de Souza
Laura Dornellas
Mapa com as capitais representadas nos rótulos / Divulgação Nutella
Aquidauana representando o Estado na coleção de 2025 / Reprodução


