Correio B

COMPORTAMENTO E CONSUMO

Brasileiros acessam três vezes a carta de opções de bares e restaurantes antes de fazer um pedido

No Reino Unido, 86% dos jovens entre 18 anos e 24 anos sofrem da "ansiedade de cardápio

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A confusão ao realizar um pedido em um estabelecimento é uma situação recorrente na vida de qualquer jovem ou adulto. Até então, esse problema não tinha recebido uma nomeação específica, mas, recentemente, uma pesquisa realizada no Reino Unido, pela rede de restaurantes britânica Prezzo, apontou que a angústia de escolher um produto em um restaurante pode ser denominada como “ansiedade do cardápio”.

Entrevistando aproximadamente 2.000 pessoas, os dados coletados definiram que 86% dos jovens entre 18 anos e 24 anos sofrem do transtorno e que a preocupação consome pelo menos 97% dos adultos em geral. O motivo, de acordo com o levantamento, varia entre o receio de se arrepender do que foi pedido, o excesso de opções oferecidas pelo estabelecimento, a ausência de uma alternativa que agrade e, principalmente, a falta de informações sobre o produto, como, por exemplo, a quantidade e o preço.

Ainda que realizada no Reino Unido, a afirmação também pode ser considerada em solo brasileiro, já que a Organização Mundial da Saúde (OMS) confirma que o Brasil é reconhecido por ter uma porcentagem alta de diagnóstico de transtorno de ansiedade e, segundo dados coletados pela Thirky, os consumidores brasileiros acessam o cardápio de um restaurante pelo menos três vezes em um mesmo pedido.

A Thirky é uma plataforma brasileira que desenvolve campanhas para grandes marcas dentro dos cardápios digitais. Além de realizar serviços de divulgação, a plataforma tem parcerias com mais de 30 mil estabelecimentos por todo o País, possibilitando coletar dados que permitem descobrir padrões importantes no comportamento do consumidor contemporâneo.

MEDO DE ERRAR

De acordo com Hiago Romero, CEO da Thirky, essa inquietação do cliente está muito relacionada a decisões tomadas pelos estabelecimentos. “Creio que o medo maior do consumidor atual é errar o pedido. Isso porque os cardápios convencionais na maioria das vezes vêm desacompanhados de fotos e têm o mínimo de informações sobre o produto. Deixar o item à mercê da imaginação do consumidor causa um receio de se arrepender compreensível”, afirma.

Além dos motivos já citados acima, o executivo diz que a espera por receber o cardápio em mãos já é o suficiente para alimentar o transtorno. “Quando o consumidor precisa esperar a chegada do cardápio, isso já gera ansiedade. Há restaurantes que não têm agilidade de distribuir os menus de forma rápida e, quando ele chega, geralmente vem com uma dezena de páginas, sem recursos visuais e com a ausência de informações essenciais do produto. Esses pequenos erros são responsáveis por alimentar os outros sintomas”, analisa Romero.

O especialista menciona a necessidade da preocupação com o cliente desde antes de sua chegada. “É preciso pensar que a geração Z já nasceu digital. O Google mesmo já demonstrou que pelo menos 40% dessa faixa etária usam as redes sociais para pesquisar sobre opções de lazer antes mesmo de frequentar o local”, observa. A geração Z compreende as pessoas nascidas, em média, entre a segunda metade da década de 1990 e o ano de 2010.

“Sendo assim, é preciso conceder uma boa receptividade ao cliente mesmo antes de ele chegar. Manter as redes atualizadas, com fotos dos produtos e disponibilizar o cardápio on-line, por exemplo, já amenizariam o sofrimento do cliente, que já terá uma noção das opções disponíveis e dos preços praticados. Possivelmente, no momento de decisão, até reforçaria a escolha pelo seu estabelecimento entre tantos outros disponíveis no mercado”, recomenda Romero.

DIGITALIZAÇÃO

Por fim, o executivo ressalta uma solução inerente da “ansiedade de cardápio”, que poderia resolver grande parte dos sintomas do transtorno: investir na digitalização dos menus. “Um cardápio atualizado e digital com fotos de tudo o que a casa oferece já solucionaria a maioria dos problemas”, garante Hiago Romero.
“Neles, é possível inserir vídeos, fotos em 360 graus e outros recursos que podem mitigar as dúvidas sobre o que pedir. Também, no caso dos cardápios digitais, a atualização das opções se torna facilitada. O cliente não precisa se preocupar se um produto está disponível ou não, o que é outro receio relacionado à ‘ansiedade de cardápio’. Tudo depende de uma comunicação otimizada”, afirma o especialista.

SAIBA

Em Mato Grosso do Sul, desde o ano passado, todos os estabelecimentos que trabalham com alimentação, mesmo os que utilizam cardápios digitais, devem oferecer à clientela pelo menos um cardápio físico para garantir as duas opções na hora de fazer o pedido. A obrigatoriedade está prevista na Lei nº 6.107, de 21 de setembro de 2023, de autoria do deputado estadual Marcio Fernandes (MDB). A lei foi motivada pela popularização dos cardápios digitais durante a pandemia de Covid-19, que acabou ocasionando, em diversos estabelecimentos, a retirada da versão física dos menus.

Saúde Correio B+

Você sabia que descolorir cílios pode perfurar os olhos?

Retirar imediatamente todo o descolorante que penetra no olho faz diferença entre a recuperação total e o dano permanente na visão. Oftalmologista ensina a técnica.

15/08/2026 15h30

Você sabia que descolorir cílios pode perfurar os olhos?

Você sabia que descolorir cílios pode perfurar os olhos? Foto: Divulgação

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A moda de descolorir cílios e até sobrancelhas começou nos  desfiles de  grifes de luxo e rapidamente viralizou entre influencers do TikTok. Usar descolorante para corpo ou cabelo nos olhos é muito perigoso, afirma o oftalmologista Leôncio Queiroz Neto, diretor executivo do Instituto Penido Burnier.

Isso porque, explica,  mesmo que o produto não penetre no olho, as glândulas que produzem  a camada oleosa da lágrima estão localizadas na borda das pálpebras superior e inferior.

“Por isso, a prática pode causar olho seco crônico, blefarite, terçol, calázio, queda e quebra dos cílios, dermatite de contato na pele ao redor dos olhos, alergia, edema e descamação das pálpebras,” salienta.

Quando o descolorante penetra no olho as alterações são ainda mais graves. Entre elas, o especialista destaca: Queimadura química na córnea e  conjuntiva, inflamação e risco de opacidade; Erosão e úlcera na córnea; Lesão no limbo, área que forma um anel ao redor da córnea  onde ficam células-tronco importantes para o restabelecimento da lente externa do olho.

Primeiros sintomas

O especialista que também é membro do CBO (Conselho Brasileiro de Oftalmologia) afirma que os primeiros sinais de queimadura química nos olhos pelo descolorante são: dor intensa, vermelhidão, ardência no olho e na pálpebras, sensação de corpo estranho, visão embaçada, inchaço nas pálpebras, lacrimejamento e dificuldade de manter os olhos abertos.

Queiroz Neto conta que uma paciente resolveu seguir a ‘trend’ e  entrou em contato para saber o que podia diminuir a intensa dor em um dos olhos.

“Passei a ela o passo a passo dos primeiros socorros quando o olho sofre uma queimadura química e a orientei para  ir ao hospital logo após esta primeira higienização’ pontua. Quanto antes a água oxigenada e o descolorante forem completamente eliminados do globo ocular maior é a chance de não ter lesões oculares graves.

Passo a passo da higienização

As dicas do oftalmologista para eliminar descolorantes e outras substâncias tóxicas da superfície do olho são:

Incline a cabeça ligeiramente para baixo, tombe a cabeça para o lado oposto ao olho contralateral, puxe a  pálpebra superior com o dedo indicador para cima e a inferior para baixo  com o polegar para formar uma bolsa e garantir que a água entre embaixo das pálpebras onde os produtos costumam acumular e lave com água corrente continuamente, do canto interno  para o externo por 15 a 20 minutos. 

Durante a limpeza  Queiroz Neto orienta fazer movimentos circulares, verticais e horizontais com os olhos para que a água se espalhe por todos os cantos.

Tratamento clínico

O tratamento de queimaduras químicas nos olhos varia conforme a gravidade de cada caso, pontua. Pode incluir: Irrigação abundante no atendimento médico, muitas vezes com anestésico tópico para permitir abrir o olho;

Remoção de resíduos presos sob as pálpebras; Colírios antibióticos para prevenir infecção; Lubrificantes sem conservantes e, em alguns casos, soro autólogo para ajudar a regeneração;

Colírios cicloplégicos para aliviar a dor e o espasmo interno do olho; Corticoides em colírio apenas com controle médico, pois podem reduzir a inflamação, mas também trazer riscos se usados de forma errada; Vitamina C, citrato, doxiciclina ou outras medidas indicadas pelo especialista para reduzir o afinamento da córnea e favorecer a cicatrização;

Controle da pressão intraocular quando houver risco de glaucoma secundário; Lente de contato terapêutica ou lente escleral para proteger a córnea, reduzir atrito e manter a hidratação.

Cirurgias na córnea

Queiroz neto ressalta que queimaduras químicas graves que causam perfuração ou cicatriz profunda podem precisar de transplante de córnea.

Alguns pacientes que sofrem acidentes ou lesão menos  grave podem recuperar a visão pelo transplante de  limbo do outro olho sem risco de rejeição, ou pelo transplante autólogo de limbo cedido por  um doador, mas neste caso pode ocorrer rejeição.

Para quem só fica bem quando segue as tendências são opções mais seguras o rímel, o primer, extensão ou cílios postiços brancos. A moda passa, mas nossa necessidade de enxergar bem permanece e está relacionada à qualidade de vida, conclui.

Pet Correio B+

Tempo seco pode agravar problemas respiratórios e de pele em cães e gatos

Baixa umidade do ar pode causar ressecamento de mucosas, irritação das vias respiratórias, dermatites e aumentar o risco de desidratação; animais braquicefálicos exigem atenção especial

15/08/2026 14h30

Tempo seco pode agravar problemas respiratórios e de pele em cães e gatos

Tempo seco pode agravar problemas respiratórios e de pele em cães e gatos Foto: Divulgação

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O tempo seco não afeta apenas a saúde humana. Cães e gatos também podem sofrer com a baixa umidade do ar, que favorece o ressecamento das mucosas, irritações respiratórias e problemas de pele, além de aumentar o risco de desidratação.

Para animais que já apresentam doenças respiratórias ou outras condições crônicas, o período exige atenção redobrada dos tutores. Segundo a docente de Medicina Veterinária do Centro Universitário de Jaguariúna (UniFAJ), Aline Ambrogi, a baixa umidade compromete a proteção natural das vias respiratórias.

“O ar seco resseca as mucosas do nariz, dos olhos e das vias respiratórias, diminuindo a proteção natural contra agentes infecciosos. Além disso, favorece a desidratação e pode agravar doenças respiratórias e dermatológicas já existentes”, explica.

Entre os sinais que podem aparecer nos pets estão ressecamento do focinho, dos olhos e dos coxins, tosse e irritação das vias respiratórias. O período também pode favorecer o surgimento ou agravamento de conjuntivites, dermatites e coceiras. Em animais predispostos, a baixa umidade pode contribuir para crises de bronquite, asma felina e colapso de traqueia.

Alguns pets são mais vulneráveis

Nem todos os animais respondem da mesma maneira às condições de tempo seco. Os braquicefálicos — cães e gatos de focinho curto — estão entre os que demandam maior cuidado. Bulldog Francês, Pug, Bulldog Inglês, Shih Tzu e Persa são alguns exemplos. “Animais braquicefálicos já apresentam dificuldades anatômicas para respirar e, por isso, podem sofrer mais em períodos de baixa umidade. Cães com colapso de traqueia, idosos, cardiopatas e animais com doenças respiratórias crônicas também merecem atenção especial”, alerta a docente.

Hidratação é um dos principais cuidados

Manter os animais hidratados é uma das principais medidas para reduzir os impactos do tempo seco. A recomendação é deixar água fresca e limpa sempre disponível e estimular o consumo ao longo do dia. Quando houver indicação do médico-veterinário, alimentos úmidos, como sachês, também podem contribuir para aumentar a ingestão de líquidos.

Os passeios devem ser realizados preferencialmente nos horários de menor calor e menor ressecamento do ar, como no início da manhã ou no final da tarde. Dentro de casa, manter os ambientes ventilados e, quando possível, umidificador de ar pode ajudar.

A orientação é manter a umidade entre 40% e 60%. Recipientes com água também podem ser utilizados para contribuir com a umidificação do ambiente. A limpeza frequente da casa é outro cuidado importante, já que ajuda a reduzir a concentração de poeira, que pode irritar as vias respiratórias. Também é recomendável evitar que os animais sejam expostos à fumaça de cigarro e às queimadas.

Tempo seco pode agravar problemas respiratórios e de pele em cães e gatosTempo seco pode agravar problemas respiratórios e de pele em cães e gatos - Divulgação

Quando procurar um veterinário?

Durante os períodos de baixa umidade, os tutores devem observar mudanças no comportamento e na saúde dos pets. Tosse persistente, dificuldade para respirar, secreção ocular intensa, apatia e redução do consumo de água são sinais de alerta.

“Se esses sinais aparecerem, é importante que o animal seja avaliado por um médico-veterinário. Especialmente nos animais que já possuem doenças respiratórias, cardíacas ou outras condições crônicas, não é recomendável esperar que os sintomas desapareçam sozinhos”, orienta a especialista.

Com medidas simples de hidratação, controle do ambiente e atenção aos sinais clínicos, é possível reduzir os impactos do tempo seco e proporcionar mais conforto e segurança aos animais durante o período de baixa umidade.

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