Correio B

Correio B+

Capa B+: Entrevista exclusiva com a atriz e apresentadora Jacqueline Sato

"Amo cinema, quero fazer cada vez mais e voltar para as telonas com uma obra tão sensível e que está sendo realizada com tanto carinho e cuidado é maravilhoso demais"

Continue lendo...

A atriz e apresentadora Jacqueline Sato é descendente de japoneses, indígenas, espanhóis, portugueses e alemães. Sua primeira experiência na televisão foi como apresentadora do “Sessão Super Herois”, quando tinha apenas 12 anos de idade. Aos 17, começou a estudar atuação e estreou, no teatro, com “Uma Peça Por Outra”, direção de Brian Penido Ross, e “Antígona”, direção de Sérgio Ferrara.

De volta à televisão, em 2010, estreou nas novelas como Bianca em “Corações Feridos”, no SBT. Multifacetada e amante da natureza e dos animais, apresentou, entre 2011 e 2012, o programa “Encantador de Cães”, na RedeTV. Na ocasião, o reality show alcançou o top 3 entre as maiores audiências do canal.

Durante 2013 e 2014, ela interpretou Jéssica, uma tatuadora sensual e divertida em “Além do Horizonte”, na Rede Globo. Antes mesmo da obra acabar, Jacque foi convidada para viver Sandrinha em “Na Mira do Crime”, série de TV produzida pela Fox e Rede Record, exibida em janeiro de 2015. Ainda no mesmo ano, foi convidada para interpretar Harumi em “Psi”, série da HBO indicada ao Emmy, e para integrar o elenco da peça “A Lenda do Vale da Lua”, apresentada em São Paulo, no Teatro Porto Seguro.

Jacqueline também é a voz da música de abertura da versão brasileira do anime japonês “Doraemon”, sucesso no ar há mais de 40 anos no Japão.

No ano seguinte, de 2016 a 2017, ela teve um de seus maiores desafios: interpretar Yumi, um dos papéis principais em “Sol Nascente”, na Rede Globo.

2017 foi o ano em que deu vida à sua primeira protagonista, Marina, na série de TV “(Des)encontros”, do Canal Sony. A série foi ao ar em 2018 e, no mesmo ano, ela foi vista nas telonas pela primeira vez, vivendo Caroline, professora de yoga e ex-namorada de Virgílio (Mateus Solano), protagonista do filme “Talvez uma História de Amor”, da Warner Bros., com direção de Rodrigo Bernardo.

 De volta à Rede Globo, em 2018, integrou o elenco da novela de época “Orgulho e Paixão”, interpretando a médica Mariko. Já o ano de 2019 começou com Jacqueline dublando uma das protagonistas, Melissa Shield, do filme “My Hero Academia: 2 Herois”, famoso anime japonês. Em seguida, integrou o elenco de seu segundo filme, “10 Horas para o Natal”, dirigido por Cris D’Amato e lançado em dezembro de 2020.

Também em 2020, dublou desenhos e animes (a série “My Hero Academia” e “Astroboy”), animações (“Cats e a Gatolândia”), filmes ( “Ice” e “Cosmoball”), entre outros. Em setembro do mesmo ano, ela voltou ao ar apresentando na Band o programa “Encantadores de Pets” e a série “Bruce Lee: A Lenda”.

Jacqueline Sato - Divulgação

Além do trabalho como apresentadora até meados de 2021, Jacqueline deu vida também a Ayumi na série “Os Ausentes”, dirigida por Caroline Fioratti e Raoni Rodrigues, que estreou em julho do mesmo ano na HBO Max.

Em 2023, a atriz estreou no Star+ com a série “A História Delas”, onde contracena com nomes como Letícia Spiller, Cris Vianna, Emma Araújo, Bia Arantes e outros. Na trama, interpreta Mirella, uma ex-modelo, dona do Miralaser, um estabelecimento que oferece depilação definitiva, e casada com o personagem do Leo Jaime.

No ano seguinte, a artista estreou no dia 01 de agosto o programa “Mulheres Asiáticas” que aborda representatividade, preconceito, e valoriza a pluralidade e riqueza da cultura destes povos e seus descendentes. Criado por Jacqueline, a atração do canal E!, teve a primeira temporada com enfoque na vida das mulheres nipo-brasileiras.

Em setembro, a atriz retornou à Globo em “Volta por Cima”, trama das 7, dando vida à Yuki, uma mulher jovem, bonita, ética e inteligente, que será secretária de Silvia Pires Saboia (Lellê), e acaba se metendo em problemas ao se apaixonar pelo homem errado. 

Jacqueline tem entre seus próximos lançamentos o longa-metragem “Uma Praia em Nossas Vidas”, dirigido por Guto Arruda Botelho e ambientado nos anos 80.

Membro do Emmy Internacional, a artista também é CEO da House of Cats, associação de proteção aos animais, que já ajudou mais de 2000 gatinhos a encontrarem um lar. Engajada também em pautas ambientais, Jacqueline, que usa sua voz e plataforma para abordar pautas importantes, como sustentabilidade, preservação da natureza, incentivo ao slow fashion e outras mudanças de hábitos que geram menos impacto ambiental, tornou-se em 2021 a nova Embaixadora do Greenpeace Brasil.

Jacqueline é Capa exclusiva do Correio B+ desta semana, e em entrevista ao Caderno ela fala sobre carreira, trabalhos e novidades.

A atriz e apresentadora Jacqueline Sato é a Capa exclusiva do Correio B+ desta semana - Foto: Tiago Carvalho - Diagramação: Denis Felipe - Por: Flávia Viana

CE - Você acabou de gravar o filme “Uma Praia em Nossas Vidas”. Como surgiu o convite para participar desse projeto?
JS - 
Conheci o Guto, tempos atrás, e nós conversamos muito sobre a vida, sobre nossas profissões,  o que cada um já estava realizando e o que ainda gostaríamos de realizar. Foi uma linda surpresa quando recebi o convite, diretamente dele. Uma porque lembrava desse projeto dele, que quando o conheci ainda estava numa fase mais inicial.

Então, ver que aquele projeto estava se concretizando já era, por si só, motivo de ficar feliz. Outra por saber que ele gostaria da minha participação, o que me encheu de alegria, pois amo cinema, quero fazer cada vez mais e voltar para as telonas com uma obra tão sensível e que está sendo realizada com tanto carinho e cuidado é maravilhoso demais.

CE - O que mais te chamou atenção no roteiro e no arco da sua personagem?
JS -
 O roteiro trata de relações familiares, principalmente os contrastes intergeracionais, delineando muito bem o conservadorismo e machismo, versus a liberdade e as novas formas de nos relacionarmos, que estavam latentes e brotando naquela época (anos 80). Gostei muito de como tudo foi costurado, as linhas do passado e do presente, e a profundidade que há no roteiro.

Minha personagem em si, é uma mulher de espírito livre, independente, e que não cai na hipocrisia que tantos faziam questão de sustentar naquele universo. Eu adorei, pois foge do lugar comum e de qualquer estereótipo que, tão frequentemente, somos colocadas. Muitas coisas me chamaram a atenção no roteiro, mas o principal é que, através das relações e narrativa tão bem construída, você acaba de ler e fica refletindo sobre as escolhas que fazemos na vida, e suas consequências. Pelo menos pra mim, reforçou o quão bom é vivermos alinhados com a nossa verdade, seja ela bem aceita ou não.

CE - Ao longo da sua carreira, você vem transitando entre diferentes gêneros e formatos. O que sente que este trabalho acrescenta à sua trajetória?
JS -
 Eu amo poder me expressar dentro das múltiplas formas existentes nessa profissão. A sétima arte sempre me encantou e foi uma das maiores razões de eu querer ser atriz. Então, participar de um longa metragem, ainda mais um longa como este, que eu sei o quão significativo é para quem o criou, se torna ainda mais especial.

Na minha trajetória, acrescenta em muitos sentidos, desde realização pessoal, aprendizado, experiência com uma direção e elenco com os quais eu ainda não havia trabalhado, e reafirmação de que, sim, é possível transitar como atriz entre os diferentes formatos, TV, teatro, cinema, e realizar, tudo isso sem deixar de nutrir as outras funções que tenho ocupado enquanto produtora e roteirista. Algo que, anos atrás, me parecia impossível, mas a vida tem me provado que, sim, não só é possível, como também é maravilhoso — uma atividade só engrandece a outra.

CE - Sua presença na tela tem inspirado muita gente, especialmente jovens asiáticos e descendentes que ainda buscam se reconhecer nas narrativas brasileiras. Como você percebe essa responsabilidade?
JS -
 Na verdade, me emociona receber essa sua pergunta e imaginar que minha trajetória tenha esse impacto todo. Quando comecei, sentia profundamente essa falta de referências e de identificação dentro das narrativas brasileiras, então, saber que tenho conseguido colaborar para transformar esse cenário já é grandioso demais.

Brinco que eu nem escolhi, mas acabou se tornando parte da minha missão. Quando comecei eu queria trabalhar, tinha ideia dessa falta de representatividade, mas não fazia ideia do tamanho da “encrenca”, da dificuldade em transformar estruturas tão arraigadas, de conseguir abrir o olhar das pessoas para que nos enxergassem enquanto parte da brasilidade.

Ainda hoje é desafiador demais. Tem momentos que cansa, mas desistir jamais. De novo, é o viver de acordo com a minha verdade, que me baliza e me fortalece. Quando estamos fazendo escolhas a partir desse lugar tão genuíno, da nossa essência mesmo, não importa o quão gigante seja a barreira, a sensação é de que, ou a ultrapassamos, ou deixamos de ser quem somos.

E escolher deixar de ser quem se é, é muito pior do que enfrentar qualquer obstáculo. Hoje, reconheço e fico muito feliz em perceber que fiz e seguirei fazendo escolhas compatíveis com a criação de um imaginário coletivo a respeito de nós, asiáticos e descendentes, que gerem identificação e uma representação longe dos estereótipos, que por tantas décadas era a única opção para artistas com estas raízes que, mesmo desconfortáveis, aceitavam.

Afinal, parecia ser o único caminho. Houve muita narrativa equivocada e “engolição de sapo”, até hoje ainda há. Mas busco não compactuar com projetos que estejam repetindo estes padrões, sem responsabilidade racial e criativa e, com isto, já vejo os efeitos positivos, as novas oportunidades, o como isso reverbera na sociedade, o feedback das pessoas que, finalmente, podem dizer que se sentiram representadas e se identificaram com algo da obra, e a certeza de que, atualmente, existem novos caminhos.

E quando não existir, prefiro escolher usar da minha existência para criá-lo. Você me perguntou sobre responsabilidade, e eu sei que sozinha não mudo o mundo, mas sei que muita coisa que parece ser um incomodo ou uma dor individual, principalmente quando relacionada a questões raciais, na verdade, é coletiva.

Busco fazer escolhas que sejam benéficas não só para o presente e o que tange a minha vida, mas para o todo e futuro também. Desde muito nova tinha essa mentalidade da interconexão de tudo, e busco viver a vida fazendo escolhas conscientes, seja no âmbito profissional ou pessoal, ou nas causas ligadas à racialidade ou ao meio ambiente.    

A atriz e apresentadora Jacqueline Sato é a Capa exclusiva do Correio B+ desta semana - Foto: Tiago Carvalho - Diagramação: Denis Felipe - Por: Flávia Viana

CE - No início do ano, retornou as novelas com "Volta por Cima". Nela, você interpretou uma personagem que enfrentava grandes desafios pessoais. Como foi o processo de preparação para esse papel? O que mais te atraiu na construção dessa personagem e na mensagem da trama?
JS - 
Foi maravilhoso fazer essa novela e ser a Yuki. Ela deu voz a dores de tantas mulheres que sofrem relações abusivas. São muitas as mulheres que passam por situação de cárcere privado, muito mais do que podemos imaginar. No meu processo, pesquisei bastante, assisti a entrevistas, documentários, li relatos e bebi o mais próximo das fontes reais.

Depois, através de diferentes métodos, fui buscando trazer isso para o meu corpo, para que fosse o mais verossímil possível. Em diversos momentos, mulheres que passaram por situações parecidas, me chamavam de canto e diziam que com elas tinha sido assim, que eu estava conseguindo passar muito bem toda a agonia e também a força das mulheres que enfrentam situações como essa, pra mim, ao mesmo tempo que ficava feliz por meu trabalho estar sendo bem feito, me impressionava o número e a variedade de mulheres que relataram suas histórias.

Em muitos casos, mulheres que, num primeiro olhar, você jamais diria que passaram por isso. Assim como a Yuki, que começava a trama sem ninguém nunca suspeitar que ela tinha esse passado e ainda sofria. Com certeza, essa não obviedade e as múltiplas camadas dela foi o que mais me chamou a atenção em relação a essa personagem. E em relação à trama, o fato dela ser uma mulher que foi vítima, sim, mas encontrou caminhos e força para superar, e ainda conscientizar outras mulheres é algo memorável. As cenas finais de sororidade entre Yuki e Roxelle foram muito emblemáticas e ressoaram demais entre as pessoas.

CE - Em "Mulheres Asiáticas", você teve a oportunidade de estar não só em frente às câmeras, mas também nos bastidores, participando da criação. Como foi equilibrar esses dois papéis?
JS -
 Foi incrível! Algo que pretendo repetir. Trazer à vida uma ideia sua, e poder atuar em diversos segmentos, escolhendo pessoas talentosas que você acredita e confia serem as melhores para cada uma das funções é algo incomparável. A sensação de acompanhar cada detalhe, de cada etapa e, finalmente, ver a obra pronta e sendo apreciada pelo público é uma das melhores coisas que já senti. É muito trabalho, detalhe atrás de detalhe, que buscamos realizar com todo o cuidado e o resultado fica ali registrado pra sempre.

Claro que teve momentos em que pensei: “será que vou aguentar?”, e é bom demais ver que atravessamos tudo isso, chegamos na estreia e emocionamos muitas pessoas. Como diz, Lu Minami, uma das pesquisadoras “não é fácil fazer algo pela primeira vez” e, neste caso, era duplamente “primeira vez”: primeira vez que um programa como este estava sendo feito, tanto em relação a formato, quanto à temática; e minha primeira vez atuando como criadora, produtora e roteirista. Tivemos desafios sim, mas o saldo foi muito positivo e deixou com vontade de seguir realizando mais e mais.

CE - Quais aprendizados dessa experiência você gostaria de levar para futuros projetos?
JS - 
Afinar a escuta da própria intuição para tomar decisões mais rápido. Confiar mais em mim. Conhecer melhor cada pessoa que passa a integrar o processo. E sofrer menos quando algo parece “dar errado”, pois, na maior parte das vezes o que aconteceu foi para que algo ainda melhor acontecesse.

CE - Você tem planos em trabalhar mais também por trás das câmeras? Algum projeto em vista?
JS -
 Sim! Tenho escrito e produzido outros projetos. Escrever é algo que sempre quis, desde antes da faculdade, fiz também cursos de roteiro e sabia que um dia também realizaria esse ofício. Agora, produzir nunca foi algo que orbitou meu desejo, mas descobri que tenho habilidade para isto e tenho avançado bastante nesse fazer.

Pois, é extremamente importante e está cheio de projeto escrito que não consegue se concretizar. Tanto não quero que os meus se percam nesse limbo, quanto quero colaborar para que os de outras pessoas, as quais admiro e acredito no projeto, cheguem às suas estreias da forma como merecem. Estou envolvida com 10 projetos andando em diferentes fases, no momento.

Jacqueline Sato - Divulgação

CE - Seu engajamento em causas da preservação do meio-ambiente é notório. Como enxerga a responsabilidade de artistas e pessoas públicas na defesa de questões ambientais?
JS - 
Quanto mais longe sua voz chega, mais pessoas e ações você pode influenciar, para algo que trará boas consequências ou não. Cada um escolhe o que faz com esse alcance todo que, querendo ou não, é poderoso. Agradeço o reconhecimento daquilo que já consegui realizar e afirmo que quero realizar muito mais em relação a esta causa que, pra mim, é de extrema urgência. Eu sempre tive muito amor pela natureza e consciência do que a humanidade vem fazendo, desde criança sabia que queria agir em prol da conservação e inovações que tornassem a vida mais sustentável.

Quase cursei engenharia ambiental, mas ao escolher o caminho da arte e da comunicação já sabia que através da minha profissão eu poderia colaborar com essa conscientização e escolho diariamente fazer isso. Faz parte de quem eu sou. Seria melhor se cada vez mais pessoas estivessem despertas a colaborar com essa e outras causas? Sem dúvida.

Ter mais artistas e pessoas públicas envolvidas ajudaria? Com certeza. Mas lutar por uma causa precisa partir de uma escolha genuína, se não, não se sustenta e também soa falso. Por isso, sigo fazendo a minha parte e torço que mais e mais pessoas se sensibilizem e se sintam impelidas a agir também, dentro daquilo que está ao alcance de cada uma.

CE - Que papel você acredita que instituições como a House of Cats desempenham hoje na conscientização sobre proteção e adoção de animais?
JS -
 Você já viu que eu procuro ser otimista, né? Se eu acredito no poder de uma pessoa levar conscientização, o poder de várias pessoas unidas é ainda maior. A House of Cats é muito presente nas redes sociais e, todos nós, seguimos diversos perfis e somos impactadas por diferentes mensagens em poucos minutos.

Ser um perfil que constantemente traz imagens de animais que foram abandonados e estão disponíveis para adoção, ou que recém foram adotados, que relembra a nossa responsabilidade em proteger, cuidar, castrar, estes seres que a humanidade domesticou e que, hoje, grande parte depende de nós para sobreviver, é um trabalho de formiguinha que tem surtido efeitos. Já conseguimos lares responsáveis para quase 3 mil gatinhos, e isso significa que muitas famílias já transformaram sua visão em relação ao que é ser tutora ou tutor de um animal de estimação.

Cada uma destas famílias segue incentivando a adoção e a proteção dos animais. Cada um destes animais, segue sendo amado como merece, deixou de estar em situação de risco nas ruas e de, possivelmente, dar cria a 12 filhotes em um ano e, ele junto com seus filhotes, darem cria a 66 novos filhotes no segundo ano e, continuando assim, ao final de apenas 5 anos, somam cerca de 12.680 animais em situação de rua.

Sim, o número é impressionante. E é por isto que nós, que trabalhamos com proteção animal, batemos tanto na tecla da importância da castração. Instituições como a nossa colaboram diretamente na mudança de mentalidade das pessoas em relação ao como se relacionar com estes outros seres, e ajudam a dar uma vida melhor tanto ao adotado, quanto ao adotante. Pois nessa relação, todos ganham.

FELPUDA

A vereadora Isa Jane Marcondes está andando em campo minado, pois a cada...Leia a coluna de hoje

Leia a coluna desta quarta-feira (25)

25/03/2026 00h03

Diálogo

Diálogo Foto: Arquivo / Correio do Estado

Continue Lendo...

Millôr Fernandes - escritor brasileiro

"Ninguém sabe o que você ouve, mas todo mundo ouve muito bem o que você fala”.

 

FELPUDA

A vereadora Isa Jane Marcondes está andando em campo minado, pois a cada fiscalização que realiza e posta em suas redes sociais, torna-se alvo de saraivada de ataques, inclusive dos seus colegas da Câmara Municipal de Dourados. Persistente, ela anda se desviando das minas espalhadas em cada órgão público que visita para constatar se os serviços estão indo ao encontro do que a população quer. Ela verifica, inclusive, o que teria sido varrido para debaixo do tapete. A realidade, dizem, é que há aqueles que desejam tirá-la do páreo de voos mais altos. Vai saber...

Diálogo

Eclético

O deputado Paulo Duarte está buscando novo rumo e, assim, deve deixar o PSB para se filiar, ao que tudo indica, no PSDB. O parlamentar tem trajetória partidária um tanto quanto extensa em sua vida política. Ele foi filiado ao PT.

Mais

E, inclusive, integrou o “núcleo duro” da administração petista em MS. Saiu do PT em 2016 e migrou para o PDT. Mas não durou muito, pois logo mudou de sigla, filiando-se ao MDB. Posteriormente, buscou abrigo no PSB e agora consta que estaria indo para o PSDB. Ufa!

DiálogoDr. Afonso Simões Corrêa, que está participando do programa de residência médica em Oncologia Clínica na USP, em São Paulo

 

DiálogoFlávia Ceretta

Eu juro!

O governador Eduardo Riedel jurou por todos os santos e arcanjos que não conversou sobre política com Lula, quando ele esteve em Campo Grande. Disse que o diálogo entre eles foi sobre, em suas palavras, “investimentos no Estado; falei para ele a respeito da rota bioceânica, da necessidade de manter o aporte para o acesso; conversamos do êxito da concessão, que foi uma delegação de parte das rodovias federais, e também de projetos que estão na Casa Civil e devem ser enviados ao Senado para aprovação da CAE, aqueles 200 milhões de dólares, que temos 50 de contrapartida”. Então, tá...

Palanque

A ministra Simone Tebet bateu o martelo com Lula e trocará MDB, seu partido por três décadas, pelo PSB, cuja figura mais ilustre é o vice-presidente Alckmin. Ela disputará uma das vagas ao Senado, mas por São Paulo, estado com maior colégio eleitoral do País, para “fazer palanque” para o lulismo. Em sua trajetória política em Mato Grosso do Sul foi deputada estadual, prefeita, vice-governadora e senadora.

Recuo

Com a reta final da janela partidária e algumas definições para composição de chapas e, até mesmo, interesse de alçar outros voos, políticos decidiram fazer análise mais detidamente do cenário eleitoral. Assim, já se verifica certa disposição de algumas pré-candidaturas serem mantidas. Uma delas seria a da vice-prefeita de Dourados, Gianni Nogueira (PL). Ela teria cogitado até se filiar ao Novo para disputar o Senado. Porém...

Aniversariantes

Elaine Batista de Oliveira,
Alfredo Zamlutti Júnior,
Lauane Braz Andrekowiski Volpe Camargo,
Vilmar Vendramin,
Andréa Elizabeth Ojeda,
Clelia Casanobas Pereira,
Ilda Vilalba Lima,
Aline de Oliveira Silva,
Cicero Pucci,
Antônio Fernandes Teixeira,
Constantinos Mastroyannis,
Goro Shiota,
Izaura Saad do Amaral,
José Aparecido Miguel,
Luis Adolar Camargo Kieling,
Paulo Ricardo Sbardelote,
Darci Rocha Rodovalho,
Elcimar Serafim de Souza,
Marizeth de Faria Molina,
Eva Lefreve,
Miguel Cherbakian Primo,
Amaury D’Anunzio de Miranda Leal,
Eduardo Orsi Abdul Ahad,
Dra. Janete Lima Miguel,
Dr. Sidney Valieri,
Pércio de Andrade Filho,
Ana Carolina Correia,
Adelino Augusto Arakaki Martins,
Maria Neusa de Souza,
Thomaz Lipparelli,
Cristiane Iguma Câmara,
Bertildes Oliveira de Abreu,
Rose Mary Monteiro,
Joaquim Alcides Carrijo,
Luis Antonio de Oliveira,
Wagner Dagoberto Baptista,
Osmar Marques do Amaral,
Aparecido Camazano Alamino,
Alceu Roque Rech,
Zely Vieira Recalde,
Antônio Vladimir Furine,
Hélio Aldo dos Santos,
Magdalena Ferraz Baís,
Roseny Rodrigues Nogueira,
Maria Pereira Motta,
Leôncio de Souza Brito Filho,
Dr. Carlos Benigno Tokarski,
Nilza Maria Coutinho,
Maria Helena Pinheiro,
Zulmira de Freitas,
Nilton Nantes Coelho,
Arialú Paula Nogueira,
José Ernesto de Souza Faria,
Gabriel Meudau Lemos,
Marilda Coelho Lima,
Otávio Otaviano da Silva Pereira,
Maria Emília da Silva,
Pedro Paulo Gentil,
Dirceu Teixeira Nogueira,
Mirna Gonçalves,
Geraldo Carvalho Corrêa,
Nilson Arantes,
Altagno Sandin Bacarje,
Dilma Alvarenga da Silva,
Agenor de Figueiredo,
Fábio da Costa Rondon,
Maria Aparecida Barros de Moura,
Lodemir Cânepa Penajo,
Carlos Augusto Melke,
Taís Oliveira Pena,
Cristina de Melo Hamana,
Assis Alves Pimenta,
Allan Kardec Victor Hugo dos Santos,
Juliene Aparecida da Silva Gomes,
Wanir Maria Gasparetto da Silva,
Edilson Carlos Araujo de Oliveira,
Dayselene de Lara,
Anuncia Gimenes Ayala,
Antonio da Silva,
José Mário Facioli,
Gustavo Kiotoshi Shiota,
Everton Santos Garcia,
Edmilson Amaral da Rosa,
Carlos Uechi,
José Antonio Amaral Camargo,
Milton de Souza Leite,
Rodrigo Fernandes Ramos,
Silvia Aparecida da Silva Rocha,
Eloisa Fernandes dos Santos,
Ademir Gonçalves da Silva,
Thamara Silva Dauzacker Furlan,
Andreia Gomes Gusman,
Guilherme Coppi,
Rubens José Franco Cozza,
Silvania Gobi Monteiro Fernandes,
Márcio José da Cruz Martins,
Cenise Fatima do Vale Montini Jonson,
Dianary Carvalho Borges,
Carlos Eduardo Tedesco Silva,
Douglas Tiago Campos,
Katiussia Ribeiro Vieira,
Nelma Ortolan Franzim,
Sara Rosane Barcelos Moreira,
Luciane de Araújo Martins,
Everton Armôa Martos,
Humberto Dauber,
Carlos Henrique Suzuki,
Vicente Martins,
Quirino Areco

COLABOROU TATYANE GAMEIRO

COMPORTAMENTO E SOCIEDADE

Sociedade Pesquisa mostra que 80% dos brasileiros se sentem felizes

Levantamento da Ipsos mostra crescimento nos níveis de bem-estar, com destaque para relações pessoais, saúde e espiritualidade como pilares da felicidade entre brasileiros

24/03/2026 08h00

Relações pessoais e o sentimento de ser amado ou valorizado estão entre as maiores causas de felicidade no Brasil

Relações pessoais e o sentimento de ser amado ou valorizado estão entre as maiores causas de felicidade no Brasil Freepik

Continue Lendo...

Os brasileiros estão mais felizes atualmente do que estavam há um ano. É o que revela o Ipsos Happiness Report 2026, pesquisa global que mede a percepção de felicidade em 29 países e aponta um avanço significativo nos níveis de satisfação da população.

No Brasil, 80% dos entrevistados afirmam estar felizes ou muito felizes (um crescimento de dois pontos porcentuais em relação a 2025), colocando o País entre os mais satisfeitos do mundo, na sétima posição do ranking internacional.

O levantamento mostra que 28% dos brasileiros se consideram muito felizes e 52% felizes. Enquanto 15% dizem não estar muito felizes e apenas 5% afirmam não estar felizes de forma alguma. Os números brasileiros superam a média global, que registra 74% de pessoas felizes, sendo 18% muito felizes.

O cenário nacional acompanha uma tendência internacional: em 25 dos 29 países pesquisados, os níveis de felicidade aumentaram em comparação ao ano anterior.

Apenas três países registraram queda. O dado indica uma melhora generalizada na percepção de bem-estar, possivelmente influenciada por fatores como maior estabilidade econômica e recuperação social após períodos de crise.

Os dados do levantamento revelam uma compreensão mais ampla sobre o que significa ser feliz. No Brasil, essa percepção está fortemente associada a vínculos afetivos, saúde e propósito de vida – elementos que, mesmo diante de desafios econômicos, sustentam níveis elevados de satisfação.

Ao mesmo tempo, o estudo evidencia que a felicidade não é distribuída de forma uniforme e pode variar de acordo com fatores como idade, renda e contexto social.

MOTOR DA FELICIDADE

No Brasil, a felicidade tem raízes profundas nas relações humanas e no bem-estar emocional. O principal fator apontado pelos entrevistados é o sentimento de ser amado ou valorizado, citado por 34%. Em seguida, aparecem a saúde física e mental (31%) e o relacionamento com a família e os filhos (29%).

Esses resultados mostram que, mais do que condições materiais, são os vínculos afetivos e a qualidade de vida que sustentam a sensação de felicidade entre os brasileiros.

A tendência também se repete globalmente: sentir-se apreciado e ter boas relações familiares aparecem como os principais motores da felicidade em diversos países.

Outro ponto de destaque é o papel da espiritualidade. No Brasil, 22% dos entrevistados apontam a fé ou a vida espiritual como um fator relevante para a felicidade – mais que o dobro da média global, que é de 10%.

O dado reforça uma característica cultural marcante do País, onde a religiosidade segue sendo um elemento importante na construção do bem-estar.

Além disso, fatores como perceber que a vida tem sentido e ter controle sobre a própria trajetória também aparecem entre os elementos que contribuem para a felicidade, indicando uma combinação entre aspectos emocionais, sociais e subjetivos.

DIFERENÇAS ENTRE GÊNEROS

A pesquisa também revela nuances importantes quando se observa o recorte por gênero. Entre os brasileiros que se dizem muito felizes, os homens aparecem em maior proporção (29%) em comparação às mulheres (26%).

No entanto, quando se trata do grupo que se declara feliz, as mulheres lideram, com 54%, frente a 50% dos homens.

Os dados sugerem que, embora os níveis gerais de felicidade sejam semelhantes entre os gêneros, a intensidade dessa percepção pode variar. Ainda assim, a soma total de pessoas satisfeitas com a vida se mantém elevada em ambos os grupos.

Relações pessoais e o sentimento de ser amado ou valorizado estão entre as maiores causas de felicidade no BrasilEspiritualidade é duas vezes mais relevante para a felicidade dos brasileiros do que para a média global - Foto: Freepik

VARIAÇÃO AO LONGO DA VIDA

O estudo também analisa como a felicidade muda com a idade – e os resultados mostram um padrão curioso. A satisfação com a vida tende a ser alta na juventude, sofre uma queda por volta dos 50 anos e volta a crescer nas décadas seguintes, atingindo seu pico após os 70 anos.

Globalmente, pessoas com mais de 70 anos apresentam os maiores níveis de felicidade, enquanto aquelas na faixa dos 50 anos estão entre as menos satisfeitas.

No Brasil, a faixa etária entre 50 e 74 anos concentra o maior índice de felicidade, com 82% das pessoas se declarando felizes ou muito felizes. O dado indica que, apesar de desafios comuns à meia-idade, como questões profissionais ou financeiras, há uma retomada significativa do bem-estar com o avanço da idade.

Por outro lado, a geração Z – formada por jovens nascidos entre o fim dos anos 1990 e o início dos anos 2010 – é a que apresenta o maior porcentual de pessoas que se dizem nada felizes, embora esse número ainda seja relativamente baixo, de 6%.

UM DOS MAIS FELIZES

No ranking global, o Brasil aparece entre os países com maior índice de felicidade. As primeiras posições são ocupadas por Indonésia (86%), Países Baixos (84%), México (83%) e Colômbia (83%). Com 80% da população feliz, o Brasil figura logo atrás, consolidando-se como um dos países mais satisfeitos entre os pesquisados.

A trajetória também é positiva no longo prazo. Desde 2011, o índice de felicidade no Brasil aumentou três pontos porcentuais, contrariando uma tendência de queda observada em alguns países ao longo dos anos.

Esse crescimento indica que, apesar de desafios econômicos e sociais, a percepção de bem-estar no País tem se mantido resiliente, sustentada principalmente por fatores não materiais.

DINHEIRO NÃO TRAZ FELICIDADE, MAS AJUDA

Se por um lado a felicidade está ligada a aspectos emocionais e relacionais, a infelicidade tem uma origem mais concreta. No Brasil, a situação financeira é o principal fator de insatisfação, citado por 54% dos entrevistados.

Na sequência, aparecem a saúde mental e o bem-estar (37%) e as condições de moradia (27%). O padrão é semelhante ao observado globalmente, em que a situação financeira também lidera como principal causa de infelicidade, com 57% das menções.

O impacto das finanças é transversal e atinge todas as gerações. Entre os baby boomers, 68% apontam esse fator como a principal causa de infelicidade. O índice cai para 62% na geração X e para 49% entre millennials e geração Z, mas ainda se mantém como o principal motivo em todos os grupos.

A pesquisa também evidencia uma relação direta entre renda e felicidade. Pessoas com maior poder aquisitivo tendem a ser mais felizes (79%) do que aquelas com renda mais baixa (67%), o que reforça a importância das condições materiais na qualidade de vida.

Apesar do peso das finanças na infelicidade, a percepção sobre a economia apresentou melhora este ano. Em 18 dos 29 países analisados, mais pessoas passaram a acreditar que a economia nacional está mais forte do que no ano anterior.

Essa mudança pode ter contribuído para o aumento geral da felicidade, visto que reduz a insegurança e melhora as expectativas em relação ao futuro.

O estudo sugere que, embora fatores econômicos não sejam os principais responsáveis pela felicidade, eles exercem forte influência quando se trata de insatisfação, especialmente em contextos de instabilidade.

METODOLOGIA

O Ipsos Happiness Report 2026 foi realizado entre 24 de dezembro de 2025 e 9 de janeiro de 2026, com a participação de 23.268 adultos em 29 países. As entrevistas foram conduzidas por meio de plataformas on-line, com exceção da Índia, onde parte da coleta foi feita presencialmente.

No Brasil, a amostra contou com cerca de mil entrevistados, com margem de erro estimada em 3,5 pontos porcentuais. Os dados foram ajustados para refletir o perfil demográfico da população adulta, com base nos censos mais recentes.

Assine o Correio do Estado

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).