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Capa B+: Entrevista exclusiva com a Chef carioca Mariele Horbach nossa nova colunista do Correio B+

"A coluna PANELANDO NO B+ será leve, divertida, e quero que tenha muita participação do público. Estou muito feliz!". A Rainha dos Botecos de São Paulo estreia ao lado de convidados especiais com receitas deliciosas.

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Mariele Horbach é Chef do Grupo Hungry, holding do setor de alimentos. Fora da cozinha, é também empresária, mãe e esposa. Nascida na cidade de Encantado no interior do Rio Grande do Sul, ela mora em São Paulo, e hoje, aos 39 anos, é sócia – proprietária com seu marido André Silveira de uma rede de bares/botecos que reverenciam a cultura e boemia carioca na capital paulista onde administra e assina todos os cardápios das casas.

“Se você quer abrir o seu próprio negócio, invista, tenha paciência e resiliência. Na maioria das vezes, o começo não é fácil, mas quando os resultados começam a aparecer, toda a dedicação passa a valer a pena”. Leonina com espírito de liderança, a Chef conhecida como a Rainha dos Botecos de São Paulo, usa da sua profissão e posição como uma mulher toda de botecos para proporcionar algo de positivo na vida das pessoas, seja gerenciando carreiras ou histórias de vida.

“Uma das minhas maiores satisfações e que me inspiram todos os dias, é de ter a certeza que a consequência de tudo isso é a felicidade de quem frequenta os meus bares, dos funcionários que trabalham comigo e tudo mais que eu puder proporcionar inspirando e incentivando outras pessoas com o minha história e trajetória que construo um pouco todos os dias, eu sou realmente grata e isso me dá a certeza de que estou no caminho certo”.

A Chef carioca estreia sua coluna de gastronomia no Correio B+ - Panelando no B+ hoje, e em estrevista exclusiva ao Caderno ela fala sobre sua escolha pela culinária, ser empreendedora, linha licenciada e o que vamos ver em sua coluna do jornal que você poderá assistir em nosso canal do YouTube, Portal e Redes Sociais.

A Chef  Mariele Horbach é Capa exclusiva do Correio B+ desta semana - Foto: Daniele Akime - Diagramação Denis Felipe e Denise Neves  

CE - Mari, quando você descobriu a culinária?
MH -
Eu acho que eu não descobri a culinária, eu fui descoberta por ela.
Comecei muito cedo! Sou descendente de italianos e vim de uma família do Rio Grande do Sul, e lá a gente já, desde pequena, aprendia a cozinhar, fazer pão, fazer bolo... Então muito nova tive contato com a cozinha, tipo cinco, seis anos, eu ficava na cozinha com a minha avó, com a minha mãe, e a culinária sempre esteve dentro das nossas raízes. As meninas aprendiam a cozinhar muito cedo aonde eu morava, então, eu tive que aprender a cozinhar, a mexer no fogão. Meus pais trabalhavam, minha irmã também tinha que trabalhar, e eu tinha que me virar...

CE - Quando decidiu que cozinhar e empreender seria o seu caminho?
MH -
Aos 18 anos, quando eu cheguei no Rio, comecei a ser inserida nesse meio de restaurante da minha irmã e da família dela, e eu vi que essa era uma grande oportunidade da minha vida, talvez a única naquele momento, que era empreender, cozinhar, então, eu tinha que ir.

Eu sempre brinco que, na minha vida, dificilmente, tudo que acontece, eu nunca tenho um plano B, por isso, eu me agarro tanto no plano A e tenho que fazer certo sempre, porque não existia o meu plano B, e foi a oportunidade que eu vi ali também, de empreender, cozinhar e de mudar de vida, crescer e ser alguém. Á partir do momento que eu fui inserida nesse meio de restaurante, eu falei, “Essa é a minha chance!”. Ou eu agarro e faço uma cápsula dentro dela e não deixo escapar, ou eu não sei o que vai acontecer. Então, eu agarrei com todas as minhas força!


CE - Cozinhar e empreender sempre caminharam juntos? 
MH -
Sim, cozinhar e empreender sempre caminham lado a lado! Como eu já tinha esse know-how de bar e restaurante da família da minha irmã, quando eu cheguei no Rio de Janeiro, essa sementinha já estava plantada em mim, eu não tinha como não cuidar de umas das áreas mais importantes de um restaurante que é a cozinha. Então, como eu falei anteriormente, eu vi como uma oportunidade de mudar de vida e de crescer. Como eu já dominava essa área da cozinha, eu já tinha entendido que esse era o meu dom, minha paixão, e o que eu gostava de fazer.

Quando eu cheguei em São Paulo e montei meu primeiro restaurante com o André, meu sócio e marido, e como ele ficava boa parte do tempo fora na agência (ele é publicitário e trabalhava em agência nessa época) eu assumia o Garota da Vila inteiro, da cozinha ao administrativo, ambos ficavam nas minhas mãos.

Cheguei a contratar um chef de cozinha porque eram inúmeras coisas para resolver, mas felizmente ele não certo, porque aí mais uma vez estava a oportunidade de uma me aprofundar na cozinha e na culinária da qual sou a responsável até hoje em todos os meus bares que são um sucesso, até porque, mais uma vez eu só tinha o plano A para executar na minha vida, e mais uma vez deu certo!

Mari recebeu convidados em sua estreia na coluna PANELANDO NO B+ - Foto: Glauco Epov

CE - Como é ser mulher é dona de bares? 
MH -
Eu deixo sempre muito claro que é uma grande honra poder levantar essa bandeira em ser uma das pioneiras de ser não dona de bar, mas sim dona de boteco. Eu de fato coloquei a cara de ser dona de botecos raíz mesmo, com aquela essência botecão.

Eu acho que as pessoas notam o meu orgulho de defender essa bandeira que eu quero levantar a bola e dizer para fazermos esse movimento das donas de botecos, mas que estejam de fato à frente, não apenas de figuração e acho que eu sou a pessoa que está levantando a bandeira e falando que é muito legal ser dona de boteco. O Grupo Hungry tema minha cara, porque são quatro botecos que fazem parte dele, e eu tenho orgulho e sou muito grata por tudo!

CE - Qual é o segredo dos seus cardápios? 
MH -
Bom, quem chega em qualquer um dos meus botecos, você vê muito da minha identidade e do André (meu marido e sócio), você de fato vê a gente ali, e esse é o segredo, é toda essa essência, a comida afetiva, as receitas de família como a carena assada e o sanduíche feito com ela também “inventado” pelo meu filho mais velho José.
No cardápio dos botecos do Grupo Hungry estão a nossa verdade, identidade e personalidade, é esse o segredo.

CE - Porque a escolha da cultura carioca?
MH -
Porque fui morar no Rio de Janeiro muito nova, aos 10 anos e o André sendo carioca não tinha como a gente não escolher a cultura carioca. E nós não somos tipo carioca, a gente é carioca de verdade. Tudo em nossos botecos são carioca raiz, o carioca do subúrbio, temos em nossas casas elementos do subúrbio, da zona sul onde o André morava também. É a nossa verdade, essência e personalidade, do cardápio, a ambientação até o tratamento com nossos clientes que viram nossos amigos.

Mari no Bar Jobim, um dos botecos cariocas do Grupo Hungry - Foto: Glauco Epov

CE - Entre os pratos nos botecos o que é mais pedido e porque?
MH –
Os clássicos são os mais pedidos como: Osvaldo Aranha, Picadinho Carioca, Vinícius de Moraes e Filé à Francesa, nossos carros chefes. As pessoas entram no nosso bar falando que veio só pra experimentar o Osvaldo Aranha dos nossos botecos, porque ele é muito famoso e muito divulgado também. O prato que a gente mais vende de fato é o Osvaldo Aranha, mas isso também se aplica para o cardápio clássico carioca.

CE - Os botecos viraram uma holding, como foi esse processo? 
MH –
Os botecos se tornaram uma holding pela necessidade de profissionalização e amadurecimento, onde à partir de agora vão vir mais bares e projetos. Foi assim que o Grupo Hungry nasceu, porque dentro dele temos não só os botecos, mas também produtos.

CE - O que mais gosta de cozinhar?
MH –
O que eu mais gosto de cozinhar é comida salgada, principalmente as comidas de boteco, as comidas do Rio de Janeiro. O doce é algo que me deixa desconfortável, mas estou mudando isso, saindo da minha zona de conforto e deixando acontecer, me desafiando porque sei fazer inúmeras coisas ou absorvo muito rápido aquilo que me é pedido ou proposto, mas eu adoro mesmo é fazer pratos salgados. Mas quem sabe na próxima entrevista eu tenho mudado de ideia (risos).

Mari em gravação com a apresentador Amaury Jr - Foto: Divulgação

CE - Como é conciliar a vida de empresária, mãe, Chef...
MH -
Pra mim é tudo muito orgânico, e é tudo uma mistura que pra mim não é difícil. As pessoas que me veem, minhas amigas, as pessoas de fora me perguntam como eu dou conta, mas eu respondo que é o meu dia a dia e os meus filhos fazem parte de todo esse processo também, eles estão sempre com a gente. Pra mim é muito orgânico eu conciliar essas coisas. Claro que tem dias que o filho fica doente, minhas ajudantes faltam e os dias ficam mais pesados, mas eu estou tão acostumada com isso, eu não divido isso em áreas diferentes da minha vida, e tudo está linkado e aí parece ser fácil.

CE - Porque Rainha dos Botecos?
MH –
 A Rainha dos Botecos começou como uma brincadeira, e depois que eu comecei a ter mais de um bar as minhas amigas começaram a falar:”Llá vem a rainha”, e aí começou com essa identidade de Rainha dos Botecos. E eu gostei da ideia porque como eu disse, quero levantar a bandeira de ser dona de boteco como eu sou, e assim ficou e imprimiu essa identidade e virou agora minha marca pessoal, a Rainha dos Botecos de São Paulo.

Cozinhando com o apresentador Edu Guedes - Foto: Divulgação

CE - Como foi esse lançamento da sua primeira linha de produtos? 
MH –
Foi mais uma coisa na vida que eu nunca pensei que fosse acontecer assim como foi. Nunca pensei que eu fosse ter uma linha de tiaras, que é uma marca minha desde a infância. É muito apego e memória afetiva, porque eu uso desde que pequena.

Está sendo muito gratificante e emocionante ter uma linha com o meu nome e de algo que faz parte da minha história. Estar ao lado de uma empresária como a Fernanda Fernandes CEO da Ellos Semijóias é ver nascer uma parceria linda da qual tenho orgulho e admiração e temos muitos planos futuros. Então assim, é inexplicável falar sobre essa linha de produtos licenciados, é muito mais do que eu sempre sonhei.

CE - O que podemos esperar da sua coluna no Correio do Estado?
MH -
Gente, vocês podem esperar tudo de melhor! Vai ser muito legal, vai ser muito maravilhosa o Panelando com o B+ dentro do Caderno B+. Vou fazer pratos, mas teremos também dicas, segredos para você reproduzir com fidelidade na sua casa.

A ideia é que a coluna seja leve, espontânea e com a participação de todos vocês, SEMPRE! Além disso, vou cozinhar algumas vezes com convidados que também trarão suas dicas e receitas para fazermos todos juntos. Então as expectativas para a coluna são as melhores e eu estou muito feliz e animada. Obrigada Correio do Estado pela parceria, que seja de longa data e que todos gostem e fiquem felizes como eu estou.

Mari e André Silveira, sócio e marido recebem o apresentador Ronnie Von e a esposa Cris em um de seus botecos o GAROTA DA VILA - Foto: Divulgação

CE - Planos para 2024?
MH -
Meus planos para 2024 é que eu fortaleça ainda mais a minha imagem como Chef, mulher e dona de boteco, mas também como mulher à frente de boteco com força e orgulho. E eu quero cada vez mais inspirar mais mulheres a irem em frente e acreditarem como eu.

Que o Grupo Hungry cresça e sua expansão se concretize e eu só posso agradecer 2023. E aproveito para agradecer também ao Correio do Estado pela oportunidade de parceria que pra mim é uma alegria imensa entrar o ano ao lado de vocês.

Mari ao lado da também empresária Fernanda Fernandes em lançamento da sua primeira linha de produtos licenciadas com a Ellos Semijoias - Foto: Divulgação

 

Em gravação da coluna no Pocketstudio - Foto: Divulgação

 

Com os filhos José e Francisco em campanha de Dia das Mães - Foto: Glauco Epov

 

Cinema Correio B+

O legado de Baryshnikov vai muito além da dança

Centro criado pelo bailarino funciona como incubadora artística e estuda aproximação com o Brasil

08/08/2026 13h00

O legado de Baryshnikov vai muito além da dança

O legado de Baryshnikov vai muito além da dança Foto: Divulgação

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Quando se ouve o nome de Mikhail Baryshnikov, é praticamente impossível pensar primeiro em qualquer coisa que não seja dança. Para várias gerações, ele representa o bailarino completo, aquele artista no qual a técnica extraordinária nunca anulou a inteligência, a personalidade ou a capacidade de transformar cada movimento em interpretação. O Baryshnikov Arts, porém, demonstra que seu legado não ficou restrito ao que fez no palco.

Criado em Nova York, em 2005, o centro apoia artistas de diferentes linguagens, oferecendo residências, espaços de ensaio, oportunidades de apresentação e condições para que ideias ainda embrionárias possam se transformar em obras.

Há dança, naturalmente, mas também teatro, música, cinema e projetos multimídia. “Acho que a palavra certa é incubadora”, explica Carlo Di Dio, ex-bailarino italiano e integrante do conselho de administração da instituição.

Di Dio esteve pela primeira vez no Brasil durante o Festival de Dança de Joinville e sua presença teve uma missão que pode se tornar importante para os artistas brasileiros: conhecer o evento, observar seus talentos e estudar caminhos para uma colaboração com instituições norte-americanas.

Antes de falar sobre essa possível ponte, entretanto, ele fez questão de explicar por que o Baryshnikov Arts não deve ser confundido com uma escola ou companhia de balé.

“A missão do centro é proporcionar oportunidades para diferentes formas de arte e para artistas que precisam desenvolver uma ideia ou um trabalho.

Podem ser coreógrafos, atores, diretores, músicos ou outros criadores. Nós oferecemos espaço e condições para que eles consigam reunir esse trabalho e sair de lá com alguma coisa sólida”, afirma.

É uma continuação coerente da trajetória de Baryshnikov. Depois de uma carreira que atravessou o Kirov, o American Ballet Theatre, o New York City Ballet, o cinema, o teatro e a dança contemporânea, ele passou a empregar seu prestígio na criação de oportunidades para outros artistas.

Aos 78 anos, permanece fundador e diretor artístico do centro e, segundo Di Dio, acompanha os projetos, conversa com os residentes e compartilha sua experiência.

“Misha ama as artes de coração. É inspirador vê-lo envolvido, conversando com os artistas, contando sua história e continuando tão relevante para o mundo atual.

É fácil pensar nele apenas como bailarino e ícone da dança, mas é importante que o mundo conheça também essa organização que ele criou. Esse é o seu legado.”

A própria trajetória de Carlo Di Dio ajuda a explicar por que ele foi chamado para participar dessa construção. Formado pela Escola de Balé do Teatro San Carlo, em Nápoles, ele dançou em companhias italianas e norte-americanas, tornou-se primeiro bailarino na Califórnia e dividiu o palco com nomes importantes da dança internacional.

Quando decidiu deixar a carreira, não seguiu o caminho mais previsível de se tornar exclusivamente professor, ensaiador ou diretor artístico.

Di Dio estudou administração, concluiu um MBA e foi trabalhar com estratégia e consultoria na PwC. A mudança, que poderia parecer um abandono da arte, nasceu justamente do desejo de compreender por que algumas instituições sobrevivem e outras desaparecem.

“Não acho que exista algo mais bonito do que estar no palco e sentir o público, mas, com o tempo, percebi que também me inspirava criar as condições necessárias para que as artes cresçam e permaneçam.

A pergunta passou a ser: como construir uma organização artística capaz de oferecer oportunidades não somente durante uma temporada, mas por gerações?”, conta.

Foi por isso que ele entrou para a consultoria. “Muitas pessoas pensaram que eu havia deixado a dança porque queria trabalhar no mundo corporativo.

Na verdade, foi o contrário. Entrei para uma empresa global porque queria entender como grandes organizações operam, como as decisões estratégicas são tomadas, como elas se sustentam e quais modelos desenvolvem. Eu não deixei as artes. Apenas ampliei a maneira como poderia servi-las.”

O legado de Baryshnikov vai muito além da dançaO legado de Baryshnikov vai muito além da dança - Divulgação

Para Di Dio, a disciplina adquirida no balé continua determinando sua atuação. A dança lhe ensinou liderança, responsabilidade, adaptação e trabalho coletivo, qualidades tão importantes em uma sala de reuniões quanto diante de uma plateia. Também ensinou que talento, por maior que seja, não resolve tudo.

“Minha professora dizia: ‘Carlo, aonde você não conseguir chegar com as pernas, chegue com a cabeça’. Nunca esqueci essa frase. É preciso ser inteligente porque esse será o seu diferencial. Talento não basta.”

Em Joinville, ele encontrou muito talento, mas se impressionou especialmente com o investimento feito para que crianças e adolescentes consigam desenvolvê-lo. A organização, a qualidade das escolas e o envolvimento das famílias revelaram uma estrutura que, em sua opinião, já pode dialogar com instituições internacionais.

O próximo passo será transformar essa impressão em um plano concreto. Entre as alternativas discutidas estão intercâmbios, cursos intensivos nos Estados Unidos, residências para coreógrafos e a vinda de artistas e professores ao Brasil.

As dificuldades atuais para a obtenção de vistos norte-americanos podem interferir no formato, mas não eliminam a possibilidade de colaboração.

“Vamos analisar onde existe alinhamento e qual é a melhor maneira de oferecer essas oportunidades. Gosto do termo parceria porque ela precisa ser uma relação de 50 a 50, com riscos e benefícios para os dois lados”, explica.

Ainda é cedo para anunciar um projeto, mas a presença de Di Dio em Joinville já estabeleceu o primeiro contato. Se a ponte avançar, ela poderá aproximar jovens artistas brasileiros não apenas do nome Baryshnikov, mas daquilo que ele decidiu construir depois de se tornar uma lenda.

Afinal, preservar a cultura não significa somente guardar a memória dos grandes artistas. Significa criar as condições para que os próximos consigam existir.

“Precisamos fazer o mundo entender que a cultura é indispensável”, resume Di Dio. Essa talvez seja a ideia que melhor explique o Baryshnikov Arts e também por que a aproximação com Joinville pode ser tão importante.

Gastronomia

Chef Paulo Machado participa do maior circuito de experiências gastronômicas do Brasil

Cozinheiro sul-mato-grossense participa do maior circuito de experiências gastronômicas do Brasil e planeja livro com receitas da Rota Bioceânica; veja um dos pratos em destaque

08/08/2026 08h00

Há 18 anos o chef Paulo Machado trabalha com a culinária pantaneira e de fronteira

Há 18 anos o chef Paulo Machado trabalha com a culinária pantaneira e de fronteira Sergio Coimbra

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Mato Grosso do Sul receberá na próxima semana, nos dias 13, 14 e 15, no Centro de Convenções Rubens Gil de Camillo, o evento gastronômico Mesa Ao Vivo, o maior circuito de experiências gastronômicas do Brasil e que vai integrar chefs renomados de todo o País e profissionais da cozinha sul-mato-grossense para mostrar a riqueza dos ingredientes e das tradições da região.

Representando o Estado, o chef Paulo Machado, que trabalha com a gastronomia sul-mato-grossense há 18 anos, vai ministrar uma aula-show no dia 15, a partir das 11h, em parceria com a cozinheira de tradição e artesã Albertina Terena.

Durante a aula, será apresentado o lambreado, considerado pelo chef como um dos pratos símbolos da cozinha de fronteira.

“Ele traduz, de forma muito clara, a relação histórica entre Brasil e Paraguai, unindo a tradição da carne bovina sul-mato-grossense com influências paraguaias na técnica e no modo de preparo”, resume o chef.

“O lambreado nasceu desse encontro de culturas tão característico da nossa região. Ele representa as famílias, as festas populares, as cozinhas do interior e essa convivência cotidiana entre os dois países, em que os sabores atravessam fronteiras naturalmente”, completa.

Além de ensinar o preparo, Paulo Machado sempre faz questão de, em todas as suas apresentações, contextualizar a história de cada prato, mostrando como a gastronomia ajuda a preservar tradições e contar a história de um povo.

Sobre a culinária de Mato Grosso do Sul, o chef afirma que é resultado do encontro entre as culturas indígena, pantaneira e de fronteira e menciona o Corredor Bioceânico, previsto para entrar em funcionamento a partir do próximo ano, o que deve intensificar a “vocação fronteiriça” do Estado.

“O Corredor Bioceânico é muito mais do que uma rota logística, representa um grande corredor de integração cultural entre Brasil, Paraguai, Argentina e Chile, aproximando povos, tradições e gastronomias.

Historicamente, as grandes rotas comerciais sempre foram também rotas de circulação de ingredientes, técnicas de cozinha e culturas alimentares”, explica.

JANTAR MAGNO

Também no dia 15, a partir das 20h, no Hotel Slaviero Prime Campo Grande, Paulo Machado participará do Jantar Magno Origens 67, com nomes de destaque da gastronomia local e nacional. Na ocasião, o chef apresentará o vori-vori de pato, uma releitura contemporânea de um dos pratos mais emblemáticos do Paraguai.

“O vori-vori sempre fez parte das minhas lembranças de infância, das viagens para Ponta Porã e das refeições compartilhadas com amigos em Assunção”, comenta o cozinheiro.

A versão que será apresentada mantém a essência do prato, mas traz ingredientes e técnicas que dialogam com a cozinha pantaneira e com a gastronomia contemporânea, sendo servido com gema curada e pato defumado.

MESA AO VIVO

O evento Mesa Ao Vivo Mato Grosso do Sul terá entrada gratuita e uma programação voltada para quem gosta de cozinhar, aprender e conhecer mais sobre a gastronomia de Mato Grosso do Sul, com o tema “Sabores do Mato Grosso do Sul: uma cozinha que nasce do Pantanal, das fronteiras e da biodiversidade”. 

As inscrições são realizadas pelo site: https://www.prazeresdamesa.com.br/mesa-mato-grosso-do-sul, onde também podem ser adquiridos os convites para o Jantar Magno.

NOVO LIVRO

Paulo Machado prepara ainda para este ano o lançamento de seu novo livro de receitas, “Rota Gastronômica Pantaneira – Edição Águas”, um projeto que reúne anos de pesquisa sobre a gastronomia de Mato Grosso do Sul e a relação da nossa cozinha com os rios, o Pantanal e as comunidades que vivem nesse território.

O livro vai reunir dezenas de receitas, relatos de viagem, curiosidades, personagens e ingredientes que fazem parte da construção da cozinha pantaneira.

“É um convite para conhecer Mato Grosso do Sul por meio da gastronomia, mostrando que cada prato carrega um pedaço da nossa história, da nossa biodiversidade e da nossa cultura”, resume o chef.

Machado explica que muito mais do que ensinar receitas, quer contar a história de pratos que representam a identidade da nossa fronteira e a riqueza cultural do povo de Mato Grosso do Sul.

“Estou muito animado com esse lançamento e tenho certeza de que será uma obra importante para valorizar ainda mais a gastronomia pantaneira e inspirar novas gerações a conhecerem e preservarem esse patrimônio”, finaliza.

O projeto foi desenvolvido com apoio do Fundo de Investimentos Culturais (FIC), da Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul. Apesquisa teve apoio da Fundtur MS e do Sebrae.

Uma das receitas presentes no livro é o lambreado. Confira a receita acima.

LAMBREADO DE CARNE

Por chef Paulo Machado

O lambreado é uma das receitas mais tradicionais de Porto Murtinho, na fronteira entre Brasil e Paraguai. Simples, saboroso e cheio de memória afetiva, consiste em um bife envolto por uma massa leve e frito lentamente até ficar dourado por fora e extremamente suculento por dentro.

O chef Paulo Machado gosta de servir a iguaria com um vinagrete fresco de cebola e tomate. O lambreado é um prato muito tradicional das pescarias e das viagens pelo interior do Estado, carregado de histórias e memórias afetivas. “Não dá para ir para Porto Murtinho ou para fronteira e não provar um lambreado”, comenta o chef.

Há 18 anos o chef Paulo Machado trabalha com a culinária pantaneira e de fronteiraLambreado de Carne - Foto: Elis Regina

Ingredientes:

Para a carne

  • 6 bifes de contrafilé, fraldinha ou coxão mole;
  • Suco de 1 limão;
  • 3 dentes de alho amassados;
  • Sal a gosto;
  • Pimenta-do-reino a gosto;
  • Cominho a gosto.

Para a massa

  • 2 xícaras (chá) de farinha de trigo;
  • 3 ovos;
  • 1 pitada de sal;
  • Água morna (o suficiente para dar o ponto).

Para fritar

  • Óleo vegetal.

Modo de Preparo:

> Tempere os bifes com limão, alho, sal, pimenta-do-reino e cominho. Misture bem e deixe descansar por cerca de 20 minutos a 30 minutos para absorver os sabores;

> Em uma tigela, misture a farinha de trigo, os ovos e o sal. Acrescente a água morna aos poucos, mexendo sempre, até obter uma massa lisa e fluida, semelhante à de panqueca;

> Aqueça o óleo em fogo médio. O segredo do lambreado é não deixar o óleo excessivamente quente: a massa precisa cozinhar lentamente para ficar dourada e macia, sem queimar;

> Passe cada bife rapidamente pela massa, cobrindo toda a superfície, e leve imediatamente para fritar. Doure dos dois lados até que a massa esteja crocante e a carne cozida no ponto desejado;

> Escorra sobre papel-toalha e sirva imediatamente.

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