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Capa B+: Entrevista exclusiva com Gabriela Moreno, atriz destaque no sucesso da Netflix DNA do Crime

"Foi uma experiência incrível começar a minha carreira na série "DNA do Crime"

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Gabriela Moreno estreou nas telas em grande estilo no final de 2023 em seu mais recente trabalho na série da Netflix 'DNA do Crime', um gigantesco sucesso no streaming dirigida por Heitor Dhalia onde interpretou a personagem Cynthia. O projeto audiovisual brasileiro teve números expressivos de audiência no estrangeiro e acumulou 50,8 milhões de horas consumidas e 6,5 milhões de visualizações,  entre os dias 13 e 19 de novembro. E ainda segundo a própria Netflix, a série entrou no top 10 de 71 países. 

Foi uma experiência incrível começar a carreira com uma série dessa magnetude e com uma personagem tão instigante como a Cynthia. Adentrar esse universo do true crime, que é um gênero que vem crescendo no Brasil, e que eu sempre gostei muito. Acredito que da forma com que é abordado em Dna, o assunto se torna ainda mais interessante, pois nos revela esse grande quebra cabeça que é esse sistema e a complexidade de ambas as perspectivas, tanto da polícia federal quanto quem está dentro do crime", explica.

Ainda no cinema, em 2021, trabalhou no filme Strippers, com direção de Julianno Lucas. Em 2020 ficou em cartaz com a peça Doc. Malcriadas com direção de Lee Taylor no Núcleo de Artes Cênicas. Também atuou no espetáculo “Café Concerto - Estação da Luz” com a Cia do Latão, com direção de Sérgio de Carvalho (2018). Ganhadora do prêmio de melhor atuação no 10° FilmmWorks Festival 2019, com o filme “Dos Dias Que se Passam”, com direção de Henrique Sunega. Ainda no cinema, em 2018, foi Cecília, protagonista do curta metragem “Longe”, vencedor do prêmio de melhor curta LGBTQIA+ no Light and Future Festival dos EUA; Dir: Mariana Stolze. Foi Maíra no filme “Duas Vezes Depois de Maíra”, com direção de João Lucas e participou do longa “A Jaula”, com direção de João Wainer. Fez uma participação na série “Hebe” da TV Globo, direção de Maurício Farias.

Do circo ela foi para os palcos do teatro e depois para a TV e uniu suas paixões, que vai das artes marciais às suas diversas formas de arte. "Quando percebi que arte também era cultura, eu fiquei curiosa e instigada. Queria conhecer as coisas, ter outras visões de mundo e expressá las. Eaí foi que apareceu o circo no meu caminho, ainda adolescente. Eu ainda estava no colégio e quando ví a magia que era estar num picadeiro, percebi que eu queria viver proporcionando isso pras pessoas. E com o teatro e cinema, isso se concretizou ainda mais", diz a atriz.

Gabriela é Capa exclusiva do Correio B+ desta semana, e em conversa com o Caderno ela fala sua escolha pela arte, estreia em "DNA do Crime", um arrebatador sucesso da Netflix, arte circense e novos projetos.

Escreva a legenda aqui

CE - Conta um pouco pra gente do seu início e porque escolheu o caminho da arte?
GM -
 Acho que foi pela forma de tentar olhar as coisas da vida por outras perspectivas. Eu sempre prestei muita atenção nas formas de expressão que a própria vida nos mostra. Mas foi algo intuitivo e sinestésico. Quando percebi que arte também era cultura, eu fiquei curiosa e instigada. Queria conhecer as coisas, ter outras visões de mundo e expressá las. Eaí foi que apareceu o circo no meu caminho, ainda adolescente. Eu ainda estava no colégio e quando ví a magia que era estar num picadeiro, percebi que eu queria viver proporcionando isso pras pessoas. E com o teatro e cinema, isso se concretizou ainda mais.

CE - Sobre "DNA do Crime", como foi o trabalho na série?
GM - 
Foi uma experiência incrível começar a carreira com uma série dessa magnetude e com uma personagem tão instigante como a Cynthia. Adentrar esse universo do true crime, que é um gênero que vem crescendo no Brasil, e que eu sempre gostei muito. Acredito que da forma com que é abordado em Dna, o assunto se torna ainda mais interessante, pois nos revela esse grande quebra cabeça que é esse sistema e a complexidade de ambas as perspectivas, tanto da polícia federal quanto quem está dentro do crime.

CE - Você fez parte de alguma seletiva?
GM - 
Sim, eu recebi um teste por email, no qual minha agente intermediou e aí comecei já a estudar e buscar referências do que eu imaginava sobre a personagem.

CE - Como foi trabalhar com o Heitor Dahlia?
GM -
 Foi ótimo! O Heitor é o tipo de diretor que conversa com os atores sobre as personagens, sobre a obra e isso nos deixa mais à vontade pra poder propor e construir junto. Ele é super aberto à propostas e tem uma maneira generosa de nos conduzir.

Gabriela em DNA do Crime - Foto: Divulgação

CE - A série contou com novos atores e rostos na telinha?
GM -
 Sim, inclusive eu! Hehehe. Já havia feito muito cinema independente, mas nunca havia trabalhado em uma grande produção. 

CE - Você acha que este ainda é um assunto pouco abordado na dramaturgia?
GM -
 O tema já foi abordado de diversas maneiras na nossa dramaturgia mas nunca dessa forma. No DNA, eu acredito que o tema tenha sido abordado de maneira muito particular, até porque sendo baseado em fatos reais, já traz em si uma carga de originalidade específica.

CE - Tem percebido uma tendência de crescimento de obras abordando true-crimes e criminalidade na dramaturgia?
GM -
 Sim, inclusive, acredito que o Dna é uma série exemplar com relação à isso. Não só por ser baseada em uma história real como a forma com que a trama se desenrola no roteiro, com personagens tão complexos e cheios de camadas. 

CE - Você pratica artes marciais profissionalmente (tai chi, kung fu e boxe). Como as artes marciais chegaram na sua vida? E o boxe tem uma energia muito diferente dos outros?
GM -
 Chegaram através do meu pai, desde pequena ele já me ensinava algumas coisas de defesa pessoal e luta com espadas. Eu sempre tive muito interesse e em 2022 conheci uma academia aonde me identifiquei muito com o treino. E a coincidência mais marcante foi descobrir que o meu grande mestre, Braulio Estevam, havia treinado o meu pai ha muitos anos atrás. Como o sishou Braulio me ensinou, as duas modalidades são diferentes mas se complementam muito entre si. Você utiliza muitas coisas do Kung Fu no Boxe Chinês e vice versa.

Gabriela é praticante da arte do circo - Foto: Divulgação

CE - Você começou no circo? Que desafios e contribuições o circo faz/fez em sua carreira?
GM -
 Apesar de ir muito ao circo quando era pequena, a primeira vez que fiquei verdadeiramente apaixonada foi quando conheci o projeto social Juventude Cidadã, em SBC. Um centro cultural aonde haviam múltiplos artistas, eaí foi quando ví os treinamentos dos circenses, especificamente das pessoas acrobatas e contorcionistas, e aquilo me pegou. Nunca mais ví as apresentações com os mesmos olhos, àquela leveza munida de força e coragem, e a consciência corporal e virtuosística. Tudo isso me deixou completamente apaixonada. E minha vontade era tanta que eu peguei muito firme nos treinos, enfrentei muitas dores físicas e muitas transformações também psicológicas. Você lida com seus medos e suas inseguranças de uma maneira muito construtiva. Eaí em alguns meses já me apresentava profissionalmente. O circo me trouxe segurança, coragem e flexibilidade pra vida. 

CE - DNA do Crime é a série mais vista fora do País. Acha q por vezes a arte brasileira é mais reconhecida lá fora do que aqui?
GM -
 Sim, muitas vezes um filme nacional ou uma série é mais assistido fora do nosso país do que aqui. E eu acredito que isso tenha haver não só com políticas públicas mas também com formação de público e acesso às pessoas. Agora com a Lei da Cota de Tela, acredito que essa realidade vá mudar e as pessoas valorizarão mais nossas produções nacionais 

CE - Algum momento difícil ou desafiador que pudesse compartilhar com a gente?
GM -
 Como atriz já passei por um processo bem difícil aonde eu e outras atrizes interpretávamos vítimas de estupro e assédio, num espaço aonde não havia sensibilidade alguma pra lidar com esse tema, aonde houveram inclusive denúncias que soubemos depois tardiamente. Fomos nós atrizes que nos confortamos, nos apoiamos e conseguimos trabalhar juntas de modo a contornar o que estávamos vivendo lá.

CE - Você praticar esportes ajudaram na série?
GM - 
Muito! Uma série de ação demanda muita energia física, e havia uma cena que eu teria que estar preparada fisicamente, pois era uma cena de briga na balada em que eu lutava. Então, já ter tido esse treinamento foi essencial.

Foto - Julio Aracack

CE - Como foi a composição do seu personagem?
GM -
 Meu processo pra construção da Cynthia creio já ter começado no próprio teste. Depois de receber os roteiros logicamente fui em busca de mais material que me ajudasse a construir essa personagem. Busquei mais referências, li sobre essas mulheres e na hora da caracterização é que senti como poderia criar esse corpo. Mas foi em cena mesmo, no jogo entre atores e atrizes, que a coisa vai acontecendo.

CE - Você é uma mulher linda, quais são as suas dicas de beleza?
GM -
 Água é a primeira delas, exercício físico pra mim também é primordial, uma alimentação saudável e meditação. Acredito que beleza também tem muito haver com estar bem consigo. 

CE - Inspirações no seu trabalho... 
GM -
 São inúmeras, hehehe. Mas posso dizer que pra além de grandes atrizes e atores que me inspiram muito, o observar da vida é algo que me inspira diariamente. A natureza das coisas, as pessoas na rua, o tempo das coisas e etc..

CE - Quais são os seus novos projetos para 2024?
GM
- Em 2024 continuarei meu trabalho no audiovisual, e pretendo também estudar roteiro pra quem sabe começar a produzir coisas autorais.

Diálogo

A pouco para acontecer mais uma eleição, a de 2024 ainda continua... Leia na coluna de hoje

Leia a coluna desta terça-feira (11)

11/08/2026 00h02

Diálogo

Diálogo Foto: Arquivo / Correio do Estado

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Davi Roballo - Escritor brasileiro

"Quem quiser encontrar o sentido da vida,deve preparar-se para nunca o encontrar, pois ele tem mil faces e muda constantemente”.

FELPUDA 

A pouco para acontecer mais uma eleição, a de 2024 ainda continua produzindo capítulos nos tribunais. O Ministério Público Eleitoral recorreu da decisão que rejeitou ações sobre suposta compra de votos em Naviraí, investigada pela Polícia Federal na Operação Integridade. A Justiça entendeu que as provas não foram suficientes, mas o MPE quer que o TRE-MS reavalie o caso. A democracia agradece o direito ao recurso. O eleitor, porém, espera que respostas cheguem logo. Afinal, calendários eleitoral e judicial nem sempre caminham na mesma velocidade. Assim sendo...

Congresso

Nesta quarta-feira (12), às 18h30min, acontecerá a cerimônia de abertura do V Congresso Estadual de Direito das Famílias e Sucessões do IBDFAM/MS. “Entre o Presente e o Futuro”.

Mais

Ana Maria Medeiros Navarro Santos é quem preside o Instituto Brasileiro de Direito das Famílias e Sucessões/Mato Grosso do Sul. A cerimônia será realizada no auditório do Bioparque Pantanal.

DiálogoFoto: Divulgação

No último dia 5, a desembargadora Ana Carolina Ali Garcia recebeu a outorga do título de associada honorária da Associação dos Procuradores do Estado de Mato Grosso do Sul (Aprems).  A entrega foi feita  pelo presidente da entidade, Adriano Arrias de Lima. Prestigiaram a solenidade o governador Eduardo Riedel; o vice-governador Barbosinha; o ex-governador Reinaldo Azambuja; o presidente do TJMS, Dorival Renato Pavan;  a presidente da Comissão da Mulher Advogada da OAB-MS, Beatriz SampaioSanches Rahim, entre outras autoridades. 

DiálogoZaninha Palhano - Foto: Arquivo Pessoal

 

Diálogo Ana Palotta  e Filipe Tavares - Foto: André Ligeiro

Transparência

A Câmara de Campo Grande resolveu lembrar à Prefeitura que transparência não deveria depender de senha, filtro ou boa vontade. Ao derrubar o veto do Executivo, os vereadores garantiram acesso mais simples aos salários dos agentes públicos. A alegação de invasão de competência acabou derrotada pelo placar de 17 votos. Afinal, recurso público não combina com labirinto digital. Agora, resta saber se a transparência será praticada por todos. O cidadão agradece.

Cabo de guerra

A Assembleia Legislativa de MS retomou os trabalhos com ampla maioria favorável ao governador Eduardo Riedel. Dos 24 deputados estaduais, 21 integram a base de apoio ao Executivo, enquanto três parlamentares fazem oposição. A expectativa é de debates mais intensos sobre os principais projetos do governo, mas maioria governista tende a garantir aprovação das matérias de interesse do governo. O novo período legislativo promete embates políticos, especialmente em ano eleitoral.

Afeto

O mutirão “Meu Pai Tem Nome”, promovido pela Defensoria Pública de MS, transformou histórias de afeto em direitos reconhecidos. Neste ano, foram realizados 167 atendimentos em diferentes regiões do Estado, incluindo reconhecimentos de paternidade biológica e socioafetiva. A iniciativa fortalece a identidade, amplia direitos e reforça que família também se constrói pelo cuidado. Um gesto jurídico que traduz sentimentos antigos em cidadania.

ANIVERSARIANTES 

  • Dr. Luiz Tadeu Barbosa Silva, 
  • Marco Aurélio Barros Faracco,
  • Dr. José Antônio Freire Palhano, 
  • Michael Mendes,
  • Takao Hishie Nobu,
  • Thay Pires Cardoso,
  • Marco César de Souza Alcântara,
  • Aldeniza Aguiar Lopes,
  • Leonardo Cardoso,
  • Manoel de Sousa Arruda,
  • Maria da Glória Vieira Lorenzzetti,
  • Artemison Monteiro de Barros,    
  • José Alves Ribeiro Neto,
  • Dra. Cristina Mougenot de Barros, 
  • Maria Auxiliadora Curado Siufi, 
  • Raíssa dos Reis,
  • Dra. Maria Lygia Ferreira de Freitas, 
  • Geraldo Fernandes Martins,
  • Manoel Guimarães,
  • Leida Maria Quadros,
  • Franciele Domingues Nantes,
  • Vinícios Kaue Chermont Azambuja,
  • Olmar Oselane Junior,
  • Renata Cox de Moura Leite, 
  • Dr. Itamar Ferrúcio Borges, 
  • Ademar Barros,
  • Paulo Fernandes Dalastra,
  • Miguel Ferreira,
  • José dos Santos Gomes Prata,
  • Edi Barbosa,
  • Neide Ocampos,
  • Rosália Corrêa Alvarenga,
  • Francisco Granero,
  • Márcia Huergo Bauermeister,
  • Ione Camparin,
  • Wilson Reis Falcao,        
  • Eder Penteado,
  • Kelen Stella Schneider,
  • Julian Carlos Pereira da Silva,
  • Dr. Murillo da Costa,
  • Valdir Marini,
  • Jane Alves Clemente da Fonseca,
  • Dalva Kury Marques,
  • Bruno Ito Gorski,
  • Airton Gomes,
  • Jacy Farias,
  • Antônio Carlos (Caio) Moreira Turquetto, 
  • Marly da Silva Almeida,
  • Jane Alves Duarte,
  • Eloi Panachuki,
  • Nelson José Garcia,
  • Pedro Luis Rocha,
  • Loureiro Pereira de Queiroz,
  • Domingos José Borges dos Santos,
  • Elza Espíndola de Camargo, 
  • Rodrigo dos Santos Vieira,
  • Vadenir Nunes dos Santos,
  • Dr. Ricardo Dutra Aydos,
  • Tibúrcio Ramirez, 
  • Cleusa Franco,
  • João Batista Lacrimanti,
  • Rodrigo Cesar Marconi, 
  • Lausane Cristina Vicente 
  • dos Santos,
  • José Wilson Kleinschimitt,
  • Milton Baís Barboza,
  • Fernando Gabriel Lopes,
  • Gilberto Macarios,
  • Ana Maria Zahran Tavares, 
  • Cirley Benites Farias,
  • Luis Fernando Giolo,
  • Oscar Raul Dias Haack,
  • Robson Aparecido Barreto Fernandes,
  • Andrea da Silva Pedra,    
  • Suzana Dirce Gomes da Rocha,
  • Gilberto Oliveira Guanaes, 
  • Andréia Teresinha Schafer,
  • José Flávio Camargo de Mendonça,
  • Ângela Aparecida Nesso Calado 
  • da Silva,
  • Alciney Marins Leal Monteiro,    
  • Zilmar Cavalcante de Araújo,
  • Antônio Roosevelt Neves Feitosa,
  • Lucélia de Fatima Cardoso 
  • da Rocha,
  • Cleber Paulino de Castro,
  • Cleonice Maria de Carvalho,
  • Josilene Gonçales Ramires,
  • Cristhiane Aparecida Garcia Batistela,
  • Murilo Rolim Neto,
  • Juliana Caires Vargas Capobianco,
  • Valmei Roque Callegaro,
  • Rodrigo Bucker Ruiz,
  • Patricia Mazaro,
  • Jackson Farah Leiva,
  • Verônica Villalba,
  • Azet Fernandes Rasslan,
  • Hélio Shigueru Yabunaka,
  • Joyce Minami,
  • Dora Maria Haidamus Monteiro,
  • Jocelyn Salomão Filho,
  • Éder Muniz dos Santos,
  • Vanderlei Barros de Almeida Júnior,
  • Fernando Fernandes,
  • Marlene Shigueko Hamasaki Ferreira,
  • Sônia Cristina Crivelli,
  • Juliana Rondon,
  • Leila Dada.

Colaborou com Tatyane Gameiro

Negócios

Chef de cozinha e esposa transformam história familiar em steakhouse em Ponta Porã

Prime Steak House nasce da união da experiência gastronômica do chef Luiz Fernando Rodrigues com a formação em hotelaria de Maira Ribeiro, com proposta que valoriza carnes, fogo, hospitalidade e sabores de Mato Grosso do Sul

10/08/2026 08h15

Maira Ribeiro e Luiz Fernando colocam a boa gastronomia e a hospitalidade como eixos centrais da Prime Steak House

Maira Ribeiro e Luiz Fernando colocam a boa gastronomia e a hospitalidade como eixos centrais da Prime Steak House Roberlânia Gonçalves

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Para chegar à mesa, uma boa carne precisa de muito mais do que fogo e tempero. Antes de virar um corte servido ao cliente, existe uma cadeia de escolhas, técnicas, histórias e experiências que ajuda a definir o sabor.

É justamente a partir dessa ideia que o casal Maira Ribeiro e Luiz Fernando Rodrigues construiu a proposta da Prime Steak House, restaurante inaugurado no sábado, em Ponta Porã, que aposta na parrilla, em cortes selecionados e em uma experiência que pretende ir além da comida.

A abertura da casa, porém, não nasceu de um plano traçado durante anos, pelo contrário, a história da Prime começou de maneira quase inesperada, a partir de uma oportunidade que surgiu justamente quando os dois imaginavam que o próximo passo seria outro.

Maira e Luiz se conheceram em Piracicaba, no interior de São Paulo, por meio de amigos em comum. Os dois estudaram no Senac Águas de São Pedro, instituição que tinha apenas dois cursos na época: Hotelaria e Gastronomia. Maira cursou Hotelaria entre 2015 e 2016, enquanto Luiz fez Gastronomia entre 2012 e 2013.

Embora tenham passado pela mesma instituição em períodos diferentes, a formação acabou se tornando um dos primeiros pontos de ligação entre os dois.

A gastronomia, no entanto, já fazia parte da história de Luiz antes mesmo da formação profissional. O chef é a sexta geração de uma família ligada ao setor e cresceu em meio à rotina de restaurantes.

Maira Ribeiro e Luiz Fernando colocam a boa gastronomia e a hospitalidade como eixos centrais da Prime Steak HouseFoto: Roberlânia Gonçalves

Depois da faculdade, ele trabalhou no grupo de resorts Club Med, experiência que permitiu contato com diferentes cozinhas, técnicas e culturas gastronômicas.

Foi justamente a partir dessa trajetória que surgiu a mudança que levaria o casal para Ponta Porã. Depois de quatro anos morando em Piracicaba, Luiz recebeu a proposta para retornar à cidade natal e ajudar a mãe e a avó, que mantêm um restaurante familiar há 33 anos. Maira decidiu acompanhá-lo na aventura.

“De certa forma, a gastronomia e a hospitalidade sempre fizeram parte da nossa história”, conta Maira.

Os quatro anos seguintes foram vividos em Ponta Porã, até que surgiu a possibilidade de abrir um negócio próprio. Ainda assim, o projeto não estava desenhado.

Até o dia 20 de julho, o casal acreditava que o caminho seria continuar ligado ao restaurante da família, o Verde Vida. Naquela data, porém, receberam uma proposta de conhecidos da cidade que haviam fechado um estabelecimento e pensaram nos dois como possíveis responsáveis pelo novo negócio.

A conversa evoluiu rapidamente. Eles analisaram a proposta, avaliaram as possibilidades e decidiram assumir o desafio.

“Não foi nada planejado, realmente caiu na nossa mão e nós decidimos abraçar isso tudo”, resume Maira.

A decisão significou transformar, em poucas semanas, uma oportunidade em um restaurante.

Entre assumir o espaço e colocar a Prime Steak House em funcionamento, vieram obras, definição de identidade visual, contratação e treinamento da equipe, escolha de fornecedores, aquisição de equipamentos, criação do cardápio e uma série de testes.

Para o casal, a Prime representa justamente a decisão de parar de esperar pelo momento ideal e assumir a oportunidade que apareceu.

“Poderíamos continuar esperando pelo cenário perfeito ou assumir o desafio. Escolhemos assumir o desafio”, diz Maira.

O processo exigiu uma rotina intensa. Ao mesmo tempo, permitiu que os dois colocassem em prática experiências acumuladas em diferentes momentos da vida profissional.

Para Maira, a hotelaria passou a ser uma espécie de guia para pensar o atendimento. “Na hotelaria, aprendemos que atendimento não é apenas servir bem, mas perceber detalhes, antecipar necessidades e fazer com que cada pessoa se sinta realmente bem recebida”, explica.

É essa visão que ela pretende levar para a Prime. A ideia é construir um atendimento profissional, mas sem transformar a experiência em algo excessivamente formal.

O conceito de luxo, para ela, também passa longe da ostentação. Está relacionado ao cuidado com o cliente, ao ambiente preparado, à atenção aos detalhes e à sensação de acolhimento.

“Luxo não significa necessariamente formalidade ou algo inacessível. Para mim, luxo está muito ligado ao cuidado”, afirma.

FOGO COMO PROTAGONISTA

Na cozinha, Luiz traz a experiência acumulada em resorts e diferentes cozinhas para uma proposta centrada na carne e no fogo. A parrilla é um dos elementos principais do restaurante, mas o objetivo não é simplesmente reproduzir o modelo tradicional de uma steakhouse.

A Prime trabalha com cortes clássicos, como picanha angus, ancho, chorizo, T-bone e prime rib. A casa também aposta em preparos que procuram aproximar a alta gastronomia dos ingredientes e dos sabores conhecidos pelo público da região.

Maira Ribeiro e Luiz Fernando colocam a boa gastronomia e a hospitalidade como eixos centrais da Prime Steak HouseRestaurante une a carne na brasa às referências da fronteira - Foto: Roberlânia Gonçalves

Um dos exemplos é o steak pantaneiro, que combina cupim, mandioca cremosa e farofa de banana. Outro destaque é a costela preparada durante 12 horas, em um processo de cocção prolongada que busca preservar a suculência e desenvolver sabor.

A intenção, segundo Luiz, é respeitar a matéria-prima e utilizar a técnica para valorizá-la, sem transformar a comida em algo excessivamente complicado.

“Quero que o cliente perceba o cuidado em cada detalhe e saia daqui lembrando não só do prato, mas da experiência como um todo”, explica o chef.

A formação e a experiência profissional também aparecem na elaboração do cardápio. Luiz explica que as referências internacionais adquiridas durante a carreira serviram como base para desenvolver pratos próprios, mas não como receitas a serem simplesmente reproduzidas.

A cozinha da Prime deve trabalhar com cocções precisas, grelhados e preparos na brasa, molhos e fundos elaborados, além de técnicas variadas para entradas e acompanhamentos.

O cardápio, entretanto, foi pensado para não ser excessivamente extenso. O casal preferiu uma seleção mais enxuta, com pratos que tenham uma razão para estar ali e possam ser executados com qualidade.

“Não quero simplesmente reproduzir receitas que aprendi ao longo da carreira. Quero usar esse conhecimento como base para criar uma identidade própria para a Prime”, afirma Luiz.

FRONTEIRA NO PRATO

A localização de Ponta Porã, cidade sul-mato-grossense que faz fronteira com o Paraguai, é um dos elementos que ajudam a explicar algumas das escolhas do cardápio.

A fronteira reúne diferentes culturas, hábitos e influências gastronômicas. Para o casal, seria incoerente ignorar esse contexto ao criar um novo restaurante na cidade.

A Prime, portanto, não se apresenta como uma casa de culinária regional, mas incorpora referências locais de maneira pontual. A sopa paraguaia, por exemplo, aparece no cardápio como acompanhamento, com uma interpretação própria preparada na parrilla.

O steak pantaneiro segue a mesma lógica. O cupim, a mandioca cremosa e a farofa de banana são ingredientes e sabores que dialogam diretamente com o imaginário gastronômico de Mato Grosso do Sul, mas aparecem dentro de uma proposta contemporânea de steakhouse.

A intenção é de que a identidade regional não seja uma decoração, mas parte natural da experiência.

“Não queríamos simplesmente reproduzir um modelo de steakhouse que poderia estar em qualquer cidade”, explica o casal. “Estamos em Mato Grosso do Sul e em uma região de fronteira com o Paraguai, então achamos importante que isso aparecesse de alguma maneira na experiência”, destacam.

ALÉM DA CARNE

Embora o produto central seja a carne, a proposta é não limitar a casa aos apaixonados por cortes bovinos. O cardápio também conta com opções de frango e peixe, além de alternativas vegetarianas, entradas e acompanhamentos.

A estratégia é permitir que grupos com diferentes preferências consigam compartilhar a experiência.

A boutique de carnes é outro braço do projeto. Além de consumir os cortes preparados pela equipe da Prime, o cliente poderá escolher carnes selecionadas para levar para casa.

Mas, para Maira, a principal preocupação continua sendo a hospitalidade.

“Hospitalidade, para mim, é fazer alguém se sentir bem-vindo. É receber como gostaríamos de ser recebidos”, define.

Ela acredita que um cliente pode até esquecer detalhes de um prato, mas dificilmente esquece como foi tratado em determinado lugar. Por isso, o atendimento ocupa posição tão importante quanto a cozinha na concepção da Prime.

“Queremos que a pessoa se lembre da carne, dos acompanhamentos e dos drinks, mas queremos principalmente que ela se lembre de como se sentiu aqui”, afirma.

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