Correio B

Correio B+

Especial Dia das Mães B+: Entrevista exclusiva com a modelo, escritora e empreendedora Patricia Beck

Capa do Correio B+ desta semana, Patricia conversou com o Caderno direto da Patagônia. "Desde os primeiros passos da minha jornada, o sonho de ser mãe brilhava como uma estrela guia"

Continue lendo...

Acompanho a carreira da modelo Patricia Beck desde meu início na moda. Rapidamente após um concurso de modelos a trajetória dela caminhou e despontou rapidamente. Na minha opinião além de talento ela sempre teve uma luz e uma maturidade de se admirar. "Desde jovem, nutri um desejo muito grande por viajar e conhecer o mundo. Minha carreira como modelo acabou se tornando um veículo para explorar diferentes culturas e lugares. A cada nova viagem, descobria novas perspectivas e minha paixão por explorar o desconhecido só crescia, enriquecendo ainda mais minha jornada", relembra.

Hoje Pati vive na Patgônia Chilena ao lado do marido, o fotógrafo Gustavo Zylbersztajn há seis anos. Ben e Cora filhos do casal, vivem com eles em uma rotina leve e tranquila em meio ao verde, conectados a natureza em um lugar exeberante e único. "Em 2014, sentimos o desejo de buscar uma vida mais simples e conectada com a natureza. Foi então que a Patagônia cruzou nosso caminho de maneira inesperada, como se estivesse nos esperando. O terreno que encontramos nos cativou instantaneamente, com sua beleza intocada e uma atmosfera misteriosa", explica a modelo.

Pati também é empreendedora e escritora, e tem investido em trabalhar remoto, com tempo de qualidade e estar presente como mãe. Ela lançará seu terceiro livro em breve, além de administrar o Mapu.
"O Mapu é um projeto que nasceu da nossa paixão pela natureza e pelo desejo de promover um estilo de vida mais sustentável e consciente. É um lugar de experiências que busca não apenas compartilhar a beleza e os recursos naturais da Patagônia, mas também preservá-los para as futuras gerações. Através do Mapu, procuramos incentivar o turismo responsável e o desenvolvimento sustentável da região, valorizando sua biodiversidade e sua cultura única", convida Patricia.

Pati sempre foi símbolo de beleza, referência por seu estilo de vida e saúde. Ela já foi embaixadora e inspiração para artistas também. A modelo e empresária conta com exclusividade para o Correio B+ em uma edição especial de Dia das Mães em Capa dupla, um pouco sobre sua carreira, planos, seu momento atual e a escolha de ser mãe.

Com registros lindos do marido e fotógrafo, Gustavo Zylbersztajn que ilustram essa matéria feita direto do Chile, divido com vocês neste dia especial, uma entrevista feita com muito carinho com a Patrícia, que faço questão de deixar registrado aqui tamanha simpatia, alegria e energia positiva vinda dessa família linda que dividiu com a gente seu dia a dia em um lugar encantador e também cheio de amor...
Obrigada Pati pela troca tão única!

Patricia Beck é Capa exclusiva do Correio B+ desta semana - Foto: Gustavo Zylbersztajn - Diagramação Denis Felipe e Denise Neves

CE - Como foi o seu início como modelo?
Pati Beck:
Ganhar o concurso Super Model of the World da agência Ford Models foi um momento crucial em minha vida. Foi como se uma imensa porta se abrisse diante de mim, apresentando-me a oportunidades únicas. Durante a competição mundial, tive o privilégio de conhecer agências de todos os cantos do mundo e trabalhar com a renomada Ford Models. Essa experiência não apenas moldou minha carreira na indústria da moda, mas também enriqueceu minha jornada pessoalmente. Cada pessoa e lugar que encontrei  nesses 24 anos de carreira deixaram  uma marca em mim.  Eu ainda faço alguns trabalhos mas por opção minha de desacelerar acabo falando muitos nãos. Muitas  marcas me procuram por meu estilo de vida hoje. E isso faz sentido pra mim.

CE – Você sempre pensou nisso?
Pati Beck:
Desde jovem, nutri um desejo muito grande por viajar e conhecer o mundo. Minha carreira como modelo acabou se tornando um veículo para explorar diferentes culturas e lugares. A cada nova viagem, descobria novas perspectivas e minha paixão por explorar o desconhecido só crescia, enriquecendo ainda mais minha jornada.

CE - Você já foi designer? Conta um pouco pra gente...
Pati Beck:
Após mais de uma década vivendo fora do Brasil e trabalhando como modelo, senti a necessidade de explorar novos horizontes criativos. Foi então que me aventurei no mundo do design de moda e voltei pro Brasil. Essa fase foi marcada por uma mistura única de influências culturais e experiências de vida, resultando em peças exclusivas que conquistaram mercados tanto no Brasil quanto em Londres.

A transição para o design representou uma busca por uma expressão mais pessoal e ampla. No entanto, a vida reservou outros planos para mim, e acabei retornando com tudo  à carreira de modelo, ingressando no time de apresentadores do Fashion TV e participando do SPFW na semana de moda do Brasil. Tudo sempre foi acontecendo no seu tempo certo.

CE – Você já foi Embaixadora Organização SlowFashion Movement? Poderia nos contar?
Pati Beck:
Sim, ter sido embaixadora do Movimento SlowFashion foi uma jornada transformadora. 
Mais do que promover uma moda consciente e sustentável, essa iniciativa representou um chamado para repensarmos nossos hábitos de consumo e valorizarmos a qualidade e o impacto social de nossas roupas.

Foi uma oportunidade ímpar de inspirar mudanças significativas na indústria da moda e na forma como nos relacionamos com o vestuário. Passei longos períodos sem adquirir novas peças de roupa, reavaliando e valorizando o que já possuía.

Patricia com a filha Cora - Foto: Gustavo Zylbersztajn

CE – Você foi pintada no muro da Vila Madalena em SP pelos artistas plásticos Catharina Suleimann e Leandro Spett. O que representou essa obra e como ocorreu o convite?
Pati Beck:
Ser imortalizada pelos talentosos artistas plásticos Catharina Suleimann e Leandro Spett foi uma honra indescritível. Essa obra transcendeu a simples representação visual; foi uma celebração da minha jornada e uma expressão artística de conexão e identidade.

O convite para participar desse projeto surgiu de forma natural, refletindo minha afinidade com o movimento artístico e minha paixão por explorar novas formas de expressão. Durante muito tempo, não tive família próxima, e os museus e galerias de arte sempre aqueciam meu coração nos momentos de saudade. Esses convites foram importantes marcos em minha jornada.

Naquela época, sem muita informação disponível, as pessoas costumavam me julgar bastante. Eu sempre comprava livros para saber se o que estava fazendo estava correto. Hoje, com a internet e a disponibilidade de produtos naturais, tudo ficou mais acessível e esclarecido. 

CE – Você sempre teve preocupação com saúde e boa forma. Quais são seus segredos de beleza?
Pati Beck:
Desde cedo, adotei um estilo de vida voltado para saúde e bem-estar. A decisão de adotar uma dieta sem carnes e aves em 1999 foi apenas o começo de uma jornada de descoberta e autodesenvolvimento. Aprendi a valorizar os alimentos naturais e a importância de cuidar do corpo e da mente de forma natural.

Essa abordagem não apenas refletiu na minha aparência, mas também na minha saúde e vitalidade ao longo dos anos. Como modelo, enfrentei dietas extremas durante as semanas de moda, onde precisava perder peso rapidamente para desfilar.

Essa é uma realidade triste da indústria, apesar das mudanças que são discutidas. Quando compreendi que a comida era meu remédio, tudo mudou. Hoje, com a disponibilidade de informações e produtos naturais, cuidar da saúde e da beleza se tornou muito mais acessível.

Patricia Beck é Capa exclusiva do Correio B+ desta semana - Foto: Gustavo Zylbersztajn - Diagramação Denis Felipe e Denise Neves

CE – Você é casada com Gustavo, que é fotógrafo. Sempre viajaram para lugares diferentes no mundo?
Pati Beck:
Sim, ao longo dos nossos quase 15 anos juntos, Gustavo e eu sempre buscamos explorar lugares remotos e inspiradores ao redor do mundo. Enquanto muitos se encantavam com destinos urbanos e badalados, nós nos encontrávamos em parques nacionais, desertos e paisagens selvagens. Essas viagens não apenas fortaleceram nosso vínculo como casal, mas também nos proporcionaram uma visão única e enriquecedora do mundo que nos cerca.

CE – Em que momento vocês decidiram morar na Patagônia?
Pati Beck:
Em 2014, sentimos o desejo de buscar uma vida mais simples e conectada com a natureza. Foi então que a Patagônia cruzou nosso caminho de maneira inesperada, como se estivesse nos esperando. O terreno que encontramos nos cativou instantaneamente, com sua beleza intocada e uma atmosfera misteriosa.

Decidimos que era o lugar perfeito para construir nossa nova vida, onde poderíamos criar nossos filhos em harmonia com o meio ambiente e viver de acordo com nossos valores mais profundos. Mas sabe que tudo foi acontecendo, nos fomos vendo e escutando os sinais. Hoje vejo qual visionários fomos naquela época.

Traçando um destino longe de tudo aquilo que já tínhamos vivido. Das grandes capitais do mundo fomos para a remota Patagônia, em uma cidadezinha com menos de 3.000 mil habitantes. Tem uma frase que para mim fala muito sobre o que aconteceu com a gente: “Partir para poder chegar.” (Um dia deitada no trailer fazendo uma viagem ela veio pra mim e resignificando tudo)

CE – Como é o estilo de vida e dia a dia?
Pati Beck:
Nosso estilo de vida na Patagônia é marcado pela simplicidade, pela conexão com a natureza e pela valorização do tempo em família. Trabalho de forma remota, o que me permite conciliar minhas responsabilidades profissionais com momentos ao lado dos meus filhos. Nosso dia a dia é permeado por atividades ao ar livre, cultivo de nossa própria horta e aprendizado constante em um ambiente que valoriza a autonomia e a conexão com a terra.

Essa rotina nos ensina lições valiosas sobre gratidão, resiliência e harmonia com o meio ambiente. Não temos familiares vivendo aqui, mas encontramos pessoas incríveis. Muita gente pensa que vivemos isolados, que somos apenas nós 4.. mas na realidade aqui temos muito mais conexão e tempo para viver momentos entre amigos e nós mesmos. O dia a dia não é tão fácil como em uma cidade grande, aqui não tem delivery nem supermercados com grandes variedades, nos preparamos para cada estação do ano.

Já ficamos algumas vezes isolados do mundo por conta de grandes nevascas. Esse ano a neve começou muito mais cedo do que o normal por aqui, então já sabemos que é hora de se preparar. A natureza que dita as regras por aqui e nós aprendemos a escutá-la. Já sabemos que um determinado pássaro quando aparece é sinal de neve, que uma planta nascendo mesmo antes do final do inverno quer dizer que a primavera chegou antes, e esses pequenos detalhes na cidade grande nem temos tempo para observar.

Meus filhos também me fazem ver o mundo de outra maneira, sou muito feliz no papel de mãe quase que tempo integral. As crianças fazem homeschooling por ser algo legal aqui no Chile, coisa que no Brasil é proibida. Falo de um lugar privilegiado, mas foi sempre tudo muito sonhado e batalhado para isso.

Patricia com o marido, o fotógrafo Gustavo Zylbersztajn - Divulgação

CE- O que é o Mapu?
Pati Beck.
O Mapu é um projeto que nasceu da nossa paixão pela natureza e pelo desejo de promover um estilo de vida mais sustentável e consciente. É um lugar de experiências que busca não apenas compartilhar a beleza e os recursos naturais da Patagônia, mas também preservá-los para as futuras gerações. Através do Mapu, procuramos incentivar o turismo responsável e o desenvolvimento sustentável da região, valorizando sua biodiversidade e sua cultura única.

Além disso, o Mapu é um lugar para você ter uma experiência de como é viver fora da cidade grande. Os desafios são diários, mas as experiências são muito fortes tanto com o lugar quanto conosco. Mapu nasce do sonho de ter menos e viver mais. Nossas cabanas são mini casas onde você vai sentir o que é viver com menos e estar mais conectado com a natureza e consigo.

Temos uma horta orgânica onde todos são convidados a colocar a mão na terra. Aqui, a natureza dita as regras e aprendemos a respeitar os ciclos, os alimentos da estação e a importância deles em cada uma delas. Desacelerar é nossa meta.

CE – Pati, você sempre quis ser mãe?
Pati Beck:
Desde os primeiros passos da minha jornada, o sonho de ser mãe brilhava como uma estrela guia. Quando, aos 16 anos, parti para desbravar o mundo, deixei para trás os abraços e as celebrações em família. No entanto, a voz amorosa da minha mãe ecoava em cada desafio, em cada ligação escassa que conseguia fazer na época. Ela era minha âncora, minha inspiração.

CE – Como é para as crianças viver nesse estilo de vida com vocês?
Pati Beck - 
Para as crianças, viver nesse estilo de vida é uma aventura sem fim, onde cada dia traz uma nova descoberta e uma nova lição da natureza. Aqui, eles aprendem a valorizar os pequenos momentos, a se maravilhar com a simplicidade da vida e a encontrar alegria nas coisas mais simples. Nossa rotina é marcada por brincadeiras ao ar livre, pela exploração da natureza e pelo cultivo de uma conexão profunda com o meio ambiente. Eles não apenas vivem aqui, mas florescem, nutrindo suas mentes e almas com a beleza e a harmonia que nos rodeia.

Patricia com os filhos Cora e Ben Foto: Gustavo Zylbersztajn

CE e– Ser mãe pra você é?
Pati Beck -
 Ser mãe para mim é como uma jornada transformadora, onde cada desafio se converte em uma oportunidade de crescimento e aprendizado. É uma mistura de amor incondicional, paciência infinita e dedicação inabalável, que te impulsiona a ser a melhor versão de si mesma todos os dias. Ser mãe para mim vai além das palavras, é um compromisso profundo de nutrir, educar e inspirar meus filhos, moldando não apenas suas vidas, mas também o seu próprio ser. É uma aventura repleta de momentos inesquecíveis, onde cada risada, abraço e conquista se tornam os pilares que sustentam o meu coração de mãe.

CE- Um recado para as mães nesse dia especial,
Pati Beck -
Neste dia especial, quero transmitir uma mensagem de amor e gratidão a todas as mães. Vocês são verdadeiras heroínas, cujo amor incondicional e sacrifício moldam o mundo ao nosso redor. Que este dia seja uma celebração não apenas da maternidade, mas também da força, da resiliência e da beleza de cada mãe. Que possam sentir-se valorizadas, amadas e reconhecidas não apenas hoje, mas todos os dias. Vocês são a luz que ilumina nossas vidas, e merecem todo o amor e carinho do mundo.

CE – Vocês pensam em se mudar de novo?
Pati Beck -
 Quando encontramos nosso verdadeiro lar, um lugar onde nos sentimos genuinamente conectados e em paz, as ideias de mudança perdem a relevância. É maravilhoso ter esse sentimento de pertencimento e estar enraizado em um lugar que traz tanta felicidade e realização. Que essa jornada na Patagônia continue a ser repleta de amor, aventuras e crescimento. 

Patricia com a filha Cora - Foto: Gustavo Zylbersztajn

CE -  Como é ter um fotógrafo em casa (risos)? 
Pati Beck
- Ah, ter um fotógrafo em casa é interessante. Na verdade, meu marido nem tem câmeras aqui. 
Ele prefere viver o momento, mas quando ele se sente inspirado para fotografar, aproveitamos para capturar alguns momentos especiais juntos.

CE – Quais são os projetos futuros da Pati?
Pati Beck:
Atualmente, estou focada em expandir minha carreira como escritora e empreendedora, inspirando outras pessoas a viverem de forma mais consciente e conectada com a natureza. Estou prestes a lançar meu terceiro livro de atividades, "Natureza Ensina", que reflete minha paixão por educar e inspirar crianças a explorarem o mundo ao seu redor.

Além disso, continuo comprometida com iniciativas que promovem a moda sustentável e o turismo responsável na Patagônia, através do projeto Mapu. O futuro reserva muitas aventuras e oportunidades de crescimento, e estou ansiosa para cada novo capítulo que está por vir.

       Pati vai lançar o seu terceiro livro - Divulgação

Felpuda

A famosa frase "chegou agora e já quer sentar na janelinha"...leia na coluna de hoje

Confira a coluna desta sexta-feira (5)

05/06/2026 00h02

Diálogo

Diálogo Foto: Arquivo / Correio do Estado

Continue Lendo...

Augusto Branco escritor brasileiro - "O mundo é o que você enxerga, mas principalmente o que você quer enxergar e o que você quer fazer dele”.

Felpuda

A famosa frase “chegou agora e já quer sentar na janelinha” virou lei em Campo Grande e, desta vez, em favor do conforto e da segurança das mulheres. A partir de agora, passageiras terão a prioridade dos assentos ao lado das janelas nos ônibus urbanos, conforme estabelece legislação municipal.

A medida vale para toda a frota do sistema de transporte coletivo da Capital. A prioridade, no entanto, não é exclusiva: os bancos poderão ser ocupados por outros passageiros, quando não houver mulheres no embarque ou durante o trajeto. Sei não...

DiálogoFelpuda

E?...

A vereadora Luiza Ribeiro (PT) voltou a defender a instalação imediata de uma CPI na Câmara Municipal. Segundo ela, os recursos destinados à Sesau são consumidos integralmente, mas a população continua enfrentando falta de medicamentos, demora em exames, etc e tal...

Mais

Isso, sem contar o atendimento precário. A investigação pretende apurar suspeitas de desvio de R$ 156,8 milhões, dívidas de cerca de R$ 200 milhões com fornecedores, contratos sob questionamento e o descumprimento de decisões judiciais.

DiálogoJucimara Palieraqui / Arquivo Pessoal 

 

DiálogoDra. Rochelle Teixeira / Foto: Arquivo Pessoal 

Sinalizando

Tudo indica que o deputado federal Marcos Pollon estaria se preparando para desistir do projeto de ser indicado pelo seu partido, o PL, à disputa de uma das vagas ao Senado. O recuo de sua esposa Naiane Bittencourt da pré-candidatura à Câmara dos Deputados seria uma sinalização de que a vaga teria de ficar à disposição para futura acomodação do preterido na convenção da escolha do nome. Pollon, que teria apoio do ex-presidente Bolsonaro, aparece em situação não muito confortável nas pesquisas sérias de intenções de voto.

Cifras

A Assembleia Legislativa de MS começou a analisar a LDO de 2027, enviada pelo governo do Estado. A proposta projeta orçamento global de R$ 28,84 bilhões para o próximo exercício, alta de 6,06% em relação a este ano. Sem considerar a Previdência, a receita estimada é de R$ 25,17 bilhões. A arrecadação de impostos, taxas e contribuições deverá alcançar R$ 14,83 bilhões, crescimento de 7,37%. O texto servirá de base para a elaboração do orçamento estadual

Dívidas

No que se relaciona às despesas, Mato Grosso do Sul prevê gastar R$ 24,52 bilhões em 2027, dos quais R$ 12,27 bilhões serão destinados ao pagamento de pessoal e encargos. A proposta aponta deficit primário de R$ 124,9 milhões sem o RPPS, mas registra superavit de R$ 177,2 milhões quando a Previdência é incluída nas contas. Outro dado que chama atenção é a dívida consolidada do Estado, estimada em R$ 11,6 bilhões, avanço de 7,24% sobre o exercício anterior.

Aniversariantes 

Lilia Villela Pacheco Ilgenfritz
Juliano Tannus
Nádia Silva Bronze
Regis de Carvalho
Sumara Bonani Vilela Andrade
Ivone de Oliveira Moreira
Alexandre Cabral
Arize da Conceição Alves da Silva
Deacil de Oliveira Lopes
Eugênia Maria Yamasato
Ione Zadra Lamonato Machado
José Carlos Bueno
Ieda Garcia Oliveira Guimarães
Luiz Shigueharu Akamine
Marilza Ferreira de Sousa dos Santos
Dr. Sérgio Cação de Moraes
Marilda Zampieri Vieira
Ubirajara Ferreira
Sérgio Tatsuo Akieda
Maria de Lourdes Serejo
Dr. Erlon Carmona Gomes
Jucilene Barbosa Rui Dias
Pilar Velasquez
Alba Dias Jamal Mohamed
Alfredo Fernandes
Dina Figueiredo Mascarenhas
Juraci Lemes de Oliveira
Paulo de Tarso Pinheiro de Rezende
Antonio Marcos Minami
Rosa Maria da Silva
Dr. Vladimir Rossi Lourenço
Marcos Hans
João Batista Moreira Dourado
Maria Lúcia Calixto Massud
Jorge Batistoti
Lucimar Gonçalves Dantas
Merci dos Reis Ribeiro Lugo
Iracema Ramona Bueno
José David Rosa Gelman
Pedro Martins Filho
Mário Cassol Neto
Hércules Durval Ghizzi
Solange Neide Pereira
Dra. Jacira de Souza Weinmann
José André de Alcantara
Dr. Paulo Marcio Bacha
Maria de Lourdes Rodrigues
Raquel Dalto Sobradiel
Marilene Alvarenga
André Luiz Ferrari de Araújo
Maria Aparecida Furlan
Estella Dias Ribeiro e Silva
Juliana de Souza Macedo
Maria Cristina Abuhassan
Carlos da Costa Perez
Mário Flávio de Almeida
Elza Mendonça Arruda
Carolina Pereira Maciel
Dr. Guido Marks
Juliano Duarte Lins Barros
Paulo Carvalho Afonso
Júlio Cesar Martins Barros
Eder Benites de Mattos
Antônio Arruda Júnior
Maria Auxiliadora Corrêa de Lima
Luiz Eduardo Ferreira Coelho
Colmar Almeida e Silva
Augusto Novis de Figueiredo
Nelson Trad Neto
Jorge Cardoso Ramalho
Alexandre Radtke
Sebastião Inácio da Silva
Heitor Carneiro Gomes Rosani
Alexandre da Silva Mendes
Edgar José de Azevedo
Germíno Luiz da Silva
Manoel Barreto da Silva
Gustavo Nogueira Lyrio
Caroline Gomes Chaves Bobato
Eduardo Kanashiro
Marco Félix Daige
Naura Jafar
Aldevina Roque Valério
Juvenal Almeida
Milton Sanabria Pereira
Cezar de Souza Almeida
Antonio Carlos Zonatto
Inês Sampaio do Nascimento
Andreia Albertoni Nunes
Renato Oliveira Mendes
Euze Márcio Carvalho
Sara Mara Argerim
Catarina Barbosa Neves
Jarbas Monteiro
Oswaldo Luiz Benez Junior
Milton José de Oliveira
Kátia Maria Amaral Junqueira
Elenaldo de Lima
Gilvan Pereira Deiro
Alejandro César Rayo Werlang
Jurandir dos Santos Tosta
Cláudia Cristina Figueiredo Chrysostomo
Tháttyce Dezzyrre Castelão Almeida Pinto
Geraldo Pedro de Melo
Joana Mara Tavares Pereira
Riva de Araújo Manns
Evaristo Tolentino de Almeida Neto
Silvania Maria Schumaher
Emerson Cabanhas

Colaboração: Tatyane Gameiro.

 

história da dança

Acervo digital de Mato Grosso do Sul preserva legado de Sarah Abussafi Figueiró

Projeto conduzido pela neta Maria Fernanda Figueiró digitaliza mais de 33 horas de fitas VHS, além de documentos históricos, folders e registros administrativos que ajudam a contar a história da dança em Mato Grosso do Sul

04/06/2026 10h09

Sarah Abussafi Figueiró foi a primeira presidente da Associação Sul-Mato-Grossense dos Profissionais da Dança

Sarah Abussafi Figueiró foi a primeira presidente da Associação Sul-Mato-Grossense dos Profissionais da Dança Reprodução/Acervo pessoal

Continue Lendo...

Mais de duas décadas depois de a professora e produtora cultural Sarah Abussafi Figueiró doar ao Museu da Imagem e do Som (MIS) um conjunto de documentos que registram parte da construção da cena artística sul-mato-grossense, esse patrimônio volta a ganhar vida por meio de um projeto de digitalização idealizado por sua neta, a bailarina, pesquisadora e produtora cultural Maria Fernanda Figueiró.

A iniciativa, intitulada Acervo da Dança Sul-Mato-Grossense, foi contemplada pela Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (Pnab) e nasceu do desejo de preservar e democratizar o acesso a uma coleção documental que reúne décadas de trabalho, articulação e resistência de artistas que ajudaram a consolidar a dança como expressão cultural no Estado.

O projeto digitalizou documentos históricos, registros administrativos da Associação Sul-Mato-Grossense dos Profissionais da Dança (ASMPD), folders de espetáculos, programas de festivais e cerca de 33 horas de conteúdo audiovisual armazenado em fitas VHS. 

A descoberta

Em 2023, enquanto realizava pesquisas para a criação do espetáculo "Chafica", produzido pela Cia do Mato em homenagem à avó, Maria Fernanda encontrou uma antiga reportagem publicada em 2002 com a manchete "História da dança vai para o MIS". 

A notícia despertou a curiosidade da pesquisadora, que decidiu visitar o museu para conhecer o acervo. O encontro com os documentos transformou uma simples investigação artística em um compromisso pessoal com a preservação da memória. 

"Fiquei impressionada com a quantidade de registros, documentos e fitas VHS. Inclusive, consegui assistir a algumas dessas gravações no próprio MIS. Foi quando percebi a importância de contribuir para a digitalização desse patrimônio", explica Maria Fernanda.

Até aquele momento, ela desconhecia que Sarah havia doado todo aquele material à instituição. "Minha avó nunca chegou a comentar comigo sobre essa doação. Descobri esse gesto de cuidado por meio de uma reportagem de jornal. Foi ali que nasceu o desejo de digitalizar o acervo e ampliar o acesso público a esse patrimônio", relembra Maria Fernanda.

A urgência do projeto também está relacionada com as características físicas dos suportes originais. As fitas VHS, mesmo quando armazenadas em condições ideais, possuem vida útil estimada entre 20 e 30 anos. O mesmo ocorre com documentos em papel, que naturalmente sofrem desgaste ao longo do tempo.

"O objetivo foi evitar que esse material se perdesse, transferindo-o para o ambiente digital e ampliando suas possibilidades de preservação e acesso. Conhecer nossa história fortalece o sentimento de pertencimento e a relação com o território onde atuamos", afirma.

Reencontro

Durante a execução do projeto, uma coincidência carregada de simbolismo emocionou a idealizadora. Ao retirar as fitas VHS do MIS para a digitalização, Maria Fernanda assinou o termo de empréstimo do acervo em 7 de agosto de 2025.

O documento original de doação, assinado por Sarah Abussafi Figueiró, está datado de 6 de agosto de 2002. Uma diferença entre os dois registros de exatamente 23 anos e um dia.

"Foi emocionante perceber que, duas décadas depois, eu estava voltando à mesma instituição para dar continuidade ao gesto iniciado por ela: preservar e compartilhar a memória da dança sul-mato-grossense", conta.

Para Maria Fernanda, o mergulho nesse acervo também representou um reencontro com uma faceta da avó que ela ainda não conhecia.

"Quando assisti às entrevistas que ela concedeu para divulgar os festivais nos jornais da época, percebi uma mulher que existia para além da avó presente que marcou minha infância. Eu nunca havia visto minha avó jovem, trabalhando, atuando e defendendo aquilo em que acreditava. Isso deu um novo significado à nossa relação", afirma.

Ela conta que o processo de digitalização foi frequentemente interrompido pela emoção.

"Constantemente eu me sensibilizava diante do cuidado e da dedicação que ela teve ao preservar esse acervo. Os documentos estavam extremamente organizados, algo que também é fruto do trabalho realizado pelo MIS", destaca.

Pioneira

Filha de imigrantes libaneses que chegaram ao Brasil pelo porto de Corumbá, Sarah Abussafi Figueiró nasceu em Campo Grande e construiu uma trajetória marcada pela atuação em diversas frentes culturais.

Professora de artes, foi a primeira presidente da Associação Sul-Mato-Grossense dos Profissionais da Dança, primeira presidente da Associação Artística e Cultural de Mato Grosso do Sul, fundadora da Associação dos Pintores de Porcelana e presidente da Associação dos Artistas Plásticos de Mato Grosso do Sul.

Além de sua atuação na dança, Sarah também participou da fundação da Rede Feminina de Combate ao Câncer de Campo Grande e recebeu o título de Delegada da Associação Interamericana de Dança.

Entre suas maiores contribuições está a organização dos 13 primeiros Festivais Sul-Mato-Grossenses de Dança, realizados entre 1985 e 1998, período em que o Estado ainda buscava consolidar sua identidade cultural.

Sarah faleceu em 2019, aos 85 anos, deixando um legado que continua influenciando novas gerações de artistas.

"Antes de tudo, ela era minha avó. Gostava de contar histórias, ouvir música, conversar e compartilhar memórias. Ela me ensinou a importância da palavra, da história e da memória. Acho que essa foi a maior herança que me deixou", resume Maria Fernanda.

Festivais

Grande parte do acervo digitalizado está relacionada com os históricos Festivais Sul-Mato-Grossenses de Dança, organizados pela ASMPD durante 13 anos consecutivos.

Os eventos funcionavam como grandes espaços de intercâmbio artístico, reunindo academias, grupos e companhias de diferentes regiões do Brasil e oferecendo oficinas, cursos e workshops.

Os festivais receberam importantes companhias nacionais, como Cia. Cisne Negro, Ballet Stagium, Grupo Raça, Quasar Cia. de Dança, Ballet Paula Castro, Grupo Ginga e Nós da Dança.

A comissão julgadora também reunia nomes de destaque do cenário brasileiro, entre eles Beth Oliosi, Toshie Kobayashi, Roseli Rodrigues, Mariana Muniz, Tony Abott, Regina Sawer, Penha de Souza, Valéria Mattos e Lourdes Bastos.

Para Maria Fernanda, esses encontros desempenharam papel decisivo na formação dos artistas locais.

"As oficinas e workshops ampliavam a formação técnica e artística dos participantes. Esses festivais possibilitavam trocas de conhecimento e inseriam Mato Grosso do Sul em circuitos mais amplos de circulação e diálogo artístico", explica.

O acervo também revela a presença de personagens fundamentais para a história da dança sul-mato-grossense, como Chico Neller e a Ginga Cia de Dança, Neide Garrido e o Ballet Isadora Duncan, Maria Helena Pettengill e o grupo Embrujos da España, além de Suzana Leite e Sandramaria Gomes.

"Muitas dessas pessoas continuam atuando até hoje, formando novas gerações e mantendo vivo um legado que atravessa décadas", destaca.

Acervo digital

Como resultado do projeto, foi criada a plataforma digital www.sarahfigueiro.com.br (acesse CLICANDO AQUI), espaço dedicado à preservação e difusão desse patrimônio histórico.

Inicialmente, o site reúne o acervo doado ao MIS, disponibilizando vídeos originalmente armazenados em VHS, folders, documentos administrativos e diversos registros relacionados com a história da dança em Mato Grosso do Sul.

A expectativa, entretanto, é que a plataforma se transforme futuramente em um grande centro de memória da dança sul-mato-grossense, incorporando novos documentos e acervos.

"Neste momento, o projeto contempla exclusivamente o acervo da Associação Sul-Mato-Grossense dos Profissionais da Dança. Tenho a expectativa de que, no futuro, possamos digitalizar também o acervo pessoal que ela deixou, que reúne materiais relacionados não apenas à dança, mas também ao artesanato, às artes plásticas e a outras manifestações culturais", explica.

Para a pesquisadora, a preservação desse patrimônio ultrapassa a simples guarda de documentos.

"Sem memória, nossa atuação artística empobrece. Precisamos conhecer quem veio antes de nós, quem lutou para que hoje tivéssemos mais espaços e possibilidades. A dança que fazemos hoje também é resultado dessas histórias", afirma Maria Fernanda.

Ela acredita que o acervo pode estimular novas pesquisas e fortalecer o sentimento de pertencimento cultural.
"Esses documentos são fontes para que possamos acessar o passado e produzir novas reflexões e conexões com as gerações presentes e futuras",  defende.

 

Assine o Correio do Estado

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).