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CULTURA

Com impacto da pandemia do coronavírus, setor tenta se reorganizar em meio às restrições para trabalhar

Restrições a aglomerações e incerteza em relação a vacina traz cenário instável para a cultura
05/01/2021 07:00 - Naiane Mesquita


Apesar do fôlego que o início de um ano concede, a cultura em Mato Grosso do Sul ainda está longe de ter todos os projetos normalizados. Sem a vacinação garantida, com apresentações presenciais suspensas e restrições a aglomerações, fica difícil apresentar uma peça de teatro ou até mesmo gravar um filme, reduzindo a arrecadação e diminuindo ainda mais o público.  

De acordo com a produtora cultural do grupo Circo do Mato Laila Pulchério, a expectativa de uma melhora está relacionada à vacinação da população. “Vamos ter que esperar essa vacinação, porque, por exemplo, nós temos um projeto de circulação em algumas cidades do Estado, mas é espaço público, é na praça, como que nós faríamos isso com segurança para ambas as partes?”, questiona.  

O projeto recebe recursos do Fundo de Investimentos Culturais de Mato Grosso do Sul (FIC/MS) e tem prazo para ser concluído que, por enquanto, tem sido flexível por conta da pandemia. Além disso, o espaço oferecia oficinas de teatro e circo, que não são realizadas desde março de 2020, quando a Covid-19 espalhou-se pelo País. “Agora no fim do ano fechamos alguns trabalhos pontuais que são na rua, em pernas de pau. As pernas de pau são mais altas, então tem uma certa distância. Fizemos pela Prefeitura de Campo Grande e em drive-thru para algumas escolas da Capital. Alguns trabalhos meio que a gente consegue, para espetáculos mesmo, no espaço aberto e gratuito, mas ainda não voltamos, não montamos uma estratégia”, frisa.  

O Circo do Mato tem sede própria e foi um dos locais que recebeu investimentos pela Lei Aldir Blanc. Segundo Laila, o valor foi de R$ 30 mil, em três parcelas. “Fizemos 10 inscrições para a Sectur e três para a FCMS, de outros circos e todas foram aprovadas. Já pagaram tudo. Disseram que poderíamos cobrir os gastos de abril até o fim do edital. Consegui botar muita coisa em dia, como contador, aluguel e outras contas do espaço”, explica.  

Apesar do auxílio emergencial proporcionado pela lei no Brasil, nem todo mundo conseguiu o investimento. Foram assegurados R$ 3 bilhões para o setor cultural de todo o País e R$ 41 milhões para Mato Grosso do Sul, metade ao governo estadual e outra metade aos municípios, porém, no Estado, até agora só foram usados cerca de 25%.

O problema surgiu porque, embora a lei tenha sido aprovada em maio e a regulamentação tenha se concretizado em julho pelo Congresso Nacional, os recursos só foram disponibilizados pelo Ministério do Turismo aos estados e municípios no dia 19 de setembro, faltando três meses para o fim de sua vigência.

Em Mato Grosso do Sul, a Fundação de Cultura correu para viabilizar a Lei Aldir Blanc. A autarquia lançou 21 editais, totalizando R$ 4,1 milhões dos recursos disponibilizados, de um total de R$ 20 milhões para o governo do Estado. Também ofereceu o auxílio emergencial aos profissionais da área cultural, porém, somente 417 se inscreveram, por causa das regras.