As férias escolares costumam representar um período de descanso, diversão e mudanças na rotina das famílias. Crianças passam mais tempo em casa, surgem passeios, viagens, visitas de parentes e amigos, além de horários mais flexíveis para dormir, comer e brincar.
No entanto, enquanto essas alterações costumam ser encaradas como motivo de alegria pelos humanos, para cães e gatos elas podem significar estresse, insegurança e dificuldades de adaptação.
Especialistas alertam que os animais de estimação são extremamente sensíveis às mudanças no ambiente e na dinâmica familiar.
Mesmo quando recebem mais atenção dos tutores, a quebra da rotina pode provocar alterações no comportamento, afetando diretamente o bem-estar físico e emocional dos pets.
A psicóloga Juliana Sato, especialista em vínculo humano-animal e luto pet, explica que cães e gatos organizam sua percepção do mundo por meio da repetição de hábitos e da previsibilidade.
“Os animais se organizam a partir da repetição e da previsibilidade. Eles reconhecem horários, ambientes e comportamentos da família. Quando tudo muda de uma vez, é comum que sintam insegurança, estresse ou cansaço emocional”, afirma.
Por isso, o período de férias também exige planejamento quando há um animal em casa. Pequenos cuidados ajudam a evitar problemas comportamentais e tornam a convivência mais saudável tanto para os pets quanto para as crianças e os adultos.
ROTINA
Embora as férias tragam uma programação mais flexível para a família, manter alguns hábitos é essencial para oferecer segurança emocional aos animais.
Os horários das refeições, dos passeios e até dos momentos de descanso funcionam como referências importantes.
Quando essas atividades acontecem em horários semelhantes aos habituais, o pet consegue compreender melhor a rotina e tende a permanecer mais tranquilo.
Segundo Juliana, essa previsibilidade reduz o impacto causado pelas mudanças naturais do período de férias.
Mesmo que a família acorde mais tarde ou faça passeios diferentes, preservar alguns compromissos diários ajuda o animal a sentir que seu ambiente continua seguro.
SINAIS DE ESTRESSE
Nem sempre cães e gatos demonstram desconforto de forma evidente. Muitas vezes, eles utilizam sinais sutis para comunicar que estão sobrecarregados.
Entre os comportamentos que merecem atenção estão: isolamento, irritabilidade, alterações no sono, inquietação e tentativas frequentes de evitar contato.
Além desses sinais, alguns comportamentos corporais também indicam desconforto durante interações, principalmente com crianças.
O animal pode: lamber os lábios repetidamente, bocejar fora do contexto de sono, enrijecer o corpo, virar a cabeça para evitar contato e procurar se afastar das pessoas.
Ignorar esses sinais pode aumentar o risco de acidentes.
Segundo a especialista, diversos estudos internacionais mostram que a maior parte dos episódios de mordeduras envolvendo crianças acontece com cães conhecidos da família.
Em muitos desses casos, o animal já vinha demonstrando sinais claros de desconforto antes da situação.
“A maioria dessas situações é evitável quando a família aprende a ler o que o animal está comunicando. Não se trata de afastar a criança do pet, mas de construir uma convivência em que os dois se sintam seguros”, explica.
OPORTUNIDADE DE ENSINAR
Com mais tempo disponível, é natural que as crianças queiram brincar durante boa parte do dia com os animais de estimação.
Entretanto, os especialistas lembram que cães e gatos não estão disponíveis para interações constantes.
Assim como as pessoas, eles precisam descansar, dormir e permanecer sozinhos em alguns momentos.
Ensinar as crianças a identificar quando o pet deseja interromper uma brincadeira é uma importante forma de desenvolver empatia e respeito pelos animais.
Juliana ressalta que o pet não deve ser tratado como um brinquedo.
“As férias são uma ótima oportunidade para ensinar que os animais têm necessidades e limites que devem ser respeitados”, pontua.
A supervisão dos adultos também é indispensável, principalmente quando crianças pequenas interagem com cães e gatos.
AMBIENTE
Outro cuidado importante é garantir que o animal tenha um ambiente reservado para descansar.
Esse espaço funciona como um refúgio, permitindo que o pet se afaste da movimentação quando sentir necessidade.
Pode ser uma cama em um cômodo silencioso, uma casinha ou qualquer local onde ele se sinta confortável e protegido.
O mais importante é que esse ambiente seja respeitado por toda a família.
Quando o animal decide se recolher, ele não deve ser incomodado ou forçado a voltar para as brincadeiras.
Segundo Juliana, esse comportamento ajuda o próprio organismo do pet a controlar o estresse.
“Quando o animal tem um espaço seguro para se recolher, ele consegue regular melhor o estresse. É fundamental que as crianças aprendam a respeitar esse ambiente”, afirma a psicóloga.
COMO VIAJAR
As férias escolares também costumam ser sinônimo de viagens, e muitos tutores ficam em dúvida sobre levar ou deixar o animal em casa.
A decisão depende do perfil do pet.
Os gatos, por exemplo, normalmente se adaptam melhor permanecendo em seu ambiente habitual, desde que recebam os cuidados de uma pessoa de confiança.
Já alguns cães sofrem mais com a ausência dos tutores e podem se beneficiar de hospedagens especializadas ou até acompanhar a família durante a viagem.
Segundo a psicóloga, não existe uma regra única.
Cada animal tem características próprias e a decisão deve considerar seu comportamento, histórico e capacidade de adaptação.
Caso o pet viaje com a família, alguns cuidados são fundamentais: conferir se a vacinação está em dia; verificar a documentação exigida para o destino; garantir identificação atualizada; e adaptar o animal previamente à caixa de transporte, evitando que o primeiro contato aconteça apenas no dia da viagem.
Esses cuidados reduzem o estresse e tornam o deslocamento mais seguro.
Embora muitas pessoas planejem cuidadosamente as atividades das férias, nem sempre lembram que cães e gatos também serão impactados pelas mudanças.
Segundo Juliana Sato, incluir os animais no planejamento familiar é uma forma de prevenir problemas e fortalecer os vínculos afetivos.
Isso significa pensar na rotina do pet antes de organizar viagens, festas, visitas ou mudanças bruscas dentro de casa.
“O pet não entende o conceito de férias. Ele entende segurança, previsibilidade e respeito aos seus limites. Quando a família considera essas necessidades, o período se torna mais agradável para todos e fortalece os vínculos dentro de casa”, conclui.
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