As novelas foram responsáveis pela formação profissional de Cauã Reymond diante do vídeo. Porém, ao longo dos últimos anos, o ator tinha se dedicado a projetos mais curtos, como as séries e minisséries.
Após seis anos de folga dos folhetins, Cauã se preparava para se reencontrar com o formato ao ser escalado para a trama de “Um Lugar ao Sol”, em que vive os gêmeos Christian e Christofer.
A chegada da pandemia de Covid-19, no entanto, fez com que o ator experimentasse uma forma inédita de fazer novelas. Uma mecânica, inclusive, muito próxima do processo de gravações de séries e minisséries.
“O tempo de realização estava bem mais longo. Isso trouxe mais dramaticidade e camadas para o ‘set’. Brinco que, em alguns momentos, a gente fazia um filme, mas em outros era uma novela corrida ou um seriado. Tivemos um nível de qualidade enorme que não teríamos em uma novela normal. Não por falta de mérito da equipe, mas porque o ritmo comum de uma novela não permitiria”, explica.
Na história de Lícia Manzo, ainda na infância, os irmãos são separados.
Enquanto Christofer é adotado por uma família rica do Rio de Janeiro e é rebatizado como Renato, Christian cresce em um abrigo para menores.
Anos depois, os caminhos de Christian e Renato se cruzam. Porém, com a morte repentina do irmão, Christian toma o lugar do gêmeo.
“É um dos meus maiores trabalhos. Foi um desafio gigante e eu mergulhei de cabeça. Espero que seja algo além de entretenimento para o público, mas que também gere muita reflexão nesse Brasil que a gente vive todo dia com uma surpresa”, ressalta.
Bate papo
P – Após um longo período dedicado às séries, você retorna às novelas com a trama de “Um Lugar ao Sol”. Como foi essa volta aos folhetins?
R – Fiquei um tempo considerável longe das novelas. Foram seis anos, né? Eu comecei há bastante tempo na tevê, mas esse período longe das novelas acaba pesando. Eu estava bastante inseguro com esse retorno e sabia que teria um desafio gigante pela frente. Mas não esperava que fosse ser tão intenso. Comecei minha preparação ainda no final de 2019. Foi um dos meus trabalhos mais complexos. Me preparei bastante ao lado do Maurício (Farias) e da Lícia (Manzo). Eles me deram vários documentários, reportagens e filmes para ver. Conversamos muito para chegar relativamente seguro no set. Não tive do que reclamar. O texto da Lícia me ajudava demais.
P – De que forma?
R – Os roteiros apontavam caminhos muito sólidos para os irmãos. Na primeira semana da novela, eu construí tudo muito ao lado do Maurício. A gente gravou com muito cuidado. Ele estava muito aberto para discutir e era extremamente cuidadoso. Tivemos um cuidado de seriado. Os 10 primeiros capítulos foram como se fosse uma série.
P – Na história, após a morte de Renato, Christian decide assumir a identidade do irmão. A partir daí, o personagem começa uma trajetória tortuosa. Você teve dificuldades para compreender a dubiedade do protagonista?
R – Esses personagens me geraram muita reflexão. O Maurício dividiu boa parte dessa angústia comigo no set. Fiz algumas ligações para a Lícia também. Ele é o anti-herói, né? Fazia coisas que eu ficava perplexo em alguns momentos. Outros momentos, eu tinha muita compaixão e empatia por ele. Acho que é um personagem que fala sobre o Brasil. Até onde você iria para conquistar um sonho? Ter oportunidades que não teria normalmente? Você se corromperia ou se perderia por essa escolha? Fiz uma grande jornada com esse cara. Amadureci como ator e indivíduo.
P – Assim como em “Dois Irmãos”, você voltou a interpretar gêmeos no vídeo. Essa primeira experiência na minissérie foi útil na atual novela das nove?
R – Como eu já tinha feito gêmeos, eu tinha um pouco de noção da mecânica de cena. Cheguei a conversar também com atores que tinham feito gêmeos. Acho que já é raro um ator receber gêmeos, mas duas vezes foi realmente muito raro (risos). Em “Um Lugar ao Sol”, encarei um processo completamente diferente da minissérie. Eram obras bem diferentes. Um dos irmãos é adotado e outro não. Fica um vazio, uma mágoa, um desejo de ter tido a mesma oportunidade do outro irmão. Essa história me fez lembrar da história da minha mãe.
P – Como assim?
R – A minha mãe foi adotada. Perdi minha mãe tem dois anos e meio. Foi muito contundente estar dentro dessa realidade e com momentos muito duros. Me fez pensar na realidade da minha mãe. Ela perdeu uma irmã por desnutrição. Por isso, a família dela decidiu entrega-la para alguém criar. Descobri isso através do meu irmão, que me contou essa história. Ela foi entregue de mão em mão até chegar na minha avó. Foi algo impactante.
P – Por conta da pandemia, a novela estreou inteiramente gravada e fechada. Essa nova forma de trabalho impactou em seu desempenho ao longo do processo de gravação?
R – Foi muito bom ter certeza de todo o arco dramático do meu personagem. Eu sabia exatamente quais eram os caminhos dele dentro da história. O personagem está sempre reagindo muito ao que acontece na trama, mas ele não é verborrágico. Em alguns núcleos, meu personagem apena reage ao que os outros estão falando. Então, eu dependia muito da sutiliza da direção para ajudar a contar essa história. A construção desse silencio só foi possível com esse arco dramático bem definido. Foi complexo e paramos de gravar por duas vezes durante a pandemia. Mas, ainda assim, fomos favorecidos porque gravávamos um número menor de cenas por dia. Isso nos permitia trabalhar mais as sequências. Foi um nível de qualidade que não teríamos em uma novela normal.
P – Então, esse modelo de produção foi vantajoso para encarar o trabalho intenso e volumoso de um protagonista?
R – Sim. Esse projeto é o maior desafio que já tive. Senti como se a novela entrasse na minha corrente sanguínea (risos). Sempre me entrego de cabeça nos personagens, mas esse foi diferente. Quando você topa um projeto, você escolhe entregar uma parte da sua vida. Entrego minha emoção, tempo, foco e determinação. Dou parte de quem sou por um período. Agradeço, aliás, a paciência da minha esposa, da minha filha e todos que me cercam nesse tempo. Eu mergulhei de cabeça para levar um entretenimento de qualidade ao público.
P – A novela estreou no começo do mês, mas os trabalhos foram completamente finalizados há mais de um mês. Você já consegue fazer um balanço desse projeto?
R – Estou muito feliz de termos conseguido finalizar esse trabalho. O Maurício foi um grande capitão ao longo desse processo. Eu não consigo imaginar as dificuldades que ele enfrentou durante esse tempo. Ele teve muita calma, resiliência, determinação, braço forte e poder de escuta com o elenco todo. Tudo isso em um momento muito delicado. Ainda assim, conseguiu fazer uma obra lindíssima. Acho muito fácil falar depois do êxito, da audiência, da crítica... A verdade é que sempre fazemos querendo acertar. Foi muito bom passar por esse processo todo e sair mais forte e melhor. O texto da Lícia trouxe algo muito bonito e contundente. As palavras dela vão emocionar todos.
Tudo em família
A trama de “Um Lugar ao Sol” proporcionou um encontro familiar inédito para o Cauã Reymond.
Ao longo das gravações, o ator contou com o auxílio do irmão Pável Reymond, que integrou o “casting” como dublê durante as cenas dos gêmeos. A ideia de chamar o caçula para ajudar nas sequências partiu de Alinne Moraes.
“Ela sugeriu isso quando ainda estávamos estudando e nos preparando. Falei de forma despretensiosa com o Maurício sobre a ideia. Achei legal a sugestão vir da Alinne. Ela conhece muito bem meu irmão porque fomos casados por três anos”, explica.
Após sugerir o nome do irmão, Cauã fez alguns testes de vídeo ao lado de Pável.
A chegada do caçula foi importante para ator durante suas emoções em cena.
“Foi algo certeiro. Mesmo meu irmão não tendo experiência técnica de tevê, teve carinho e atenção. Foi potente olhar para o meu irmão de verdade. Tinha uma emoção no olhar”, ressalta.
Anjo da guarda
Encabeçar o elenco de uma novela das nove não é novidade para Cauã Reymond.
Por isso mesmo, ao assumir o compromisso com a equipe da novela, o ator sabia que teria uma longa e exaustiva jornada pela frente.
Para aliviar o trabalho, pela primeira vez, ele contou com um camareiro para auxiliá-lo nos bastidores.
“Fiquei apaixonado pelo Didi. Sou completamente devoto dele (risos). Em série isso é mais comum. Durante ‘O Caçador’, eu tinha alguém que me acompanhava porque estava em todas as cenas, mas em novela nunca tive. Achava até uma bobeira”, afirma.
Durante todo o período de gravações, Didi era responsável por ajudar Cauã em diversos momentos do dia. Ele lembrava o ator de vários detalhes da rotina.
“Ele me chamava de jogador. Então, falava assim: ‘Jogador, hora do lanche’. ‘Jogador, já coloquei uma toalha lá para você deitar 15 minutos’. ‘Jogador, não bebeu água hoje’. ‘Jogador, sua garganta está ruim. Toma própolis’. Nunca tive uma pessoa com quem construí uma relação tão forte e sincera. Ele foi um anjo da guarda”, elogia.
Instantâneas
# Cauã, que iniciou a carreira como modelo, já morou em Paris e Milão.
# O ator chegou a cursar Psicologia, mas desistiu para se dedicar à carreira artística.
# Desde 2019, Cauã é casado com a modelo Mariana Goldfarb.
# Ele também é pai de Sofia, de 9 anos, fruto de seu relacionamento com a atriz Grazi Massafera.
Camilla com o marido e os filhos - Divulgação
Camilla com a mãe Zilú - Divulgação
A atriz Camilla Camargo é a Capa exclusiva do Correio B+ desta semana - Foto: Pupin + Deleu - Diagramação: Denis Felipe - Por: Flávia Viana
A atriz Camilla Camargo é a Capa exclusiva do Correio B+ desta semana - Foto: Rrafael Garbuio - Diagramação: Denis Felipe - Por: Flávia Viana
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