Correio B

ENTREVISTA

De volta às novelas, Cauã Reymond vive gêmeos na dramática "Um Lugar ao Sol"

Nos últimos anos, o ator tinha se dedicado a projetos mais curtos, como as séries e minisséries

Continue lendo...

As novelas foram responsáveis pela formação profissional de Cauã Reymond diante do vídeo. Porém, ao longo dos últimos anos, o ator tinha se dedicado a projetos mais curtos, como as séries e minisséries. 

Após seis anos de folga dos folhetins, Cauã se preparava para se reencontrar com o formato ao ser escalado para a trama de “Um Lugar ao Sol”, em que vive os gêmeos Christian e Christofer. 

A chegada da pandemia de Covid-19, no entanto, fez com que o ator experimentasse uma forma inédita de fazer novelas. Uma mecânica, inclusive, muito próxima do processo de gravações de séries e minisséries. 

“O tempo de realização estava bem mais longo. Isso trouxe mais dramaticidade e camadas para o ‘set’. Brinco que, em alguns momentos, a gente fazia um filme, mas em outros era uma novela corrida ou um seriado. Tivemos um nível de qualidade enorme que não teríamos em uma novela normal. Não por falta de mérito da equipe, mas porque o ritmo comum de uma novela não permitiria”, explica.

Na história de Lícia Manzo, ainda na infância, os irmãos são separados.

 Enquanto Christofer é adotado por uma família rica do Rio de Janeiro e é rebatizado como Renato, Christian cresce em um abrigo para menores. 

Anos depois, os caminhos de Christian e Renato se cruzam. Porém, com a morte repentina do irmão, Christian toma o lugar do gêmeo. 

“É um dos meus maiores trabalhos. Foi um desafio gigante e eu mergulhei de cabeça. Espero que seja algo além de entretenimento para o público, mas que também gere muita reflexão nesse Brasil que a gente vive todo dia com uma surpresa”, ressalta.

 

Bate papo

P – Após um longo período dedicado às séries, você retorna às novelas com a trama de “Um Lugar ao Sol”. Como foi essa volta aos folhetins?

R – Fiquei um tempo considerável longe das novelas. Foram seis anos, né? Eu comecei há bastante tempo na tevê, mas esse período longe das novelas acaba pesando. Eu estava bastante inseguro com esse retorno e sabia que teria um desafio gigante pela frente. Mas não esperava que fosse ser tão intenso. Comecei minha preparação ainda no final de 2019. Foi um dos meus trabalhos mais complexos. Me preparei bastante ao lado do Maurício (Farias) e da Lícia (Manzo). Eles me deram vários documentários, reportagens e filmes para ver. Conversamos muito para chegar relativamente seguro no set. Não tive do que reclamar. O texto da Lícia me ajudava demais.

P – De que forma?

R – Os roteiros apontavam caminhos muito sólidos para os irmãos. Na primeira semana da novela, eu construí tudo muito ao lado do Maurício. A gente gravou com muito cuidado. Ele estava muito aberto para discutir e era extremamente cuidadoso. Tivemos um cuidado de seriado. Os 10 primeiros capítulos foram como se fosse uma série. 

P – Na história, após a morte de Renato, Christian decide assumir a identidade do irmão. A partir daí, o personagem começa uma trajetória tortuosa. Você teve dificuldades para compreender a dubiedade do protagonista?

R – Esses personagens me geraram muita reflexão. O Maurício dividiu boa parte dessa angústia comigo no set. Fiz algumas ligações para a Lícia também. Ele é o anti-herói, né? Fazia coisas que eu ficava perplexo em alguns momentos. Outros momentos, eu tinha muita compaixão e empatia por ele. Acho que é um personagem que fala sobre o Brasil. Até onde você iria para conquistar um sonho? Ter oportunidades que não teria normalmente? Você se corromperia ou se perderia por essa escolha? Fiz uma grande jornada com esse cara. Amadureci como ator e indivíduo.

P – Assim como em “Dois Irmãos”, você voltou a interpretar gêmeos no vídeo. Essa primeira experiência na minissérie foi útil na atual novela das nove? 

R – Como eu já tinha feito gêmeos, eu tinha um pouco de noção da mecânica de cena. Cheguei a conversar também com atores que tinham feito gêmeos. Acho que já é raro um ator receber gêmeos, mas duas vezes foi realmente muito raro (risos). Em “Um Lugar ao Sol”, encarei um processo completamente diferente da minissérie. Eram obras bem diferentes. Um dos irmãos é adotado e outro não. Fica um vazio, uma mágoa, um desejo de ter tido a mesma oportunidade do outro irmão. Essa história me fez lembrar da história da minha mãe.

P – Como assim?

R – A minha mãe foi adotada. Perdi minha mãe tem dois anos e meio. Foi muito contundente estar dentro dessa realidade e com momentos muito duros. Me fez pensar na realidade da minha mãe. Ela perdeu uma irmã por desnutrição. Por isso, a família dela decidiu entrega-la para alguém criar. Descobri isso através do meu irmão, que me contou essa história. Ela foi entregue de mão em mão até chegar na minha avó. Foi algo impactante. 

P – Por conta da pandemia, a novela estreou inteiramente gravada e fechada. Essa nova forma de trabalho impactou em seu desempenho ao longo do processo de gravação? 

R – Foi muito bom ter certeza de todo o arco dramático do meu personagem. Eu sabia exatamente quais eram os caminhos dele dentro da história. O personagem está sempre reagindo muito ao que acontece na trama, mas ele não é verborrágico. Em alguns núcleos, meu personagem apena reage ao que os outros estão falando. Então, eu dependia muito da sutiliza da direção para ajudar a contar essa história. A construção desse silencio só foi possível com esse arco dramático bem definido. Foi complexo e paramos de gravar por duas vezes durante a pandemia. Mas, ainda assim, fomos favorecidos porque gravávamos um número menor de cenas por dia. Isso nos permitia trabalhar mais as sequências. Foi um nível de qualidade que não teríamos em uma novela normal.

P – Então, esse modelo de produção foi vantajoso para encarar o trabalho intenso e volumoso de um protagonista?

R – Sim. Esse projeto é o maior desafio que já tive. Senti como se a novela entrasse na minha corrente sanguínea (risos). Sempre me entrego de cabeça nos personagens, mas esse foi diferente. Quando você topa um projeto, você escolhe entregar uma parte da sua vida. Entrego minha emoção, tempo, foco e determinação. Dou parte de quem sou por um período. Agradeço, aliás, a paciência da minha esposa, da minha filha e todos que me cercam nesse tempo. Eu mergulhei de cabeça para levar um entretenimento de qualidade ao público.

P – A novela estreou no começo do mês, mas os trabalhos foram completamente finalizados há mais de um mês. Você já consegue fazer um balanço desse projeto? 

R – Estou muito feliz de termos conseguido finalizar esse trabalho. O Maurício foi um grande capitão ao longo desse processo. Eu não consigo imaginar as dificuldades que ele enfrentou durante esse tempo. Ele teve muita calma, resiliência, determinação, braço forte e poder de escuta com o elenco todo. Tudo isso em um momento muito delicado. Ainda assim, conseguiu fazer uma obra lindíssima. Acho muito fácil falar depois do êxito, da audiência, da crítica... A verdade é que sempre fazemos querendo acertar. Foi muito bom passar por esse processo todo e sair mais forte e melhor. O texto da Lícia trouxe algo muito bonito e contundente. As palavras dela vão emocionar todos.

Tudo em família

A trama de “Um Lugar ao Sol” proporcionou um encontro familiar inédito para o Cauã Reymond. 

Ao longo das gravações, o ator contou com o auxílio do irmão Pável Reymond, que integrou o “casting” como dublê durante as cenas dos gêmeos. A ideia de chamar o caçula para ajudar nas sequências partiu de Alinne Moraes. 

“Ela sugeriu isso quando ainda estávamos estudando e nos preparando. Falei de forma despretensiosa com o Maurício sobre a ideia. Achei legal a sugestão vir da Alinne. Ela conhece muito bem meu irmão porque fomos casados por três anos”, explica.

Após sugerir o nome do irmão, Cauã fez alguns testes de vídeo ao lado de Pável. 

A chegada do caçula foi importante para ator durante suas emoções em cena. 

“Foi algo certeiro. Mesmo meu irmão não tendo experiência técnica de tevê, teve carinho e atenção. Foi potente olhar para o meu irmão de verdade. Tinha uma emoção no olhar”, ressalta.

Anjo da guarda

Encabeçar o elenco de uma novela das nove não é novidade para Cauã Reymond. 

Por isso mesmo, ao assumir o compromisso com a equipe da novela, o ator sabia que teria uma longa e exaustiva jornada pela frente. 

Para aliviar o trabalho, pela primeira vez, ele contou com um camareiro para auxiliá-lo nos bastidores. 

“Fiquei apaixonado pelo Didi. Sou completamente devoto dele (risos). Em série isso é mais comum. Durante ‘O Caçador’, eu tinha alguém que me acompanhava porque estava em todas as cenas, mas em novela nunca tive. Achava até uma bobeira”, afirma.

Durante todo o período de gravações, Didi era responsável por ajudar Cauã em diversos momentos do dia. Ele lembrava o ator de vários detalhes da rotina. 

“Ele me chamava de jogador. Então, falava assim: ‘Jogador, hora do lanche’. ‘Jogador, já coloquei uma toalha lá para você deitar 15 minutos’. ‘Jogador, não bebeu água hoje’. ‘Jogador, sua garganta está ruim. Toma própolis’. Nunca tive uma pessoa com quem construí uma relação tão forte e sincera. Ele foi um anjo da guarda”, elogia. 

Instantâneas

# Cauã, que iniciou a carreira como modelo, já morou em Paris e Milão.

# O ator chegou a cursar Psicologia, mas desistiu para se dedicar à carreira artística.

# Desde 2019, Cauã é casado com a modelo Mariana Goldfarb.

# Ele também é pai de Sofia, de 9 anos, fruto de seu relacionamento com a atriz Grazi Massafera.

Capa B+ - Especial Dia das Mães

Entrevista exclusiva com a atriz Camilla Camargo

"A gente tem rituais simples, mas muito valiosos: fazer tarefa de casa juntos, no final de semana que estamos juntos somos nós 4 (eu, Leo e as crianças) em todos os momentos, contar histórias antes de dormir, momentos sem celular, criamos coisas juntos".

10/05/2026 16h00

Entrevista exclusiva com a atriz Camilla Camargo - Especial Dia das Mães

Entrevista exclusiva com a atriz Camilla Camargo - Especial Dia das Mães Foto: Divulgação

Continue Lendo...

Nascida em Goiânia, no dia 17 de outubro de 1985, Camilla Camargo descobriu ainda cedo sua paixão pelas artes.

Sua estreia aconteceu sob direção do próprio Wolf Maia, no espetáculo “O Musical dos Musicais”, no ano de 2005. Na sequência, atuou em diversas outras peças, entre elas, o “O Piramo e Tisbe” que teve direção de Vladimir Capella, “É batata – Contos de Nelson Rodrigues”, direção de Olayr Coan, “Fragmentos Rodriguianos”, direção de Marco Antônio Brás, e “Slavianski Bazaar”, do diretor Beto Bellini.

Ao todo, a atriz soma em seu currículo 20 produções teatrais. Entre seus projetos de maior projeção, destacam-se a montagem brasileira do musical “Zorro”, que protagonizou ao lado do ator Jarbas Homem de Melo, “Shrek, o Musical” e “Enlace – A Loja do Ourives”, ambos sucessos de público e crítica.

Em sua passagem pela Flórida, onde morou durante dois anos, a atriz estudou na American Heritage School e pôde conquistar fluência no inglês e espanhol. O domínio da língua americana trouxe a chance de atuar em uma produção internacional: o filme “The Brazilian”, dirigido por Brian Brightly. Este foi o segundo longa-metragem da atriz.

Ainda no cinema, Camilla participou do média-metragem “Peter’s Friends”, de Hudson Glauber, e do curta “A Vida Como Ela É”, baseado no texto de Nelson Rodrigues. Na televisão, a jovem fez parte do elenco da novela “Revelação”, no SBT. Em 2014, estreou no horário nobre da Rede Globo com “Em Família”, de Manoel Carlos, onde interpretou Ana, uma domadora de cavalos determinada e batalhadora, de Goiás.

Embora sua participação tenha sido limitada à fase inicial da novela, ela colheu ótimos frutos: foi vice-campeã no quadro Saltibum no Caldeirão do Huck (ficando em primeiro lugar entre as mulheres e segundo no geral) e recebeu o convite para atuar no longa “Travessia”, no qual formou par romântico com o ator Caio Castro. No filme, estrelado por Chico Diaz, Camilla vive Marina, uma jovem com boa condição financeira que se envolve com drogas, influenciada por um traficante por quem se apaixona.

Em junho de 2015, a atriz voltou ao ar como Isabellen, mocinha do humorístico “#PartiuShopping”, sitcom do canal Multishow protagonizado por Tom Cavalcante. Paralelamente, a atriz começou os ensaios como a boêmia cantora de rádio Leonor, na montagem teatral “Caros Ouvintes”. O espetáculo saiu duas vezes na revista “Veja” como o mais bem avaliado de São Paulo!

Entrevista exclusiva com a atriz Camilla Camargo - Especial Dia das MãesCamilla com o marido e os filhos - Divulgação

Entre 2016 e 2018, Camilla interpretou Diana na novela infantojuvenil “Carinha de Anjo”, do SBT. A trama manteve a vice-liderança de audiência durante quase todo o período em que esteve no ar. No início de 2019, a atriz voltou aos palcos no papel de Gina Praddo, na comédia “Divórcio”, escrita por Franz Keppler e dirigida por Otávio Martins.

Mesmo com os trabalhos interrompidos pela pandemia, Camilla continuou produzindo de casa. Em 2020, apresentou um monólogo no Instagram, no qual interpretou Lúcia, personagem de “Luciola”, de José de Alencar. Em dezembro do mesmo ano, lançou seu canal no YouTube, onde abordava temas como carreira, projetos, sonhos, maternidade, saúde e cotidiano, além de criar sátiras sobre situações diversas.

No ano seguinte, a artista participou do longa-metragem “Intervenção”, do roteirista Rodrigo Pimentel (o mesmo de “Tropa de Elite” 1 e 2), que narra a história dos bastidores das UPPs – Unidades de Polícia Pacificadora – e o conflito das políticas públicas na área de segurança, lançado na Netflix.

Nele, ela dá vida à repórter Luiza Bastos. Ainda na plataforma de streaming, Camilla teve a estreia da novela “Carinha de Anjo” (SBT), que, repetindo o sucesso da trama de quando foi exibida na televisão, conquistou diversas vezes o primeiro lugar entre as dez produções mais assistidas da Netflix no Brasil. A audiência foi tanta que a produção chegou a entrar no ranking mundial do streaming!

Com narração da atriz, chegaram ao aplicativo TikaBooks, em 2022, os audiobooks “ABC dos Bichos”, de Diogo Avelino, e “As Princesas Encaracoladas”, de Claudia Kalhoefer. Em julho, ela foi confirmada na segunda temporada de “Tudo Igual… SQN”, a primeira produção original brasileira do Disney+. Na série, lançada em setembro de 2023, ela interpreta Ariane, uma artista plástica.

Em 2025, sob o comando de Giovani Tozi, a atriz voltou aos palcos com o espetáculo “O Livro Vivo”, que transita entre o drama, o humor e a pulsação do jazz ao vivo. Em seguida, repetindo a parceria com Giovani, entrou em cartaz no segundo semestre com “Aqui Jazz”, cuja procura foi tão expressiva que a temporada precisou ser estendida por mais um mês além do previsto.

Entrevista exclusiva com a atriz Camilla Camargo - Especial Dia das MãesCamilla com a mãe Zilú - Divulgação

Após o retorno ao teatro, em dezembro estreou com a novela vertical “A Cinderela e o Segredo do Pobre Milionário” no Globoplay. Na história, interpreta Georgete, personagem que movimenta as tensões amorosas ao se aliar ao empresário Serginho para atrapalhar o romance de Cindy e Diego.

A atriz estreou em janeiro em São Paulo a peça “Dois Patrões”, clássico de Goldoni em uma versão contemporânea dirigida por Giovani Tozi e pela Neyde Veneziano, e que interpreta Clarice Lombardi.

Camilla, que esteve nas telonas com uma participação  especial em  “Inexplicável”, tem entre seus próximos lançamentos o longa-metragem "Caipora", o mais novo thriller nacional, em que interpretará uma das protagonistas, ao lado de Kayky Britto e Nill Marcondes; o filme “Coração Sertanejo”, em que interpretará Bruna, uma produtora musical; e o suspense “Pacto Maldito”.

A atriz Camilla Camargo é a Capa exclusiva do Correio B+ desta semana, e em entrevista ao Caderno ela fala de estreias, carreira e do seu principal papel que éo de ser mãe.

Entrevista exclusiva com a atriz Camilla Camargo - Especial Dia das MãesA atriz Camilla Camargo é a Capa exclusiva do Correio B+ desta semana - Foto: Pupin + Deleu - Diagramação: Denis Felipe - Por: Flávia Viana

CE - Você vive um momento de forte presença no cinema, com títulos como “Coração Sertanejo”, “A Caipora” e “Pacto Maldito” em seu horizonte. O que tem guiado suas escolhas de papéis hoje e como você percebe a evolução da sua carreira nesse momento mais plural?
CC - 
Hoje, o que guia muito as minhas escolhas é verdade e propósito. Eu já vivi muitas fases dentro da minha carreira, e esse momento mais plural me encanta porque me permite explorar lugares que talvez antes eu não tivesse acesso.

Eu tenho buscado personagens que me desafiem emocionalmente, que me tirem de zonas confortáveis e que contem histórias que, de alguma forma, toquem as pessoas. Eu sinto que é uma fase de mais liberdade, de mais consciência artística… e isso é muito potente.

CE - Dois dos seus projetos mais recentes flertam com o terror e o thriller, gêneros que exigem uma entrega emocional e física muito específica. O que te atrai nesse tipo de narrativa e como foi mergulhar nesse território?
CC -
 O terror e o thriller me atraem muito porque mexem com emoções muito primárias, muito humanas. Medo, tensão, instinto… são lugares muito intensos de acessar como atriz. É um tipo de entrega que exige muito do corpo e da mente, e eu gosto desse desafio. Mergulhar nesse território foi intenso, mas ao mesmo tempo muito enriquecedor, porque me fez acessar camadas minhas que eu ainda não tinha explorado.

CE - Em “Cinderela e o Segredo do Pobre Milionário”, você completa uma virada interessante ao interpretar uma personagem com ares de vilania, em um formato diferente para a plataforma. Como foi essa experiência de explorar novas camadas como atriz e sair de um lugar mais esperado pelo público?
CC -
 Foi muito especial para mim. Sair de um lugar mais esperado pelo público e poder brincar com uma personagem com nuances de vilania me trouxe uma liberdade criativa muito gostosa. A gente, como atriz, também quer surpreender, quer se reinventar. E essa personagem me permitiu isso: explorar sombras, contradições… e entender que ninguém é uma coisa só. Espero que venham outras “vilãs” por aí, rs.

CE - Em projetos tão distintos, do drama ao suspense, passando por comédia e até personagens com traços mais sombrios, como você constrói suas personagens por dentro? Existe um método, uma “porta de entrada” emocional, ou cada papel pede um caminho completamente novo?
CC - 
Eu não tenho uma fórmula única, e acho que isso é o mais bonito do processo. Cada personagem me pede uma escuta diferente.

Mas, no geral, eu sempre começo tentando entender todos os “porquês” que envolvem aquela pessoa (o que move, o que falta, o que dói). A partir daí, vou construindo por dentro, emocionalmente, e isso naturalmente vai refletindo no corpo, na fala, no olhar. É um processo muito intuitivo, mas também muito profundo.

CE - Você já transitou por diferentes linguagens e formatos. Existe algum tipo de personagem ou história que ainda te provoca curiosidade e que você gostaria de explorar nos próximos anos?
CC -
 Existe muita coisa que ainda tenho vontade de fazer, rs. Eu ainda tenho muita curiosidade por personagens baseadas em histórias reais, mulheres fortes que deixaram algum tipo de legado. Também tenho vontade de explorar algo mais físico, talvez uma preparação mais intensa nesse sentido. Eu gosto de me sentir desafiada, então tudo que me tira do lugar comum me chama atenção.

CE - Sendo mãe de um menino e uma menina, como você lida com o desafio de educar filhos em um mundo atravessado por telas, redes sociais e estímulos constantes?
CC -
 É um desafio diário, né? A gente vive um mundo muito acelerado, com muitos estímulos… e eu tento trazer consciência pra dentro de casa. Não sou radical, busco equilíbrio.

Entrevista exclusiva com a atriz Camilla Camargo - Especial Dia das MãesA atriz Camilla Camargo é a Capa exclusiva do Correio B+ desta semana - Foto: Rrafael Garbuio - Diagramação: Denis Felipe - Por: Flávia Viana

Evitamos ao máximo as telas aqui em casa, mas tem momentos que permitimos, porém tem muito momento de presença real, que é o que acredito e “invisto” no momento de brincar, conversar, estar junto de verdade. Eu acredito muito que o exemplo fala mais alto do que qualquer regra.

CE -  A formação de meninos mais conscientes, empáticos e respeitosos tem sido uma pauta importante hoje. Como você trabalha esses valores na criação do seu filho e quais conversas são fundamentais dentro da sua casa?
CC - 
Isso é uma pauta muito importante para mim. Eu acredito que começa dentro de casa, nas pequenas coisas: no respeito, na forma como ele vê o pai tratar a mãe, na forma como a gente conversa sobre sentimentos. Eu incentivo muito o meu filho a falar sobre o que sente, a entender o outro, a ter empatia. E são conversas constantes, no dia a dia mesmo, aproveitando as situações que aparecem.

CE - Em meio a uma fase profissional tão intensa, como você equilibra presença e qualidade de tempo com seus filhos? Existe algum valor ou ritual que funciona como “porto seguro” na rotina da família?
CC -
 Eu tento estar inteira onde eu estou. Quando estou trabalhando, estou focada. Mas quando estou com eles, eu realmente busco estar presente de verdade.

A gente tem rituais simples, mas muito valiosos: fazer tarefa de casa juntos, no final de semana que estamos juntos somos nós 4 (eu , Leo e as crianças) em todos os momentos, contar histórias antes de dormir, momentos sem celular, criamos coisas juntos, vamos pra cozinha e fazemos macarrão juntos por exemplo. procuramos criar memórias com eles o tempo todo, porque acredito que isso que fica… isso vira um porto seguro pra eles e pra mim também.

CE - Pensando novamente nos seus filhos, como você trabalha a construção de repertório cultural deles — seja em livros, filmes ou experiências — para formar um olhar crítico e sensível em meio a tanto conteúdo rápido e descartável?
CC -
 Adorei essa pergunta, pois acho isso tão necessário e importante. Eu procuro apresentar conteúdos que tenham valor, que despertem a imaginação, a sensibilidade.

Livros, histórias e filmes que tragam alguma mensagem. Mas também acredito muito na conversa que vem depois: perguntar o que eles entenderam, o que sentiram. Isso ajuda a construir um olhar mais crítico, mais consciente.

CE - Quando você imagina o futuro dos seus filhos, que tipo de mundo espera que eles ajudem a construir? E, dentro de casa, quais atitudes do dia a dia você acredita que realmente plantam essa visão de futuro?
CC - 
Eu espero que eles ajudem a construir um mundo mais humano, mais empático, com mais amor. Pode parecer simples, mas não é. E eu acredito muito que isso começa dentro de casa, nos valores que a gente planta todos os dias: respeito, gentileza, responsabilidade emocional. São pequenas atitudes, mas que, lá na frente, fazem toda a diferença.

 

Moda Correio B+ - Especial Dia das Mães

Coluna: Entre Costuras & CuLtura: Dia das Mães: quando a mulher no espelho já não é a mesma

O estilo pessoal não desaparece depois da maternidade. Ele amadurece junto com a mulher. Gabriela Rosa dá dicas de pequenos caminhos para te ajudar a reencontrar sua imagem. 

10/05/2026 15h00

Coluna: Entre Costuras & CuLtura: Dia das Mães: quando a mulher no espelho já não é a mesma

Coluna: Entre Costuras & CuLtura: Dia das Mães: quando a mulher no espelho já não é a mesma Foto: Divulgação

Continue Lendo...

O Dia das Mães costuma chegar envolto em flores, homenagens e imagens idealizadas de plenitude. Mas existe uma camada silenciosa da maternidade que raramente aparece nas campanhas: o momento em que uma mulher percebe que já não se reconhece completamente diante do espelho.

Não é apenas o corpo que muda. Mudam os ritmos, os desejos, as prioridades e, sobretudo, a forma como ela passa a ocupar o próprio espaço no mundo. O guarda-roupa, antes extensão natural da personalidade, pode se transformar em um território estranho. Algumas roupas deixam de servir fisicamente; outras deixam de fazer sentido emocionalmente.

E talvez uma das maiores delicadezas da maternidade seja justamente essa: compreender que ela não devolve a mesma mulher de antes. Ela inaugura outra.

No imaginário coletivo, ainda existe uma expectativa quase cruel sobre a mulher-mãe. Espera-se que ela permaneça bonita, produtiva, disponível, equilibrada e, de preferência, rapidamente “recupere” sua antiga versão. Como se a maternidade fosse apenas um capítulo e não uma transformação inteira.

Mas entre o romantismo das celebrações e a realidade do puerpério existe uma travessia emocional profunda. E ela também passa pelas roupas.

A moda, tantas vezes reduzida à superficialidade, é uma ferramenta íntima de construção de identidade. Escolher o que vestir nunca foi apenas sobre tecido. É linguagem. É pertencimento. É a forma como afirmamos presença mesmo nos dias em que nos sentimos invisíveis.

Por isso, quando uma mulher sente que perdeu o próprio estilo depois da maternidade, o que desaparece não é apenas uma estética é uma referência de si mesma.

Coluna: Entre Costuras & CuLtura: Dia das Mães: quando a mulher no espelho já não é a mesmaNossa colunista Gabriela Rosa com os filhos Mássimo e Mila - Foto: Divulgação

No consultório de imagem, também nas histórias que escuto diariamente e também por experiência própria, percebo quantas mães carregam culpa ao voltar a desejar vaidade, beleza ou prazer em se vestir. Como se o autocuidado competisse com a maternidade. Como se olhar para si fosse egoísmo.

Mas reencontrar a própria imagem não é um gesto fútil. É um processo de reconexão emocional.

A roupa pode funcionar como abrigo em períodos de vulnerabilidade. Pode ajudar a reorganizar afetos, reconstruir autoestima e devolver pequenas doses de identidade em meio à exaustão da rotina materna.

Não se trata de perseguir tendências nem de tentar “voltar ao corpo de antes”. Trata-se de compreender quem é essa mulher agora.

Talvez o verdadeiro amadurecimento feminino esteja justamente em abandonar versões antigas de si mesma sem interpretar isso como fracasso. Algumas roupas deixam de caber porque algumas identidades também já não cabem mais.E existe beleza nisso!

Neste Dia das Mães, mais do que flores ou presentes, talvez muitas mulheres precisem de permissão: permissão para mudar, desacelerar, amadurecer e experimentar novas versões de si sem culpa.

O estilo pessoal não desaparece depois da maternidade. Ele amadurece junto com a mulher.

Separei dicas de pequenos caminhos para te ajudar a reencontrar sua imagem: 

  1. Reorganize o guarda-roupa sem apego à versão antiga do corpo.
  2. Priorize conforto sem abrir mão de peças que expressem personalidade.
  3. Monte combinações simples que facilitem a rotina e aumentem a sensação de pertencimento.
  4. Evite consumir tendências impulsivamente durante fases de transição emocional.
  5. Procure referências de mulheres reais em diferentes fases da maternidade.
  6. Considere consultorias de imagem humanizadas, focadas em identidade e não em padrões.
  7. Reserve pequenos rituais de autocuidado, vestir-se também pode ser um gesto de afeto consigo mesma.

 

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).