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Destaque B+: Entrevista exclusiva com a atriz Giulia Nadruz

Conhecida de diversos musicais, a atriz com passagem também pela TV e pela dublagem, comemora atual momento da carreira, repleto de novidades.

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Foi ainda na primeira infância que a atriz, cantora, dubladora e arte-educadora Giulia Nadruz se deixou cativar pela dança. A conexão com a arte, iniciada através do Ballet Clássico, logo deu espaço para que outros talentos fossem despertados, como o canto e a interpretação, alimentando a certeza de que havia ali um chamado profissional, capaz até mesmo de interromper um curso de Direito, levado só até o primeiro ano, em função dos primeiros trabalhos com teatro musical.

Conhecida por dar vida a importantes personagens femininas de grandes musicais, a exemplo de Susan de “Tick Tick Boom!”, Molly Jensen de "Ghost", Gabrielle de "Cinderella”, Oona O’neil de “Chaplin”, Condessa de AlmaViva em"As Bodas de Fígaro", Adina em "O Elixir do Amor", Princesa Fiona de “Shrek” e Serena Katz de “Fame”, é com Christine Daaé, na segunda montagem brasileira de “O Fantasma da Ópera”, que ela enxerga um verdadeiro divisor de águas em sua carreira até então.

“Muitos trabalhos foram significativos para mim: ‘Fame’ foi minha primeira protagonista, ‘Shrek’ e ‘Ghost’ marcaram muito minha carreira com personagens icônicas do universo do Teatro Musical e do cinema, mas acredito que ‘O Fantasma da Ópera’ foi o grande marco na minha carreira até o momento. Foi a realização de um grande sonho dar vida à Christine Daaé, que é uma personagem cheia de desafios, um prato cheio para qualquer atriz/cantora, além de ser, lógico, a protagonista do musical mais famoso do mundo. Aprendi muitíssimo nesse projeto e, de fato, me colocou como referência na cena de teatro não só do país, mas também do exterior”, celebra ela.

E tão especial quanto dar vida a pupila do famoso “Anjo da Música” foi viver a mocinha de um dos maiores sucessos compostos por Stephen Sondheim e com canções de Leonard Bernstein. Maria, papel que já foi defendido por Natalie Wood na versão original dos cinemas, em 1961, e, mais recentemente por Rachel Zegler no remake de Steven Spielberg, contou com os contornos de Giulia na nova montagem do clássico, que retornou ao país quase 15 anos depois.

Giulia também adora trabalhar no audio visual...“Eu adoro trabalhar com audiovisual, tenho muita vontade de fazer cinema, ainda é uma área não explorada por mim. Gosto de diversificar, de trabalhar com experiências diferentes, sempre novos desafios", finaliza. 

Neste final de semana Giulia encerra a temporada de Funny Girl em São Paulo rumo ao RJ.
"Já dei vida a algumas personagens icônicas e é sempre uma grande responsabilidade. Especialmente se tratando dessa artista genial que foi Fanny Brice, que revolucionou o mercado artístico Norte-americano e, consequentemente, mundial! Tendo ainda a interpretação marcante de Barbra Streisand nos palcos e no cinema, deu um frio na barriga! Rsrs Me preparei muito para dar o meu melhor e criar a minha própria versão da Fanny de forma original e ao mesmo tempo homenageando essas grandes artistas", explica. 

Estreado em 1964, Funny Girl tem trilha de Julie Styne, letras de Bob Merrill, texto de Isobel Lennart e foi originalmente estrelado pela grande cantora e atriz Barbra Streisand, que também deu vida à protagonista da história na adaptação para o cinema dirigida por William Wyler em 1968. 

Recentemente, o musical ganhou uma nova versão americana que acaba de virar um recorde de bilheteria na Broadway. A montagem é protagonizada por Lea Michelle (que vive papel dos sonhos da sua personagem no seriado Glee, pelo qual a atriz ficou conhecida). 

A atriz escolhida para viver o papel da protagonista Fanny Brice na versão brasileira é Giulia Nadruz, que, com apenas 31 anos, tem em seu currículo musicais como West Side Story, O Fantasma da Ópera, Barnum-o rei do show, Tick Tick Boom!, Ghost e Shrek como dissemos anteriormente.

Giulia éa nossa entrevista destaque da semana, ela conversou com o B+ com exclusividade, confira a entrevista na íntegra.

Giulia em Funny Girl - Foto: Jonatas Marques

CE - Interpretar Fanny Brice em "Funny Girl" é um papel icônico. Como você aborda a responsabilidade de dar vida a uma personagem tão amada e conhecida?
GN -
 Já dei vida a algumas personagens icônicas e é sempre uma grande responsabilidade. Especialmente se tratando dessa artista genial que foi Fanny Brice, que revolucionou o mercado artístico Norte-americano e, consequentemente, mundial! Tendo ainda a interpretação marcante de Barbra Streisand nos palcos e no cinema, deu um frio na barriga! Rsrs Me preparei muito para dar o meu melhor e criar a minha própria versão da Fanny de forma original e ao mesmo tempo homenageando essas grandes artistas.  

CE - O que mais a atrai em Fanny Brice como personagem? Como você se conecta com ela e como isso influencia sua interpretação?
GN -
 Amo poder contar a história dessa mulher forte, resiliente, ousada, irreverente, excêntrica e genial! Me emociona poder mostrar a vida privada, os conflitos de uma artista nos bastidores, de forma tão humana e verdadeira. Também já recebi muitos nãos na minha carreira, já tive que buscar a minha própria força, resiliência e ousadia para construir a minha jornada profissional, já sofri por amor e por tantas outras questões nos bastidores e, ainda assim, subi no palco para contar uma história…tudo isso me faz conseguir trazer muita verdade pra história da Fanny, pois eu já me senti muitas vezes como ela. A história dela me inspira muito. 

CE - "Funny Girl" é conhecido por seus números musicais memoráveis. Qual é o seu número favorito para interpretar como Fanny Brice e por quê?
GN -
 Essa é uma pergunta tão difícil! Rsrs amo muitos…como escolher entre People, Don’t rain on my parade e The music that makes me dance?! Rsrsr fora I'm the Greatest Star! Impossível! Por isso que eu amo essa peça, tem sempre um número mais maravilhoso me esperando pela frente.

Nos bastidores de Funny Girl - Foto: Jonatas Marques

CE - Há alguma semelhança entre você e Fanny Brice que acha que facilitou a sua interpretação do papel? Ou houve algum aspecto desafiador que você teve que superar?
GN - 
Me identifico com ela na sua força, resiliência, romantismo, vulnerabilidade e tantos outros aspectos. Todas essas semelhanças me ajudam bastante à contar sua história. Entretanto, tive que encontrar essa personalidade excêntrica que é muito distante da minha, um corpo estranho, um jeito desajustado de ser, mais rústico, a partir de muita pesquisa e experimentações físicas. Além dos desafios técnicos vocais e na dança com o sapateado e patins, foi uma jornada e tanto! Rsrs

CE - Agora, você foi indicada ao Prêmio Bibi Ferreira por sua atuação anterior, em "West Side Story". Pode compartilhar um pouco sobre sua experiência ao trabalhar neste musical e o que acha que contribuiu para essa indicação?
GN -
 West Side Story foi uma das peças mais especiais da minha carreira, pra mim, é uma obra-prima. Foi um sonho realizado, amei dar vida à essa Porto-riquenha romântica, determinada e sonhadora! Foi uma belíssima montagem, inesquecível cantar com a orquestra do Theatro São Pedro, 45 músicos fantásticos! Essa personagem me permitiu um arco dramático muito interessante indo de uma menina doce e inocente à uma mulher fortalecida pelas tragédias da vida. Poder passar pelo auge da delicadeza chegando numa quase loucura na cena trágica do final me permitiu entregar um trabalho bem complexo e fico feliz de saber que emocionei o público com a minha Maria e recebi essa linda indicação.

CE - Tanto "Funny Girl" quanto "West Side Story" têm elementos emocionais e poderosos. Como você se prepara para cenas ou músicas que exigem uma grande carga emocional?
GN -
Eu gosto muito da oportunidade de atuar em cenas emotivas e catárticas, acredito que é uma das minhas especialidades porque sou uma pessoa naturalmente sensível e me coloco em plena vulnerabilidade em cena, estou sempre disponível para emprestar meu corpo a essas emoções da personagem. Não é um trabalho fácil e, muitas vezes, é pesado emocionalmente e fisicamente, mas estudo há muitos anos para ter esse controle trazendo as emoções e depois deixando elas irem embora. 

Foto: Jonatas Marques

CE - Ambos os musicais exploram temas de amor, amizade e diferenças sociais. Como você acha que essas histórias ressoam com o público contemporâneo?
GN - 
São temas que tocam o coração de todos porque são universais. Quem não viveu questões, conflitos ou tem belas lembranças relacionadas à amizades e amores? E, no nosso país especialmente,  a questão da diferença social está inserida no dia a dia da maioria das pessoas, tudo é muito familiar e, por isso, acessa o público diretamente. Acredito serem temas relevantes, que valem ser abordados e explorados.

CE - Para você, qual é a importância de premiações como o Prêmio Bibi Ferreira na indústria teatral brasileira? O que essa indicação significa para você pessoalmente?
GN - 
É muito importante termos premiações que celebrem o Teatro Musical no Brasil. Somos atualmente um grande mercado que gera tantos empregos, movimenta a economia e merece ser validado através, principalmente, de políticas públicas, mas também pelo povo brasileiro em geral. O Prêmio Bibi Ferreira traz um olhar generoso para os trabalhadores desse nosso gênero e é uma honra pra mim ser indicada pela sexta vez, me sinto muito feliz com o reconhecimento de todo meu trabalho e dedicação às minhas personagens. 

CE - Além desses projetos, existem outros papéis ou produções que você sonha em realizar no futuro? Quais são seus objetivos e aspirações na sua carreira artística?
GN -
 Tenho muitos sonhos ainda a serem realizados, mas no momento, minha dedicação está em investir também no audiovisual. Amei gravar ano passado a série O Som e a Sílaba (que vai ao ar em breve) do Disney Plus (sob direção de Miguel Falabella) e quero muito trabalhar mais com streaming, TV e Cinema. Jamais largarei o teatro que é minha grande paixão, mas amo poder passear pelas diferentes linguagens da atuação.

Giulia fazendo dublagem - Foto: Divulgação

 

Capa B+ - Especial Dia das Mães

Entrevista exclusiva com a atriz Camilla Camargo

"A gente tem rituais simples, mas muito valiosos: fazer tarefa de casa juntos, no final de semana que estamos juntos somos nós 4 (eu, Leo e as crianças) em todos os momentos, contar histórias antes de dormir, momentos sem celular, criamos coisas juntos".

10/05/2026 16h00

Entrevista exclusiva com a atriz Camilla Camargo - Especial Dia das Mães

Entrevista exclusiva com a atriz Camilla Camargo - Especial Dia das Mães Foto: Divulgação

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Nascida em Goiânia, no dia 17 de outubro de 1985, Camilla Camargo descobriu ainda cedo sua paixão pelas artes.

Sua estreia aconteceu sob direção do próprio Wolf Maia, no espetáculo “O Musical dos Musicais”, no ano de 2005. Na sequência, atuou em diversas outras peças, entre elas, o “O Piramo e Tisbe” que teve direção de Vladimir Capella, “É batata – Contos de Nelson Rodrigues”, direção de Olayr Coan, “Fragmentos Rodriguianos”, direção de Marco Antônio Brás, e “Slavianski Bazaar”, do diretor Beto Bellini.

Ao todo, a atriz soma em seu currículo 20 produções teatrais. Entre seus projetos de maior projeção, destacam-se a montagem brasileira do musical “Zorro”, que protagonizou ao lado do ator Jarbas Homem de Melo, “Shrek, o Musical” e “Enlace – A Loja do Ourives”, ambos sucessos de público e crítica.

Em sua passagem pela Flórida, onde morou durante dois anos, a atriz estudou na American Heritage School e pôde conquistar fluência no inglês e espanhol. O domínio da língua americana trouxe a chance de atuar em uma produção internacional: o filme “The Brazilian”, dirigido por Brian Brightly. Este foi o segundo longa-metragem da atriz.

Ainda no cinema, Camilla participou do média-metragem “Peter’s Friends”, de Hudson Glauber, e do curta “A Vida Como Ela É”, baseado no texto de Nelson Rodrigues. Na televisão, a jovem fez parte do elenco da novela “Revelação”, no SBT. Em 2014, estreou no horário nobre da Rede Globo com “Em Família”, de Manoel Carlos, onde interpretou Ana, uma domadora de cavalos determinada e batalhadora, de Goiás.

Embora sua participação tenha sido limitada à fase inicial da novela, ela colheu ótimos frutos: foi vice-campeã no quadro Saltibum no Caldeirão do Huck (ficando em primeiro lugar entre as mulheres e segundo no geral) e recebeu o convite para atuar no longa “Travessia”, no qual formou par romântico com o ator Caio Castro. No filme, estrelado por Chico Diaz, Camilla vive Marina, uma jovem com boa condição financeira que se envolve com drogas, influenciada por um traficante por quem se apaixona.

Em junho de 2015, a atriz voltou ao ar como Isabellen, mocinha do humorístico “#PartiuShopping”, sitcom do canal Multishow protagonizado por Tom Cavalcante. Paralelamente, a atriz começou os ensaios como a boêmia cantora de rádio Leonor, na montagem teatral “Caros Ouvintes”. O espetáculo saiu duas vezes na revista “Veja” como o mais bem avaliado de São Paulo!

Entrevista exclusiva com a atriz Camilla Camargo - Especial Dia das MãesCamilla com o marido e os filhos - Divulgação

Entre 2016 e 2018, Camilla interpretou Diana na novela infantojuvenil “Carinha de Anjo”, do SBT. A trama manteve a vice-liderança de audiência durante quase todo o período em que esteve no ar. No início de 2019, a atriz voltou aos palcos no papel de Gina Praddo, na comédia “Divórcio”, escrita por Franz Keppler e dirigida por Otávio Martins.

Mesmo com os trabalhos interrompidos pela pandemia, Camilla continuou produzindo de casa. Em 2020, apresentou um monólogo no Instagram, no qual interpretou Lúcia, personagem de “Luciola”, de José de Alencar. Em dezembro do mesmo ano, lançou seu canal no YouTube, onde abordava temas como carreira, projetos, sonhos, maternidade, saúde e cotidiano, além de criar sátiras sobre situações diversas.

No ano seguinte, a artista participou do longa-metragem “Intervenção”, do roteirista Rodrigo Pimentel (o mesmo de “Tropa de Elite” 1 e 2), que narra a história dos bastidores das UPPs – Unidades de Polícia Pacificadora – e o conflito das políticas públicas na área de segurança, lançado na Netflix.

Nele, ela dá vida à repórter Luiza Bastos. Ainda na plataforma de streaming, Camilla teve a estreia da novela “Carinha de Anjo” (SBT), que, repetindo o sucesso da trama de quando foi exibida na televisão, conquistou diversas vezes o primeiro lugar entre as dez produções mais assistidas da Netflix no Brasil. A audiência foi tanta que a produção chegou a entrar no ranking mundial do streaming!

Com narração da atriz, chegaram ao aplicativo TikaBooks, em 2022, os audiobooks “ABC dos Bichos”, de Diogo Avelino, e “As Princesas Encaracoladas”, de Claudia Kalhoefer. Em julho, ela foi confirmada na segunda temporada de “Tudo Igual… SQN”, a primeira produção original brasileira do Disney+. Na série, lançada em setembro de 2023, ela interpreta Ariane, uma artista plástica.

Em 2025, sob o comando de Giovani Tozi, a atriz voltou aos palcos com o espetáculo “O Livro Vivo”, que transita entre o drama, o humor e a pulsação do jazz ao vivo. Em seguida, repetindo a parceria com Giovani, entrou em cartaz no segundo semestre com “Aqui Jazz”, cuja procura foi tão expressiva que a temporada precisou ser estendida por mais um mês além do previsto.

Entrevista exclusiva com a atriz Camilla Camargo - Especial Dia das MãesCamilla com a mãe Zilú - Divulgação

Após o retorno ao teatro, em dezembro estreou com a novela vertical “A Cinderela e o Segredo do Pobre Milionário” no Globoplay. Na história, interpreta Georgete, personagem que movimenta as tensões amorosas ao se aliar ao empresário Serginho para atrapalhar o romance de Cindy e Diego.

A atriz estreou em janeiro em São Paulo a peça “Dois Patrões”, clássico de Goldoni em uma versão contemporânea dirigida por Giovani Tozi e pela Neyde Veneziano, e que interpreta Clarice Lombardi.

Camilla, que esteve nas telonas com uma participação  especial em  “Inexplicável”, tem entre seus próximos lançamentos o longa-metragem "Caipora", o mais novo thriller nacional, em que interpretará uma das protagonistas, ao lado de Kayky Britto e Nill Marcondes; o filme “Coração Sertanejo”, em que interpretará Bruna, uma produtora musical; e o suspense “Pacto Maldito”.

A atriz Camilla Camargo é a Capa exclusiva do Correio B+ desta semana, e em entrevista ao Caderno ela fala de estreias, carreira e do seu principal papel que éo de ser mãe.

Entrevista exclusiva com a atriz Camilla Camargo - Especial Dia das MãesA atriz Camilla Camargo é a Capa exclusiva do Correio B+ desta semana - Foto: Pupin + Deleu - Diagramação: Denis Felipe - Por: Flávia Viana

CE - Você vive um momento de forte presença no cinema, com títulos como “Coração Sertanejo”, “A Caipora” e “Pacto Maldito” em seu horizonte. O que tem guiado suas escolhas de papéis hoje e como você percebe a evolução da sua carreira nesse momento mais plural?
CC - 
Hoje, o que guia muito as minhas escolhas é verdade e propósito. Eu já vivi muitas fases dentro da minha carreira, e esse momento mais plural me encanta porque me permite explorar lugares que talvez antes eu não tivesse acesso.

Eu tenho buscado personagens que me desafiem emocionalmente, que me tirem de zonas confortáveis e que contem histórias que, de alguma forma, toquem as pessoas. Eu sinto que é uma fase de mais liberdade, de mais consciência artística… e isso é muito potente.

CE - Dois dos seus projetos mais recentes flertam com o terror e o thriller, gêneros que exigem uma entrega emocional e física muito específica. O que te atrai nesse tipo de narrativa e como foi mergulhar nesse território?
CC -
 O terror e o thriller me atraem muito porque mexem com emoções muito primárias, muito humanas. Medo, tensão, instinto… são lugares muito intensos de acessar como atriz. É um tipo de entrega que exige muito do corpo e da mente, e eu gosto desse desafio. Mergulhar nesse território foi intenso, mas ao mesmo tempo muito enriquecedor, porque me fez acessar camadas minhas que eu ainda não tinha explorado.

CE - Em “Cinderela e o Segredo do Pobre Milionário”, você completa uma virada interessante ao interpretar uma personagem com ares de vilania, em um formato diferente para a plataforma. Como foi essa experiência de explorar novas camadas como atriz e sair de um lugar mais esperado pelo público?
CC -
 Foi muito especial para mim. Sair de um lugar mais esperado pelo público e poder brincar com uma personagem com nuances de vilania me trouxe uma liberdade criativa muito gostosa. A gente, como atriz, também quer surpreender, quer se reinventar. E essa personagem me permitiu isso: explorar sombras, contradições… e entender que ninguém é uma coisa só. Espero que venham outras “vilãs” por aí, rs.

CE - Em projetos tão distintos, do drama ao suspense, passando por comédia e até personagens com traços mais sombrios, como você constrói suas personagens por dentro? Existe um método, uma “porta de entrada” emocional, ou cada papel pede um caminho completamente novo?
CC - 
Eu não tenho uma fórmula única, e acho que isso é o mais bonito do processo. Cada personagem me pede uma escuta diferente.

Mas, no geral, eu sempre começo tentando entender todos os “porquês” que envolvem aquela pessoa (o que move, o que falta, o que dói). A partir daí, vou construindo por dentro, emocionalmente, e isso naturalmente vai refletindo no corpo, na fala, no olhar. É um processo muito intuitivo, mas também muito profundo.

CE - Você já transitou por diferentes linguagens e formatos. Existe algum tipo de personagem ou história que ainda te provoca curiosidade e que você gostaria de explorar nos próximos anos?
CC -
 Existe muita coisa que ainda tenho vontade de fazer, rs. Eu ainda tenho muita curiosidade por personagens baseadas em histórias reais, mulheres fortes que deixaram algum tipo de legado. Também tenho vontade de explorar algo mais físico, talvez uma preparação mais intensa nesse sentido. Eu gosto de me sentir desafiada, então tudo que me tira do lugar comum me chama atenção.

CE - Sendo mãe de um menino e uma menina, como você lida com o desafio de educar filhos em um mundo atravessado por telas, redes sociais e estímulos constantes?
CC -
 É um desafio diário, né? A gente vive um mundo muito acelerado, com muitos estímulos… e eu tento trazer consciência pra dentro de casa. Não sou radical, busco equilíbrio.

Entrevista exclusiva com a atriz Camilla Camargo - Especial Dia das MãesA atriz Camilla Camargo é a Capa exclusiva do Correio B+ desta semana - Foto: Rrafael Garbuio - Diagramação: Denis Felipe - Por: Flávia Viana

Evitamos ao máximo as telas aqui em casa, mas tem momentos que permitimos, porém tem muito momento de presença real, que é o que acredito e “invisto” no momento de brincar, conversar, estar junto de verdade. Eu acredito muito que o exemplo fala mais alto do que qualquer regra.

CE -  A formação de meninos mais conscientes, empáticos e respeitosos tem sido uma pauta importante hoje. Como você trabalha esses valores na criação do seu filho e quais conversas são fundamentais dentro da sua casa?
CC - 
Isso é uma pauta muito importante para mim. Eu acredito que começa dentro de casa, nas pequenas coisas: no respeito, na forma como ele vê o pai tratar a mãe, na forma como a gente conversa sobre sentimentos. Eu incentivo muito o meu filho a falar sobre o que sente, a entender o outro, a ter empatia. E são conversas constantes, no dia a dia mesmo, aproveitando as situações que aparecem.

CE - Em meio a uma fase profissional tão intensa, como você equilibra presença e qualidade de tempo com seus filhos? Existe algum valor ou ritual que funciona como “porto seguro” na rotina da família?
CC -
 Eu tento estar inteira onde eu estou. Quando estou trabalhando, estou focada. Mas quando estou com eles, eu realmente busco estar presente de verdade.

A gente tem rituais simples, mas muito valiosos: fazer tarefa de casa juntos, no final de semana que estamos juntos somos nós 4 (eu , Leo e as crianças) em todos os momentos, contar histórias antes de dormir, momentos sem celular, criamos coisas juntos, vamos pra cozinha e fazemos macarrão juntos por exemplo. procuramos criar memórias com eles o tempo todo, porque acredito que isso que fica… isso vira um porto seguro pra eles e pra mim também.

CE - Pensando novamente nos seus filhos, como você trabalha a construção de repertório cultural deles — seja em livros, filmes ou experiências — para formar um olhar crítico e sensível em meio a tanto conteúdo rápido e descartável?
CC -
 Adorei essa pergunta, pois acho isso tão necessário e importante. Eu procuro apresentar conteúdos que tenham valor, que despertem a imaginação, a sensibilidade.

Livros, histórias e filmes que tragam alguma mensagem. Mas também acredito muito na conversa que vem depois: perguntar o que eles entenderam, o que sentiram. Isso ajuda a construir um olhar mais crítico, mais consciente.

CE - Quando você imagina o futuro dos seus filhos, que tipo de mundo espera que eles ajudem a construir? E, dentro de casa, quais atitudes do dia a dia você acredita que realmente plantam essa visão de futuro?
CC - 
Eu espero que eles ajudem a construir um mundo mais humano, mais empático, com mais amor. Pode parecer simples, mas não é. E eu acredito muito que isso começa dentro de casa, nos valores que a gente planta todos os dias: respeito, gentileza, responsabilidade emocional. São pequenas atitudes, mas que, lá na frente, fazem toda a diferença.

 

Moda Correio B+ - Especial Dia das Mães

Coluna: Entre Costuras & CuLtura: Dia das Mães: quando a mulher no espelho já não é a mesma

O estilo pessoal não desaparece depois da maternidade. Ele amadurece junto com a mulher. Gabriela Rosa dá dicas de pequenos caminhos para te ajudar a reencontrar sua imagem. 

10/05/2026 15h00

Coluna: Entre Costuras & CuLtura: Dia das Mães: quando a mulher no espelho já não é a mesma

Coluna: Entre Costuras & CuLtura: Dia das Mães: quando a mulher no espelho já não é a mesma Foto: Divulgação

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O Dia das Mães costuma chegar envolto em flores, homenagens e imagens idealizadas de plenitude. Mas existe uma camada silenciosa da maternidade que raramente aparece nas campanhas: o momento em que uma mulher percebe que já não se reconhece completamente diante do espelho.

Não é apenas o corpo que muda. Mudam os ritmos, os desejos, as prioridades e, sobretudo, a forma como ela passa a ocupar o próprio espaço no mundo. O guarda-roupa, antes extensão natural da personalidade, pode se transformar em um território estranho. Algumas roupas deixam de servir fisicamente; outras deixam de fazer sentido emocionalmente.

E talvez uma das maiores delicadezas da maternidade seja justamente essa: compreender que ela não devolve a mesma mulher de antes. Ela inaugura outra.

No imaginário coletivo, ainda existe uma expectativa quase cruel sobre a mulher-mãe. Espera-se que ela permaneça bonita, produtiva, disponível, equilibrada e, de preferência, rapidamente “recupere” sua antiga versão. Como se a maternidade fosse apenas um capítulo e não uma transformação inteira.

Mas entre o romantismo das celebrações e a realidade do puerpério existe uma travessia emocional profunda. E ela também passa pelas roupas.

A moda, tantas vezes reduzida à superficialidade, é uma ferramenta íntima de construção de identidade. Escolher o que vestir nunca foi apenas sobre tecido. É linguagem. É pertencimento. É a forma como afirmamos presença mesmo nos dias em que nos sentimos invisíveis.

Por isso, quando uma mulher sente que perdeu o próprio estilo depois da maternidade, o que desaparece não é apenas uma estética é uma referência de si mesma.

Coluna: Entre Costuras & CuLtura: Dia das Mães: quando a mulher no espelho já não é a mesmaNossa colunista Gabriela Rosa com os filhos Mássimo e Mila - Foto: Divulgação

No consultório de imagem, também nas histórias que escuto diariamente e também por experiência própria, percebo quantas mães carregam culpa ao voltar a desejar vaidade, beleza ou prazer em se vestir. Como se o autocuidado competisse com a maternidade. Como se olhar para si fosse egoísmo.

Mas reencontrar a própria imagem não é um gesto fútil. É um processo de reconexão emocional.

A roupa pode funcionar como abrigo em períodos de vulnerabilidade. Pode ajudar a reorganizar afetos, reconstruir autoestima e devolver pequenas doses de identidade em meio à exaustão da rotina materna.

Não se trata de perseguir tendências nem de tentar “voltar ao corpo de antes”. Trata-se de compreender quem é essa mulher agora.

Talvez o verdadeiro amadurecimento feminino esteja justamente em abandonar versões antigas de si mesma sem interpretar isso como fracasso. Algumas roupas deixam de caber porque algumas identidades também já não cabem mais.E existe beleza nisso!

Neste Dia das Mães, mais do que flores ou presentes, talvez muitas mulheres precisem de permissão: permissão para mudar, desacelerar, amadurecer e experimentar novas versões de si sem culpa.

O estilo pessoal não desaparece depois da maternidade. Ele amadurece junto com a mulher.

Separei dicas de pequenos caminhos para te ajudar a reencontrar sua imagem: 

  1. Reorganize o guarda-roupa sem apego à versão antiga do corpo.
  2. Priorize conforto sem abrir mão de peças que expressem personalidade.
  3. Monte combinações simples que facilitem a rotina e aumentem a sensação de pertencimento.
  4. Evite consumir tendências impulsivamente durante fases de transição emocional.
  5. Procure referências de mulheres reais em diferentes fases da maternidade.
  6. Considere consultorias de imagem humanizadas, focadas em identidade e não em padrões.
  7. Reserve pequenos rituais de autocuidado, vestir-se também pode ser um gesto de afeto consigo mesma.

 

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