Na sua opinião, qual será a marca do Carnaval deste ano na Capital?
A marca do Carnaval 2024 vai ser o maior investimento da história. O repasse, no valor de R$ 1,2 milhão, refere-se a R$ 800 mil do governo do Estado e mais uma emenda parlamentar do deputado federal Beto Pereira, além de ter o aporte financeiro da prefeitura de R$ 440 mil. Esse recurso foi repassado para nós em dezembro, quando as escolas de samba puderam se preparar, fazer as compras para poder agilizar o processo de planejamento de todo o desfile nas questões de confecção de fantasias e alegorias.
E a Lienca também, para preparar toda sua equipe e todo o material necessário. Agilizar para que a gente faça um desfile com mais tranquilidade, mais preparado do que antes. Então, esse repasse é muito importante.
Também estamos tendo melhorias na infraestrutura, que é um desejo nosso desde os carnavais passados, como partes de arquibancada coberta, um cascalhamento onde ficam as arquibancadas e melhorias na iluminação para os dias dos desfiles. A Praça do Papa já está sendo toda revitalizada e preparada para receber a nossa população. Espero que tenhamos muitos turistas. Estaremos recebendo o presidente da Federação Nacional das Escolas de Samba (Fenasamba), a entidade máxima do Carnaval no Brasil.
Ele está vindo de São Paulo e vai passar os dois dias de desfile na capital. Teremos o orgulho e o prazer de estar recebendo o nosso presidente Kaxitu (Ricardo Campos), da Fenasamba. Ele está ansioso pela expectativa de vir conhecer o nosso desfile aqui in loco, e daqui ele sairá para uma série de visitas a escolas de samba do Brasil inteiro. Assim como ele, por que o turista vem de outro lugar, outra cidade, para curtir o nosso Carnaval? Porque o nosso Carnaval está em evidência, em crescimento.
Pela primeira vez na história, nós vamos fazer o ensaio técnico, no dia 7 de fevereiro, às 19h, lá na Praça do Papa, para que a gente possa fazer, principalmente, a testagem do som para que as escolas de samba tenham conhecimento da dimensão de onde estarão as torres dos jurados, para melhor se apresentarem, terem segurança.
É aquele esquenta mesmo para fazer os últimos ajustes na sua harmonia, na sua evolução, na bateria. As escolas estão a todo o vapor. Todas estão trabalhando e estão trazendo enredos riquíssimos de história e conteúdo. E, isso, a população de Campo Grande e nossos turistas vão vislumbrar pela grandeza do Carnaval da cidade.
Esse repasse feito com antecedência atende ao objetivo de um desfile mais bonito, organizado e seguro?
Nos ajudou muito, tendo em vista que, este ano, o Carnaval está na primeira quinzena de fevereiro. Sempre que a festa ocorre no início de fevereiro, dificulta muito, por conta das correrias que a gente tem que fazer. Esse prazo aí nos ajudou muito, tanto a Liga quanto as escolas de samba, para que possamos cumprir e executar com maestria o nosso planejamento.
De que maneira essa verba é dividida entre as agremiações?
A divisão da verba é feita da seguinte maneira: entre as escolas de samba campeãs [do ano passado], foram valores iguais [com a Deixa Falar em primeiro lugar, a Vila Carvalho em segundo e a Igrejinha em terceiro], entre as demais escolas, a gente escalonou por ordem de classificação. Então, as escolas que receberam recursos são as que vão desfilar na passarela do samba: Herdeiros do Samba, Deixa Falar, [Vila] Carvalho, Igrejinha, Catedráticos [do Samba], Cinderela [Tradição] e Unidos do Cruzeiro.
Esses recursos são suficientes?
Ainda não é o suficiente para que a gente possa realizar tudo o que desejamos, mas é um recurso que será muito bem aplicado, e a gente tem que usar da criatividade, buscar parcerias, para que a gente possa executar realmente aquilo que planejou. Mas a gente ressalta que é o maior da história que nós recebemos. A gente precisa, cada vez mais, superar isso, considerando que todos os materiais são muito caros aqui em Campo Grande. Por isso temos que buscar em outros estados, como São Paulo ou Rio. É de muita importância que esse recurso sempre tenha acréscimo a cada ano para a gente.
Além da verba, como tem sido os outros aportes do poder público quanto à infraestrutura?
A liga não trabalha sozinha. A liga realiza os desfiles e tem os seus correalizadores, que são o governo do Estado, por meio da Secretaria de Cultura e Turismo (Setesc) e da Fundação de Cultura, e a prefeitura, por meio da Sectur. Nós sentamos, dialogamos e está sendo preparado todo o aparato da Sesau, Samu, Corpo de Bombeiros, Defesa Civil e Guarda Civil.
Teremos segurança privada, brigadistas para acomodar e resguardar a nossa população e também os foliões e as escolas de samba. Tudo é feito com a maior tranquilidade, planejamento e diálogo, porque o tradicional carnaval das escolas de samba de Campo Grande, graças a Deus, sempre foi realizado com muita tranquilidade, sem brigas. É um Carnaval da família, de todas as pessoas que querem curtir as escolas de samba e que querem estar lá para prestigiar e aplaudir os espetáculos que elas proporcionam.
E quanto à mobilização nos barracões?
A Lienca tem feito essa visita, inclusive com a corte de Momo, a todas as escolas, levando alegria, “boa sorte” e bons fluidos para os dias de desfile. Tenho observado que as escolas, conforme os recursos vão aumentando, o investimento também vai aumentando dentro dos barracões. O que me deixa muito feliz é a quantidade de pessoas empenhadas e sendo contratadas dentro das escolas, mobilizando e fomentando a economia da sua comunidade.
Todas estão trabalhando, investindo, contratando profissionais para que possam realizar um grande desfile na avenida. Isso é muito importante porque hoje todos nós sabemos que o Carnaval movimenta o turismo, a empregabilidade, a mão de obra formal e informal.
Quantos empregados não são criados neste período? O que gera na economia de nossa cidade e do nosso estado? É muito grande, e isso é muito importante para que todo ano a gente possa ter um Carnaval cada vez maior. E isso graças também ao que as escolas de samba proporcionam.
Por que retomar esse modelo de classificação que esteve vigente até 2018, com a volta do Grupo de Acesso? De que maneira a mudança favorece a beleza e a animação dos desfiles, assim como a profissionalização do trabalho nos barracões?
Há muitos anos, a gente tinha abolido isso. Decidimos, a Lienca e as escolas de samba, retomar o Grupo Especial e o Grupo de Acesso, considerando que precisa aguçar o espírito da competitividade entre as escolas de samba. Assim, as escolas vão lutar mais para chegar ao campeonato. Ninguém quer descer. Então, por isso, para 2025, as escolas classificadas de primeiro a quarto lugar agora em 2024 comporão o Grupo Especial, e as classificadas em quinto e sexto lugares comporão o Grupo de Acesso.
As denúncias e os problemas de gestão que a Lienca enfrentou na temporada passada (envolvendo a prestação de contas da gestão anterior) já foram superados?
Sobre isso, não tenho muito o que falar, porque estou focado no Carnaval 2024. Estamos trabalhando muito, superamos isso. Foi muito difícil voltar a ter a nossa harmonia. Demorou um pouco, mas agora estamos focados. Todos unidos de mãos dadas para fazer o maior desfile de todos os tempos. Infelizmente, isso afetou mais internamente a liga e claro que respingou externamente. Problemas, todos têm, e a gente tem que seguir em frente para fazer a cada ano o melhor Carnaval.



Luciene Orsi Abdul Ahad e Jorge Abdul Ahad - Foto: Studio Vollkopf
Izabella Andrade - Foto: Arquivo Pessoal


