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Moda Correio B+ - Entre Costuras & CuLtura

Entrevista exclusiva com a arquiteta Nauíra Cordeiro. A arte de viver com identidade e elegância

Ela compartilha de seu design autoral, e o talento de transformar o universo da arquitetura e designer

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À frente da NG Home, a arquiteta e empreendedora Nauíra Cordeiro vem construindo uma trajetória marcada pela criatividade, pelo olhar apurado e pela valorização do design autoral brasileiro.

Com experiência no universo da arquitetura, do mobiliário de alto padrão e do design italiano, ela encontrou no desenvolvimento de produtos uma nova forma de expressar sua identidade criativa, unindo estética, funcionalidade e pesquisa de materiais.

Suas criações propõem um novo olhar sobre os objetos do cotidiano, transformando-os em peças que carregam personalidade e elegância.

Em novembro, Nauíra participa do evento Sobre a Mesa, idealizado por Silmara Kassab, nos dias 17 e 18, em São Paulo, encontro que celebra a conexão entre mesa posta, design e gastronomia.

A agenda também inclui uma produção especial de mesa posta para o almoço de amigo secreto de Carol Bassi, dando continuidade a uma parceria que valoriza encontros, experiências e composições cheias de estilo.

Ela compartilha de seu design autoral, e o talento de transformar o universo da arquitetura e designer - Divulgação

CE - Como começou sua trajetória na arquitetura e em que momento surgiu a ideia de criar a NG Home? O que motivou essa transição para o universo do design e da decoração?
NC -
 Minha trajetória começou na arquitetura, mas sempre tive uma relação muito próxima com o design de produto. Em 2013, tive a oportunidade de trabalhar com importantes marcas italianas de mobiliário, experiência que ampliou meu olhar sobre o design autoral. A NG Home nasceu desse desejo de criar peças próprias, explorando a relação entre forma, matéria e função, com um olhar especial para a arte de receber.

CE -  A moda e a arquitetura têm algo em comum: ambas comunicam identidade. Como você enxerga essa relação entre a maneira como nos vestimos e os ambientes que escolhemos habitar?
NC -
 Acredito que tanto a moda quanto a arquitetura são extensões da nossa personalidade. A maneira como nos vestimos e os espaços que habitamos revelam nossas referências, escolhas e valores. Em ambos os universos, a verdadeira elegância está na autenticidade.

CE - O conceito de atemporalidade está cada vez mais presente na moda e no design. O que torna uma peça ou um ambiente verdadeiramente atemporal?
NC -
 Para mim, a atemporalidade está na capacidade de transcender tendências sem perder relevância. Uma peça atemporal tem identidade, qualidade e proporções bem resolvidas. É aquilo que continua fazendo sentido e despertando interesse independentemente da época.

CE - Você acredita que a elegância de uma casa está mais relacionada ao investimento financeiro ou à sensibilidade estética e ao repertório cultural de quem a habita?
NC - 
Sem dúvida, à sensibilidade e ao repertório. O investimento pode proporcionar acesso a materiais e peças excepcionais, mas não garante elegância. Uma casa verdadeiramente sofisticada é aquela que revela personalidade, histórias e escolhas feitas com intenção.

Talento de transformar o universo da arquitetura e designer - Divulgação

CE - Como a cultura brasileira influencia suas escolhas criativas? Existe alguma característica do nosso design que você considera especialmente valiosa?
NC -
 O design brasileiro tem uma riqueza extraordinária, especialmente na relação com os materiais, na expressividade das formas e na valorização do fazer artesanal. Admiro essa liberdade criativa e a capacidade de unir sofisticação e espontaneidade, características que considero muito próprias da nossa cultura.

CE - Em tempos de tendências rápidas e excesso de referências nas redes sociais, como encontrar uma identidade própria na decoração?
NC -
 Acredito que o primeiro passo seja desenvolver o próprio olhar. Buscar referências na arte, nas viagens, na literatura e nas experiências pessoais, e não apenas nas redes sociais. A identidade surge quando deixamos de reproduzir fórmulas e passamos a fazer escolhas que realmente nos representam.

CE - A arte de receber também comunica valores, cuidado e comportamento. Qual é o papel da mesa posta e dos pequenos rituais na construção de uma experiência elegante e acolhedora?
NC -
 Receber é, acima de tudo, um gesto de generosidade. A mesa posta e os pequenos rituais demonstram cuidado e atenção aos detalhes, transformando encontros cotidianos em momentos especiais. Acredito que a elegância está muito mais na intenção de acolher do que na formalidade.

CE - Que conselho você daria a alguém que deseja transformar sua casa em um espaço mais sofisticado, acolhedor e com personalidade, sem necessariamente realizar grandes investimentos?
NC -
 Começaria pelos detalhes. Flores frescas, uma iluminação acolhedora, livros, objetos afetivos e pequenas mudanças na composição dos ambientes podem transformar completamente a atmosfera de uma casa. Sofisticação não está necessariamente em ter mais, mas em saber escolher e valorizar aquilo que temos.

Ela compartilha de seu design autoral, e o talento de transformar o universo da arquitetura e designer - Divulgação

Gastronomia Correio B+

Entre o arroz com feijão: o que o prato do brasileiro revela sobre sua rotina?

No Mês Mundial da Alimentação, nutricionista analisa como rotina e tradição influenciam as refeições

01/11/2026 09h00

Entre o arroz com feijão: o que o prato do brasileiro revela sobre sua rotina?

Entre o arroz com feijão: o que o prato do brasileiro revela sobre sua rotina?

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Diante de um bufê, cada pessoa faz um caminho. Há quem procure primeiro o feijão, quem escolha a carne antes dos acompanhamentos, quem priorize a salada e quem repita a combinação de sempre sem olhar as outras opções.

Essas decisões começam muito antes da chegada ao restaurante, pois englobam fatores como o que se aprendeu a comer em casa, o orçamento, o tempo disponível para almoçar e as preferências construídas ao longo da vida.

Por isso, entender os hábitos alimentares exige olhar também para as circunstâncias em que a comida chega ao prato. Esse é o ponto de partida de Jéssica Benazzi, nutricionista do Divino Fogão, para a reflexão proposta pelo Mês Mundial da Alimentação, celebrado em outubro.

“Antes de orientar uma mudança, é importante entender como aquela pessoa se alimenta e o que ela consegue manter no cotidiano. Quem tem pouco tempo para almoçar enfrenta uma situação diferente de quem consegue cozinhar todos os dias. As orientações precisam considerar essas condições”, explica.

O próprio almoço oferece pistas. A ausência frequente de verduras e legumes pode indicar pouca variedade nas escolhas, mas também dificuldade de preparo ou pouca familiaridade com esses ingredientes.

Já repetir uma receita conhecida nem sempre representa um problema, já que preparações tradicionais podem fazer parte de uma alimentação equilibrada. O que conta é como elas se combinam e o espaço que outros alimentos encontram ao longo da semana.

É nesse contexto que o tradicional arroz com feijão merece ser valorizado. A dupla faz parte do repertório culinário brasileiro e pode dividir o prato com legumes, verduras, carnes, ovos e diferentes acompanhamentos. Para a nutricionista, melhorar a alimentação não exige trocar essa base por produtos caros ou ingredientes distantes dos costumes da família.

“Às vezes, a pessoa acredita que precisa mudar tudo e deixa de perceber ajustes possíveis no almoço de sempre. Incluir uma verdura que costuma deixar de lado ou experimentar um legume preparado de outra maneira já amplia as possibilidades”, comenta.

Escolher os alimentos conforme aparecem pode fazer com que os primeiros acompanhamentos ocupem quase todo o prato. Observar o conjunto ajuda a decidir o que se deseja comer e a abrir espaço para opções que, por costume, acabam esquecidas.

Há, ainda, uma parte do hábito alimentar que não aparece na comida, ou seja, a atenção dedicada à refeição. O almoço feito entre mensagens e demandas de trabalho pode terminar sem que a pessoa tenha percebido direito os sabores ou a própria saciedade.

O Guia Alimentar para a População Brasileira, do Ministério da Saúde, inclui o modo de comer entre os cuidados com a alimentação e recomenda refeições com regularidade, atenção e em ambientes apropriados. Reservar uma pausa possível, deixar o celular de lado por alguns minutos e evitar resolver pendências enquanto se come são ajustes que podem começar antes mesmo de qualquer mudança no cardápio.

Também vale observar a semana inteira, em vez de julgar a alimentação por um único almoço. Uma refeição diferente em uma comemoração não define a rotina, assim como uma escolha pontual não resolve hábitos mantidos por muito tempo.

“O melhor ponto de partida é reconhecer uma dificuldade e pensar em como resolvê-la. Se os legumes nunca entram no prato, o que ajudaria a incluí-los? Se o almoço é sempre apressado, existe alguma forma de proteger esse intervalo? São perguntas simples, mas que tornam o cuidado com a alimentação mais concreto”, finaliza a nutricionista.

Cinema Correio B+ - Especial

O Que é o Amor? Como anular um casamento sem apagar uma história?

Com Laure Calamy, premiada em Alpe d'Huez, comédia francesa transforma uma separação numa reflexão sobre memória, amadurecimento e os novos formatos de família.

01/11/2026 08h00

Com Laure Calamy, premiada em Alpe d'Huez, comédia francesa transforma uma separação numa reflexão sobre memória, amadurecimento e os novos formatos de família.

Com Laure Calamy, premiada em Alpe d'Huez, comédia francesa transforma uma separação numa reflexão sobre memória, amadurecimento e os novos formatos de família. Foto: Divulgação

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Não são muitos os casos de anulação de casamento na Igreja Católica que chegam ao conhecimento público, embora o procedimento exista e seja muito mais complexo do que geralmente imaginamos.

Conheço um caso de perto e posso garantir que o processo está longe de ser tão divertido quanto aquele que acompanhamos em O Que é o Amor? (C’est quoi l’amour?), deliciosa comédia de Fabien Gorgeart que integra a programação do Festival de Cinema Francês do Brasil.

Talvez justamente por conhecer um pouco dessa realidade tenha admirado ainda mais a proposta do diretor, que usa uma situação burocrática, delicada e potencialmente dolorosa para construir um filme sobre amor, separação, nostalgia, compromisso, amadurecimento e, sobretudo, sobre o significado de família nos dias atuais.

A premissa é irresistível. Fred (Vincent Macaigne) quer se casar na Igreja com sua nova companheira, Chloé (Mélanie Thierry), mas para isso precisa obter a declaração de nulidade de seu primeiro casamento, com Marguerite (Laure Calamy).

Separados há anos, os dois construíram novas relações e parecem ter encontrado uma convivência bastante civilizada. Marguerite, que também refez sua vida ao lado de Sofiane (Lyes Salem), não vê motivo para impedir que o ex-marido siga em frente. Afinal, o casamento terminou, ambos estão felizes com outras pessoas e as filhas já se acostumaram à realidade de uma família recomposta.

O problema é que a Igreja Católica não considera o divórcio suficiente para permitir um novo casamento religioso. Para obter a declaração de nulidade, é necessário demonstrar que aquela união, por razões específicas, não foi válida desde sua origem.

E é justamente aí que Gorgeart encontra a contradição que sustenta sua comédia: para que Fred possa começar uma nova etapa da vida, ele e Marguerite precisam revisitar o passado e questionar a validade de um casamento que, independentemente de seu fim, produziu uma família, construiu lembranças e marcou profundamente suas vidas.

O que deveria ser uma formalidade acaba levando todos a Roma, numa viagem em que ex-cônjuges, novos companheiros e filhos precisam conviver com situações que revelam muito mais do que pretendiam.

O roteiro poderia facilmente transformar essa reunião numa sucessão de confusões previsíveis, mas prefere observar as particularidades de uma família que já aprendeu a viver de outra maneira e que, inesperadamente, precisa confrontar sentimentos que julgava resolvidos.

Com Laure Calamy, premiada em Alpe dO Que é o Amor? Como anular um casamento sem apagar uma história? - Divulgação

Fabien Gorgeart pesquisou o funcionamento dos processos de nulidade matrimonial para escrever a história, conversando com religiosos e profissionais envolvidos nesses procedimentos.

A partir de uma realidade que está longe de ser simples, construiu uma comédia que encontra humor no contraste entre as definições institucionais do casamento e a complexidade das relações humanas. O diretor não precisa ridicularizar a Igreja para demonstrar o quanto pode ser difícil enquadrar sentimentos, escolhas e experiências nas exigências de um processo formal.

Mas o que faz O Que é o Amor? ultrapassar a condição de uma boa comédia de situações é a maneira como observa seus personagens, especialmente Marguerite.

Laure Calamy, que conquistou reconhecimento internacional com a série Dix pour cent (Dez por Cento), volta a demonstrar seu enorme talento para criar personagens que transitam entre o humor e a vulnerabilidade sem perder a naturalidade.

Sua Marguerite é uma mulher que lida com as filhas adolescentes, administra os desafios de uma família recomposta e mantém uma relação aparentemente tranquila com o ex-marido.

Ela não ama mais Fred como companheiro, não deseja reconstruir o casamento e tampouco parece alimentar ilusões românticas sobre o passado. Mas isso não significa que tudo o que viveram tenha deixado de existir.

E talvez esteja justamente aí a dimensão mais delicada do filme.

Ao revisitar o casamento para atender às exigências do processo, Marguerite reencontra lembranças que estavam guardadas, algumas delas tão distantes que ela própria parecia ter esquecido o quanto foram especiais.

Não se trata necessariamente de saudade do homem com quem se casou, mas da história que construíram, da mulher que ela era naquele momento e de experiências que, mesmo depois da separação, continuam fazendo parte de sua identidade.

Como anular a memória? Como declarar que um casamento nunca existiu validamente sem apagar, pelo menos simbolicamente, os sentimentos, as escolhas e os acontecimentos que nasceram daquela união? E, sobretudo, como ressignificar lembranças sem precisar negá-las?

Com Laure Calamy, premiada em Alpe dO Que é o Amor? Como anular um casamento sem apagar uma história? - Divulgação

São perguntas que ultrapassam a particularidade do processo religioso. Quando uma relação termina, é comum que o passado seja reorganizado a partir da dor, do desencanto ou das razões que levaram à separação.

O casamento que um dia pareceu feliz pode passar a ser lembrado apenas pelos conflitos que o encerraram, como se reconhecer os bons momentos significasse questionar a decisão de seguir em frente.

Mas amadurecer também pode significar aceitar que uma história tenha sido importante mesmo sem ter durado para sempre. Que um relacionamento possa ter produzido felicidade, cumplicidade e afeto, ainda que tenha terminado. E que lembrar com ternura não representa necessariamente o desejo de voltar.

Essa é uma das qualidades mais bonitas da personagem de Laure Calamy. Marguerite não precisa escolher entre amar sua vida atual e reconhecer o valor daquela que deixou para trás.

A experiência compartilhada com Fred não desaparece porque ambos escolheram novos parceiros, assim como a existência das filhas torna impossível tratar aquele casamento como um episódio sem consequências.

O relacionamento terminou, mas a família que nasceu dele continua existindo, ainda que em outra configuração.

E os novos companheiros também fazem parte dessa história. Gorgeart evita apresentar uma família recomposta como uma solução perfeita ou como um território permanentemente marcado por rivalidades.

O filme reconhece que existem ciúmes, inseguranças, expectativas e dificuldades de convivência, mas também mostra que os vínculos podem ser reorganizados sem que todos precisem ocupar posições de adversários.

Há algo bastante contemporâneo nessa maneira de olhar para a família. Durante muito tempo, fomos ensinados a pensar no casamento como uma promessa de permanência e na separação como o fracasso dessa promessa.

Hoje, embora as relações continuem cercadas de expectativas, existe uma compreensão maior de que o fim da vida conjugal não precisa representar a destruição de todos os vínculos construídos durante ela.

Isso não significa que seja fácil. Tampouco que todas as separações permitam uma convivência harmoniosa. Mas existe uma diferença entre reconhecer que o amor romântico acabou e concluir que tudo aquilo que foi vivido perdeu seu significado.

Vincent Macaigne, com sua habilidade particular para interpretar homens que parecem permanentemente desconcertados pelas próprias escolhas, oferece um excelente contraponto à energia de Calamy. Fred quer resolver uma questão prática para seguir adiante, mas acaba provocando uma revisão emocional que não havia previsto.

Com Laure Calamy, premiada em Alpe dO Que é o Amor? Como anular um casamento sem apagar uma história? - Divulgação

Laure, por sua vez, dá a Marguerite uma complexidade que explica por que sua atuação foi premiada no Festival Internacional de Cinema de Comédia de Alpe d’Huez, onde o longa também conquistou o Grande Prêmio.

A graça do filme está nas situações que surgem desse encontro improvável entre passado e presente, mas sua força está na recusa de transformar os personagens em caricaturas.

Não há necessidade de estabelecer culpados ou inocentes, nem de determinar quem amou mais ou quem errou primeiro. Existe, sobretudo, a percepção de que as relações humanas raramente cabem em definições absolutas.

E é curioso pensar que tudo começa com a necessidade de declarar nulo um casamento. Porque, embora a nulidade religiosa tenha um significado jurídico e canônico específico, o filme brinca com a ideia de que seria possível submeter uma história de amor a uma espécie de revisão definitiva, como se sentimentos, experiências e memórias pudessem ser reorganizados de acordo com uma decisão formal.

Não podem. E talvez nem devam.

O Que é o Amor? é uma comédia sobre recomeços, mas também sobre aquilo que permanece. Sobre aceitar que as pessoas mudam, que os relacionamentos se transformam e que crescer significa, muitas vezes, abandonar a necessidade de dividir o passado entre aquilo que deu certo e aquilo que fracassou.

Integrante do 17º Festival de Cinema Francês do Brasil, realizado de 29 de outubro a 11 de novembro de 2026 em mais de 50 cidades, o longa chega ao público brasileiro depois de conquistar o Grande Prêmio e o prêmio de Melhor Atriz para Laure Calamy no Festival de Alpe d’Huez.

É um daqueles filmes que nos fazem rir de situações improváveis enquanto nos convidam a reconhecer sentimentos bastante familiares.

Talvez a pergunta do título não tenha uma única resposta. O amor pode acabar, mudar de forma, sobreviver como amizade, compromisso ou memória. E talvez amadurecer seja compreender que não precisamos apagar uma história para começar outra.

Porque podemos anular um casamento. Mas não podemos, nem precisamos, anular tudo aquilo que vivemos.

O que mudou no texto: a experiência próxima com uma anulação real dá credibilidade à abertura, enquanto a descoberta de Marguerite sobre suas próprias lembranças se torna o centro emocional da crítica.

O filme deixa de ser apenas uma história sobre ex-cônjuges civilizados e passa a discutir algo mais profundo: a possibilidade de reconhecer a beleza de uma relação que terminou sem desejar retomá-la.

E acho especialmente importante preservar a pergunta “Como ressignificar lembranças sem precisar negá-las?”. Ela sintetiza muito bem a maturidade afetiva que você identificou no filme.

O que é o Amor? integra a programação do 17º Festival de Cinema Francês do Brasil, realizado de 29 de outubro a 11 de novembro, em mais de 50 cidades brasileiras. A programação e os horários variam de acordo com cada cinema.

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