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Capa da semana Correio B+

Entrevista exclusiva com a atriz Sara Sarres que retorna ao Brasil com o musical 'Diana'

"Voltar ao Brasil para um projeto dessa dimensão é muito especial, porque reencontro não apenas o público, mas também uma parte importante da minha própria trajetória."

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Depois de um período vivendo fora do Brasil, a atriz e cantora Sara Sarres retorna aos palcos nacionais para protagonizar o musical Diana – A Princesa do Povo, em cartaz no Teatro Multiplan, no Rio de Janeiro, e com temporada confirmada no Teatro Liberdade, em São Paulo, a partir de 14 de maio.

O reencontro com o teatro acontece em um momento de transformação pessoal e artística, marcado pelas experiências recentes de vida no exterior e pela maternidade. 

“O palco sempre foi um lugar de pertencimento para mim”, diz Sara. Depois de alguns anos vivendo fora do Brasil, voltar aos palcos tem um significado especial. “É quase como revisitar um lugar que sempre foi seu, mas com uma nova perspectiva.”

Nesse intervalo, Sara viveu experiências que impactaram sua forma de olhar para a profissão. A vida fora do país e a maternidade trouxeram novas camadas de maturidade e reflexão. “Retorno como uma artista transformada pelas experiências que vivi nesse período — pela vida no exterior, pela maternidade, por novos olhares sobre a profissão.”

No espetáculo, ela interpreta Diana, uma das figuras mais conhecidas da história recente e cuja imagem permanece fortemente presente na memória coletiva. O desafio, explica, está justamente em encontrar espaço para a construção da personagem dentro de uma figura tão amplamente conhecida.

“O maior desafio é respeitar essa memória coletiva sem ficar prisioneira dela. O meu trabalho não é imitar a Diana, mas revelar a mulher por trás do ícone.”

Interpretar personagens históricos ou amplamente conhecidos traz uma responsabilidade adicional, já que essas figuras já habitam o imaginário das pessoas. “Essas figuras já habitam o imaginário das pessoas”, observa.

Por isso, sua abordagem busca equilibrar respeito à história com a liberdade criativa do teatro. “Procuro buscar a essência da personagem e respeitar a história que ela representa, sem perder a liberdade criativa que o teatro também exige.”

Durante o processo de preparação para o musical, alguns episódios da vida da princesa tiveram impacto particular em sua leitura da personagem. Entre eles, o gesto de cumprimentar pacientes com HIV sem luvas, em uma época marcada por forte estigma, e a visita ao campo minado em Angola. “Esses episódios mostram uma mulher que vai além da figura midiática — uma mulher que transforma empatia em ação.”

Dividindo a vida entre dois países, Sara afirma que conciliar a vida fora do Brasil com um projeto de grande porte no país exige organização e adaptação. “Viver entre dois países exige organização prática e também uma certa elasticidade emocional.”

Ao mesmo tempo, voltar ao Brasil para protagonizar um espetáculo dessa dimensão tem um significado particular. “Voltar ao Brasil para um projeto dessa dimensão é muito especial, porque reencontro não apenas o público, mas também uma parte importante da minha própria trajetória.”

No palco, Sara espera que o público consiga enxergar Diana para além da imagem cristalizada ao longo dos anos. “Eu gostaria que o público enxergasse a mulher por trás do mito”, diz. Para ela, a trajetória da princesa reúne diversas camadas.

“Diana foi muitas coisas ao mesmo tempo: jovem, vulnerável, determinada, empática, estrategicamente inteligente.” A história da personagem, em sua visão, fala sobre identidade — e sobre encontrar a própria voz mesmo dentro de estruturas muito rígidas.

Sara Sarres é a Capa exclusiva do Correio B+, e em entrevista ao Caderno ela fala sobre sua nova estreia, retorno ao Brasil e maternidade.

A atriz Sara Sarres é a Capa exclusiva do Correio B+ desta semana - Foto: Franklin Maimone - Diagramação: Denis Felipe - Por: Flávia Viana

CE - Depois de um período vivendo no exterior, o que significou, pessoal e profissionalmente, aceitar retornar temporariamente ao Brasil para protagonizar esse musical?
SS -
 Foi uma decisão muito significativa. Viver fora do país amplia o olhar sobre o mundo e sobre a própria carreira, mas voltar para protagonizar um projeto dessa dimensão no Brasil tem um valor emocional muito forte para mim.

O teatro musical brasileiro faz parte da minha história artística. Então, retornar para viver uma personagem como Diana, em um espetáculo dessa escala, é quase como revisitar as minhas próprias raízes. Ao mesmo tempo, volto como uma artista transformada pelas experiências internacionais e pela maternidade.

CE - Quando recebeu o convite para viver Diana, qual foi sua reação imediata? Houve entusiasmo, receio, responsabilidade?
SS -
 Foi uma mistura das três coisas. Primeiro veio o entusiasmo, porque é uma personagem fascinante do ponto de vista dramático. Logo depois veio a consciência da responsabilidade. Diana não é apenas uma figura histórica, ela permanece muito presente no imaginário coletivo.

Então houve também um certo respeito diante da dimensão simbólica do papel. Mas, para um ator, personagens complexos são exatamente aqueles que nos desafiam e nos fazem crescer.

CE - Diana é uma figura amplamente documentada, mas também muito projetada pelo imaginário coletivo. Como você equilibra fidelidade histórica e interpretação artística?
SS -
 Para mim, o ponto de equilíbrio está na humanidade. A pesquisa histórica é essencial: entrevistas, registros de arquivo, relatos de pessoas próximas. Isso cria uma base sólida. Mas, no palco, não estamos recriando um documentário. Estamos contando uma história viva.

Então procuro respeitar os fatos e os traços essenciais da personalidade dela, mas sempre buscando a verdade emocional da cena. O público não precisa ver uma imitação da Diana — ele precisa reconhecer a mulher por trás do mito.

CE - Sua preparação passou mais por pesquisa biográfica, técnica vocal ou mergulho emocional? Como foi organizar essas camadas?
SS -
 Foi um processo que precisou integrar essas três dimensões. A pesquisa biográfica trouxe contexto histórico e psicológico. A técnica vocal foi importante porque a Diana tinha uma forma de falar muito particular, quase íntima.

E o mergulho emocional foi essencial para compreender a trajetória dela — da jovem tímida que entra na monarquia à mulher que encontra sua própria voz. Essas camadas vão se organizando aos poucos. Não é um processo linear, é um diálogo constante entre estudo e experiência em cena.

CE - Existe um momento específico da vida de Diana que mais te mobiliza como atriz?
SS -
 Os momentos relacionados à maternidade me tocam profundamente. Diana tinha uma relação muito afetiva com os filhos e buscou criar uma proximidade que não era comum dentro da estrutura da família real. Como mãe, eu me conecto muito com essa dimensão dela.

Também me mobilizam os momentos em que ela decide usar sua visibilidade para causas humanitárias. Ali vemos uma transformação muito poderosa da personagem.

CE - Morando fora, você passou a observar o Brasil à distância. Esse olhar deslocado modifica sua relação com o público brasileiro ao voltar aos palcos?
SS -
 De certa forma, sim. Quando você vive fora, passa a perceber com mais clareza certas singularidades da cultura brasileira — a intensidade, a afetividade, a forma como o público se relaciona emocionalmente com o teatro. Voltar ao palco no Brasil sempre me lembra dessa troca muito viva entre artista e plateia. É uma relação calorosa, muito direta.

A atriz Sara Sarres é a Capa exclusiva do Correio B+ desta semana - Foto: Franklin Maimone - Diagramação: Denis Felipe - Por: Flávia Viana

CE - Como a vivência internacional impactou sua disciplina, sua rotina de trabalho e sua visão de mercado?
SS - 
A experiência internacional amplia muito a perspectiva sobre os processos de trabalho. Você passa a conviver com diferentes formas de produção, diferentes ritmos e estruturas. Isso fortalece a disciplina e também traz uma consciência maior sobre o lugar do artista dentro de um mercado global. Ao mesmo tempo, reforça algo em que sempre acreditei: o trabalho artístico precisa de rigor, mas também de sensibilidade.

CE - A maternidade transformou sua forma de estar em cena? Interpretar uma mãe como Diana ganha outra dimensão depois do nascimento do Gael?
SS -
 Sem dúvida. A maternidade muda completamente a percepção emocional de muitas situações. Quando interpreto as cenas entre Diana e os filhos, existe uma camada de experiência que não vem apenas da imaginação. O amor materno tem uma força muito específica, muito visceral. Depois do nascimento do Gael, essas cenas passaram a ter um significado ainda mais profundo para mim.

CE - Conciliar um projeto dessa magnitude com casamento, filho pequeno e deslocamentos entre países exige que tipo de organização emocional?
SS -
 Exige muito diálogo e muita parceria familiar. Projetos artísticos dessa dimensão demandam entrega intensa, mas também aprendemos a construir uma rotina que preserve os vínculos mais importantes. Ter uma rede de apoio e um parceiro que compreende a natureza da vida artística faz toda a diferença.

CE - Diana lidou intensamente com exposição pública e pressão institucional. Como você, enquanto artista experiente, lida com a expectativa em torno de um papel tão simbólico?
SS -
 A expectativa existe, naturalmente. Mas procuro transformá-la em responsabilidade artística, não em pressão. Quando você se concentra na verdade da cena e no trabalho coletivo, o peso simbólico do personagem deixa de ser um obstáculo e passa a ser um estímulo.

CE - Ao longo da sua trajetória, você transitou por espetáculos de grande porte e universos muito distintos. O que este projeto te exige de novo?
SS -
 Cada personagem importante exige um novo tipo de escuta. No caso da Diana, o desafio está na delicadeza. É uma personagem que exige nuances muito finas — entre fragilidade e força, entre silêncio e exposição.

CE - Quando essa temporada terminar e você retornar à sua vida fora do Brasil, que transformação você imagina levar consigo?
SS -
 Acredito que cada personagem importante deixa uma marca. Diana é uma figura que nos lembra da força da empatia e da coragem de usar a própria voz. Imagino que levarei comigo uma consciência ainda maior sobre o impacto que pequenos gestos podem ter no mundo.


 

Capa B+ - Especial Dia das Mães

Entrevista exclusiva com a atriz Camilla Camargo

"A gente tem rituais simples, mas muito valiosos: fazer tarefa de casa juntos, no final de semana que estamos juntos somos nós 4 (eu, Leo e as crianças) em todos os momentos, contar histórias antes de dormir, momentos sem celular, criamos coisas juntos".

10/05/2026 16h00

Entrevista exclusiva com a atriz Camilla Camargo - Especial Dia das Mães

Entrevista exclusiva com a atriz Camilla Camargo - Especial Dia das Mães Foto: Divulgação

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Nascida em Goiânia, no dia 17 de outubro de 1985, Camilla Camargo descobriu ainda cedo sua paixão pelas artes.

Sua estreia aconteceu sob direção do próprio Wolf Maia, no espetáculo “O Musical dos Musicais”, no ano de 2005. Na sequência, atuou em diversas outras peças, entre elas, o “O Piramo e Tisbe” que teve direção de Vladimir Capella, “É batata – Contos de Nelson Rodrigues”, direção de Olayr Coan, “Fragmentos Rodriguianos”, direção de Marco Antônio Brás, e “Slavianski Bazaar”, do diretor Beto Bellini.

Ao todo, a atriz soma em seu currículo 20 produções teatrais. Entre seus projetos de maior projeção, destacam-se a montagem brasileira do musical “Zorro”, que protagonizou ao lado do ator Jarbas Homem de Melo, “Shrek, o Musical” e “Enlace – A Loja do Ourives”, ambos sucessos de público e crítica.

Em sua passagem pela Flórida, onde morou durante dois anos, a atriz estudou na American Heritage School e pôde conquistar fluência no inglês e espanhol. O domínio da língua americana trouxe a chance de atuar em uma produção internacional: o filme “The Brazilian”, dirigido por Brian Brightly. Este foi o segundo longa-metragem da atriz.

Ainda no cinema, Camilla participou do média-metragem “Peter’s Friends”, de Hudson Glauber, e do curta “A Vida Como Ela É”, baseado no texto de Nelson Rodrigues. Na televisão, a jovem fez parte do elenco da novela “Revelação”, no SBT. Em 2014, estreou no horário nobre da Rede Globo com “Em Família”, de Manoel Carlos, onde interpretou Ana, uma domadora de cavalos determinada e batalhadora, de Goiás.

Embora sua participação tenha sido limitada à fase inicial da novela, ela colheu ótimos frutos: foi vice-campeã no quadro Saltibum no Caldeirão do Huck (ficando em primeiro lugar entre as mulheres e segundo no geral) e recebeu o convite para atuar no longa “Travessia”, no qual formou par romântico com o ator Caio Castro. No filme, estrelado por Chico Diaz, Camilla vive Marina, uma jovem com boa condição financeira que se envolve com drogas, influenciada por um traficante por quem se apaixona.

Em junho de 2015, a atriz voltou ao ar como Isabellen, mocinha do humorístico “#PartiuShopping”, sitcom do canal Multishow protagonizado por Tom Cavalcante. Paralelamente, a atriz começou os ensaios como a boêmia cantora de rádio Leonor, na montagem teatral “Caros Ouvintes”. O espetáculo saiu duas vezes na revista “Veja” como o mais bem avaliado de São Paulo!

Entrevista exclusiva com a atriz Camilla Camargo - Especial Dia das MãesCamilla com o marido e os filhos - Divulgação

Entre 2016 e 2018, Camilla interpretou Diana na novela infantojuvenil “Carinha de Anjo”, do SBT. A trama manteve a vice-liderança de audiência durante quase todo o período em que esteve no ar. No início de 2019, a atriz voltou aos palcos no papel de Gina Praddo, na comédia “Divórcio”, escrita por Franz Keppler e dirigida por Otávio Martins.

Mesmo com os trabalhos interrompidos pela pandemia, Camilla continuou produzindo de casa. Em 2020, apresentou um monólogo no Instagram, no qual interpretou Lúcia, personagem de “Luciola”, de José de Alencar. Em dezembro do mesmo ano, lançou seu canal no YouTube, onde abordava temas como carreira, projetos, sonhos, maternidade, saúde e cotidiano, além de criar sátiras sobre situações diversas.

No ano seguinte, a artista participou do longa-metragem “Intervenção”, do roteirista Rodrigo Pimentel (o mesmo de “Tropa de Elite” 1 e 2), que narra a história dos bastidores das UPPs – Unidades de Polícia Pacificadora – e o conflito das políticas públicas na área de segurança, lançado na Netflix.

Nele, ela dá vida à repórter Luiza Bastos. Ainda na plataforma de streaming, Camilla teve a estreia da novela “Carinha de Anjo” (SBT), que, repetindo o sucesso da trama de quando foi exibida na televisão, conquistou diversas vezes o primeiro lugar entre as dez produções mais assistidas da Netflix no Brasil. A audiência foi tanta que a produção chegou a entrar no ranking mundial do streaming!

Com narração da atriz, chegaram ao aplicativo TikaBooks, em 2022, os audiobooks “ABC dos Bichos”, de Diogo Avelino, e “As Princesas Encaracoladas”, de Claudia Kalhoefer. Em julho, ela foi confirmada na segunda temporada de “Tudo Igual… SQN”, a primeira produção original brasileira do Disney+. Na série, lançada em setembro de 2023, ela interpreta Ariane, uma artista plástica.

Em 2025, sob o comando de Giovani Tozi, a atriz voltou aos palcos com o espetáculo “O Livro Vivo”, que transita entre o drama, o humor e a pulsação do jazz ao vivo. Em seguida, repetindo a parceria com Giovani, entrou em cartaz no segundo semestre com “Aqui Jazz”, cuja procura foi tão expressiva que a temporada precisou ser estendida por mais um mês além do previsto.

Entrevista exclusiva com a atriz Camilla Camargo - Especial Dia das MãesCamilla com a mãe Zilú - Divulgação

Após o retorno ao teatro, em dezembro estreou com a novela vertical “A Cinderela e o Segredo do Pobre Milionário” no Globoplay. Na história, interpreta Georgete, personagem que movimenta as tensões amorosas ao se aliar ao empresário Serginho para atrapalhar o romance de Cindy e Diego.

A atriz estreou em janeiro em São Paulo a peça “Dois Patrões”, clássico de Goldoni em uma versão contemporânea dirigida por Giovani Tozi e pela Neyde Veneziano, e que interpreta Clarice Lombardi.

Camilla, que esteve nas telonas com uma participação  especial em  “Inexplicável”, tem entre seus próximos lançamentos o longa-metragem "Caipora", o mais novo thriller nacional, em que interpretará uma das protagonistas, ao lado de Kayky Britto e Nill Marcondes; o filme “Coração Sertanejo”, em que interpretará Bruna, uma produtora musical; e o suspense “Pacto Maldito”.

A atriz Camilla Camargo é a Capa exclusiva do Correio B+ desta semana, e em entrevista ao Caderno ela fala de estreias, carreira e do seu principal papel que éo de ser mãe.

Entrevista exclusiva com a atriz Camilla Camargo - Especial Dia das MãesA atriz Camilla Camargo é a Capa exclusiva do Correio B+ desta semana - Foto: Pupin + Deleu - Diagramação: Denis Felipe - Por: Flávia Viana

CE - Você vive um momento de forte presença no cinema, com títulos como “Coração Sertanejo”, “A Caipora” e “Pacto Maldito” em seu horizonte. O que tem guiado suas escolhas de papéis hoje e como você percebe a evolução da sua carreira nesse momento mais plural?
CC - 
Hoje, o que guia muito as minhas escolhas é verdade e propósito. Eu já vivi muitas fases dentro da minha carreira, e esse momento mais plural me encanta porque me permite explorar lugares que talvez antes eu não tivesse acesso.

Eu tenho buscado personagens que me desafiem emocionalmente, que me tirem de zonas confortáveis e que contem histórias que, de alguma forma, toquem as pessoas. Eu sinto que é uma fase de mais liberdade, de mais consciência artística… e isso é muito potente.

CE - Dois dos seus projetos mais recentes flertam com o terror e o thriller, gêneros que exigem uma entrega emocional e física muito específica. O que te atrai nesse tipo de narrativa e como foi mergulhar nesse território?
CC -
 O terror e o thriller me atraem muito porque mexem com emoções muito primárias, muito humanas. Medo, tensão, instinto… são lugares muito intensos de acessar como atriz. É um tipo de entrega que exige muito do corpo e da mente, e eu gosto desse desafio. Mergulhar nesse território foi intenso, mas ao mesmo tempo muito enriquecedor, porque me fez acessar camadas minhas que eu ainda não tinha explorado.

CE - Em “Cinderela e o Segredo do Pobre Milionário”, você completa uma virada interessante ao interpretar uma personagem com ares de vilania, em um formato diferente para a plataforma. Como foi essa experiência de explorar novas camadas como atriz e sair de um lugar mais esperado pelo público?
CC -
 Foi muito especial para mim. Sair de um lugar mais esperado pelo público e poder brincar com uma personagem com nuances de vilania me trouxe uma liberdade criativa muito gostosa. A gente, como atriz, também quer surpreender, quer se reinventar. E essa personagem me permitiu isso: explorar sombras, contradições… e entender que ninguém é uma coisa só. Espero que venham outras “vilãs” por aí, rs.

CE - Em projetos tão distintos, do drama ao suspense, passando por comédia e até personagens com traços mais sombrios, como você constrói suas personagens por dentro? Existe um método, uma “porta de entrada” emocional, ou cada papel pede um caminho completamente novo?
CC - 
Eu não tenho uma fórmula única, e acho que isso é o mais bonito do processo. Cada personagem me pede uma escuta diferente.

Mas, no geral, eu sempre começo tentando entender todos os “porquês” que envolvem aquela pessoa (o que move, o que falta, o que dói). A partir daí, vou construindo por dentro, emocionalmente, e isso naturalmente vai refletindo no corpo, na fala, no olhar. É um processo muito intuitivo, mas também muito profundo.

CE - Você já transitou por diferentes linguagens e formatos. Existe algum tipo de personagem ou história que ainda te provoca curiosidade e que você gostaria de explorar nos próximos anos?
CC -
 Existe muita coisa que ainda tenho vontade de fazer, rs. Eu ainda tenho muita curiosidade por personagens baseadas em histórias reais, mulheres fortes que deixaram algum tipo de legado. Também tenho vontade de explorar algo mais físico, talvez uma preparação mais intensa nesse sentido. Eu gosto de me sentir desafiada, então tudo que me tira do lugar comum me chama atenção.

CE - Sendo mãe de um menino e uma menina, como você lida com o desafio de educar filhos em um mundo atravessado por telas, redes sociais e estímulos constantes?
CC -
 É um desafio diário, né? A gente vive um mundo muito acelerado, com muitos estímulos… e eu tento trazer consciência pra dentro de casa. Não sou radical, busco equilíbrio.

Entrevista exclusiva com a atriz Camilla Camargo - Especial Dia das MãesA atriz Camilla Camargo é a Capa exclusiva do Correio B+ desta semana - Foto: Rrafael Garbuio - Diagramação: Denis Felipe - Por: Flávia Viana

Evitamos ao máximo as telas aqui em casa, mas tem momentos que permitimos, porém tem muito momento de presença real, que é o que acredito e “invisto” no momento de brincar, conversar, estar junto de verdade. Eu acredito muito que o exemplo fala mais alto do que qualquer regra.

CE -  A formação de meninos mais conscientes, empáticos e respeitosos tem sido uma pauta importante hoje. Como você trabalha esses valores na criação do seu filho e quais conversas são fundamentais dentro da sua casa?
CC - 
Isso é uma pauta muito importante para mim. Eu acredito que começa dentro de casa, nas pequenas coisas: no respeito, na forma como ele vê o pai tratar a mãe, na forma como a gente conversa sobre sentimentos. Eu incentivo muito o meu filho a falar sobre o que sente, a entender o outro, a ter empatia. E são conversas constantes, no dia a dia mesmo, aproveitando as situações que aparecem.

CE - Em meio a uma fase profissional tão intensa, como você equilibra presença e qualidade de tempo com seus filhos? Existe algum valor ou ritual que funciona como “porto seguro” na rotina da família?
CC -
 Eu tento estar inteira onde eu estou. Quando estou trabalhando, estou focada. Mas quando estou com eles, eu realmente busco estar presente de verdade.

A gente tem rituais simples, mas muito valiosos: fazer tarefa de casa juntos, no final de semana que estamos juntos somos nós 4 (eu , Leo e as crianças) em todos os momentos, contar histórias antes de dormir, momentos sem celular, criamos coisas juntos, vamos pra cozinha e fazemos macarrão juntos por exemplo. procuramos criar memórias com eles o tempo todo, porque acredito que isso que fica… isso vira um porto seguro pra eles e pra mim também.

CE - Pensando novamente nos seus filhos, como você trabalha a construção de repertório cultural deles — seja em livros, filmes ou experiências — para formar um olhar crítico e sensível em meio a tanto conteúdo rápido e descartável?
CC -
 Adorei essa pergunta, pois acho isso tão necessário e importante. Eu procuro apresentar conteúdos que tenham valor, que despertem a imaginação, a sensibilidade.

Livros, histórias e filmes que tragam alguma mensagem. Mas também acredito muito na conversa que vem depois: perguntar o que eles entenderam, o que sentiram. Isso ajuda a construir um olhar mais crítico, mais consciente.

CE - Quando você imagina o futuro dos seus filhos, que tipo de mundo espera que eles ajudem a construir? E, dentro de casa, quais atitudes do dia a dia você acredita que realmente plantam essa visão de futuro?
CC - 
Eu espero que eles ajudem a construir um mundo mais humano, mais empático, com mais amor. Pode parecer simples, mas não é. E eu acredito muito que isso começa dentro de casa, nos valores que a gente planta todos os dias: respeito, gentileza, responsabilidade emocional. São pequenas atitudes, mas que, lá na frente, fazem toda a diferença.

 

Moda Correio B+ - Especial Dia das Mães

Coluna: Entre Costuras & CuLtura: Dia das Mães: quando a mulher no espelho já não é a mesma

O estilo pessoal não desaparece depois da maternidade. Ele amadurece junto com a mulher. Gabriela Rosa dá dicas de pequenos caminhos para te ajudar a reencontrar sua imagem. 

10/05/2026 15h00

Coluna: Entre Costuras & CuLtura: Dia das Mães: quando a mulher no espelho já não é a mesma

Coluna: Entre Costuras & CuLtura: Dia das Mães: quando a mulher no espelho já não é a mesma Foto: Divulgação

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O Dia das Mães costuma chegar envolto em flores, homenagens e imagens idealizadas de plenitude. Mas existe uma camada silenciosa da maternidade que raramente aparece nas campanhas: o momento em que uma mulher percebe que já não se reconhece completamente diante do espelho.

Não é apenas o corpo que muda. Mudam os ritmos, os desejos, as prioridades e, sobretudo, a forma como ela passa a ocupar o próprio espaço no mundo. O guarda-roupa, antes extensão natural da personalidade, pode se transformar em um território estranho. Algumas roupas deixam de servir fisicamente; outras deixam de fazer sentido emocionalmente.

E talvez uma das maiores delicadezas da maternidade seja justamente essa: compreender que ela não devolve a mesma mulher de antes. Ela inaugura outra.

No imaginário coletivo, ainda existe uma expectativa quase cruel sobre a mulher-mãe. Espera-se que ela permaneça bonita, produtiva, disponível, equilibrada e, de preferência, rapidamente “recupere” sua antiga versão. Como se a maternidade fosse apenas um capítulo e não uma transformação inteira.

Mas entre o romantismo das celebrações e a realidade do puerpério existe uma travessia emocional profunda. E ela também passa pelas roupas.

A moda, tantas vezes reduzida à superficialidade, é uma ferramenta íntima de construção de identidade. Escolher o que vestir nunca foi apenas sobre tecido. É linguagem. É pertencimento. É a forma como afirmamos presença mesmo nos dias em que nos sentimos invisíveis.

Por isso, quando uma mulher sente que perdeu o próprio estilo depois da maternidade, o que desaparece não é apenas uma estética é uma referência de si mesma.

Coluna: Entre Costuras & CuLtura: Dia das Mães: quando a mulher no espelho já não é a mesmaNossa colunista Gabriela Rosa com os filhos Mássimo e Mila - Foto: Divulgação

No consultório de imagem, também nas histórias que escuto diariamente e também por experiência própria, percebo quantas mães carregam culpa ao voltar a desejar vaidade, beleza ou prazer em se vestir. Como se o autocuidado competisse com a maternidade. Como se olhar para si fosse egoísmo.

Mas reencontrar a própria imagem não é um gesto fútil. É um processo de reconexão emocional.

A roupa pode funcionar como abrigo em períodos de vulnerabilidade. Pode ajudar a reorganizar afetos, reconstruir autoestima e devolver pequenas doses de identidade em meio à exaustão da rotina materna.

Não se trata de perseguir tendências nem de tentar “voltar ao corpo de antes”. Trata-se de compreender quem é essa mulher agora.

Talvez o verdadeiro amadurecimento feminino esteja justamente em abandonar versões antigas de si mesma sem interpretar isso como fracasso. Algumas roupas deixam de caber porque algumas identidades também já não cabem mais.E existe beleza nisso!

Neste Dia das Mães, mais do que flores ou presentes, talvez muitas mulheres precisem de permissão: permissão para mudar, desacelerar, amadurecer e experimentar novas versões de si sem culpa.

O estilo pessoal não desaparece depois da maternidade. Ele amadurece junto com a mulher.

Separei dicas de pequenos caminhos para te ajudar a reencontrar sua imagem: 

  1. Reorganize o guarda-roupa sem apego à versão antiga do corpo.
  2. Priorize conforto sem abrir mão de peças que expressem personalidade.
  3. Monte combinações simples que facilitem a rotina e aumentem a sensação de pertencimento.
  4. Evite consumir tendências impulsivamente durante fases de transição emocional.
  5. Procure referências de mulheres reais em diferentes fases da maternidade.
  6. Considere consultorias de imagem humanizadas, focadas em identidade e não em padrões.
  7. Reserve pequenos rituais de autocuidado, vestir-se também pode ser um gesto de afeto consigo mesma.

 

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