Correio B

COMEMORAÇÃO 100 ANOS

Ex-alunas revivem memórias no centenário do Colégio Nossa Senhora Auxiliadora

Celebração em Campo Grande reuniu antigas estudantes, professoras e integrantes da comunidade salesiana em uma tarde marcada por lembranças e reencontros

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Há lugares que deixam de ser apenas espaços físicos e passam a fazer parte da memória de quem passou por eles. No Colégio Nossa Senhora Auxiliadora, em Campo Grande, essa relação atravessa gerações.

Este ano, quando a instituição completa 100 anos, antigas alunas voltaram à escola para rever colegas, professores e religiosas e compartilhar histórias que, décadas depois, continuam ligadas aos corredores, às salas de aula e às pessoas que fizeram parte de suas trajetórias.

A comemoração do centenário e do Dia das Ex-Alunas foi realizada no sábado, na própria escola, localizada na Rua Pedro Celestino. A programação reuniu integrantes de diferentes gerações da comunidade salesiana e teve como um dos principais elementos o reencontro entre mulheres que estudaram juntas há décadas.

Entre elas estava Anete Barbosa Martins, que viveu diferentes momentos da história do Auxiliadora: primeiro como aluna e, anos depois, como professora. Ela chegou à escola ainda criança, depois de insistir com o pai para estudar no chamado “colégio das irmãs”.

“Eu quero estudar no colégio de Maria”, lembra Anete sobre o que dizia ao pai. Na época, segundo ela, a escola ficava relativamente distante de sua casa, embora hoje a região seja considerada bastante próxima. Ela havia começado os estudos em outro colégio, mas o desejo de estudar no Auxiliadora permaneceu.

A mudança aconteceu quando estava no terceiro ano. Anete estudou na instituição até concluir sua formação e, posteriormente, voltou como professora. Entre 1980 e 1993, lecionou Português. A relação com a escola, portanto, não terminou com a saída da estudante, mas transformou-se em uma nova experiência profissional.

Mas foi principalmente a amizade construída durante os anos de estudo que permaneceu ao longo do tempo. Anete conta que sua turma de ginásio e magistério continua mantendo contato mais de cinco décadas depois.

O grupo enfrentou mudanças, casamentos, profissões diferentes, perdas e distâncias geográficas, mas continuou se encontrando. Algumas colegas seguiram carreira na Medicina, Odontologia, Geografia e Letras.

Outras permaneceram ligadas à educação. Uma delas se mudou para a Suécia e, em 2024, recebeu seis das antigas colegas para uma viagem pela Europa.

O encontro foi também uma maneira de recuperar os anos que haviam passado sem que todas se vissem. “Uma alegria quando a gente se encontra. Damos risada, contamos histórias”, relata Anete.

A viagem passou por Dinamarca, Noruega e Suécia. Na última etapa, o grupo reencontrou a colega que vivia no país europeu. Para Anete, a experiência mostrou que a distância não havia sido suficiente para romper o vínculo criado na juventude.

“Crescemos aqui juntas, nesse pátio”, resume.

DE ALUNA A PROFESSORA

As trajetórias profissionais das antigas colegas seguiram caminhos distintos, mas a amizade permaneceu como um ponto em comum. Anete conta que algumas chegaram a trabalhar na própria escola, enquanto outras construíram carreiras em diferentes áreas.

Ela teve uma trajetória marcada pela educação, embora não tenha imaginado inicialmente que esse seria o caminho. O magistério foi escolhido em uma época em que o casamento parecia ser o destino esperado para muitas mulheres.

A vida, porém, tomou outros rumos. Depois de se casar e ter filhos, Anete acabou retornando à sala de aula.

Quando começou a trabalhar como professora, encontrou uma escola diferente daquela em que havia estudado, mas reconheceu nela uma característica que considerava fundamental: a proximidade entre educadores e estudantes.

“Você não é professor só aqui. Entendeu? Você é amigo. Você aconselha”, afirma.

A experiência como mãe também ajudava na relação com as alunas e vice-versa. Segundo Anete, ela conseguia estabelecer uma troca entre o que vivenciava com a filha e as situações que as estudantes levavam para a escola.

“Eu ouvia as meninas e trazia como experiência. E ia de lá para cá, e a gente trocava”, relata.

Para ela, esse sentimento de pertencimento ajuda a explicar a força dos vínculos que permanecem entre as ex-alunas. O colégio, em sua lembrança, não era apenas um local para estudar, mas um ambiente de convivência e formação.

“É família”, resume.

DIFERENTES GERAÇÕES

Durante a celebração, a diretora do Colégio Nossa Senhora Auxiliadora, irmã Márcia, destacou justamente essa dimensão de continuidade. Na acolhida às ex-alunas, ela afirmou que a instituição chega aos 100 anos carregando as marcas deixadas por diferentes gerações.

“Muitas gerações que passaram por aqui, que fizeram história, deixaram suas marcas e certamente levaram muitas marcas para suas vidas, para os seus trabalhos, para as suas famílias”, disse.

A diretora também ressaltou o caráter salesiano da instituição e a participação das ex-alunas na construção dessa história. Para ela, o vínculo com a escola não termina quando o estudante deixa os bancos escolares.

“O carisma salesiano, ele não é só das irmãs, dos padres. Ele é de vocês também”, afirmou.

A tarde foi organizada como uma confraternização, mas também como uma oportunidade de recuperar a memória da instituição. Antigas estudantes que não se encontravam havia décadas voltaram ao espaço onde viveram parte da infância e da juventude.

O reencontro também foi marcado pela presença da União Maria Auxiliadora, grupo de ex-alunas que mantém atividades ligadas ao colégio e ações sociais em Campo Grande.

IRMANDADE

Durante a programação, a história da associação das ex-alunas também foi apresentada ao público pela delegada da organização, a irmã Othilia. A união teve origem no dia 19 de março de 1908, na casa das Filhas de Maria Auxiliadora, em Turim, na Itália, a partir da iniciativa de Dom Felipe Rinaldi e da irmã Catarina Riggi.

O movimento surgiu a partir da convivência das antigas estudantes e oratorianas e, desde os primeiros anos, passou a desenvolver ações de solidariedade. A associação cresceu e se espalhou por diferentes lugares, mantendo como princípios a formação e a solidariedade social.

Em Campo Grande, a história da organização passou por diferentes momentos. Segundo o relato apresentado durante a comemoração, a associação local teve períodos de maior e menor atividade, sendo fortemente marcada pela atuação de religiosas que acompanhavam as ex-alunas.

Uma dessas figuras foi a irmã Bartira Constança Gardês, lembrada pela irmã Othilia como uma presença importante para a manutenção do grupo durante anos. Sua morte, em 1994, representou uma ruptura para muitas das integrantes, principalmente pela relação de proximidade que havia construído com elas.

“Era aquela que era amiga, irmã, aquela que tinha tempo de escutá-las, acompanhar os seus problemas, a sua vida particular”, pontuou a irmã.

Depois de um período de dispersão, o grupo foi reorganizado. No dia 24 de março de 2001, após uma missa na capela do colégio, antigas integrantes da federação e novas participantes se reuniram para retomar a associação.

A atuação ganhou novamente um caráter social. As ex-alunas passaram a organizar ações voltadas a famílias em situação de vulnerabilidade, além de atividades em abrigos e creches.

CARISMA SALESIANO

Entre os relatos mais marcantes da tarde esteve o da irmã Maria Nilda Cavalcanti Rangel, ex-diretora e ex-aluna da instituição. Sua história com o Auxiliadora começou ainda na infância.

Ela entrou na escola entre os 7 anos e 8 anos de idade e permaneceu como interna durante boa parte de sua formação escolar.

Foi também dentro da escola que sentiu o chamado para se tornar serva do Senhor. No entanto, ao contar seu desejo à mãe no dia de sua formatura no oitavo ano, a viu ficar furiosa. Na tentativa de que a fizesse desistir da ideia, a mãe a mandou estudar fora, longe de qualquer contato com as freiras.

Ela foi, mas depois de concluir parte dos estudos fora de Campo Grande, Nilda decidiu retornar ao Auxiliadora com o objetivo de seguir a vida religiosa, convicta. O pai apoiou a decisão, mesmo diante da resistência inicial da mãe.

De volta à cidade, completou sua formação e posteriormente assumiu funções na educação. Para ela, a escola foi fundamental para a construção de sua trajetória.

“Eu sou fruto do carisma Salesiano. Eu sou fruto daquelas irmãs que trabalharam aqui no Auxiliadora com muito sacrifício”, afirmou.

A ex-aluna também relacionou sua formação às transformações políticas e administrativas de Mato Grosso do Sul. Ela participou de diferentes momentos ligados à criação do novo Estado e posteriormente permaneceu por 18 anos em atividades relacionadas à administração pública.

Ao recordar sua trajetória, destacou o papel de outras antigas estudantes que também ocuparam posições de destaque em diferentes áreas.

“Nós temos muitas ex-alunas expoentes nesses estados. Então, a gente deve louvar e agradecer a Deus por isso”, defendeu.

Diálogo

"Em alguns gabinetes de eleitos e derrotados, a conta ainda não fechou..." Leia na coluna de hoje

Leia a coluna desta segunda-feira (1)

02/11/2026 00h03

Diálogo

Diálogo Foto: Arquivo / Correio do Estado

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Ernest Hemingway - Escritor americano

"Um idealista é um homem que, partindo do fato de que uma rosa cheira melhor que uma couve, deduz que uma sopa de rosas teria também melhor sabor”

FELPUDA

Em alguns gabinetes de eleitos e derrotados, a conta ainda não fechou. Os chefes continuam tentando recalcular os gastos excessivos diante do pouco retorno obtido. Dizem que alguns investiram valores exorbitantes, mas mesmo assim não conseguiram entregar o resultado esperado. Teve até quem alardeasse liderança, prometendo adesões de incontáveis eleitores, mas nadica de nada aconteceu. De duas, uma: ou parte dos recursos ficou pelo caminho, ou os “senhores dos votos” descobriram que, hoje em dia, nem dinheiro compra o eleitorado, já cansado das falsas promessas.

Diálogo

Tom

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), admitiu pela primeira vez que poderá disputar a Presidência da República em 2030. Em entrevista publicada pelo Estadão, ele afirmou que concluir bem o segundo mandato “obviamente abre uma possibilidade” de concorrer ao Planalto.

Mais

A declaração representa uma mudança de tom, já que o governador vinha evitando falar abertamente sobre o assunto. Tarcísio abordou a situação fiscal do País e cobrou ajustes nos gastos. Pelo visto, a disputa de 2030 já começou a aparecer no retrovisor, mesmo com a largada bem distante.

Diálogo
Yasmin Torres
Diálogo
Marina Ruy Barbosa

Não e não!

A senadora Tereza Cristina bateu o pé e foi contra a decisão do seu partido, o PP, de apoiar a reeleição de Davi Alcolumbre para a presidência do Senado. Ela afirmou que vai para o embate contra Alcolumbre e está conversando com as lideranças do PL para reforçar a sua pretensão. Mas há quem diga que o líder do PL, senador Rogério Marinho, é o nome do bolsonarismo para desafiar o atual presidente. E também há quem afirme que Tereza e Marinho vêm seguindo juntos nessa “empreitada”

Custo

Um levantamento divulgado pelo perfil @feconsultoria_23 no Instagram atribui aos oito deputados federais e aos três senadores de Mato Grosso do Sul um total de 265 assessores, com R$ 1,82 milhão por mês em salários-base. Segundo a publicação, feita a partir dos portais oficiais de transparência, são 174 na Câmara e 91 no Senado. Os valores não incluem eventuais gratificações e não representam o custo completo das equipes.

Lista

No recorte apresentado pelo perfil, Nelson Trad Filho (PSD) aparece com 59 assessores e R$ 522,5 mil mensais em salários-base. Tereza Cristina (PP) vem depois, com 15 assessores e R$ 222,7 mil, seguida de Soraya Thronicke (PSB), com 17 e R$ 209 mil. Entre os deputados, as maiores somas apontadas são as de Rodolfo Nogueira (PL), com 23 assessores e R$ 131,3 mil, e Dagoberto Nogueira (PP), com 24 e R$ 125,6 mil... Nada como viver num país rico e sem problemas!...

Aniversariantes

  • Therezinha de Jesus dos Santos Samways,
  • Dr. Nelson Mendes Fontoura Júnior,
  • Marinho Cogo,
  • Sílvio Eduardo Orro da Silva,
  • Paulo Sérgio Ota,
  • José Carlos Garcia,
  • Maria Inês Queiroz Tomaz,
  • Felipe Jorge Saab,
  • Neusa Kamiya,
  • Patricia Correa Peixoto de Azevedo,
  • Lucas Lemos Navarros,
  • José Marcos Queiroz Junior,
  • Nilvana Silveira Moreno Mujica,
  • Jhonny Luis de Souza,
  • João Evângelo Vavas,
  • Dr. Carlos Augusto Longo Pereira,
  • João Baptista Pinto de Arruda,
  • Wilson Berton,
  • João Carlos Leite Nogueira,
  • Lincoln Pereira Mendes,
  • Fernanda Cristieli Pupim,
  • Ruy Otonni de Mendonça,
  • Bruno Pedrossian Dorileo,
  • Dr. Felipe Marcelo Gimenez,
  • Yolanda Pinheiro,
  • Gleidy Garcia Antero da Silva,
  • Pedro Celestino Ângelo de Oliveira,
  • José Atanásio Lemos Neto,
  • Raquel de Figueiredo Rocha,
  • José Henrique da Silva Vigo,
  • Juliane Perondi,
  • Maria Cristina Monteiro Nascimbeni,
  • Eudi Vitorino Bachiega,
  • Adailton Castilhas,
  • Ilson Rossini Vilanova,
  • Jurema Marques de Arruda,
  • Dr. Oswaldo Rodrigues,
  • José Ricardo Soares,
  • Sérgio Bianchi Mascarenhas,
  • Oneide Terezinha Mozzo,
  • Lênio Ben Hur,
  • Carolina Resende Matias,
  • Noêmia Gonçalves dos Santos,
  • Generci Cantu Silva,
  • Alberto Saburu Kanayama,
  • Nelsi Francisco de Oliveira,
  • Alcides Sussumu Oguma,
  • Flaviano Cantacini,
  • Dra. Marlene Lemos,
  • Marle Karnopp,
  • Luiz Antonio Lemes Tenório,
  • Armindo Ramão Medina Júnior,
  • Munder Hassan Gebara,
  • Epaminondas Martins,
  • Eronildes Sabino Nery,
  • Arlindo Brazilino da Conceição,
  • Celso Barros Lopes,
  • Bruno Galeano Brandão,
  • Maria Helena Simão Dantas Zanchet,
  • Francisco Luis Nanci Fluminhan,
  • Marcus Vinicius Santana,
  • José Osmar Bentinho,
  • Adina Lopes Sobrinho Franco,
  • Osório Caetano de Oliveira,
  • Marilza Massae Matida Kubota de Freitas,
  • Shirlei Aparecida Boretti,
  • Lilian Greyce Souza,
  • Masaaki Yano,
  • Elvídio Martins de Siqueira,
  • Gilson Amorim Gomes,
  • Raimundo Nonato Oliveira,
  • Elza Lima do Amaral,
  • Maria Aparecida Marques de Sá,
  • Jackson Daniel do Nascimento,
  • Rosely Margarido Queiroz Prado,
  • Heitor Meirelles,
  • Augusto Nogueira,
  • Silvia Helena Monteiro,
  • Ana Maria Medeiros e Silva,
  • Cristiano de Oliveira,
  • Fabiana Soares Lima,
  • Dulcinéia Mara Barbosa,
  • Luiz Carlos Tôrres de Assis,
  • Karolina Nunes Limeira,
  • Renato Barroso da Silva,
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  • Jonas Dias de Oliveira,
  • Célia Maria Andrade Lima,
  • Yone Flôres Moreira,
  • Luis Claudio Guimarães,
  • Olívia de Mello,
  • Nilma Maria de Oliveira,
  • Flávia Sílvia Pontes,
  • Moacir Castro Lopes,
  • Maria Emília Rodrigues,
  • Roberta Correia de Paula.

Colaborou Tatyane Gameiro

Moda Correio B+ - Entre Costuras & CuLtura

Entrevista exclusiva com a arquiteta Nauíra Cordeiro. A arte de viver com identidade e elegância

Ela compartilha de seu design autoral, e o talento de transformar o universo da arquitetura e designer

01/11/2026 17h00

Coluna Entre Costuras & CuLtura: Arquitetura, identidade e a arte de viver com elegância

Coluna Entre Costuras & CuLtura: Arquitetura, identidade e a arte de viver com elegância Foto: Divulgação

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À frente da NG Home, a arquiteta e empreendedora Nauíra Cordeiro vem construindo uma trajetória marcada pela criatividade, pelo olhar apurado e pela valorização do design autoral brasileiro.

Com experiência no universo da arquitetura, do mobiliário de alto padrão e do design italiano, ela encontrou no desenvolvimento de produtos uma nova forma de expressar sua identidade criativa, unindo estética, funcionalidade e pesquisa de materiais.

Suas criações propõem um novo olhar sobre os objetos do cotidiano, transformando-os em peças que carregam personalidade e elegância.

Em novembro, Nauíra participa do evento Sobre a Mesa, idealizado por Silmara Kassab, nos dias 17 e 18, em São Paulo, encontro que celebra a conexão entre mesa posta, design e gastronomia.

A agenda também inclui uma produção especial de mesa posta para o almoço de amigo secreto de Carol Bassi, dando continuidade a uma parceria que valoriza encontros, experiências e composições cheias de estilo.

Coluna Entre Costuras & CuLtura: Arquitetura, identidade e a arte de viver com elegânciaEla compartilha de seu design autoral, e o talento de transformar o universo da arquitetura e designer - Divulgação

CE - Como começou sua trajetória na arquitetura e em que momento surgiu a ideia de criar a NG Home? O que motivou essa transição para o universo do design e da decoração?
NC -
 Minha trajetória começou na arquitetura, mas sempre tive uma relação muito próxima com o design de produto. Em 2013, tive a oportunidade de trabalhar com importantes marcas italianas de mobiliário, experiência que ampliou meu olhar sobre o design autoral. A NG Home nasceu desse desejo de criar peças próprias, explorando a relação entre forma, matéria e função, com um olhar especial para a arte de receber.

CE -  A moda e a arquitetura têm algo em comum: ambas comunicam identidade. Como você enxerga essa relação entre a maneira como nos vestimos e os ambientes que escolhemos habitar?
NC -
 Acredito que tanto a moda quanto a arquitetura são extensões da nossa personalidade. A maneira como nos vestimos e os espaços que habitamos revelam nossas referências, escolhas e valores. Em ambos os universos, a verdadeira elegância está na autenticidade.

CE - O conceito de atemporalidade está cada vez mais presente na moda e no design. O que torna uma peça ou um ambiente verdadeiramente atemporal?
NC -
 Para mim, a atemporalidade está na capacidade de transcender tendências sem perder relevância. Uma peça atemporal tem identidade, qualidade e proporções bem resolvidas. É aquilo que continua fazendo sentido e despertando interesse independentemente da época.

CE - Você acredita que a elegância de uma casa está mais relacionada ao investimento financeiro ou à sensibilidade estética e ao repertório cultural de quem a habita?
NC - 
Sem dúvida, à sensibilidade e ao repertório. O investimento pode proporcionar acesso a materiais e peças excepcionais, mas não garante elegância. Uma casa verdadeiramente sofisticada é aquela que revela personalidade, histórias e escolhas feitas com intenção.

Coluna Entre Costuras & CuLtura: Arquitetura, identidade e a arte de viver com elegânciaTalento de transformar o universo da arquitetura e designer - Divulgação

CE - Como a cultura brasileira influencia suas escolhas criativas? Existe alguma característica do nosso design que você considera especialmente valiosa?
NC -
 O design brasileiro tem uma riqueza extraordinária, especialmente na relação com os materiais, na expressividade das formas e na valorização do fazer artesanal. Admiro essa liberdade criativa e a capacidade de unir sofisticação e espontaneidade, características que considero muito próprias da nossa cultura.

CE - Em tempos de tendências rápidas e excesso de referências nas redes sociais, como encontrar uma identidade própria na decoração?
NC -
 Acredito que o primeiro passo seja desenvolver o próprio olhar. Buscar referências na arte, nas viagens, na literatura e nas experiências pessoais, e não apenas nas redes sociais. A identidade surge quando deixamos de reproduzir fórmulas e passamos a fazer escolhas que realmente nos representam.

CE - A arte de receber também comunica valores, cuidado e comportamento. Qual é o papel da mesa posta e dos pequenos rituais na construção de uma experiência elegante e acolhedora?
NC -
 Receber é, acima de tudo, um gesto de generosidade. A mesa posta e os pequenos rituais demonstram cuidado e atenção aos detalhes, transformando encontros cotidianos em momentos especiais. Acredito que a elegância está muito mais na intenção de acolher do que na formalidade.

CE - Que conselho você daria a alguém que deseja transformar sua casa em um espaço mais sofisticado, acolhedor e com personalidade, sem necessariamente realizar grandes investimentos?
NC -
 Começaria pelos detalhes. Flores frescas, uma iluminação acolhedora, livros, objetos afetivos e pequenas mudanças na composição dos ambientes podem transformar completamente a atmosfera de uma casa. Sofisticação não está necessariamente em ter mais, mas em saber escolher e valorizar aquilo que temos.

Coluna Entre Costuras & CuLtura: Arquitetura, identidade e a arte de viver com elegânciaEla compartilha de seu design autoral, e o talento de transformar o universo da arquitetura e designer - Divulgação

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