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LUTO

Morre Erasmo Carlos, o 'Tremendão' da jovem Guarda, aos 81 anos

Cantor estava hospitalizado na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro

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Erasmo Carlos, cantor e compositor considerado um dos principais nomes da Jovem Guarda no Brasil, morreu nesta terça-feira, 22, aos 81 anos de idade. As informações são da Globonews.

Em agosto de 2021, o cantor chegou a ficar internado por oito dias, após ter sido infectado pelo coronavírus. Em outubro deste ano, voltou a ser hospitalizado com quadro de síndrome edemigênica e teve alta no início de novembro, segundo informou sua assessoria de imprensa.

Na manhã desta terça, novamente precisou ser hospitalizado, também no Hospital Barra Do'r, na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio.

O trabalho mais recente de Erasmo Carlos foi o álbum O Futuro Pertence à... Jovem Guarda. Lançado em fevereiro, o disco traz oito releituras de sucessos da época da Jovem Guarda que ficaram marcados na voz de outros cantores.

São elas: Nasci Pra Chorar, O Ritmo da Chuva, Alguém na Multidão, O Tijolinho, Esqueça, A Volta, Devolva-Me e O Bom. Na última edição do Grammy Latino, no dia 17, ele ganhou na categoria melhor disco de rock de língua portuguesa ou álbum alternativo.

O início

Seus primeiros passos na música se deram ainda na década de 1950, quando formou o quarteto The Snakes ao lado de Arlênio Lívio, José Roberto China e Edson Trindade.

Os três eram ex-integrantes do grupo The Sputniks, no qual haviam tocado junto com Tim Maia e Roberto Carlos.

Foi por volta daquela época que Erasmo se deparou pela primeira vez com aquele que seria um de seus grandes parceiros na música.

"Eu estava lá em casa, na Tijuca, e um amigo em comum bateu na porta com o Roberto Carlos. 'Queria te apresentar um amigo que é cantor'. Já conhecia ele da televisão. Eu colecionava muitas letras de música, fotos de artistas de rock and roll, e ele precisava de uma letra que eu por acaso tinha", lembrava, ao Fantástico, em 2013.

"Era Hound Dog, de Elvis Presley. Ficamos conversando e rolou um papo legal de rock. Ele falou: 'Aparece lá pela televisão'. Aí eu comecei a sair do trabalho, ir para lá, só para ver. Eram 15 minutos de programa. Fui ficando amigo da equipe, das dançarinas, os músicos. Daqui a pouco já comprava um sanduíche para o Carlos Imperial, conhecia o porteiro, entrava direto. Aí que o Imperial me chamou para ser secretário dele".

"Com o Roberto Carlos, também, a gente foi convivendo e ficando amigo. Muitas brigas, por exemplo, de turmas, mas que nos aproximaram muito. Aquela coisa de 'brigamos juntos', sabe? Dessa amizade de amigo, a gente foi se identificando musicalmente, também. Com meu conjunto vocal, fui fazendo coro para ele. Até o dia em que nós resolvemos fazer uma música, um rock em português, Parei na Contramão", continuava.

Anos depois, ao lado de Roberto e Wanderléa, Erasmo Carlos foi um dos apresentadores do histórico Jovem Guarda, programa da TV Record exibido entre 1965 e 1968.

Em seu palco, passaram grandes nomes da música brasileira, que à época faziam sucesso com o público jovem. Além do trio, destacaram-se nomes como Ronnie Von, Wanderley Cardoso, Vanusa, Sérgio Reis, Jerry Adriani, Fred Jorge e grupos como Renato e seus Blue Caps, Os Incríveis e Golden Boys. Nessa época, compôs o clássico Festa de Arromba.

"Na Jovem Guarda ninguém fumava nem bebia. Só depois experimentei maconha e outras drogas, como ácido, mas só duas ou três vezes", garantia, em entrevista ao Estadão, em 2009

Parceria

Fosse na época da Jovem Guarda ou nas décadas seguintes, Erasmo participou da composição de muitos dos sucessos que se popularizaram na voz de Roberto Carlos. Entre eles, Calhambeque, Eu Sou Terrível, Detalhes, O Divã, Além do Horizonte e Cama e Mesa.

Em 1974, a dupla criou uma melodia para uma canção religiosa, mas não conseguiram concluir a música, que acabou engavetada. Três anos depois, Roberto, emocionado com a ida de Erasmo à sua festa de aniversário surpresa, escreveu a letra de Amigo durante viagem a Los Angeles.

"Você meu amigo de fé, meu irmão camarada/Amigo de tantos caminhos e tantas jornadas/Cabeça de homem, mas o coração de menino/Aquele que está do meu lado em qualquer caminhada", diz a letra, feita em homenagem a Erasmo Carlos.

Sobre ter que lidar com o fato de seu colega, Roberto, ser chamado de "Rei" ao longo dos anos, Erasmo Carlos dizia que não se incomodava.

"Eu sou um compositor. O que eu sempre sonhei, a partir do momento que eu gostei de música, foi ser compositor, um criador. Jamais me passa pela cabeça o negócio de ser cantor, sabe? Eu canto por circunstância".

"Por isso posso dizer, da minha parte, nunca houve o mínimo incômodo de o Roberto Carlos ser o 'Rei'. Não, eu sou compositor É isso que eu quero ser, o que eu sempre quis ser. Tudo que eu tenho na minha vida é em função do que eu sou e gosto de ser. Se eu não cantar, eu não me importo. A minha realização não é estar em um palco cantando, é eu estar com meu violão compondo", explicava em entrevista a Marília Gabriela no GNT, em 2010.

Fato é que nas muitas vezes em que mostrou seu lado cantor, fosse com músicas próprias ou compostas por outros artistas, Erasmo Carlos fez sucesso, como em Mesmo Que Seja Eu, Gente Aberta, É Preciso Dar Um Jeito, Meu Amigo, Pode Vir Quente Que Eu Estou Fervendo, Sentado à Beira do Caminho, Minha Fama de Mau, Mulher (Sexo Frágil) e De Noite na Cama.

Ao longo dos anos, tornou-se referência para inúmeros músicos. E recebeu homenagens, como na canção Tremendão é Tremendão, do grupo Funk'n'Lata.

Em 1998, Ivo Meirelles explicava o motivo para a admiração, à Folha de S. Paulo: "Erasmo é autêntico. Não é marketeiro. Por isso o mercado não lhe dá o devido valor e ele está há anos sem gravar".

Vida pessoal

Erasmo Carlos também se envolveu em algumas polêmicas ao longo dos tempos. Em 15 de janeiro de 1967, por exemplo, reagiu a provocações de um rapaz na plateia de seu show no Clube Recreativo Sorocabense, no interior paulista.

Precisou de ajuda da polícia para sair do local. Mesmo assim, seu carro foi perseguido na rodovia Raposo Tavares e acabou sendo alvejado por seis tiros.

Em 4 de junho de 1984, sua então esposa, Narinha, foi atingida por um tiro quando estava em casa. A bala atingiu partes de seu estômago, baço, pulmão e intestino.

A arma era propriedade de Erasmo Carlos e estava guardada em um closet. Segundo os relatos da época, o cantor estava no 1º andar com outros membros da família quando ouviu o disparo.

"A cena mais desesperadora que já vi em minha vida", contou, na ocasião. Dias depois, quando ela se recuperou, confirmou a história de outras testemunhas de que havia sido um acidente, fazendo com que a polícia não abrisse uma investigação por possível tentativa de homicídio ou suicídio.

Os dois se separaram em 1990, após 13 anos casados. Aos 49 anos, no fim de 1995, Narinha morreu. Laudos posteriores do IML revelaram que ela ingeriu veneno (cianeto de potássio).

Erasmo Carlos se casou novamente em 2019, com Fernanda Passos, após sete anos de relacionamento. Em entrevistas, o artista já ressaltou que não se incomoda com a grande diferença de idade entre eles, de 49 anos.

O cantor era pai de Leo Esteves, Gil Eduardo e Carlos Alexandre Esteves, o Gugu, que morreu dias após um grave acidente de moto em maio de 2014. Na ocasião, durante o período em que o filho passou oito dias em coma induzido, Erasmo seguiu se apresentando e relatou ao Estadão: "O show não pode parar, bicho. Eu e meus filhos trabalhamos com música e temos um pacto: o que acontece com um não pode impedir os outros de seguir em frente. Entendo que outras pessoas parem suas vidas para chorar, mas isso não resolve. Você pode mandar pensamentos positivos a todo instante, de qualquer lugar".

Em 2004, lamentou a morte de sua mãe, dona Maria Diva, a quem considerava como "mãe e pai" por conta do apoio durante a infância: "Ela foi uma guerreira e batalhou muito para me criar sozinha quando veio, já grávida, da Bahia".

No cinema

O cantor também participou do elenco de alguns filmes. A estreia se deu em Roberto Carlos e o Diamante Cor-de-Rosa, gravado em 1968, mas lançado em 1970.

Na trama, o trio da Jovem Guarda passava por Japão, Israel e Rio de Janeiro em busca de uma estátua roubada e um mapa do tesouro. Em 1971, viveu o personagem Pedro Navalha em Roberto Carlos a 300 Quilômetros Por Hora.

No ano seguinte, esteve em Os Machões, ao lado de Reginaldo Faria e Flávio Migliaccio, trabalho que lhe rendeu elogios. "Cumpre retificar que a interpretação de Erasmo Carlos em Os Machões é uma das três ou quatro maiores de um ator brasileiro este ano", consta em reportagem publicada pelo Estadão em 1º de novembro de 1972.

Ainda viriam O Cavalinho Azul (1984) e Paraíso Perdido (2018). Sua participação mais recente na dramaturgia se deu em Modo Avião, filme protagonizado por Larissa Manoela lançado pela Netflix.

Em 2019, a cinebiografia Minha Fama de Mau retratou a vida de Erasmo Carlos, com Chay Suede no papel do Tremendão. O elenco ainda contava com nomes como Gabriel Leone (Roberto Carlos), Malu Rodrigues (Wanderléa) e Bruno de Luca (Carlos Imperial).

O filme foi baseado na biografia de mesmo nome, lançada em 2009. Sobre o livro, explicava ao Estadão pouco antes do lançamento: "Não contei as maldades. A intenção era contar com humor certas histórias e curiosidades da minha vida. Quando comecei a escrever, eram casos aleatórios engraçados que aconteceram comigo sozinho, com a família, os amigos. Não tenho pudor. Eu entrego as verdades da vida".

Ele ainda ressaltava que o "mau" do título não deveria ser levado ao pé da letra: "A fama de mau agrada certo segmento de mulheres."

Em junho de 2021, Erasmo Carlos deu uma série de entrevistas por ocasião de seu aniversário de 80 anos.

Ao Estadão, contava: "Com 80, podia estar jogando cartas com os aposentados na praia. Não. Estou aqui, trabalhando. Gosto do que faço. Quis a vida que eu fosse um compositor, que eu aprendesse alguns acordes que me permitissem fazer minhas músicas. O resto é minha imaginação que faz".

Diálogo

O ator Paulo Betti esteve em Bonito e descobriu placa proibindo a entrada... Leia na coluna hoje

Leia na coluna desta quinta-feira (13)

13/08/2026 00h02

Diálogo

Diálogo Foto: Arquivo / Correio do Estado

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José Saramago - escritor português

"Dentro de nós há uma coisa que não tem nome, essa coisa é o que somos”.

FELPUDA 

O ator Paulo Betti esteve em Bonito e descobriu placa proibindo a entrada de petistas, experiência que, segundo ele, mostrou que “nós corremos risco”. A preocupação é legítima, mas Betti esqueceu que quem levou uma facada durante a campanha eleitoral foi Jair Bolsonaro. Naquele episódio, o risco era real. Agora, placa de comércio particular virou, para o ator, quase um tratado sobre democracia em perigo. Faltou apenas combinar com a realidade e talvez lembrar que polarização também tem fatos, não apenas versões.Dá licença, vai!

DiálogoFoto: Divulgação

As mudanças climáticas e o avanço dos eventos extremos pautaram a edição da Sala de Guerra, realizada em Campo Grande. O encontro reuniu especialistas para discutir os possíveis impactos do El Niño em Mato Grosso do Sul e a necessidade de fortalecer ações de prevenção. A palestra foi ministrada pela meteorologista do Pará Ana Paula Paes, doutora e pós-doutora em Eletricidade Atmosférica pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que alertou para riscos como secas prolongadas, ondas de calor, tempestades severas e alterações no regime de chuvas. O debate ganhou relevância diante de tragédias recentes, como as enchentes históricas no Rio Grande do Sul, os incêndios no Pantanal, a longa estiagem no Nordeste e os desastres provocados pelos rompimentos das barragens de Mariana e Brumadinho. O diretor-presidente da AGEMS, Carlos Alberto de Assis destacou que antecipar cenários climáticos é fundamental para ampliar a capacidade de resposta do poder público e reduzir os impactos sobre a população e os serviços essenciais. O consenso entre os participantes foi de que planejamento e conhecimento científico são ferramentas indispensáveis para enfrentar os desafios impostos pelas mudanças no clima.

DiálogoKlisangela Vendramin - Foto: Arquivo Pessoal

 

DiálogoAlle Nascimento - Foto: Arquivo Pessoal

Bufunfa

Os candidatos ao Governo poderão movimentar até R$ 9,3 milhões cada durante a campanha eleitoral de 2026, considerando primeiro e segundo turnos. O valor representa o limite máximo estabelecido pela Justiça Eleitoral para as despesas de campanha. Isso não significa, porém, que todos terão ou pretendam gastar essa quantia. Eduardo Riedel, por exemplo, terá teto de R$ 6,22 milhões no primeiro turno e poderá acrescentar R$ 3,11 milhões caso avance para o segundo. Os demais candidatos também estarão submetidos aos mesmos limites, definidos pela legislação eleitoral.

Apagão

A Assembleia Legislativa de MS ficou sem energia elétrica dia11, provocando o cancelamento da sessão ordinária prevista para o dia. O apagão atingiu as dependências do Palácio Guaicurus e interrompeu o seu funcionamento normal. Sem luz, deputados, servidores e visitantes tiveram de lidar com uma situação pouco comum no Legislativo. A falta de energia também deixou o plenário sem condições para a realização dos trabalhos.

Do bem

A Noite de Massas do Asilo São João Bosco será realizada no sábado (15), a partir das 20h, em um evento beneficente com gastronomia, música e solidariedade. O jantar terá buffet livre e toda a renda será destinada à manutenção da instituição. Mais informações pelos telefones (67) 3345-0500 e (67) 98402-7626, também disponível pelo WhatsApp.

ANIVERSARIANTES 

Rodrigo do Amaral Gameiro,
Maria Celeste Correa Curado,
Rafael Nunes da Cunha Maia de Souza,
Neli Marlene Monteiro Tomari,
Elizabeth Maria de Fátima Buainain Abuhassan (Babeth),
Maria Eduarda Gregório dos Santos,
Adão Jorge Moraes Castilho,
Shirley Gennari Martins,
Celeste Molina Cors,
Eduardo Coelho Leal Jardim,
Nolasco Ribeiro dos Reis,
Gilson Benedito de Oliveira,
Elba Corrêa da Cunha,
Dr. James Celso Higa,
Hiroshi Kokubu,
Nathalie Oshiro Adania,
Márcia Perez,
Tiago Ferreira de Souza,
Benedito da Silva,
Maximo Ribeiro Fernandes,
Ricardo Augusto Pereira,
Mariana Soares e Jurgielewicz Medeiros,
Sarah Cristina Mesquita Barros,
Catarina Gomes de Oliveira,
Mariana Guimarães Sortica,
Isaias Patrocínio,
Ângela Araújo de Oliveira,
Wilson Minari,
Dr. Odair Garcia de Freitas,
Bianca Atala Machado,
Kennedi Mitrioni Forgiarini,
Claise Kleemann,
Aroldo Fonzar Toledo,
Edson Medeiros Costa Junior,
Ricardo do Nascimento,
Elson Carlos Benitez,
Paulino Straliotto,
Eliane Nobre de Miranda,
Mirandolina Barbosa,
Valdessi Neves da Rocha,
Tereza Carneiro da Costa e Oliveira,
Carmem Cinira Garcia,
Luiz Cláudio de Oliveira Lima,
Márcia Sueli Assis Andreasi,
Elizabeth Souza Freitas,
Miguel Antonio Perez Lima,
Zely Paes de Barros Gonçalves,
Ana Lúcia Morello Pacheco,
Wanderley Galvão Vasconcelos,
Nelly Lopes da Silva,
Aparecido Roberto Galdino,
Manoel Gomes dos Santos Filho,
Giuliano Cassio de Souza Rosa,
Nelson Luiz de Souza,
Cristovão de Albuquerque Filho,
Neuza Echeverria,
Raimundo Girelli,
Anete da Silva Melo,
Helena Yoshie Matsuo Dias,
Guido Dal’Acqua Neto,
Kátia Ferreira Garcia,
Rose de Andrade Kratz,
Neuza Aparecida Pompiniges,
Jean Phierre da Silva Vargas,
Frei Miguel Loffler,
Aníbal Vicente Ferreira,
Dra. Claudia Roberta Miola Canale,
Helena Pitta Sassioto,
Eli Mercedes Gheller Parzianello,
André Luis Modesto Campos,
Nilson Tamotsu Aguena,
Carlos Erildo da Silva,
Elisabeth Sydow,
Evilásio Alexandre Sobrinho,
Maria Helena Rosa Balbe,
Laura Pereira da Silva,
Elena Maria Gasques Chaves,
Carla Eleonora Sguissardi,
Gilson Ferreira Gomes,
Munir Mauad,
Luzanidia Martins Miranda,
Alício Garcez Chaves,
Cláudia Cabral Ferreira Morel,
Roberto Valentim Cieslak,
Aparecido Donizete Carrasco,
Sinthia Elena Alves de Souza,
Maria do Carmo Borges Lino,
Daniel Lucas Tiago de Souza,
Adriana Helam Corrêa,
Carlos Theodoro Andrade e Jurgielewicz,
André Heikiti Koyanagui,
Dirceu Rodrigues Junior,
André Fabiano dos Santos,
Enivaldo Pinto Polvora,
Graziela Barbosa,
Antônio Joaquim Junior,
Igor Sanches Caniatti Biudes,
Tânia Mofreita Bruno Szochalewicz Ribeiro Dantas,
Elza Corrêa da Cunha,
Márcia Maria Rodrigues Rangel,
Thalita Maria Souza Taques,
Edson Hideo Mitani,
Murillo Ferreira Barbosa,
Ilibio Amaral Nogueira Pinto,
Isa Maria Formaggio Marques,
Demétrio Salomão Abud,
José Aparecido de Oliveira.

Colaborou com Tatyane Gameiro

Primeiros socorros

Especialista explica como diferenciar uma tosse eficaz de uma obstrução grave

Especialista explica como diferenciar uma tosse eficaz de uma obstrução grave e quais procedimentos devem ser adotados em adultos, crianças e bebês

12/08/2026 08h00

A noção teórica ajuda nos primeiros socorros, mas a prática garante a execução correta das manobras

A noção teórica ajuda nos primeiros socorros, mas a prática garante a execução correta das manobras Pexels

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Um pedaço de alimento, uma bala ou até um pequeno objeto podem interromper a respiração em poucos segundos. O engasgo costuma acontecer de maneira inesperada e, quando a passagem de ar é completamente bloqueada, a situação pode evoluir rapidamente para perda de consciência e parada cardiorrespiratória.

É justamente no intervalo entre o engasgo e a chegada do socorro que a atitude de quem está por perto pode ser determinante.

O problema é que o susto também favorece erros: oferecer água, colocar a mão dentro da boca da vítima ou tentar aplicar uma manobra de forma indiscriminada são atitudes que podem piorar o quadro.

Antes de qualquer procedimento, porém, é preciso identificar se o engasgo realmente impede a passagem de ar.

Segundo o fisioterapeuta e instrutor de Suporte Básico de Vida (BLS, do inglês Basic Life Support) da CoreHelp, Denis Corrêa, uma pessoa que ainda consegue tossir com força está apresentando uma resposta importante do próprio organismo para expulsar o corpo estranho.

“Quando a vítima consegue tossir com força, falar ou respirar, significa que ainda existe passagem de ar. Nesse caso, ela deve ser incentivada a continuar tossindo, porque a tosse é o mecanismo mais eficaz para expulsar o objeto. As manobras de desobstrução são indicadas quando surgem sinais de obstrução grave”, explica.

A mudança de cenário ocorre quando a vítima deixa de conseguir falar, tossir ou respirar. Ela pode levar as mãos ao pescoço, demonstrar dificuldade intensa para puxar o ar ou tentar emitir sons sem conseguir.

Em situações mais prolongadas, a falta de oxigênio pode deixar lábios, rosto e unhas azulados e levar à perda de consciência.

Nesse momento, esperar para ver se o problema melhora sozinho pode custar minutos preciosos.

“Nessa situação, não há tempo a perder. É preciso pedir ajuda, acionar o Samu pelo telefone 192 e começar imediatamente as manobras adequadas”, orienta o especialista.

ADULTOS E CRIANÇAS

Para adultos e crianças com mais de um ano que estejam conscientes e apresentem obstrução grave, as diretrizes de 2025 da American Heart Association orientam uma sequência alternada de golpes nas costas e compressões abdominais.

São cinco golpes firmes entre as escápulas. Se o objeto não sair, devem ser feitas cinco compressões abdominais. Os ciclos continuam sendo alternados enquanto a vítima permanecer consciente e a obstrução não for resolvida.

Quando há outras pessoas no local, o ideal é dividir as tarefas: enquanto uma pessoa inicia o atendimento, outra deve ligar para o Samu, pelo 192, e seguir as orientações do serviço de emergência.

A situação muda novamente se a vítima perder a consciência. Nesse caso, ela deve ser colocada sobre uma superfície rígida e o atendimento passa para o protocolo de ressuscitação cardiopulmonar, começando pelas compressões torácicas.

Durante o atendimento, a boca pode ser observada antes das tentativas de ventilação. Há uma diferença importante entre ver o objeto e procurá-lo às cegas.

“Um dos erros mais perigosos é colocar os dedos na boca da vítima sem enxergar o objeto. Essa varredura às cegas pode empurrá-lo ainda mais para dentro e agravar a obstrução”, alerta Denis.

BEBÊS

A noção teórica ajuda nos primeiros socorros, mas a prática garante a execução correta das manobrasEm bebês, as manobras devem ser mais cuidadosas, porque podem provocar lesões - Foto: Pexels

Com bebês menores de um ano, a atenção precisa ser redobrada. A técnica utilizada em adultos e crianças maiores não deve ser simplesmente reproduzida, porque as compressões abdominais podem provocar lesões nos órgãos internos.

Se o bebê não consegue chorar, tossir ou respirar, a orientação é posicioná-lo de bruços sobre o antebraço do socorrista, mantendo a cabeça mais baixa que o tórax e o pescoço sustentado. Nessa posição, são aplicados cinco golpes nas costas, entre as escápulas.

Na sequência, o bebê é virado cuidadosamente de barriga para cima, ainda com a cabeça abaixo do nível do tórax. São então realizadas cinco compressões torácicas.

Os ciclos devem continuar até que o objeto seja expelido ou o bebê perca a consciência. Em caso de perda de consciência, a criança deve ser colocada sobre uma superfície rígida e a ressuscitação cardiopulmonar deve ser iniciada.

“Os cuidados com bebês exigem uma técnica específica. Por isso, não se deve improvisar nem repetir as mesmas manobras utilizadas em adultos. Um treinamento prático ajuda a compreender a posição correta das mãos, a intensidade dos movimentos e a sequência do atendimento”, afirma o instrutor.

O QUE PODE ATRAPALHAR

Em uma situação de pânico, é comum tentar fazer alguma coisa imediatamente. Nem sempre, porém, essa iniciativa ajuda.

Dar água ou comida à pessoa que está engasgada não resolve uma obstrução das vias aéreas. Sacudir a vítima ou tentar pendurá-la pelos pés também não são procedimentos recomendados.

Outro comportamento que deve ser evitado é introduzir os dedos na boca para tentar “pescar” o objeto. Se ele não estiver visível, a tentativa pode deslocá-lo para uma região ainda mais profunda das vias aéreas.

Também não há indicação de aplicar manobras de desobstrução em alguém que ainda consegue tossir vigorosamente. A tosse deve ser estimulada e a vítima precisa ser observada, porque o quadro pode evoluir para uma obstrução completa.

A busca por ajuda, por sua vez, não deve ser deixada para depois. Em uma obstrução grave, o atendimento especializado precisa ser acionado o quanto antes, mesmo que outra pessoa esteja realizando as manobras.

QUANDO SE ENGASGAR SOZINHO

Há ainda uma situação especialmente delicada: quando a pessoa se engasga e não há ninguém por perto.

Se ainda conseguir tossir, a orientação é tentar expulsar o objeto por meio de uma tosse forte e buscar ajuda imediatamente. Se não conseguir falar ou respirar, pode tentar realizar compressões abdominais em si mesma.

Para isso, uma das mãos deve ser fechada e posicionada acima do umbigo e abaixo do osso do peito. A outra mão segura o punho e os movimentos são realizados rapidamente para dentro e para cima.

Mesmo nesse cenário, procurar ajuda é fundamental.

TREINO PRÁTICO

Saber o que fazer no papel não significa necessariamente conseguir agir diante de uma emergência. O medo, o nervosismo e a pressão do momento podem fazer com que uma pessoa esqueça informações que conhece ou execute uma técnica de maneira incorreta.

Por isso, Denis defende que o aprendizado de primeiros socorros seja acompanhado de treinamento prático.

“Durante uma emergência, é comum que o medo e o nervosismo dificultem a tomada de decisão. O treinamento permite reconhecer os sinais, entender a sequência correta e praticar as manobras antes que elas sejam realmente necessárias”, afirma.

Cursos de primeiros socorros podem ser realizados por pessoas sem formação na área da saúde e também são oferecidos para empresas, escolas e profissionais. Nas capacitações, os participantes praticam as técnicas em manequins e participam de simulações de situações de emergência.

A proposta é aproximar o treinamento de situações que podem acontecer no cotidiano, como um engasgo durante uma refeição em casa ou em um restaurante.

Além das técnicas de desobstrução, os cursos trabalham o reconhecimento de diferentes emergências, a avaliação da segurança do ambiente, o acionamento adequado do serviço de atendimento e a atuação conjunta entre os socorristas.

“O conhecimento técnico é importante, mas precisa ser colocado em prática. As simulações ajudam as pessoas a desenvolver segurança, rapidez e confiança para agir quando cada segundo faz diferença”, conclui Denis Corrêa.

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