Correio B

Correio B+

Natallia Rodrigues - Ela é a nossa Capa da semana, e está em cartaz na peça Caros Ouvintes em SP

"Ser atriz me faz ter liberdade e habilidade para refazer caminhos." A premiada atriz fala com exclusividade ao Caderno sobre sua trajetória e reconhecimento neste musical radiofônico que este ano comemora 9 anos em cartaz

Continue lendo...

Natallia Rodrigues, 42 anos, começou sua carreira artística muito cedo como modelo comercial.
Para se tornar atriz não demorou muito, as publicidades e comerciais para a televisão acabaram levando Natallia para o caminho que ela mais ama, o caminho da arte.

“A arte me move, eu não sou nada sem a arte. A arte, ela é a minha injeção diária de amor, de comunicação, de troca, de ser, ser humana. A arte ela é a minha vida e eu não sei separar a Natallia da arte, e a arte da Natallia. Eu vivo para isso, eu respiro isso 24 horas", explica.

As portas se abriram para ela em definitivo, e para outros inúmeros projetos, após sua primeira vilã em MALHAÇÃO, sucesso da TV Globo há anos atrás, e de lá pra cá ela só cresceu, prosperou e contou histórias através de sua arte.

“Malhação para mim foi um projeto muito especial e muito importante na minha vida. Eu era muito jovem e eu tive a oportunidade de ter um grande papel", relembra.

Natallia está de volta aos palcos do teatro comemorando 9 anos de uma bem-sucedida trajetória da peça, Caros Ouvintes, com texto e direção de Otávio Martins, que já foi vista por milhares de espectadores e agora volta para mais uma temporada no Teatro Uol em São Paulo.

A peça estreou em 2014, venceu os principais prêmios do teatro paulistano, como o Shell e o Aplauso Brasil, além de ter recebido destaque no site Times Square Chronicles. Natallia retorna ao lado dos atores Fernando Pavão, Thiago Albanese, Agnes Zuliani, Eduardo Semerjian, Alex Gruli, Carol Bezerra e Léo Stefanini.

"É muito, emocionante poder voltar a contar essa história tão politizada que é Caros Ouvintes, ainda mais depois de uma pandemia. A gente fez uma apresentação antes dela e no dia seguinte aconteceu o lockdown e voltamos agora. Na semana passada subi no palco e caí no choro, eu chorei muito, porque foi de uma emoção assim que eu nunca senti na minha vida", se emociona a atriz.

Caros Ouvintes é uma comédia sobre o começo das telenovelas, sob o ponto de vista dos atores que faziam sucesso nas radionovelas. Na década de 1960, quando os aparelhos de televisão começaram a fazer parte das casas brasileiras, o público começou a prestar atenção não somente na voz dos personagens, mas também em sua imagem. Assim, muitos atores que faziam sucesso no rádio começaram a temer a TV: muitos galãs eram gordinhos e carecas, muitas mocinhas já eram senhoras.

“Eu acho que para fazer um projeto de tanto sucesso eu não considero um reconhecimento só meu e nem ter ganhado um prêmio sozinha. É um reconhecimento de uma equipe. É um prêmio que se estende para todos os atores e para toda uma equipe. A gente tem uma união muito forte", explica Natallia que foi premiada com a peça.

A atriz é Capa do Correio B+ desta semana, e com exclusividade ela falacom o Caderno sobre suas escolhas, família, relação com a beleza, vontade de dirigir um projeto, sua trajetória, arte e sua volta aos palcos com a premiada peça Caros Ouvintes em cartaz em São Paulo no Teatro UOL.

A atriz Natallia Rodrigues é a Capa do Correio B+ desta semana - Foto: Tarciso De Lima - Diagramação Denis Felipe/Denise Neves

CE - O seu começo como modelo abriu as portas para a sua carreira de atriz?
NR -
 “O meu começo como modelo, de uma forma ou outra, abriu um pouco as portas para isso, eu nunca tinha pensado em ser atriz. E aí quando eu comecei a trabalhar na área, eu me tornei uma modelo muito comercial, onde eu fazia muitas publicidades e muitos comerciais que eu fazia tinhma textos, então isso começou a me instigar um pouco para esse lado.” 

CE- Sua família sempre apoiou as suas escolhas?
NR-
“Como eu fazia muitos comerciais com textos na minha época de modelo, eu lembro que o dono da minha agência me matriculou e me deu de presente um curso de teatro. Não era o que eu pensava fazer. A minha família, eles me apoiavam na minha carreira de modelo, muito, mas também não era o sonho deles que eu fosse atriz, até porque, atriz teoricamente, era uma coisa um pouco instável, eles queriam que eu tivesse uma profissão mais estável, mas aí depois que comecei a estudar teatro, eu comecei a ver que aquilo ali era a minha vida e que eu não sabia fazer outra coisa além daquilo.

Eu cheguei a me formar em publicidade, psicologia, mas acabou que eu nunca exerci, mas eu utilizo na minha vida, principalmente a psicologia para as minhas criações. Quando eu sento para estudar um personagem, eu sempre faço essa parte psicológica da personagem, de onde ela vem, quem é a família dela ou o que ela já passou na vida, eu sempre crio uma história para ela. Então a psicologia me ajudou muito, me ajuda muito hoje em dia, para a minha criação, não só para a minha evolução como ser humano, mas da minha criação também.“

CE- Você fez TV e sua estreia foi em um projeto de muito sucesso na TV Globo, MALHAÇÃO...
Como foi essa estreia e o que mudou até aqui em sua trajetória?
NR-
“Malhação para mim foi um projeto muito especial e muito importante na minha vida. Eu era muito jovem e eu tive a oportunidade de ter um grande papel.

Então, além de eu ter tido essa oportunidade e ser grata até hoje, porque isso transformou muitas coisas na minha vida, eu tive uma escola. Malhação foi uma escola para mim. Então, foi onde eu aprendi tudo de audiovisual. Então, foi uma época muito enriquecedora na minha vida,mesmo sendo jovem, eu adquiri muitas, muitas coisas boas que eu carrego até hoje, tanto na minha vida quanto na minha arte.”

Natllia vive sua premiada personagem Conceição em CAROS OUVINTES - Divulgação

CE- Você lê muito? Tem vontade de produzir, dirigir, além de atuar?
RN-
“Eu leio muito, eu sou uma pessoa que leio de 2 a 3 livros por mês, eu gosto do livro em papel, não sou tecnológica ainda para ler. Eu gosto de tirar 1 hora do meu dia, sentar na minha poltrona, ler, estudar, ter outros conhecimentos, ter outras histórias na minha mente.

Eu já produzi e produzo muito teatro, isso para mim é muito bacana, porque acaba que me dá uma liberdade gigante de minha pessoa como atriz, ter uma oportunidade de me autoproduzir, o que eu acho importantíssimo para um ator hoje em dia, porque isso faz com que você não dependa do outro, você não dependa de ser chamada, você mesmo faz a sua arte acontecer.

Eu nunca dirigi, é um sonho meu dirigir teatro, eu acho que esse é o meu próximo passo, eu tenho estudado muito para isso. Em breve, provavelmente eu também estarei dirigindo teatro.”

CE- O teatro é a sua grande paixão?
RN-
“A arte me move, eu não sou nada sem a arte. A arte, ela é a minha injeção diária de amor, de comunicação, de troca, de ser, ser humana. A arte ela é a minha vida e eu não sei separar a Natallia da arte, e a arte da Natallia. Eu vivo para isso, eu respiro isso 24 horas.

Eu estou fazendo um projeto, já estou pensando no outro. Eu já estou estudando para daqui cinco anos realizar outro, então, eu vivo mais de 60%, 70% do meu dia pensando em arte. É meu respiro, é o meu amor, é a minha vida. Assim eu fico até emocionada, eu não me vejo fazendo nada além de subir no palco e poder contar uma história para quem está sentado na platéia.”

Natallia Rodrigues aos 15 anos na revista CAPRICHO - Reprodução Instagram

CE- Como foi a sua estreia no teatro? O que mais emocionou você na peça?
RN-
“Caros Ouvintes esse ano comemora 9 anos em cartaz. Essa volta da peça é para essa comemoração e sucesso. É um espetáculo escrito há 10 anos e ele é extremamente atemporal.

Você assiste Caros Ouvintes hoje e a gente não mudou uma vírgula, a gente não mudou absolutamente nada, e nunca fez tanto sentido fazer esse texto, falar esse texto como hoje em dia. Caros Ouvintes é a história de transição da rádio, novela para telenovela, se passa na década de 60, no meio da ditadura. Então ele tem um lugar muito político, que hoje em dia faz muito sentido ser dito.

Então, é muito emocionante poder voltar com Caros Ouvintes e ter a peça na minha vida durante tantos anos e ainda emocionar tantas pessoas. É um espetáculo de muito sucesso, um espetáculo muito premiado e que eu brinco, eu falo; " ó daqui a pouco eu já não vou fazer mais a mocinha da peça, daqui a pouco eu já vou fazer uma personagem mais velha, porque são tantos anos". Eu acredito que é um espetáculo que ele nunca vai parar e eu quero poder ter a oportunidade de fazê-lo sempre, porque me dá muito prazer em falar esse texto, me dá muito prazer em contar essa história, me dá muito prazer... É uma felicidade sem fim poder olhar para as pessoas, para o público e ver que ele sorriu e chorou em questão de segundos. Então, é de uma emoção, assim, bruta.”

CE- A arte é algo que te move, que você respira... Como é voltar com um grande sucesso que é CAROS OUVINTES?
RN-
“É muito, emocionante poder voltar a contar essa história tão politizada que é Caros Ouvintes, ainda mais depois de uma pandemia. A gente fez uma apresentação antes dela e no dia seguinte aconteceu  o lockdown e voltamos agora. Semana passada subi no palco e caí no choro, eu chorei muito, porque foi de uma emoção assim que eu nunca senti na minha vida. Foi uma emoção em poder falar esse texto, foi de uma emoção saber que consegui sobreviver como artista, uma pandemia sem poder exercer a minha profissão, foi de uma emoção de eu estar viva, foi de uma emoção da arte estar voltando, foi de uma emoção da cultura estar voltando, do público voltando. Foi muito emocionante para mim. Eu acho que eu nunca, nesses 9 anos vive uma emoção tão grande como foi voltar a fazer Caros Ouvintes.”

Natallia no camarim da peça CAROS OUVINTES - Reprodução Instagram

CE- Como foi o estudo e composição do seu personagem em CAROS OUVINTES?
RN-
“Foram muitos meses de trabalho de mesa... É quando a gente senta todos os atores e vai destrinchando o texto e estudando, foram alguns meses desse trabalho. Nós tivemos preparação vocal, tivemos uma preparação musical, de aprender a fazer uma sonoplastia da década de 60, como era feito, nas rádios antigamente.

Nós temos um ator no espetáculo que fez um sonoplasta, e ele faz acontecer uma sonoplastia da década de 60 como existia. Então houve um estudo para isso. Caros Ouvintes teve um estudo de época, um estudo de figurino, um estudo de corpo, estudo da forma de falar, e foram alguns meses que a gente se preparou para isso.“

CE - Vocês voltam com a formação de 2014?
RN-
“A gente não volta com a formação de 2014. Desde 2014 já passaram alguns atores e outros ficaram. Então, tem eu, continuo na mesma personagem, o sonoplasta continua no mesmo personagem e a Agnes, que faz a personagem mais velha, também contínua no mesmo personagem. Os outros personagens mudaram. Tem atores que faziam parte de 2014, mas que acabaram mudando o personagem.”

Natallia com o elenco de CAROS OUVINTES - Reprodução Instagram

CE - Fazer parte de um projeto de tanto sucesso você define como reconhecimento, você é premiada por ele...
RN-
“Eu acho que para fazer um projeto de tanto sucesso eu não considero um reconhecimento só meu e nem ter ganhado um prêmio sozinha. É um reconhecimento de uma equipe. É um prêmio que se estende para todos os atores e para toda uma equipe. A gente tem uma união muito forte.

Eu acho que o sucesso do Caros Ouvintes, é esse jogo cênico que nós, atores e amigos, na vida pessoal temos. Então isso para mim é o maior sucesso. A gente nunca brigou, nós nunca tivemos um desentendimento, respeitamos o limite um do outro, nós somos uma banda, a gente brinca e fala que é uma banda de rock and roll que se o baixo não toca bem a banda não vai conseguir fazer um show. Então todo mundo ali, a equipe, ela é o sucesso, nós temos muita sorte, a gente teve muita sorte de termos essa equipe e é isso que faz sermos um sucesso.”

CE- Pensa em fazer streaming? Como você vê essa indústria?
RN-
“Tanto o cinema quanto como streaming o audiovisual em si, a novela, as séries, o cinema é uma paixão minha, eu tenho muito prazer em fazer. É muito diferente do teatro, cada um tem o seu prazer na minha vida.

Eu sou uma atriz, eu vou aonde o personagem me escolhe, então não tenho essa preferência, embora eu faça muito mais teatro que qualquer outra coisa. Hoje em dia eu sou apaixonada por tudo, por todos, por tudo que eu tenha oportunidade de contar uma boa história, eu tenho paixão na minha parada como atriz, é eu poder contar uma boa história, é eu poder tocar o outro com o meu fazer, é eu poder fazer com que o outro pense no que eu estou dizendo e não fazer por fazer. Então essa é realmente a minha grande paixão.”

Natallia Rodrigues - Reprodução Instagram

CE- Um trabalho que amaria fazer que ainda não fez?
RN-
“Eu não tenho muito essa coisa de um trabalho, um personagem, que eu amaria fazer e eu não fiz ainda, porque eu acredito que não sou eu que escolho os personagens, são os personagens que me escolhem, então tudo que fiz até hoje é de muita importância para mim. Tudo que eu vou vir a fazer também será de muita importância. Eu não tenho esse lugar de, eu amaria fazer isso, eu amaria fazer aquilo, eu amo contar histórias, se a história é boa, eu gostaria de fazer, e eu faço.”

CE- Você é uma mulher LINDA, conta alguns cuidados da Natallia pra gente?
RN-
“Eu tenho uma coisa na minha vida que é muito sagrada. Eu tenho uma obrigação ancestral de ser feliz, então meu maior cuidado é eu ser feliz. Eu cultivo muito a felicidade mesmo em dias nublados, mesmo em dias tristes eu procuro cultivar a felicidade.

Eu cuido muito do meu ser humano, então eu acho que a beleza ela não é física, eu acredito na beleza espiritual, na beleza interna das pessoas e é isso que eu busco para mim, que automaticamente reflete também no olhar físico. Mas o importante para mim e o que eu busco, o que eu cuido, é do meu espírito, e da minha liberdade de ser e não ter. 

Eu não preciso ter coisas materiais para ser feliz, isso ajuda, isso completa, mas para ser feliz, é preciso ser inteira como ser humano, mente, corpo, espírito e eu procuro muito cuidar da minha mente, do meu corpo e do meu espírito. Do meu corpo eu confesso que depois de uma idade, eu fiquei mais acomodada, então eu sou uma pessoa que eu tenho muita preguiça de ir para academia, mas eu me esforço. Mas da minha mente e do meu espírito, eu sou uma pessoa muito regrada, então, eu acho que isso faz com que o olhar do outro perante mim seja um olhar de beleza, eu procuro ser um ser humano bonito para a humanidade.”

Natallia na novela GABRIELA da TV Globo - Reprodução Instagram

CE- Como está o coração da Natallia para viver 2023?
RN-
“Coração para viver 2023 está acelerado! Esse ano ele está muito acelerado... Eu estou com Caros Ouvintes e já estou me preparando para outro espetáculo que estreia em maio no SESC que se chama ‘AQUÁRIO COM PEIXES’. É um drama e vai exigir bastante de mim, tanto do meu físico, como do meu emocional e de estudo. Eu venho me preparando já faz alguns bons anos para esse projeto, e agora entrei em sala de ensaio com Caros Ouvintes para esse projeto agora em maio.
 

Felpuda

A famosa frase "chegou agora e já quer sentar na janelinha"...leia na coluna de hoje

Confira a coluna desta sexta-feira (5)

05/06/2026 00h02

Diálogo

Diálogo Foto: Arquivo / Correio do Estado

Continue Lendo...

Augusto Branco escritor brasileiro - "O mundo é o que você enxerga, mas principalmente o que você quer enxergar e o que você quer fazer dele”.

Felpuda

A famosa frase “chegou agora e já quer sentar na janelinha” virou lei em Campo Grande e, desta vez, em favor do conforto e da segurança das mulheres. A partir de agora, passageiras terão a prioridade dos assentos ao lado das janelas nos ônibus urbanos, conforme estabelece legislação municipal.

A medida vale para toda a frota do sistema de transporte coletivo da Capital. A prioridade, no entanto, não é exclusiva: os bancos poderão ser ocupados por outros passageiros, quando não houver mulheres no embarque ou durante o trajeto. Sei não...

DiálogoFelpuda

E?...

A vereadora Luiza Ribeiro (PT) voltou a defender a instalação imediata de uma CPI na Câmara Municipal. Segundo ela, os recursos destinados à Sesau são consumidos integralmente, mas a população continua enfrentando falta de medicamentos, demora em exames, etc e tal...

Mais

Isso, sem contar o atendimento precário. A investigação pretende apurar suspeitas de desvio de R$ 156,8 milhões, dívidas de cerca de R$ 200 milhões com fornecedores, contratos sob questionamento e o descumprimento de decisões judiciais.

DiálogoJucimara Palieraqui / Arquivo Pessoal 

 

DiálogoDra. Rochelle Teixeira / Foto: Arquivo Pessoal 

Sinalizando

Tudo indica que o deputado federal Marcos Pollon estaria se preparando para desistir do projeto de ser indicado pelo seu partido, o PL, à disputa de uma das vagas ao Senado. O recuo de sua esposa Naiane Bittencourt da pré-candidatura à Câmara dos Deputados seria uma sinalização de que a vaga teria de ficar à disposição para futura acomodação do preterido na convenção da escolha do nome. Pollon, que teria apoio do ex-presidente Bolsonaro, aparece em situação não muito confortável nas pesquisas sérias de intenções de voto.

Cifras

A Assembleia Legislativa de MS começou a analisar a LDO de 2027, enviada pelo governo do Estado. A proposta projeta orçamento global de R$ 28,84 bilhões para o próximo exercício, alta de 6,06% em relação a este ano. Sem considerar a Previdência, a receita estimada é de R$ 25,17 bilhões. A arrecadação de impostos, taxas e contribuições deverá alcançar R$ 14,83 bilhões, crescimento de 7,37%. O texto servirá de base para a elaboração do orçamento estadual

Dívidas

No que se relaciona às despesas, Mato Grosso do Sul prevê gastar R$ 24,52 bilhões em 2027, dos quais R$ 12,27 bilhões serão destinados ao pagamento de pessoal e encargos. A proposta aponta deficit primário de R$ 124,9 milhões sem o RPPS, mas registra superavit de R$ 177,2 milhões quando a Previdência é incluída nas contas. Outro dado que chama atenção é a dívida consolidada do Estado, estimada em R$ 11,6 bilhões, avanço de 7,24% sobre o exercício anterior.

Aniversariantes 

Lilia Villela Pacheco Ilgenfritz
Juliano Tannus
Nádia Silva Bronze
Regis de Carvalho
Sumara Bonani Vilela Andrade
Ivone de Oliveira Moreira
Alexandre Cabral
Arize da Conceição Alves da Silva
Deacil de Oliveira Lopes
Eugênia Maria Yamasato
Ione Zadra Lamonato Machado
José Carlos Bueno
Ieda Garcia Oliveira Guimarães
Luiz Shigueharu Akamine
Marilza Ferreira de Sousa dos Santos
Dr. Sérgio Cação de Moraes
Marilda Zampieri Vieira
Ubirajara Ferreira
Sérgio Tatsuo Akieda
Maria de Lourdes Serejo
Dr. Erlon Carmona Gomes
Jucilene Barbosa Rui Dias
Pilar Velasquez
Alba Dias Jamal Mohamed
Alfredo Fernandes
Dina Figueiredo Mascarenhas
Juraci Lemes de Oliveira
Paulo de Tarso Pinheiro de Rezende
Antonio Marcos Minami
Rosa Maria da Silva
Dr. Vladimir Rossi Lourenço
Marcos Hans
João Batista Moreira Dourado
Maria Lúcia Calixto Massud
Jorge Batistoti
Lucimar Gonçalves Dantas
Merci dos Reis Ribeiro Lugo
Iracema Ramona Bueno
José David Rosa Gelman
Pedro Martins Filho
Mário Cassol Neto
Hércules Durval Ghizzi
Solange Neide Pereira
Dra. Jacira de Souza Weinmann
José André de Alcantara
Dr. Paulo Marcio Bacha
Maria de Lourdes Rodrigues
Raquel Dalto Sobradiel
Marilene Alvarenga
André Luiz Ferrari de Araújo
Maria Aparecida Furlan
Estella Dias Ribeiro e Silva
Juliana de Souza Macedo
Maria Cristina Abuhassan
Carlos da Costa Perez
Mário Flávio de Almeida
Elza Mendonça Arruda
Carolina Pereira Maciel
Dr. Guido Marks
Juliano Duarte Lins Barros
Paulo Carvalho Afonso
Júlio Cesar Martins Barros
Eder Benites de Mattos
Antônio Arruda Júnior
Maria Auxiliadora Corrêa de Lima
Luiz Eduardo Ferreira Coelho
Colmar Almeida e Silva
Augusto Novis de Figueiredo
Nelson Trad Neto
Jorge Cardoso Ramalho
Alexandre Radtke
Sebastião Inácio da Silva
Heitor Carneiro Gomes Rosani
Alexandre da Silva Mendes
Edgar José de Azevedo
Germíno Luiz da Silva
Manoel Barreto da Silva
Gustavo Nogueira Lyrio
Caroline Gomes Chaves Bobato
Eduardo Kanashiro
Marco Félix Daige
Naura Jafar
Aldevina Roque Valério
Juvenal Almeida
Milton Sanabria Pereira
Cezar de Souza Almeida
Antonio Carlos Zonatto
Inês Sampaio do Nascimento
Andreia Albertoni Nunes
Renato Oliveira Mendes
Euze Márcio Carvalho
Sara Mara Argerim
Catarina Barbosa Neves
Jarbas Monteiro
Oswaldo Luiz Benez Junior
Milton José de Oliveira
Kátia Maria Amaral Junqueira
Elenaldo de Lima
Gilvan Pereira Deiro
Alejandro César Rayo Werlang
Jurandir dos Santos Tosta
Cláudia Cristina Figueiredo Chrysostomo
Tháttyce Dezzyrre Castelão Almeida Pinto
Geraldo Pedro de Melo
Joana Mara Tavares Pereira
Riva de Araújo Manns
Evaristo Tolentino de Almeida Neto
Silvania Maria Schumaher
Emerson Cabanhas

Colaboração: Tatyane Gameiro.

 

história da dança

Acervo digital de Mato Grosso do Sul preserva legado de Sarah Abussafi Figueiró

Projeto conduzido pela neta Maria Fernanda Figueiró digitaliza mais de 33 horas de fitas VHS, além de documentos históricos, folders e registros administrativos que ajudam a contar a história da dança em Mato Grosso do Sul

04/06/2026 10h09

Sarah Abussafi Figueiró foi a primeira presidente da Associação Sul-Mato-Grossense dos Profissionais da Dança

Sarah Abussafi Figueiró foi a primeira presidente da Associação Sul-Mato-Grossense dos Profissionais da Dança Reprodução/Acervo pessoal

Continue Lendo...

Mais de duas décadas depois de a professora e produtora cultural Sarah Abussafi Figueiró doar ao Museu da Imagem e do Som (MIS) um conjunto de documentos que registram parte da construção da cena artística sul-mato-grossense, esse patrimônio volta a ganhar vida por meio de um projeto de digitalização idealizado por sua neta, a bailarina, pesquisadora e produtora cultural Maria Fernanda Figueiró.

A iniciativa, intitulada Acervo da Dança Sul-Mato-Grossense, foi contemplada pela Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (Pnab) e nasceu do desejo de preservar e democratizar o acesso a uma coleção documental que reúne décadas de trabalho, articulação e resistência de artistas que ajudaram a consolidar a dança como expressão cultural no Estado.

O projeto digitalizou documentos históricos, registros administrativos da Associação Sul-Mato-Grossense dos Profissionais da Dança (ASMPD), folders de espetáculos, programas de festivais e cerca de 33 horas de conteúdo audiovisual armazenado em fitas VHS. 

A descoberta

Em 2023, enquanto realizava pesquisas para a criação do espetáculo "Chafica", produzido pela Cia do Mato em homenagem à avó, Maria Fernanda encontrou uma antiga reportagem publicada em 2002 com a manchete "História da dança vai para o MIS". 

A notícia despertou a curiosidade da pesquisadora, que decidiu visitar o museu para conhecer o acervo. O encontro com os documentos transformou uma simples investigação artística em um compromisso pessoal com a preservação da memória. 

"Fiquei impressionada com a quantidade de registros, documentos e fitas VHS. Inclusive, consegui assistir a algumas dessas gravações no próprio MIS. Foi quando percebi a importância de contribuir para a digitalização desse patrimônio", explica Maria Fernanda.

Até aquele momento, ela desconhecia que Sarah havia doado todo aquele material à instituição. "Minha avó nunca chegou a comentar comigo sobre essa doação. Descobri esse gesto de cuidado por meio de uma reportagem de jornal. Foi ali que nasceu o desejo de digitalizar o acervo e ampliar o acesso público a esse patrimônio", relembra Maria Fernanda.

A urgência do projeto também está relacionada com as características físicas dos suportes originais. As fitas VHS, mesmo quando armazenadas em condições ideais, possuem vida útil estimada entre 20 e 30 anos. O mesmo ocorre com documentos em papel, que naturalmente sofrem desgaste ao longo do tempo.

"O objetivo foi evitar que esse material se perdesse, transferindo-o para o ambiente digital e ampliando suas possibilidades de preservação e acesso. Conhecer nossa história fortalece o sentimento de pertencimento e a relação com o território onde atuamos", afirma.

Reencontro

Durante a execução do projeto, uma coincidência carregada de simbolismo emocionou a idealizadora. Ao retirar as fitas VHS do MIS para a digitalização, Maria Fernanda assinou o termo de empréstimo do acervo em 7 de agosto de 2025.

O documento original de doação, assinado por Sarah Abussafi Figueiró, está datado de 6 de agosto de 2002. Uma diferença entre os dois registros de exatamente 23 anos e um dia.

"Foi emocionante perceber que, duas décadas depois, eu estava voltando à mesma instituição para dar continuidade ao gesto iniciado por ela: preservar e compartilhar a memória da dança sul-mato-grossense", conta.

Para Maria Fernanda, o mergulho nesse acervo também representou um reencontro com uma faceta da avó que ela ainda não conhecia.

"Quando assisti às entrevistas que ela concedeu para divulgar os festivais nos jornais da época, percebi uma mulher que existia para além da avó presente que marcou minha infância. Eu nunca havia visto minha avó jovem, trabalhando, atuando e defendendo aquilo em que acreditava. Isso deu um novo significado à nossa relação", afirma.

Ela conta que o processo de digitalização foi frequentemente interrompido pela emoção.

"Constantemente eu me sensibilizava diante do cuidado e da dedicação que ela teve ao preservar esse acervo. Os documentos estavam extremamente organizados, algo que também é fruto do trabalho realizado pelo MIS", destaca.

Pioneira

Filha de imigrantes libaneses que chegaram ao Brasil pelo porto de Corumbá, Sarah Abussafi Figueiró nasceu em Campo Grande e construiu uma trajetória marcada pela atuação em diversas frentes culturais.

Professora de artes, foi a primeira presidente da Associação Sul-Mato-Grossense dos Profissionais da Dança, primeira presidente da Associação Artística e Cultural de Mato Grosso do Sul, fundadora da Associação dos Pintores de Porcelana e presidente da Associação dos Artistas Plásticos de Mato Grosso do Sul.

Além de sua atuação na dança, Sarah também participou da fundação da Rede Feminina de Combate ao Câncer de Campo Grande e recebeu o título de Delegada da Associação Interamericana de Dança.

Entre suas maiores contribuições está a organização dos 13 primeiros Festivais Sul-Mato-Grossenses de Dança, realizados entre 1985 e 1998, período em que o Estado ainda buscava consolidar sua identidade cultural.

Sarah faleceu em 2019, aos 85 anos, deixando um legado que continua influenciando novas gerações de artistas.

"Antes de tudo, ela era minha avó. Gostava de contar histórias, ouvir música, conversar e compartilhar memórias. Ela me ensinou a importância da palavra, da história e da memória. Acho que essa foi a maior herança que me deixou", resume Maria Fernanda.

Festivais

Grande parte do acervo digitalizado está relacionada com os históricos Festivais Sul-Mato-Grossenses de Dança, organizados pela ASMPD durante 13 anos consecutivos.

Os eventos funcionavam como grandes espaços de intercâmbio artístico, reunindo academias, grupos e companhias de diferentes regiões do Brasil e oferecendo oficinas, cursos e workshops.

Os festivais receberam importantes companhias nacionais, como Cia. Cisne Negro, Ballet Stagium, Grupo Raça, Quasar Cia. de Dança, Ballet Paula Castro, Grupo Ginga e Nós da Dança.

A comissão julgadora também reunia nomes de destaque do cenário brasileiro, entre eles Beth Oliosi, Toshie Kobayashi, Roseli Rodrigues, Mariana Muniz, Tony Abott, Regina Sawer, Penha de Souza, Valéria Mattos e Lourdes Bastos.

Para Maria Fernanda, esses encontros desempenharam papel decisivo na formação dos artistas locais.

"As oficinas e workshops ampliavam a formação técnica e artística dos participantes. Esses festivais possibilitavam trocas de conhecimento e inseriam Mato Grosso do Sul em circuitos mais amplos de circulação e diálogo artístico", explica.

O acervo também revela a presença de personagens fundamentais para a história da dança sul-mato-grossense, como Chico Neller e a Ginga Cia de Dança, Neide Garrido e o Ballet Isadora Duncan, Maria Helena Pettengill e o grupo Embrujos da España, além de Suzana Leite e Sandramaria Gomes.

"Muitas dessas pessoas continuam atuando até hoje, formando novas gerações e mantendo vivo um legado que atravessa décadas", destaca.

Acervo digital

Como resultado do projeto, foi criada a plataforma digital www.sarahfigueiro.com.br (acesse CLICANDO AQUI), espaço dedicado à preservação e difusão desse patrimônio histórico.

Inicialmente, o site reúne o acervo doado ao MIS, disponibilizando vídeos originalmente armazenados em VHS, folders, documentos administrativos e diversos registros relacionados com a história da dança em Mato Grosso do Sul.

A expectativa, entretanto, é que a plataforma se transforme futuramente em um grande centro de memória da dança sul-mato-grossense, incorporando novos documentos e acervos.

"Neste momento, o projeto contempla exclusivamente o acervo da Associação Sul-Mato-Grossense dos Profissionais da Dança. Tenho a expectativa de que, no futuro, possamos digitalizar também o acervo pessoal que ela deixou, que reúne materiais relacionados não apenas à dança, mas também ao artesanato, às artes plásticas e a outras manifestações culturais", explica.

Para a pesquisadora, a preservação desse patrimônio ultrapassa a simples guarda de documentos.

"Sem memória, nossa atuação artística empobrece. Precisamos conhecer quem veio antes de nós, quem lutou para que hoje tivéssemos mais espaços e possibilidades. A dança que fazemos hoje também é resultado dessas histórias", afirma Maria Fernanda.

Ela acredita que o acervo pode estimular novas pesquisas e fortalecer o sentimento de pertencimento cultural.
"Esses documentos são fontes para que possamos acessar o passado e produzir novas reflexões e conexões com as gerações presentes e futuras",  defende.

 

Assine o Correio do Estado

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).