Correio B

Trajetória de sucesso

Pioneiro no fotojornalismo, Roberto Higa viu Mato Grosso do Sul nascer

Fotojornalista está em cuidados paliativos, após um câncer na garganta; cercado pela família e por um dos maiores acervos fotográficos do Estado, ele fala sobre a profissão, o legado e a serenidade com que encara o fim da vida

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Há milhares de fotografias espalhadas pela casa de Roberto Higa. Negativos cuidadosamente organizados por data e assunto ocupam gavetas, armários e caixas. Troféus dividem espaço com câmeras antigas. Nas paredes, décadas de reconhecimento lembram uma carreira que atravessou toda a história de Mato Grosso do Sul.

Mas, sentado em uma cadeira na sala onde reuniu as homenagens que recebeu ao longo de seus 74 anos de vida, o homem que registrou alguns dos momentos mais importantes do Estado fala pouco sobre prêmios. A voz, enfraquecida pelo câncer na garganta, exige pausas constantes e goles de água. Cada frase é medida.

Em cuidados paliativos, Higa tomou uma decisão que resume a forma como encara este momento.

“Eu pedi esse tratamento paliativo. Todos os médicos concordaram. Tiraram meus remédios. Hoje eu tomo só remédio para a dor. O resto tirei tudo. Chega”, conta Higa, já cansado de viver limitado pela doença. 

Não há revolta em sua fala. Tampouco resignação amarga. Existe, sobretudo, a consciência de quem acredita ter vivido intensamente.

“Eu já fiz tudo. Tudo o que você imagina que tenha acontecido neste Estado, eu vi. Participei da vida de Campo Grande e de Mato Grosso do Sul. Para quê continuar?”, indaga o fotógrafo, rodeado por prêmios e congratulações que, segundo ele, nada mais são do que a consequência de um trabalho bem-feito.

Ao lado dele está Sandra, companheira de cinco décadas, a quem Higa se dirige o tempo todo como “paixão”. É ela quem completa as frases quando a voz do marido falha, organiza o acervo, cuida da rotina e ajuda a preservar uma das maiores coleções fotográficas da história sul-mato-grossense.

Casados há 50 anos, Roberto e Sandra dividem os últimos momentos do fotógrafo com leveza, paixão e a proximidade da famíliaCasados há 50 anos, Roberto e Sandra dividem os últimos momentos do fotógrafo com leveza, paixão e a proximidade da família
Foto: Gerson Oliveira / Correio do Estado

Sem produzir saliva, Higa precisa interromper a conversa constantemente para beber água. A alimentação é difícil. A dor é controlada com morfina administrada diariamente.

“Não é medo de morrer”, explica. “É que chega uma hora em que você pensa no sofrimento da família. Eu fui uma pessoa muito ativa. Hoje tudo depende dos outros. Para mim, chega”, afirma.

Mesmo assim, o humor permanece. Enquanto relembra histórias do jornalismo, brinca sobre a profissão, conta episódios de carnaval, ri das próprias lembranças e, ao perceber uma câmera apontada para ele, segura uma máquina fotográfica como fez durante toda a vida.

Ainda que já não tenha a mesma força na mão e a agilidade nos dedos, a fotografia continua sendo sua forma mais natural de existir.

VIU MS NASCER

Muito antes da popularização das câmeras digitais ou dos celulares, Roberto Higa já percorria ruas, estradas, gabinetes, aldeias indígenas, festas populares, inaugurações e acontecimentos políticos com uma câmera pendurada no pescoço.

Sua história começou em 1969, no extinto Diário da Serra. Entrou para o jornal em serviços gerais, mas a curiosidade falou mais alto. Foi ali que conheceu o fotógrafo Danton Garro, considerado o seu mestre.

Em troca das primeiras aulas de fotografia, Higa ajudava a cuidar dos filhos do professor depois da escola. A parceria mudaria a sua vida.

Poucos anos depois, já era um dos principais repórteres fotográficos de Campo Grande.

Em 1973, foi contratado pela Editora Abril, em São Paulo, oportunidade rara para um fotógrafo do então Mato Grosso. A saudade da família, entretanto, falou mais alto. Dois anos depois retornou a Campo Grande, trabalhou no Jornal da Manhã e, posteriormente, criou sua agência de fotojornalismo.

Ao longo das décadas, fotografou praticamente todos os acontecimentos relevantes do Estado.

Registrou a criação de Mato Grosso do Sul, a inauguração de prédios históricos, visitas presidenciais, acontecimentos políticos, manifestações culturais, o cotidiano da população, povos indígenas, transformações urbanas e personagens que ajudaram a construir a identidade sul-mato-grossense.

“Eu fotografava sabendo que estava fazendo parte da história”, relata.

Essa consciência sempre orientou seu trabalho.

Entre as lembranças mais curiosas está a inauguração da segunda escada das Lojas Pernambucanas no Brasil, instalada em Campo Grande. O sucesso da novidade era tamanho que as pessoas ficavam subindo e descendo apenas pela diversão.

“Tiveram que fechar um lado, porque o povo não queria sair da escada”, relembra.

PRIMÓRDIOS DA FOTOGRAFIA

Quando Higa começou, ser fotógrafo exigia muito mais do que apertar um botão. Era preciso dominar equipamentos pesados, revelar filmes, improvisar laboratórios e trabalhar cercado por produtos químicos.

“O fotógrafo precisava ter visão e reflexo. Sem isso, tinha que se aposentar”, conta o fotógrafo sobre os tempos da fotografia analógica.

Os laboratórios improvisados funcionavam muitas vezes em banheiros. Ali eram utilizados compostos como hidroquinona, sulfito, bórax, fosfato de sódio e ácido acético.

Em uma dessas ocasiões, Higa sofreu uma grave intoxicação. Respirou ácido acético durante horas sem perceber. O corpo começou a inchar rapidamente e ele precisou ser internado. Mesmo assim, voltou ao trabalho.

Hoje observa a evolução tecnológica sem nostalgia exagerada e reconhece que os celulares democratizaram a fotografia. “Hoje todo mundo fotografa. E a tecnologia ficou tão boa que a foto fica boa mesmo”, admite.

Ainda assim, acredita que nenhuma tecnologia substitui o olhar. Durante décadas, foi justamente esse olhar que tornou seu trabalho reconhecido dentro e fora do Brasil.

Suas imagens de lideranças indígenas, especialmente do líder guarani Marçal de Souza, circularam internacionalmente e integraram exposições dedicadas à luta dos povos originários.

ARQUIVO INTACTO

Enquanto muitos fotógrafos perderam ou descartaram seus negativos ao longo do tempo, Higa fez o contrário. Guardou praticamente tudo. O resultado é um acervo gigantesco.

São mais de 10 mil envelopes catalogados, cada um contendo dezenas ou até centenas de negativos. Além disso, há milhares de slides, álbuns, ampliações, cartões-postais produzidos por ele e documentos históricos.

Sandra, responsável por cuidar e catalogar cada uma das imagens, calcula que um único envelope pode reunir entre 200 e 300 negativos.

A organização continua sendo feita manualmente. Ela passa dias inteiros digitalizando imagem por imagem.

Os slides precisam ser retirados das caixas, limpos individualmente, secos e armazenados novamente. “Eu sei que não vou conseguir terminar esse trabalho”, admite ela, dada a imensidão do acervo.

A preocupação do casal, porém, vai além do volume. Ao longo dos anos, diferentes instituições públicas demonstraram interesse em receber o acervo.

O problema, segundo eles, é que quase sempre a proposta era uma doação. “Ninguém quer ajudar a preservar. Querem que a gente doe”, conta Sandra, já decepcionada com experiências dolorosas.

Em determinada ocasião, Higa doou quadros para uma universidade. Quando voltou ao local algum tempo depois, encontrou as obras jogadas no chão, servindo de apoio para evitar a umidade de cartazes. A cena jamais foi esquecida.

“Agora não sai daqui uma foto sem pagar. Se usar sem autorização, responde judicialmente”, pontua Sandra, que tenta proteger o trabalho do marido.

Esse cuidado ocorre porque o uso indevido de imagens se tornou frequente. Segundo Sandra, fotografias históricas aparecem constantemente em publicações sem qualquer autorização ou remuneração.

O RECONHECIMENTO QUE FALTA

Ao longo da carreira, Roberto Higa recebeu homenagens da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul, da Câmara Municipal de Campo Grande, do governo do Estado e de diversas entidades. Sua sala reúne décadas de placas, medalhas e troféus.

“Foi tudo o que a fotografia me deu”, declara.

Apesar disso, a família acredita que o reconhecimento institucional nunca correspondeu à importância de seu trabalho.

Sandra lembra um episódio que ainda causa indignação. Em um edital voltado para artistas com mais de 60 anos, promovido pela Fundação Municipal de Cultura, Higa não foi selecionado.

“Todo mundo diz que ele é patrimônio da cidade. Mas, quando precisa reconhecer de verdade, deixam de fora”, relata revoltada a esposa.

A preocupação maior, entretanto, está no futuro. Os filhos já deixaram claro que pretendem proteger o acervo. Sabem que, após a sua morte, muitas instituições poderão demonstrar interesse. Mas acreditam que qualquer iniciativa precisa garantir preservação adequada, respeito à autoria e reconhecimento pelo trabalho de uma vida inteira.

DIÁLOGO

Parece que a audiência pública sobre os "fios soltos" promete não deixar... Leia na coluna de hoje

Leia a Coluna Diálogo desta segunda-feira (29)

29/06/2026 00h01

Coluna Diálogo

Coluna Diálogo

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Antoine de Saint-Exupéry - escritor francês

"Na vida, não existem soluções. existem forças em marcha: é preciso criá-las e, então, a elas seguem-se as soluções"

FELPUDA

Parece que a audiência pública sobre os “fios soltos” promete não deixar nenhuma ponta solta na organização. Além do plenário reservado para o dia 1º de julho, também foi solicitado à Mesa Diretora da Assembleia de MS cerimonial, sala médica, copa, segurança, sonoplastia, taquigrafia, informática, multimídia, banners, convites e cobertura completa de TV e rádio estatais, entre outros apoios. Faltou pouco para incluir um tapete vermelho na entrada. Em ano eleitoral, até discussão sobre fios ganha produção de evento e aquela “energia”.

Coluna Diálogo

Cobrança

A Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados aprovou proposta que permite usar recursos do FGTS de agressores para indenizar vítimas de violência doméstica. Depois de esgotados todos os recursos, a conta pode chegar ao Fundo de Garantia do condenado.

Mais

Se aprovado em definitivo, o projeto acrescentará uma nova modalidade de saque. E esta é a tal que ninguém, evidentemente, vai querer solicitar. Para virar lei, o projeto precisa ser aprovado pela Câmara e pelo Senado.

Coluna DiálogoSilvana e Lucimar Couto. Foto: Arquivo Pessoal
Coluna DiálogoDra Iara Resende. Foto: Arquivo Pessoal

Terceirizando

Há quem diga, com fina ironia, que a Prefeitura de Campo Grande encontrou no Ministério Público seu mais eficiente serviço de diagnóstico. A cada semana um novo inquérito revela falhas, sobretudo na saúde pública. Se continuar nesse ritmo, bastará acompanhar as investigações para conhecer os problemas da administração. Nesse cenário, a Câmara Municipal corre o risco de exercer apenas papel decorativo, enquanto outros fiscalizam.

Confetes

O pré-candidato ao governo pelo PT, Fábio Trad, esbanjou entusiasmo ao descrever o presidente Lula. Foram tantos elogios que, por pouco, não sugeriu a abertura de um processo de canonização. O retrato exibiu apenas virtudes e conquistas, deixando discretamente de lado capítulos como “mensalão”, escândalos na Petrobras e a conhecida vocação arrecadatória dos governos petistas. Na política, como na arte, toda obra depende do enquadramento.

Mesmice

A passagem do presidente Lula por Mato Grosso do Sul foi rápida, quase como uma estrela cadente. Visitou municípios, distribuiu indiretas aos adversários, repetiu críticas e voltou a comparar o Brasil a um galinheiro, mas onde ninguém pode cantar de galo, uma referência indireta ao presidente dos EUA, Donald Trump. O problema não foi a metáfora, mas a falta de novidade. O discurso parecia guardado na estante há alguns mandatos, apenas retirado do armário para mais uma viagem oficial. 

ANIVERSARIANTES

  •  ELENIR PULCENA DO AMARAL JÚNIOR,
  • NELLY BRAGA DE SOUZA,
  • ANDRÉ FURQUIM,
  • PATRÍCIA MARA DA SILVA,
  • PAULO ROBERTO BARROS DA COSTA,
  • EDVAL PEREIRA DA SILVA,
  • PEDRO RAMIREZ ROCHA DA SILVA,
  • MALXIMO DE OLIVEIRA,
  • DR. PEDRO RUBENS PREVATTO,
  • JOSÉ LUIZ MEDALHA,
  • FLÁVIO MENDONÇA DE BRITTO,
  • PEDRO VALTERMAR D’ABADIA,
  • JOSÉ PEDRO MARTINÊS POMPEU DE CAMARGO,
  • PAULO RODRIGUES DE OLIVEIRA,
  • GABRIEL PINEIS,
  • CRISTIANA FIGUEIREDO,
  • ERIK LOPES GOMES,
  • MICHELLE ROSSI,
  • PEDRO DORISMAR REZENDE MARQUES,
  • EVA XIMENES,
  • APARECIDA PEDRA DE CAMPOS CACHO,
  • PEDRO RONNY ARGERIN,
  • PAULO HENRIQUE PACHE ANACHE,
  • GUILHERME DE CASTRO BARBOSA NETO,
  • PEDRO HENRIQUE TADEU COX,
  • GILDA MARIA BUAINAIN DE PAULA,
  • PEDRO SEBASTIÃO CASTRO MIZIARA,
  • JAIR FERREIRA DA SILVA,
  • HÉLIO CABRAL CAPRIATA,
  • IVANIR LUZE DE CASTRO,
  • FRANCISCO EDUARDO PEREIRA,
  • ELIAS CARVALHO DE ALMEIDA,
  • HÉLIO FIGUEIREDO GIUGNI DE OLIVEIRA,
  • SIDNÉIA APARECIDA COSTA REZENDE,
  • PEDRO CÂNDIDO DA SILVA,
  • GIGLIOLA CRISTINA DE ARAÚJO MARTINS,
  • ERIKA NARLA LEITE BRITEZ,
  • VIRGINIA ELIZA LEITE D’ÁVILLA,
  • ANTÔNIO PEREIRA VIRAÇÃO,
  • EVANA GONÇALVES SILVA,
  • ILZA SALDANHA MACHADO,
  • BIAN ROBERTO NANTES ARAUJO,
  • MYLENE DUAILIBI,
  • PEDRO CARRILHO DE ARANTES,
  • PIERINA GRACIOLLI,
  • IZAIAS GOMES FERRO JUNIOR,
  • MICHELLY BRUNING YAMADA,
  • PEDRO ANDRÉ SCAFF RAFFI,
  • MÁRIO BATISTA,
  • PEDRO CORREIA RODRIGUES,
  • ANA BEATRIZ SILVA,
  • MARIA LÍVIA MARIANI,
  • GLEIDE PEREIRA,
  • SANDRA MARA SODRÉ SUAREZ,
  • LÚCIO FONTES,
  • PEDRO VITOR MARTINS DA SILVA,
  • ANTÔNIO ORLANDINO GURGEL DO AMARAL,
  • PEDROSINA REZENDE DE OLIVEIRA,
  • ANTÔNIO SATURNINO FILHO,
  • AMILCAR VALLE,
  • PEDRO PAULO MARCOR,
  • PAULO ALBERTO CASTELLO BRANCO JÚNIOR,
  • ROSA EUGÊNIA FIGUEIREDO COSTA,
  • PEDRO ARLEI CARAVINA,
  • MILTO EIICHI YAMASAKI,
  • PEDRO DANIEL ANUNCIAÇÃO,
  • CELSO FONTOURA CORRÊA,
  • HELOISA HELENA DA CUNHA PIMENTEL,
  • JORGE FREIRE DO AMARAL,
  • LUIZ ALBERTO TEIXEIRA,
  • HUGO DE CARVALHO,
  • MARIA EMÍLIA AZEVEDO,
  • FERNANDO AUGUSTO ALVES,
  • PRICILLA DE CASSIA MARECO,
  • LUIZ HENRIQUE FLORES,
  • ROSELI NEIARA CESAR DE QUEIROZ,
  • FERNANDA DA COSTA NOGUEIRA LYRIO,
  • ANA CARLA MONTEIRO PAIVA,
  • DIRLEI HORN,
  • VERA ISMÊNIA BARBOSA LANZARINI,
  • MILENE SADDI CHAVES,
  • VERA LÚCIA PEREIRA DE ALMEIDA,
  • THAÍS CARRARA DE PAULA,
  • NÁDIA CAMPOS SILVA,
  • ALEXANDRE SANTOS ARGUELLO,
  • PEDRO MENDES COUTO,
  • VALTER ALMEIDA DA SILVA,
  • PAULO ROBERTO DE SOUZA,
  • JÚLIA MARIA DE OLIVEIRA,
  • PEDRO GALVÃO PRATA TEODORO,
  • CARLOS EDUARDO COELHO SEREJO,
  • GUSTAVO MAROSO GESSI,
  • ANA CARLA PEREIRA DA SILVA,
  • PEDRO SORTICA JACQUES,
  • ABÍLIO CARLOS MAZINI,
  • RAQUEL RAYSARO,
  • HELDER BARUFFI,
  • MAYARA ABDALLAH FERNANDES,
  • IARA SILVIA VIEIRA CASTOLDI,
  • MARIA MADALENA DOS SANTOS DUCK,
  • GERONIMO WERHOISER AMORIM,
  • PAULO ALBERTO MITTELSTAEDT,
  • LILIAN MISQUIATTI STRUCHEL,
  • ELAINE OSHIRO,
  • RODRIGO FUNARI,
  • PABLO FERNANDO ROMERO LOPEZ,
  • DIEGO ABUD,
  • CLÉLIA CRISTIANY SOLDERA BONFIM DA LIMA

COLABOROU TATYANE GAMEIRO 

Capa da semana - Especial 5 anos Correio B+

Entrevista exclusiva com o cantor, ator e músico Gabriel Sater

"Sinto esse trabalho como uma homenagem aos meus 25 anos de dedicação à música, uma forma de agradecer tudo que vivi, todos os profissionais que trabalhei, parceiros que muito me ensinaram e também o início de um novo ciclo repleto de novidades e sonhos"

28/06/2026 15h30

Entrevista exclusiva com o cantor, ator e músico Gabriel Sater

Entrevista exclusiva com o cantor, ator e músico Gabriel Sater Foto: Pedro Pinheiro

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Cantor, compositor, instrumentista, produtor musical e ator, Gabriel Sater herdou não só o sobrenome, mas o talento musical e carisma do pai. O premiado artista, com 25 anos de carreira, lançou 06 CDS, 01 DVD e ganhou 12 prêmios musicais, incluindo o Prêmio da Música Brasileira na categoria de Melhor Intérprete Canção Popular em 2024. Foi indicado ao Grammy Latino em 2023 e em 2024 com seus álbuns "ERVA DOCE" e "FARÓIS DO SERTÃO".

Na dramaturgia, ganhou o prêmio “Scruffy City Film & Music” em 2018 pela sua atuação como protagonista no filme “Coração de Cowboy”. Atuou no remake da novela “Pantanal” em 2022 como violeiro " Xeréu Trindade", papel que foi de seu pai na versão original da novela, enquanto Almir interpretava o chalaneiro Eugênio.

Os dois artistas, pai e filho, tiveram cenas juntos na novela, incluindo um famoso duelo de violas. Ainda, em 2025, participaram juntos no projeto do remake de "Renascer", também da Rede Globo, em que interpretavam o mesmo personagem - o libanês "Rashid" - em momentos diferentes, Gabriel na primeira fase e Almir na segunda fase. 

Muita viola, história e talento. No dia 10 de maio, o cantor, compositor, instrumentista, produtor musical e ator Gabriel Sater lança seu mais novo álbum: “25 ANOS DE MÚSICA”. O disco marca um momento emblemático na trajetória do artista, que celebra duas décadas e meia dedicadas à música, destacando não apenas sua evolução artística, mas também novas influências, encontros e histórias que construíram seu caminho ao longo dos anos.

Neste novo trabalho o público poderá desfrutar de oito faixas autorais e dois clássicos de outros compositores. Das dez faixas, duas são instrumentais. Nesta sexta-feira (08/05), já aquecendo os ouvidos e alma para este novo disco, será lançado o clipe da faixa “Me Ajuda”, com participação de Ivan Lins.

Entrevista exclusiva com o cantor, ator e músico Gabriel SaterGabriel Sater e Ivan Lins - Divulgação

“Sinto esse trabalho como uma homenagem aos meus 25 anos de dedicação à música, uma forma de agradecer tudo que vivi, todos os profissionais que trabalhei, parceiros que muito me ensinaram e também o início de um novo ciclo repleto de novidades e sonhos a serem realizados nos próximos 25 anos. Rumo aos 50 anos de música!", diz Gabriel.

Além de releituras e referências de sua trajetória, as faixas inéditas já apontam para uma nova fase em sua carreira, revelando novos caminhos e sonoridades. Mais do que uma retrospectiva, o projeto se apresenta como um registro de gratidão e, ao mesmo tempo, como o início de um novo ciclo.

“Sou apaixonado por aprender, estudar e evoluir todos os dias. A cada álbum me sinto mais maduro para cantar, tocar, compor, arranjar e produzir. O processo de gravação de cada álbum é único, desafiador e muito enriquecedor. Ao lado de João Gaspar, escolhemos um repertório com composições inéditas que apresentam novas cores, influências e estilos musicais que trabalhamos nos últimos anos, além de convidarmos novos artistas para participações especiais. Também selecionamos algumas composições lançadas há mais de uma década, que fizeram muito sentido serem revisitadas, arranjadas e produzidas neste momento.”, destaca o músico.

A escolha do repertório está alinhada com o perfil do novo projeto: composições com estilos e ritmos que mostram a versatilidade musical desenvolvida por Gabriel ao longo destes anos. “25 ANOS DE MÚSICA” chega como um prelúdio hipnotizante e autêntico, já dando um gostinho aos fãs do artista sobre o que esperar deste novo ciclo musical. 

Além da turnê “Pai e Filho”, que segue rodando o Brasil, em breve o artista também dará início a turnê do novo disco.

Nosso querido Gabriel Sater fecha o nosso mês de celebração de 5 anos do Correio B+ com uma entrevista exclusiva e cheia de novidades e lançamentos desse músico, cantor e compositor que representa o no nosso estado no Brasil e no mundo com o seu talento. 

Entrevista exclusiva com o cantor, ator e músico Gabriel SaterO músico Gabriel Sater é a Capa exclusiva da edição de aniversário de 5 anos do Correio B+ desta semana - Foto: Pedro Pinheiro - Diagramação: Denis Felipe - Por: Flávia Viana

CE - Você transita com naturalidade entre a música e a atuação. Como essas duas artes se complementam e influenciaram na sua trajetória?
GS - 
As duas artes se alimentam uma da outra. Quando estou em um set, a sensibilidade musical me ajuda a sentir o tempo da cena, a cadência da fala, as mixagens de emoções. Quando eu estou compondo, busco a verdade daquele sentimento, assim como um ator em cena.

Outra integração interessante é que durante a preparação para o remake da novela Pantanal, eu aproveitei toda energia e atmosfera do universo que eu estava vivenciando para gravar um álbum com essa vibração, assim nasceu o álbum “Erva Doce”. Do repertório do álbum devo ter apresentado 07 músicas em cenas da novela “Pantanal”, além da versão de “Amor de Índio” que foi escolhida pela direção como trilha oficial de um dos casais mais importantes do folhetim (casal Juma e Jove).

CE - Sendo filho de Almir Sater, como foi construir sua própria identidade artística mantendo o respeito por esse legado tão importante?
GS -
 Em meados do ano 2000 tive uma conversa olho no olho com meu pai pois tinha certeza queria estudar música profissionalmente e seguir meu sonho de carreira musical. Naquele momento meu pai me apoiou, falou para eu não perdesse tempo e que focasse intensamente nos estudos.

Lembro claramente quando ele pediu para que eu sempre buscasse minha verdade artística e minhas emoções genuínas, independentemente das pressões do mercado e da indústria musical que viriam algum dia. Sigo e seguirei honrando seus conselhos e legado musical ilibado com muito respeito e orgulho.

CE - Qual foi o papel ou personagem que mais marcou sua carreira até hoje e por quê?
GS -
 Todos os personagens foram muito importantes e me trouxeram experiências singulares em momentos pontuais da carreira. O personagem que eu mais quis viver, mais do que todos (sem desmerecer os outros), foi o personagem Xeréu Trindade (no remake de Pantanal).

Os motivos são muitos: a riqueza de elementos para construção do personagem, a conexão dele com Pantanal (bioma que convivo desde criança), a oportunidade de trabalhar com um elenco e diretores fantásticos, o desafio do virtuosismo na viola de 10 cordas. Mesmo tendo aprendido viola em 2014 para a novela “Meu Pedacinho de Chão”, ainda não tinha me dedicado para a viola instrumental como o personagem do Xeréu precisaria.

Vale lembrar que no remake, o autor Bruno Luperi escreveu um duelo de violas entre Xeréu e Eugênio (personagem vivido pelo meu pai Almir Sater). Então, duelar com um dos maiores da violeiros da história, impulsionou como nunca o estudo desse instrumento mágico, que agora levarei para sempre comigo, nos shows, álbuns e gravações.

A novela “Pantanal” original, é uma das minhas novelas prediletas desde criança e, ter participado desse remake, foi um dos maiores sonhos realizados da minha vida.

CE - Entre os palcos e os sets de gravação, onde você se sente mais desafiado artisticamente?
GS -
Parando para analisar os projetos em que trabalhei na minha carreira, vejo que cada um deles me desafiou de maneira única e complexa. Sem exagero, todos são desafios que me empolgam e motivam a ser cada vez melhor.

Busco a evolução diária, em prol da excelência artística, através de muita dedicação e estudo. Cada trabalho traz experiências únicas e extremamente desafiadoras, seja gravar um primeiro CD totalmente instrumental ou estrear na dramaturgia sendo dirigido pelo genial Luiz Fernando Carvalho e ter a honra de trabalhar em cena com o mestre Antônio Fagundes.

CE - Conta pra gente sobre o seu novo álbum...
GS -
 “25 Anos de Música” é meu sétimo álbum e foi idealizado para o homenagear meus 25 anos de caminhada musical profissional. No repertório, eu trouxe músicas autorais inéditas e regravações de canções de diferentes fases da minha carreira, além de dois clássicos de outros autores (“De Papo Pro Ar” e “La Cumparsita”) que estavam com arranjos prontos para serem gravar a mais de 10 anos.

O álbum conta com 08 canções e 02 temas instrumentais e foi produzido e arranjado ao lado do multipremiado artista e produtor João Gaspar e também com as contribuições de alguns outros parceiros.

As participações especiais no CD são de Ivan Lins, Jackson Antunes, Eric Silver, Negão dos Santos, Orquestra Sinfônica da UFMT e meu irmão Ian Sater. Agradeço imensamente todos que participaram desse álbum, entre músicos, engenheiros de áudios, arranjadores, produtores e designers.

Entrevista exclusiva com o cantor, ator e músico Gabriel SaterO músico Gabriel Sater é a Capa exclusiva da edição de aniversário de 5 anos do Correio B+ desta semana - Foto: Pedro Pinheiro - Diagramação: Denis Felipe - Por: Flávia Viana

CE - E a participação do querido Ivan Lins?
GS - 
Umas das maiores alegrias da minha vida e carreira foi a participação do mestre Ivan Lins na inédita “Me Ajuda” (parceria com Luiz Carlos Sá e João Gaspar). Sempre fui muito fã dele e fiquei mais admirado ainda depois de conhecê-lo.

Além de topar gravar sua voz na música, ele foi supergeneroso em permitir a gravação do clipe oficial em estúdio, pelo olhar do diretor Dani Cavalcanti (meu grande e talentoso amigo e parceiro de composição).

Se não fosse a generosidade do Ivan, esse clipe não teria acontecido. Agradecimento especial a João Lins e Kelly Faé, por todo apoio na produção e na realização desse sonho.

CE - E o projeto com seu pai. Como surgiu a ideia e como estão os shows?
GS -
 Fizemos um evento único, um show especial de dias do pais, em agosto de 2024, na Vibra em São Paulo. O produtor e manager Mac Chriesler, (da Groove Live BR), viu o cartaz do show e se interessou em fazer uma turnê desse show. Fizemos alguns shows no final de 2025 que foram inesquecíveis e voltamos com várias novidades para os shows agora em 2026.

Nunca imaginei que faria uma turnê com meu pai, estou imensamente realizado em poder ter essa experiência musical com minha inspiração primária nas artes. Sigo aproveitando cada momento no palco, assim como a oportunidade trabalhar com a excelente equipe da Groove.

CE - Gabriel, você foi Capa do Correio B+ várias vezes, participou de lives, e é um artista totalmente participativo com o B+ nesses 5 anos. Como é pra você? Deixa uma mensagem de aniversário pra gente?
GS -
Minha relação com o Correio B+ começou graças a grande jornalista que é a Flávia Viana, uma profissional super dedicada, diferenciada na sua busca por conhecimento, pautas e personalidades para o Correio B+. Fico muito feliz com o carinho que o jornal e a coluna têm comigo, com meus projetos artísticos e naturalmente uma amizade foi criada, o que me faz sempre querer voltar e conversar com Flávia e o Correio B+. Desejo vida longa e que celebremos 10, 20 e 30 anos juntos.

CE - Qual o seu instrumento preferido e porquê?
GS - 
Confesso que não tenho um instrumento preferido. Toco violão por hobby desde meus 15 anos. No início do ano 2000 (com 18 pra 19 anos) iniciei minha caminhada profissional e intensifiquei meus estudos no violão de nylon com Cristiano Kotlinski (violonista virtuose de formação clássica e popular).

A viola de 10 cordas (a viola caipira) só entrou na minha vida em novembro de 2013 (prestes a completar 32 anos), por conta do convite do diretor Luis Fernando Carvalho para viver o personagem Viramundo

 na novela “Meu Pedacinho de Chão” na Rede Globo. O fato é que hoje eu amo os instrumentos com a mesma intensidade, e o que dita qual instrumento vou usar, é a própria música a ser gravada ou apresentada em um show.

CE - E como está a agenda do Gabriel até o fim desse ano?
GS -
 A agenda está superintensa. Acabei de lançar o novo álbum “25 Anos de Música” em 10 de maio de 2026, e em seguida já iniciamos a produção dos novos videoclipes desse álbum. Já produzimos e lançamos o clipe de “Me Ajuda” (com a participação do mestre Ivan Lins) e da instrumental “Marruá” (um dos clipes mais pedidos pelo público).

Vou aproveitar e dar um spoiler: semana passada gravamos em Nazaré Paulista/SP o próximo clipe da canção autoral “Brisa de Outono”, com a participação especial de Eric Silver e lançamento previsto para julho/2026. Seguiremos produzimos mais clipes desse álbum, assim como outros projetos audiovisuais no meu canal do Youtube.

A turnê “Pai e Filho” segue com shows pelo país, assim como minha turnê “Noites Pantaneiras”, que completará 109 shows realizados, no show que farei agora em julho no Festival de Inverno na Chapada dos Guimarães.

A gravação do álbum com o indomável maestro João Carlos Martins e sua Orquestra Bachiana está sendo retomado e com lançamento para 2027. Outra novidade boa é que estrearemos o novo show “25 Anos de Música” (em 29 de agosto em Sorocaba) com a participação especial do Quarteto de Cordas do Aramis Rocha. E acompanhem ainda mais novidade que estão por vir, no meu Instagram, Youtube e Tik Tok.

Entrevista exclusiva com o cantor, ator e músico Gabriel SaterGabriel e Almir Sater - Divulgação

 

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