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Saúde

Presidente da Associação Brasileira de Nutrologia alerta para uso de canetas emagrecedoras

Dr. Durval Ribas-Filho, presidente da Associação Brasileira de Nutrologia, afirma que agonistas incretínicos representam avanço no tratamento da obesidade, mas alerta para riscos do uso sem acompanhamento e defende que a doença seja tratada como condição

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As chamadas canetas emagrecedoras se tornaram um dos assuntos mais presentes nas conversas sobre perda de peso. Medicamentos à base de agonistas incretínicos, desenvolvidos inicialmente para o tratamento do diabetes, passaram a ser utilizados também contra a obesidade, depois que pesquisadores observaram a capacidade dessas substâncias de reduzir o peso corporal. 

O avanço, considerado uma revolução na terapia antiobesidade pelo presidente da Associação Brasileira de Nutrologia (Abran), Dr. Durval Ribas-Filho, especialista em Nutrologia, Clínica Médica e Endocrinologia, veio, no entanto, acompanhado da banalização do uso.

Durante o Congresso Brasileiro de Nutrologia 2026 (CBN), realizado de sexta-feira a domingo, o médico afirmou que a popularização desses medicamentos precisa ser acompanhada de informação e monitoramento.

Para ele, o problema não está na existência dos medicamentos, mas na transformação de uma terapia médica em uma solução rápida para quem pretende perder poucos quilos.

“Os agonistas incretínicos não deixam de ser uma revolução na terapia antiobesidade. É uma descoberta maravilhosa”, afirmou. Segundo Ribas-Filho, a mesma velocidade com que as substâncias ganharam espaço no mercado também contribuiu para que fossem utilizadas fora do contexto para o qual foram desenvolvidas.

O especialista compara o fenômeno ao que ocorreu com o minoxidil, originalmente sintetizado para o tratamento da hipertensão arterial e que posteriormente passou a ser utilizado principalmente contra a queda de cabelo.

No caso dos agonistas incretínicos, a descoberta do efeito sobre o peso abriu caminho para uma nova geração de medicamentos contra a obesidade.

A origem dessas substâncias, explica o médico, é anterior às atuais canetas. Em 1932, o médico belga Jean La Barre identificou os hormônios produzidos pelo intestino e utilizou o termo incretinas.

Décadas depois, técnicas de DNA recombinante permitiram modificar a duração da ação dessas moléculas no organismo.

O GLP-1 natural, por exemplo, apresenta ação muito curta. A partir do desenvolvimento farmacológico, surgiram moléculas com duração muito maior.

A liraglutida passou a ter ação de cerca de 13 horas, enquanto a semaglutida e a tirzepatida apresentaram ação prolongada. Dessa forma, medicamentos passaram a reproduzir mecanismos hormonais relacionados à fome e à saciedade por períodos muito maiores.

A banalização

Para Ribas-Filho, a popularização dos medicamentos revela também uma dificuldade histórica de tratar a obesidade como uma doença. O médico afirma que, durante décadas, a condição foi encarada predominantemente como uma questão estética ou como consequência de escolhas individuais.

Ele utiliza uma situação cotidiana para ilustrar a diferença de percepção. Em uma festa, segundo o especialista, uma criança com diabetes tipo 1 costuma receber imediatamente a proteção dos adultos em relação ao consumo de açúcar. Já uma criança em tratamento contra a obesidade pode ouvir que “só hoje” não há problema em comer bolo ou tomar refrigerante.

“A obesidade nunca foi considerada uma doença, e sim um problema estético”, disse.

Na avaliação do médico, essa percepção ajuda a explicar por que o uso de medicamentos para emagrecimento acaba sendo banalizado. Ele relata que, ao longo de sua experiência clínica, já atendeu cerca de 55 mil pacientes impactados pela obesidade e ouviu repetidamente relatos de pessoas que começaram a tomar medicamentos prescritos para outras pessoas.

“Quantos e quantos chegam e dizem: ‘Olha, eu vim aqui porque a minha vizinha perdeu peso. Mas eu peguei o remédio dela e comecei a tomar e achei que foi bom’”, contou.

A mesma situação, segundo ele, seria muito menos comum com medicamentos destinados ao tratamento do diabetes. Para Ribas-Filho, isso demonstra que ainda existe uma percepção de que o tratamento da obesidade pode ser feito de maneira improvisada.

O médico cita ainda situações em que pacientes chegam ao consultório após iniciarem o uso por conta própria ou sem acompanhamento adequado. Entre os possíveis problemas estão náuseas, vômitos, constipação e alterações gastrointestinais. Ele também chama atenção para casos graves, como a pancreatite, que exigem atendimento hospitalar.

“Você fica sabendo que fulano perdeu 10 quilos, ciclano perdeu 20 quilos, beltrano perdeu 30 quilos. Mas quem foi internado por pancreatite, por refluxo, por náuseas e vômitos severos, por constipação intestinal, a gente não fica sabendo. Então, o problema é esse: a banalização”, afirmou.

Obesidade não tem fim

Outro ponto destacado pelo especialista é que a perda de peso não encerra o tratamento da obesidade. Para Ribas-Filho, o maior desafio não é apenas fazer o paciente emagrecer, mas ajudá-lo a manter o peso perdido.

“Obesidade é doença crônica. Doença crônica requer tratamento crônico. Se o tratamento para, a doença volta, a doença recrudesce”, declarou.

O raciocínio, segundo ele, é semelhante ao de outras doenças crônicas, como hipertensão e diabetes. A interrupção do tratamento pode levar novamente à alteração dos parâmetros que estavam controlados.

O organismo também apresenta mecanismos de defesa contra a perda de peso. De acordo com o médico, quando uma pessoa emagrece, alterações hormonais podem aumentar a fome e favorecer a recuperação do peso. Por isso, interromper abruptamente uma terapia sem acompanhamento pode dificultar a manutenção do resultado.

Ribas-Filho afirma que ainda não existem respostas definitivas para todas as questões relacionadas à manutenção do peso após o uso dos agonistas incretínicos. Segundo ele, uma das possibilidades estudadas na prática clínica é uma redução gradual da frequência ou da dose, mas a estratégia deve ser individualizada e acompanhada por profissional habilitado. “Parar totalmente é muito, muito, muito difícil”, disse.

Desafio sanitário

A popularização das canetas também abriu espaço para um mercado paralelo, com produtos de procedência duvidosa, armazenamento inadequado e substâncias que ainda não foram aprovadas para uso.

Ribas-Filho cita como exemplo a retatrutida, que vem sendo divulgada nas redes sociais como se já estivesse disponível para tratamento. Segundo ele, a substância ainda não havia sido aprovada para comercialização como medicamento.

“A ânsia por algo novo é tão grande que as pessoas acreditam que já tem a retatrutida no mercado e que podem utilizar. Ela não foi aprovada”, afirmou.

O médico classifica a comercialização de produtos apresentados como retatrutida como um grave problema de saúde pública.

Outra preocupação está relacionada ao armazenamento e ao transporte clandestino de medicamentos. Segundo Ribas-Filho, alguns pacientes chegam ao consultório com produtos transportados de maneira inadequada, fora das condições recomendadas de conservação.

“Esses produtos são iguais à insulina, tem que ter uma boa conservação, então, nós estamos diante de um desafio sanitário”.

O problema não se restringe à origem do produto. A forma como uma substância é armazenada, transportada e administrada também pode interferir em sua segurança.

No caso de medicamentos manipulados, o especialista ressalta que a manipulação de medicamentos faz parte da prática farmacêutica regulamentada e pode ser utilizada em situações específicas, como ajustes individualizados de doses. O problema, segundo ele, está nos produtos sem procedência, comercializados irregularmente ou utilizados sem acompanhamento.

Desinformação nas redes

Outro capítulo da popularização das canetas está nas redes sociais. Para Ribas-Filho, a velocidade de circulação de informações falsas ou distorcidas é um dos maiores desafios atuais da medicina.

O especialista chama atenção especialmente para adolescentes e jovens que buscam formas rápidas de emagrecer. Segundo ele, o fenômeno guarda semelhanças com períodos em que outras substâncias eram utilizadas indiscriminadamente com a promessa de perda rápida de peso.

“A versão de um fato científico é mais forte, é mais robusta do que o próprio fato científico”, destacou.

Ele cita uma pesquisa que, segundo seu relato, comparou a reação de jovens diante de informações científicas e versões não científicas de determinados fatos. A conclusão apresentada por ele é de que a forma como uma informação é apresentada pode ter grande influência sobre a crença do público.

Para o médico, isso cria uma vantagem para conteúdos produzidos por pessoas com grande alcance nas redes sociais, mesmo quando não têm formação ou respaldo científico para fazer determinadas afirmações.

diálogo

Otimista que só, observador do cenário político tem dito em rodinhas... Leia na coluna de hoje

Confira a coluna Diálogo desta segunda-feira (28)

28/09/2026 00h01

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François Guizot - político francês

"Nada é tão nocivo para os povos do que se darem por satisfeitos com meras palavras e aparências”.

Felpuda

Otimista que só, observador do cenário político tem dito em rodinhas de conversa que, a continuar no atual ritmo, o governador Eduardo Riedel vai nocautear os seus adversários “ainda no primeiro round”, numa referência ao primeiro turno das eleições, no dia 4 de outubro. Complementando seu palpite, o “futurólogo” ainda tem afirmado: “E de lambuja, a direita de Mato Grosso do Sul ainda vai ter duas cadeiras no Senado para chamar de suas”. É esperar para ver...

Sem culpa

A senadora Soraya Thronicke, que era de direita e se “converteu” à esquerda, declarou que não se arrependeu de ter votado em Jair Bolsonaro para presidente da República. Mas hoje está de mãos dadas com o presidente Lula, “atirando” na família Bolsonaro.

Mais

Ela sabe que é rejeitada pelos bolsonaristas e, por isso, sua reeleição corre risco. Sem contar que alguns líderes da esquerda não apoiam sua candidatura. Para justificar a mudança, ela afirma: “Eu posso até mudar de calçada, mas não mudarei de rumo”. Então, tá!...

Scheila Canto com seu filho Pedro Canto Cruz
Taynara Rayssa Martinez

"Pobrinhos"

Os candidatos, com conta bancária recheada que só, procuram sensibilizar o eleitor afirmando que eram pobres e com muita luta venceram na vida. Um diz que foi engraxate, vendia picolé, mas, se for verificar atentamente o histórico familiar, não tem nadica de nada de pobre. Os pais eram abastados. Já outros saíram fácil, fácil e “milagrosamente” da pobreza para se tornarem ricos. É cada uma!

No foco

O PP tomou decisão pela neutralidade na corrida presidencial, mas o governador Eduardo Riedel, que é do partido, contrariou a orientação partidária e entrou de corpo e alma na reta final da campanha de Flávio Bolsonaro. Riedel se uniu ao governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, para gravar vídeo com Flávio. A ideia é mostrar que há união de forças.

Desafio

As urnas vão atestar se ainda funciona a velha e manjada estratégia de aparecer em vídeos e fotografias ao lado dos principais candidatos à majoritária, pedindo apoio ao eleitorado na propaganda eleitoral de rádio, TV e redes sociais. A maioria deles deixou o corpo a corpo de lado em troca do minuto de glória ao lado de nomes de peso da política. Afinal, por que gastar sola de sapato se dá para pegar carona na foto? Neste caso, o voto é o senhor da razão. Literalmente.

Aniversariantes

  • Mônica Morais Dias Riedel,
  • Denner de Barros Mascarenhas Barbosa,
  • Simone Ramos Flores Bonatto,
  • Milton Insuela Pereira Júnior,
  • Aparecida de Almeida,
  • Antônio Carlos Albergueti Garcia,
  • Adélia Leico Shimabucuro,
  • Edson Kassar,
  • Elzi Terezinha Garcia Corrêa,
  • Dr. Francisco Gerardo de Sousa,
  • Vilma Marilda de Oliveira,
  • Marlene de Fátima Nazário Botelho,
  • Wilson Baruki,
  • Emerson de Jesus,
  • Luana Ribeiro Rodrigues,
  • Wellyngton Pereira Borges,
  • Silvia Regina da Silva Roberto,
  • Carlos Alfredo Lanteri,
  • Giulia Menezes de Mendonça,
  • Luiz Vieira de Albuquerque,
  • Bianca Ujacow Martins Fachin,
  • Carmem Batista Medina,
  • Mara Elisa Navacchi Caseiro,
  • Michele Ferzeli,
  • Venceslada Bogarim Lopez,
  • Antônio Andréa Rodighero,
  • João Gabriel Merlin,
  • Jackeline Antunes Malavazi,
  • Oscar Mohr,
  • Haroldo Vilhalva,
  • Maria Madalena da Silva,
  • Dr. Jonh Kleber Vendramini Duran,
  • Rilton Silva Durães,
  • Fernanda Charbel Sontag,
  • Leopoldina Jornada Freitas,
  • Eraldo Jorge Leite,
  • Gil de Carvalho,
  • Whelton Borges,
  • Carlos Alberto Pereira,
  • César Augusto de Medeiros Baréa,
  • Sandra Rafaela Davanço,
  • Renata Esteves Moraes,
  • Ilvo Dalbosco,
  • Wilson Marques,
  • Edson Paulino Alves,
  • Dr. Marcos Rogério Covre,
  • Adriana Talgatti,
  • Renilda Epifania de Brito,
  • Paulo Afonso Teixeira Machado,
  • Silvestre Castilho Lopes,
  • Eduardo Mongelle de Araujo,
  • Raquel Mongelle de Araujo,
  • Leni Coelho de Almeida,
  • Wenceslau Rivarola,
  • Tereza Cristina Fragelli,
  • Dr. Sanur Bomor Maro,
  • Alexandre Pequim,
  • Marcela Roman Armôa,
  • Roberto Carlos Marsura,
  • Venceslau Brás de Souza Álvares,
  • Jorge Luiz dos Santos,
  • Maria Paula Simões,
  • Bruno Passos Dantas,
  • Maria Neimar Amaro Motta,
  • Joel Ferreira da Cunha,
  • Paulo Washington Seminate Sboggio,
  • Elísia Farias Ferreira da Silva,
  • Margareth Rezek,
  • Osvaldo José Portolese,
  • Renato Karol Dias de Souza,
  • José Carlos Dias Neto.,
  • Rosa Gomes da Silva,
  • Lincoln Buermeister,
  • Dr. Pedro Altamir Pereira,
  • Eunice Nakasone Ferreira,
  • Valdir Isidoro de Souza,
  • Antônio Carlos Videira,
  • Deomedes de Rezende,
  • Jurandir Rocha,
  • Weruska do Couto Gonçalves,
  • Gislaine Rocha e Silva,
  • Sônia Maria Martinez Penitente,
  • Armando Gomes Santana,
  • Luiz Eduardo Brandão da Cruz,
  • Surama Fuad Abdulahad,
  • Cleide de Fátima de Campos Baird,
  • Dra. Margareth Keisy Ramos Belmonte Pessini,
  • Luis Manoel Moreira,
  • Alex Augusto Derzi Resende,
  • Ana Carolina Teixeira Bentivóglio,
  • Rodrigo Sperancin Lopes,
  • Bruna Santos Assad,
  • Pietra Andrea Grion,
  • João Marcelo da Cunha,
  • Camilo de Medeiros Guimarães,
  • Ralph Gren de Oliveira,
  • Carlos Alberto da Silva Penteado,
  • Cinthia Giselle Gonçalves,
  • Evelyn da Cunha Graeff,
  • Paulo Illas Tognini Alves,
  • João Pedro Murano Borges,
  • Sérgio Dressler Buss,
  • Roseli Peripoli Pereira,
  • Carlos Eduardo Lotfi da Costa,
  • João Kiataki Sobrinho,
  • Carmem Cristina Ivantes Lucca,
  • Marcelo Bacchi Corrêa da Costa,
  • Regina Célia Marchori,
  • Suzana de Paula Bottarro.

* Colaborou Tatyane Gameiro

Capa da semana Correio B+

Entrevista exclusiva com o ator, cantor e produtor Rainer Cadete

"O que me interessa é criar alguma coisa que permaneça no outro, seja por uma cena, uma canção, uma palavra ou até um silêncio"

27/09/2026 16h30

Entrevista exclusiva com o ator, cantor e produtor Rainer Cadete

Entrevista exclusiva com o ator, cantor e produtor Rainer Cadete Foto: Divulgação

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Rainer Cadete atua em televisão, cinema, teatro, literatura e música, construindo uma carreira marcada
pela diversidade de projetos e linguagens. Atualmente, integra o elenco de Quem Ama Cuida, novela das 21h da TV Globo escrita por Walcyr Carrasco e Claudia Souto, na qual interpreta o dermatologista Dr. César.

Com mais de duas décadas de trajetória, consolidou-se como um dos nomes de destaque da dramaturgia brasileira, alternando trabalhos em produções de grande alcance e projetos autorais.

Entre seus personagens mais conhecidos estão o advogado Rafael Nero, de Amor à Vida, e o booker
Visky, de Verdades Secretas. Pelo papel de Visky, recebeu o Prêmio Extra de Televisão e o Troféu Melhores do Ano, ampliando sua projeção nacional. Após o sucesso da novela, passou a integrar a lista Forbes Under 30 da revista Forbes. Rainer também se destaca por retornar a personagens em continuações de obras de grande repercussão.

Reinterpretou Visky em Verdades Secretas II e retomou o personagem Celso em Êta Mundo Melhor!, dez anos após sua participação em Êta Mundo Bom!. No streaming, integra o elenco de Arcanjo Renegado, participando da quarta temporada e retornando na quinta, prevista para 2026.

No teatro, está em cartaz com o musical Uma Babá Quase Perfeita, adaptação brasileira do sucesso da Broadway, e integra a montagem de Norma, dirigida por Guilherme Piva.

No cinema, participou de produções como Carcereiros, Intervenção, Virando a Mesa e a franquia Cine Holliúdy. Também esteve no Festival de Cannes com O Traidor, dirigido por Marco Bellocchio, e integra o elenco de Dia Útil, filmado em Brasília sob direção das irmãs Diniz.

Na música, desenvolve ao lado de Renato Luciano o projeto Leves e Reflexivas, que reúne música, humor, poesia e reflexão social em repertório voltado a temas como masculinidade, diversidade, afeto e relações humanas.

O projeto ganhou destaque com o clipe da canção Esse Negócio de Ser Macho, dirigido por Duda Maia, além da parceria musical com Vanessa da Mata. Paralelamente, prepara o lançamento de um novo trabalho dedicado a clássicos da música brasileira.

Como escritor, lançou em 2024, ao lado do filho Pietro Cadete, o livro Olhares que Filtram. A obra aborda afeto, identidade, ancestralidade e relações familiares a partir da experiência de uma família multirracial, passando a integrar projetos educacionais e debates sobre paternidade, pertencimento e questões raciais.

Pai de Pietro Cadete, Rainer frequentemente leva para sua produção artística temas ligados à paternidade, responsabilidade afetiva, relações familiares e masculinidades contemporâneas.

O ator Rainer Cadete é a Capa exlusiva do Correio B+ desta semana, e em entrevista ao Caderno ele fala sobre carreira, escolhase novos trabalhos.

Entrevista exclusiva com o ator, cantor e produtor Rainer CadeteO ator Rainer Cadete é Capa exclusiva do Correio B+ desta semana - Foto: Silas Ribeiro - Diagramação: Denis Felipe
Por: Flávia Viana

CE - O que muda quando sobe ao palco como “Rainer em Canção”?
RC -
 Quando interpreto um personagem, parto de uma história que chega até mim e empresto meu corpo, minha voz e minhas referências para contá-la. No “Rainer em Canção”, parto de mim. É um encontro mais direto com o público, sem um personagem entre nós. Ainda existe interpretação, claro, porque cada música também propõe um universo, mas sou eu quem conduz essa narrativa.

CE - Na atuação, sua voz dá vida ao personagem. Na música, ela revela você. Quando percebeu essa mudança?
RC -
 A voz sempre revelou alguma coisa minha, mesmo quando estava a serviço de um personagem. Mas, cantando, percebi que ela guarda experiências, afetos e marcas que não consigo controlar completamente. Foi quando comecei a escolher um repertório que dialogava com a minha história que entendi: eu não estava apenas cantando músicas, estava me apresentando por meio delas.

CE - O que você busca em uma canção para fazê-la sua?
RC - 
Primeiro, preciso acreditar no que estou dizendo. Busco uma letra que me atravesse e uma melodia que provoque alguma coisa no meu corpo. Depois vem o trabalho de descobrir por que aquela canção precisa ser cantada por mim, naquele momento. Não quero reproduzir uma interpretação que já existe. Quero encontrar o meu ponto de vista dentro dela.

CE - No palco, você interpreta a música ou deixa a música conduzir você?
RC -
 As duas coisas acontecem. Existe uma construção anterior, com estudo, ensaio e escolhas muito conscientes. Mas, quando o encontro com o público acontece, é preciso deixar espaço para a música respirar e me levar também. O palco é vivo. Se eu tentar controlar tudo, perco justamente o que aquela noite tem de único.

CE - Teatro, TV, música, escrita: o que conecta essas linguagens?
RC -
 A vontade de contar histórias e estabelecer uma relação verdadeira com quem está do outro lado. Cada linguagem tem suas regras, seu ritmo e suas ferramentas, mas todas nascem da observação do ser humano. O que me interessa é criar alguma coisa que permaneça no outro, seja por uma cena, uma canção, uma palavra ou até um silêncio.

CE - Visky, César e outros personagens atravessam questões de corpo e masculinidade. O que eles mudaram no seu olhar sobre ser homem?
RC -
 Eles ampliaram esse olhar. Cada personagem me colocou diante de uma possibilidade diferente de existir e me fez perceber quantas regras são impostas aos homens desde muito cedo: como devem se comportar, amar, desejar, reagir e até ocupar o próprio corpo.

Hoje, ser homem, para mim, tem muito mais a ver com liberdade, responsabilidade e consciência do que com corresponder a um modelo.

Entrevista exclusiva com o ator, cantor e produtor Rainer CadeteO ator Rainer Cadete é Capa exclusiva do Correio B+ desta semana - Foto: Lucas Ramos - Brazil News - Diagramação: Denis Felipe - Por: Flávia Viana

CE - Como ator, você pensa também no que o personagem não diz?
RC -
 Muito. Muitas vezes, o que o personagem tenta esconder é mais revelador do que aquilo que ele diz. Penso no desejo que existe por trás da fala, no que ele teme, no que evita e no que gostaria de dizer, mas não consegue. É nesse espaço entre a palavra e a intenção que aparecem as contradições e as camadas mais interessantes.

CE - O que precisa acontecer entre dois atores para que o público perceba uma conexão antes mesmo da fala?
RC -
Precisa existir uma qualidade de presença. Estar verdadeiramente disponível para o outro, com o corpo, o olhar, a respiração e a escuta. Quando dois atores estão inteiros naquele encontro, a conexão acontece antes da palavra. O público percebe porque presença não se simula.

CE - Depois de tantos personagens, o que o público enxerga em você que talvez você ainda não tenha percebido?
RC -
Tem uma frase que eu amo: “Quanto mais eu outro, mais eu mesmo.” A arte, os personagens, a escuta ativa e a curiosidade pelo mundo me fazem mergulhar em outros universos e ampliar o meu próprio mundo interior. Mas acredito também que todo olhar carrega alguma projeção.

A gente reconhece no outro aquilo que, de alguma maneira, já existe dentro da gente. Se o público enxerga beleza, essa beleza também é dele. Se enxerga sombras ou contradições, elas também passam pelo seu próprio repertório. Talvez, quando olha para mim, o público não veja apenas a mim, mas um pouco de si mesmo.

 

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