Correio B

CAMPÃO CULTURAL 2022

Segunda edição do Campão Cultural traz opções literárias

2º Festival anuncia programação literária, na Biblioteca Pública Isaías Paim, com lançamentos, debates e atividades de formação

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Não vai faltar agenda para os literatos da Capital durante a segunda edição do Campão Cultural 2022 – Festival de Arte, Cultura, Diversidade e Cidadania. 

A organização do evento, que será realizado de 8 a 15 de outubro, em vários pontos de Campo Grande, acaba de anunciar uma programação literária, na Biblioteca Pública Isaías Paim, envolvendo autores de reconhecimento nacional e destaques regionais, mesas-redondas, lançamentos de livros e oficinas. 

A biblioteca funciona no prédio da Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul (FCMS).

Coordenadora de Literatura, Livro, Leitura e Bibliotecas da FCMS, Melly Sena conta que a programação dedicada à literatura, nesta edição do Campão, tem por objetivo a difusão literária e também a formação de profissionais.  

Um exemplo da proposta é a oficina “Ler e contar, contar e ler”, que será ministrada pelo multiartista acreano Francisco Gregório, um dos maiores nomes da contação de histórias do Brasil.

 Ele é responsável pela formação de centenas de contadores ao redor do País e um dos fundadores do Programa Nacional de Incentivo à Leitura, o Proler, que neste ano chegou à 23ª edição.

CONTAÇÃO E CURADORIA

“A ideia dessa oficina é fazer um trabalho de formação contínua com nossos contadores locais e também para que pessoas que gostam da contação e que almejam trabalhar com isso possam se desenvolver”, ressalta a gestora de atividades culturais

Outro importante workshop que fará parte da programação será ministrado pela jornalista e escritora baiana Josélia Aguiar. 

Com vasta experiência no mercado literário, a autora vai realizar a oficina “Um lugar para a literatura: Como pensar suplementos, instituições e eventos literários”. 

Josélia já trabalhou como crítica literária na Folha de S.Paulo e na revista EntreLivros, além de ter atuado como curadora do Festival Literário Internacional de Paraty (Flip) em 2017 e em 2018.

Foi também em 2018 que lançou “Jorge Amado – Uma Biografia”, pela Editora Todavia, vencedor do Prêmio Jabuti na categoria de não ficção. Josélia Aguiar estará no Campão Cultural para compartilhar suas experiências sobre o trabalho como jornalista – repórter, editora e crítica – em suplementos e revistas literárias, curadora de eventos e gestão cultural para o segmento da literatura.

REFLEXÃO COLETIVA

De acordo com Melly Sena, a ideia é que o Campão 2022 seja um convite para a reflexão coletiva sobre o passado da produção literária local e “a ligação ao contemporâneo que se almeja na literatura”.

Pensando nisso, foram convidados para as mesas-redondas artistas que estão em diversos momentos produtivos de suas carreiras. 

É o caso de Alessandra Coelho, escritora carioca nascida na comunidade Cidade de Deus que, há quase quatro anos, adotou Mato Grosso do Sul como seu lar.

MAIS QUE PANTANAL

Para Alessandra, o Campão será uma oportunidade de mostrar que a literatura produzida no Estado não está limitada a temáticas preestabelecidas, mas que pode ser plural e abrangente. 

“Vamos muito além dos estereótipos do pantaneiro, da natureza, do Cerrado. Isso tudo é lindo, mas produzimos mais do que essas temáticas. Acredito que é importante conhecer a produção contemporânea, porque é a partir dela que conhecemos o futuro, o que vamos ver daqui para frente”, pontua.

O escritor e produtor cultural Fábio Gondim também participará da programação do festival. Para ele, trazer a discussão sobre a produção regional é fundamental. 

“É de extrema importância que a organização explore o momento riquíssimo pelo qual passa a cena literária de Campo Grande, colocando em evidência os talentos locais”, completa.

LGBTQIA+

Tanto Alessandra quanto Fábio farão parte da mesa-redonda “Caminhos da literatura LGBTQIA+ em Mato Grosso do Sul”, ao lado do escritor Arthur Andrade Bellini.

Além dessa mesa, faz parte da programação do Campão o debate “Entre a tradição e a subversão: Um breve panorama da literatura de Mato Grosso do Sul”, que reúne na mesma conversa diferentes gerações da produção literária local, com Sylvia Cesco, Samuel Medeiros, André Luiz Alvez e Lucilene Machado e a mediação de Vini Willyan.

LANÇAMENTOS

O Campão Cultural também será palco de lançamentos de livros, a exemplo de “Cancioneiro Popular – Crônicas de Um Lugarejo”, de Marli Moretini, e “Em Busca da Rainha do Ignoto: A Mulher e a Transgressão no Fantástico”, de Adrianna Alberti. A programação literária do festival contará com eventos, ainda a serem anunciados, em diferentes bairros e comunidades de Campo Grande. Mais informações no Instagram @festivalcampaocultural ou no site: festivalcampaocultural.ms.gov.br.

Correio B+

Coluna Desatando Nós: Educar meninos para sentir também é proteção

Ensinar meninos a reconhecer, nomear e expressar sentimentos não os torna mais frágeis. Ao contrário. Amplia seus recursos para lidar com desafios da vida.

26/07/2026 14h00

Coluna Desatando Nós: Educar meninos para sentir também é proteção

Coluna Desatando Nós: Educar meninos para sentir também é proteção Foto: Divulgação

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Durante muito tempo, muitos meninos cresceram ouvindo mensagens semelhantes: “engole o choro”, “seja forte”, “homem não demonstra fraqueza”. Embora essas frases pareçam inofensivas, elas ensinam algo profundo: que sentir deve ser escondido.

O problema é que emoções não desaparecem quando são reprimidas. Elas apenas encontram outras formas de se manifestar. Muitas vezes surgem como irritação, agressividade, isolamento ou dificuldade para construir relacionamentos saudáveis.

Quando falamos sobre prevenção da violência, saúde mental e relações mais equilibradas, também estamos falando sobre educação emocional. Ensinar meninos a reconhecer, nomear e expressar sentimentos não os torna mais frágeis. Ao contrário. Amplia seus recursos para lidar com desafios da vida.

A cultura costuma valorizar nos homens características como autonomia, coragem e firmeza. Todas elas são importantes. Mas podem coexistir com empatia, sensibilidade e capacidade de pedir ajuda. Uma habilidade não exclui a outra.

Pais, mães e educadores têm papel fundamental nesse processo. Quando acolhem emoções em vez de ridicularizá-las, ajudam a construir uma relação mais saudável com o próprio mundo interno. Quando demonstram que tristeza, medo e vulnerabilidade fazem parte da experiência humana, oferecem uma importante ferramenta de proteção emocional.

Isso também contribui para relações futuras. Adultos que conseguem identificar sentimentos tendem a comunicar necessidades com mais clareza, lidar melhor com frustrações e construir vínculos mais respeitosos.

Educar meninos para sentir não é apenas uma questão individual. É uma escolha que impacta famílias, relacionamentos e a sociedade como um todo. Afinal, homens emocionalmente conectados consigo mesmos costumam ser mais capazes de se conectar de forma saudável com os outros.

Talvez uma das maiores formas de proteção que possamos oferecer seja permitir que eles descubram que sentir não diminui ninguém. Humaniza.

Vamos desatar esses nós?

Moda Correio B+ - Entre Costuras & CuLtura

Por que os italianos continuam elegantes mesmo com 35 graus?

No verão italiano, dificilmente encontramos pessoas usando tecidos sintéticos de baixa qualidade durante o dia. O linho, algodão, seda leve e viscose de boa procedência dominam as vitrines e os guarda-roupas.

26/07/2026 13h00

Por que os italianos continuam elegantes mesmo com 35 graus?

Por que os italianos continuam elegantes mesmo com 35 graus? Foto: Divulgação

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Há alguns dias estou vivendo novamente o verão italiano. E, mesmo depois de tantos anos frequentando o país, uma cena continua chamando minha atenção: enquanto os termômetros ultrapassam os 35 graus, homens e mulheres caminham pelas ruas de cidades italianas com uma elegância que parece quase intuitiva.

Não se trata de um dom, muito menos de uma questão financeira, o segredo está nas escolhas.

Frequentemente associamos calor a roupas excessivamente informais ou ao desconforto de quem acredita que elegância exige sacrifício, os italianos mostram justamente o contrário: é possível vestir-se bem sem abrir mão do conforto.

A explicação começa pelo tecido. No verão italiano, dificilmente encontramos pessoas usando tecidos sintéticos de baixa qualidade durante o dia. O linho, algodão, seda leve e viscose de boa procedência dominam as vitrines e os guarda-roupas.

São materiais que permitem a circulação do ar, absorvem melhor a umidade e acompanham o movimento do corpo.

O curioso é que o linho, tão valorizado pelos italianos, ainda desperta certa resistência no Brasil por amarrotar com facilidade.

Como consultora de imagem acredito que uma das maiores lições seja aceitar que alguns tecidos carregam naturalmente as marcas da vida. Um linho levemente amarrotado transmite autenticidade. É muito mais elegante do que um tecido sintético impecavelmente esticado, mas que denuncia desconforto.

Outro detalhe quase imperceptível para quem visita a Itália é a predominância das cores suaves durante o verão.

Brancos, beges, areia, azul-claro, verde-sálvia, terracota suave e tons inspirados na própria paisagem mediterrânea aparecem constantemente.

Além de refletirem melhor o calor, essas cores conversam entre si. Isso significa que praticamente todas as peças do guarda-roupa podem ser combinadas. O resultado é uma imagem sofisticada sem esforço.

Enquanto muitas pessoas acreditam que precisam de dezenas de roupas para enfrentar uma estação, o italiano demonstra exatamente o oposto.

Existe uma lógica muito presente na cultura italiana: comprar menos e comprar melhor. Ao invés de um armário repleto de tendências passageiras, é comum encontrar poucas peças de excelente qualidade que funcionam em diferentes combinações.

Uma camisa de linho pode ser usada aberta sobre uma camiseta pela manhã, fechada para um almoço, dobrando as mangas para um passeio no fim da tarde ou combinada com um blazer leve para o jantar.

O mesmo vestido muda completamente com um cinto, uma bolsa ou uma sandália diferente.

Essa versatilidade é uma das maiores expressões da elegância contemporânea.

Outro aspecto importante é o caimento.

Roupas excessivamente justas aquecem mais, limitam os movimentos e frequentemente criam uma imagem de desconforto.

Os italianos preferem modelagens que acompanham o corpo sem apertá-lo. Vestidos fluidos, calças amplas em linho, camisas levemente soltas, bermudas de alfaiataria e peças com estrutura bem construída permitem que o ar circule naturalmente.

O importante é a roupa trabalhar a favor do corpo, e não contra ele. Na Itália, a elegância está muito ligada à naturalidade.

Vestir-se -se de maneira apropriada para cada ocasião é respeitar o próprio corpo, o clima e o contexto.

Há beleza em quem caminha confortavelmente por uma praça histórica, toma um café em uma cafeteria de bairro ou atravessa a cidade de bicicleta usando roupas simples, mas bem escolhidas.

O verdadeiro segredo da elegância italiana não está no guarda-roupa. Mas na consciência de que vestir-se bem não significa impressionar os outros, mas viver melhor dentro das próprias roupas.

E por fim 5 lições da elegância italiana para enfrentar o calor com estilo. 

1. Priorize tecidos naturais

Linho, algodão, seda e viscose de qualidade permitem que a pele respire, absorvem melhor a umidade e proporcionam conforto mesmo nos dias mais quentes. Antes de comprar uma peça, leia a etiqueta: a composição faz toda a diferença.

2. Aposte em uma cartela de cores coordenada

Branco, off-white, bege, areia, azul-claro, verde-oliva e tons terrosos claros combinam entre si e facilitam a criação de diversos looks com poucas peças, além de transmitirem frescor e sofisticação.

3. Escolha modelagens que favoreçam o movimento

Peças muito justas retêm calor e limitam a mobilidade. Prefira camisas de linho, vestidos fluidos, calças de pernas amplas e bermudas de alfaiataria com bom caimento. Elegância também é sentir-se confortável.

4. Monte um guarda-roupa inteligente, não um guarda-roupa cheio

Invista em peças versáteis que conversem entre si. Uma camisa de linho, uma calça de alfaiataria leve, um vestido atemporal e uma boa sandália podem render inúmeras combinações. Na moda italiana, qualidade supera quantidade.

5. Lembre-se: elegância é atitude, não sacrifício

A maior lição do verão italiano talvez seja esta: vestir-se bem não significa sofrer com o calor. Estar adequado ao clima, à ocasião e à sua personalidade transmite uma imagem muito mais refinada do que insistir em tendências ou peças desconfortáveis.

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