Correio B

AGENDA CULTURAL

Teatro, música e cinema estão entre as opções para o fim de semana

8ª Mostra Fulano di Tal e novo espaço cultural da Cia Teatro do Mundo, ambos com estreia neste sábado, aquecem a temporada de artes cênicas na Capital; na música, o destaque é o rap guarani-kaiowá da MC Anarandá e, nos cinemas, "Mundo Estranho"

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Não tem competição, mas parece até uma copa do teatro, pronta para receber, como os gramados do Catar, elencos notáveis.

São dezenas de espetáculos, centenas de artistas e outros profissionais, além da inauguração de um novo espaço cultural, cursos, oficinas, saraus e um respeitável público, já acostumado a aplaudir a ativa militância de quem movimenta o segmento das artes cênicas na Capital.

Por trás da hipérbole, duas novidades que prometem esquentar a cena a partir amanhã: a oitava edição da Mostra Fulano di Tal de Teatro e a inauguração da Estação Cultural Teatro do Mundo.

"Uma casa de cultura"

Localizada no número 11 da Rua Barão de Melgaço, no centro de Campo Grande, a Estação Cultural Teatro do Mundo vai funcionar de terça-feira a domingo, das 14h às 23h, com programação cultural extensa.

Também funcionarão no local um café e uma boutique para venda de artesanato e roupas. O evento de inauguração, neste sábado, terá entrada gratuita.

A Estação vai receber diversas atrações artísticas, entre as quais, o músico Martinelli, Turma do Bolonhesa, Teatro Imaginário Maracangalha, Cia Ubu de Artes Cênicas, DJ Todi, contação de histórias com a Badaiá, Batucando Histórias, pirofagia com Tauanne Gasoso, teatro de bonecos com Marcos Moura, entre outras.

Um palco aberto receberá esquetes performáticas, improvisações e sarau com poesia. Às 19h, ainda terá apresentação do espetáculo “Como Nascem as Estrelas”, única atração com cobrança de ingresso – R$ 40 (inteira) e R$ 20 (meia).

Trata-se de uma montagem com a atriz Laura Santoro que integra o projeto Incendiárias, uma série de solos criados e interpretados por mulheres.

A “Valsa Nº 6”, de Nelson Rodrigues, estrelada por Tauanne Gasoso, é o próximo espetáculo do projeto, que entra em cartaz na Estação ainda este ano.

“Como Nascem as Estrelas” conta a história de uma menina que se descobre atriz na terra de Glauce Rocha.

“Entre felicidades e angústias, como se manter firme na carreira artística? Na busca por alguma resposta, ela se encontra com Clarice Lispector, outra importante referência. No fim, todas se misturam; Laura, Clarice, Glauce”, diz a sinopse.

O principal material de pesquisa para o texto foi o livro “Glauce Rocha – Atriz – Mulher – Guerreira”, de Octávio Guizzo.

“É preciso ressaltar a grande qualidade com que a Laura desempenha a função de atriz e dramaturga, é de fato uma estrela. É um prazer trabalhar com seus questionamentos. A orientação do texto é minha, mas foi ela quem confeccionou o texto final”, diz Fernando Lopes, diretor da Cia Teatro do Mundo.

“Há de fato uma carência de espaços culturais na cidade. A Estação Cultural Teatro do Mundo pretende ser um lugar onde os artistas possam apresentar seus trabalhos de forma profissional e livre. Nós queremos servir de exemplo a mais projetos como este. Uma casa de cultura onde haja uma integração das artes permite que os artistas estejam em permanente troca, entre eles e com o público”, afirma Lopes.

“Campo Grande é uma capital sem um teatro independente, espaços culturais são muito importantes para que possamos construir um futuro”, pontua o encenador.

Mais informações no Instagram da Cia Teatro do Mundo (@teatrodomundo).

Di Tal

Com 19 dias de programação, a 8ª Mostra Fulano di Tal de Teatro leva ao palco 8 espetáculos. A mostra começa neste fim de semana – sábado e domingo, às 20h –, com a apresentação do espetáculo “SAL”, do grupo convidado Renda que Roda, no Espaço Fulano di Tal, na Rua Rui Barbosa, 3.099.

No total, serão seis trabalhos do grupo Fulano Di Tal e dois espetáculos de grupos convidados – Renda e UBU.

Depois de produzir e montar 17 espetáculos, o Fulano di Tal continua a pleno vapor, produzindo, montando, circulando e trocando experiências com vários artistas da cidade. A mostra deste ano é um reflexo dessa história.

“O encontro com o público é sempre muito bom. Ainda mais que passamos por longos dois anos sem poder aglomerar, trocar e sentir a presença, o olhar e o carinho do público. Só por isso essa mostra já se faz muito especial. Vai ser a maior festança!”, finaliza Marcelo Leite, um dos diretores do Fulano.

Mais informações pelo telefone/WhatsApp (67) 98129-7263.

Som da Concha

No domingo, sobem ao palco do projeto Som da Concha, a partir das 18h, a MC Anarandá, com o seu rap indígena, e o multi-instrumentista Ivan Cruz.

As apresentações gratuitas acontecem na Concha Acústica Helena Meirelles, no Parque das Nações Indígenas.

“Pehendu Ore Nê’ê – Escuta Nossas Vozes” é um show de “rap ancestral”, em que a MC Anarandá ecoa as vozes das mulheres guarani e kaiowá por meio de suas letras, que mesclam português e guarani.

Com ritos e rezas tradicionais na abertura, é um encontro místico que, na mescla do trabalho do DJ, desperta para uma sonoridade única e uma autenticidade artística e sonora.

“Canto rap porque é algo muito realista. Ele conecta as pessoas. O rap traz a reflexão da realidade, a vida e a forma de viver. Só por meio do rap a gente é ouvida de verdade”, afirma a cantora de 24 anos, que nasceu na Aldeia Guapoy, em Amambai, e se mudou para Dourados para fazer faculdade e impulsionar a carreira.

Amanhã, ela se apresenta no Sesc Cultura.

O violonista Ivan Cruz apresenta suas composições instrumentais do primeiro CD solo e algumas músicas de uma nova leva de criações.

O multi-instrumentista paulista tem atuado desde adolescente em diversas áreas da música, porém, com foco principal no violão solo instrumental.

Em 2001, foi vencedor do concurso nacional de violão Musicallis e segundo colocado no XII Concurso Nacional de Violão Souza Lima, apenas o começo de uma carreira hoje com duas décadas e vários outros prêmios e projetos de êxito.

MC LIVINHO

MC Livinho é uma das atrações da programação especial montada pelo Shopping Bosque dos Ipês para a Copa do Mundo.

No estacionamento do shopping, a Dut’s Fan Fest abriga uma maratona de shows com a patente da FIFA.

Na agenda, apresentações de Matuê, Maiara & Maraisa, Luan Pereira, Israel & Rodolffo, MC Livinho (hoje), Murilo Huff, Zé Neto e Cristiano, Atitude 67 e outros nomes.

Para conferir as atrações, tabela de jogos que serão transmitidos e comprar ingressos, acesse o aplicativo ou o site do BaladaApp

Bach

Hoje, às 19h, o grupo Ensemble Bach 21, ligado ao curso de música da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, apresenta o recital “Cantos do Brasil”, com peças de jovens compositores brasileiros, como Felipe de Almeida Ribeiro e Rodrigo Lima, além de canções consagradas de Milton Nascimento e Tom Jobim.

Cinema

Entre as estreias no cinema, o público pode conferir “Noite Infeliz”, “Força Bruta” e a animação “Mundo Estranho”.

 

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CULTURA

Festival de Inverno de Bonito começa nesta quarta; veja o que abre a programação

Evento segue até domingo (30) e terá Ferrugem, Léo Foguete e Seu Jorge entre os principais shows

26/08/2026 11h30

Festival de Inverno de Bonito começa nesta quarta-feira (26)

Festival de Inverno de Bonito começa nesta quarta-feira (26) Divulgação

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Começa nesta quarta-feira (26) o Festival de Inverno de Bonito (FIB) 2026, que durante cinco dias terá apresentações e atividades por diferentes pontos da cidade. A abertura oficial será às 20h, no Palco Sol, mas a programação começa às 15h e avança pela madrugada.

O primeiro dia entretanto, não terá nenhuma das três principais atrações nacionais do festival. Ferrugem, Léo Foguete e Seu Jorge ficam para os dias seguintes. Nesta quarta, o público terá principalmente artistas de Mato Grosso do Sul, cortejo, teatro, dança e apresentações musicais.

A primeira atividade está marcada para as 15h, na Escola Municipal Vitalina Vargas Machado, com a contação da história “Zeca Bigode e Tio Manoel”, de Melina Melgar. A partir das 16h, espaços como O Guardado, Casa Espiral e Casa da Memória Raida recebem atividades do roteiro cultural.

O movimento aumenta no fim da tarde. Às 17h30, o Projeto Garoto Cidadão apresenta “Os Saltimbancos”, no Palco Sol. No mesmo horário, sai da Prefeitura Municipal o cortejo que marca a abertura do festival, acompanhado pela Banda Municipal de Bonito “Som das Águas de Bonito” e balizas.

Na Praça da Liberdade, haverá live painting com Anelise Godoy das 17h às 22h. O espaço também concentra, a partir das 18h, o Lounge Geek-Literário e os estandes de artesanato de Mato Grosso do Sul, de Bonito e dos povos originários.

Abertura às 20h

A cerimônia oficial está prevista para as 20h, no Palco Sol. Antes, às 18h30, o Balé Municipal de Bonito e a Cia. Juvenil de Bonito apresentam o espetáculo “Luma”.

Depois da abertura, o Corpo de Dança Sesc MS apresenta “Te Amo”, às 20h30. No Palco Lua, DJ Mixxel toca a partir do mesmo horário e, às 21h, entra a Orquestra Jovem Sesc MS.

A programação segue com Karla Coronel, às 21h10, no Palco Sesc Estrela, e com a Cia. Selma Azambuja, que apresenta “Diálogo”, às 21h40, no Palco Sol.

Às 22h, o Grupo Municipal de Porto Murtinho apresenta o Touro Encantado. O show Canta Bonito começa às 22h30 e DJ Fred Canhão fecha a programação do Palco Lua, a partir das 23h30.

Shows principais

 Ferrugem está na programação de quinta-feira (27), com apresentação prevista para as 22h30, no Palco Lua.

Na sexta-feira (28), quem ocupa o mesmo palco e horário é Léo Foguete. A programação do dia também inclui atrações locais e regionais, apresentações de dança, teatro, DJs e atividades espalhadas por diferentes espaços de Bonito.

Seu Jorge é a principal atração musical de sábado (29). O cantor tem show previsto para começar às 22h30, também no Palco Lua.

O festival termina no domingo (30). Entre as atrações previstas para o último dia está a dupla Humberto e Ronaldo, com show das 21h30 às 23h.

Além dos shows, a programação dos cinco dias inclui atividades de gastronomia, artesanato, moda, literatura, cultura geek, dança, circo e artes visuais.

A identidade desta edição usa o udu-de-coroa-azul e o conceito “A Arte que Voa Alto, Pousa em Bonito”.

PROGRAMAÇÃO DE HOJE

  • 15h – Contação de história “Zeca Bigode e Tio Manoel”
  • 16h – Início das atividades do roteiro cultural
  • 17h – Live painting com Anelise Godoy
  • 17h30 – “Os Saltimbancos”, no Palco Sol
  • 17h30 – Cortejo de abertura, com saída da Prefeitura
  • 18h – Abertura do Lounge Geek-Literário e espaços de artesanato
  • 18h30 – Espetáculo “Luma”
  • 20h – Abertura oficial
  • 20h30 – Espetáculo “Te Amo” e DJ Mixxel
  • 21h – Orquestra Jovem Sesc MS
  • 21h10 – Karla Coronel
  • 21h40 – Espetáculo “Diálogo”
  • 22h – Touro Encantado
  • 22h30 – Canta Bonito
  • 23h30 – DJ Fred Canhão
     

127 anos

Bisneto do fundador da cidade, Jozé Antônio Pereira esclarece fatos sobre a história da Capital

Por meio de seu bisneto, Jozé Antônio Pereira (com z mesmo) esclarece fatos sobre a história de Campo Grande e de sua vida

26/08/2026 09h30

Estátua no Museu José Antônio Pereira retrata o filho do fundador, Antônio Luiz Pereira, sua esposa Anna Luiza e sua filha Carlinda

Estátua no Museu José Antônio Pereira retrata o filho do fundador, Antônio Luiz Pereira, sua esposa Anna Luiza e sua filha Carlinda Foto: Marcelo Victor/Arquivo Correio do Estado

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Antes que comecem a pipocar as manchetes dizendo dos 127 anos de “fundação”, lembro aos mais desavisados que serão 127 anos de emancipação político-administrativa de Campo Grande, pois de fundação já passaram os 154 anos no dia 21 de junho deste ano.

Orgulhoso de ver hoje a Campo Grande fundada por meus bisavô e avô, continuo zeloso em ver contada a sua história sem erros.

Campo Grande, 127 anos de emancipação político-administrativa. 

Hoje vou fazer diferente! Vou deixar que meu “bisa” conte a história da fundação! Conta aí, “bisa”!

“Bom dia! Fundei um arraial, quando aqui cheguei no dia 21 de junho de 1872, em companhia do meu filho Antônio Luiz e os camaradas João e Manoel Ribeira, além de Luiz Pinto, contratado pra nos guiar nestes sertões da província de Mato Grosso. 

Vim de Monte Alegre (MG), onde residi por muitos anos, até minha vinda para o sertão...
Nasci em 1825, na cidade de Barbacena (MG) e casei-me com Maria Carolina de Oliveira, em São João Del-Rey (MG), com a qual tive oito filhos.

Meu nome verdadeiro é Jozé (com z mesmo) , embora os historiadores teimem em me chamar de José. Não se dão ao trabalho de pesquisar nem mesmo no cartório, onde tem minha assinatura como juiz de paz, nos primeiros livros de casamentos.

Tanto fizeram que acabei virando José... só não gosto quando insistem, ao festejar o 26 de agosto, como sendo aniversário da ‘fundação’, ignorando que a data marca apenas a elevação da paróquia à condição de município, ocorrido na citada data, no ano de 1899, portanto, 27 anos depois da fundação.

Mas o que importa hoje é festejar a emancipação da paroquia a categoria de Vila. 

Olhando aqui de cima, não consigo ver qualquer vestígio da pequena Vila que fundei. Cobriram seu chão moreno, ergueram edifícios, poluíram os córregos que nos serviram água e alimentos, e transformaram tudo em uma grande cidade, com ruas e avenidas que não permitem mais o trafego dos meus carros de bois.

Ficou bonita, grande, acolhe o primeiro milhão de habitantes, tem lindas avenidas e parques, tem asfalto, jardins, belos shoppings, bares, teatros, cinemas, gente chegando, ficando, somando, gostando e tornando-se filhos adotivos da cidade.

Me homenagearam com bustos, obeliscos, prédio, rua com o meu nome, e até um museu com a minha história construíram na sede da fazenda bálsamo, herdada por minha neta Carlinda Pereira Contar, cujo local está a merecer reparos. E foi graças a lembrança de um jovem vereador (Carlos Henrique Santos Pereira) que tornei-me cidadão (mais de 100 anos depois) da cidade que fundei.

Mas isso não importa, vale mais o que fizeram os que nela se sacrificaram, lutaram e venceram, tornando Campo Grande a linda Capital desse novo Estado.

E se hoje eu pudesse pedir mais alguma coisa aos que nela vivem, gostaria que zelassem por sua limpeza, que valorizassem a história da cidade, que cuidassem para torná-la ainda mais linda, e que seus administradores atentassem para a importância que

Campo Grande tem no contexto nacional, como cidade pujante, rica e ordeira, inspirando-se na dedicação, honestidade e respeito daqueles que no passado ajudaram-me a construir essa urbe , incluindo-se aí os brasileiros de todos os rincões e estrangeiros que tanto se dedicaram ao seu progresso.

Obrigado a todos que, ao longo destes 154 anos, desde o dia em que aqui finquei o primeiro rancho, participaram e participam de minha história, ampliando e colorindo meu sonho de desbravador ou aventureiro, como queiram chamar-me”.
Jozé Antônio Pereira*.

Anexo cópia da Resolução nº 225, de 26 de agosto de 1899, que eleva Campo Grande a categoria de Vila.
Parabéns, Campo Grande!!!

Estátua no Museu José Antônio Pereira retrata o filho do fundador, Antônio Luiz Pereira, sua esposa Anna Luiza e sua filha CarlindaFoto: Divulgação

* Por meu bisneto Eddson C. Contar. 
 

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