Nos últimos anos, especialmente no período pós-pandemia, a busca por hábitos saudáveis ganhou força impulsionada pelo acesso à informação e pela influência das redes sociais. Tendências como canetas emagrecedoras, receitas fitness virais no TikTok e exercícios da moda viralizam e atraem milhares de pessoas. Mas será que essas novidades funcionam como um pontapé inicial para uma vida saudável duradoura, ou podem gerar frustrações e riscos à saúde?
De acordo com pesquisa da Abbott realizada em 2021, 65% dos brasileiros avaliaram positivamente sua saúde após a pandemia, e a maioria pretende manter hábitos adquiridos, como alimentação caseira e redução no consumo de industrializados.
Estudos nos EUA mostram que usuários das canetas emagrecedoras cortam a ingestão calórica diária em até 40%. E o corte começa pelo supérfluo: salgadinhos, doces, biscoitos e bebidas alcoólicas.
Numa projeção de adoção mais agressiva do tratamento no Brasil, gigantes como Ambev (cervejas), M. Dias Branco (massas) e Camil (cereais) projetam uma queda de até 2% no lucro líquido em 2027.
Impulso inicial
Para a nutricionista Camila Vargas, as tendências fitness podem ser um ponto de partida positivo. "Despertam curiosidade, aumentam o interesse pelo autocuidado e ajudam muitas pessoas a darem o primeiro passo", diz.
O personal trainer Alexandre Comyama Saldanha concorda: "Quando um influenciador que a pessoa admira faz uma dieta, faz uma atividade física e ainda aposta, mesmo com outros trabalhos, com outras coisas para fazer, ele mostra que é possível todo mundo fazer, todo mundo se preocupar um pouco com a saúde e tomar um tempo do dia para isso".
A nutricionista Aline Macedo observa que a pandemia funcionou como um "divisor de águas" na conscientização sobre prevenção e qualidade de vida. No entanto, ela alerta que as redes sociais também trazem distorções. "Muitas vezes há desinformação e uma aceleração para ter para ontem o corpo e a saúde que aos 30 e aos 20 anos a pessoa não teve".
Riscos das expectativas irreais
O uso sem orientação de canetas emagrecedoras e a busca por resultados rápidos preocupam os especialistas. Alexandre relata casos de pessoas que perdem peso de forma irregular e prejudicial: "Perde 15 [quilos] em dois meses […] Houve muita perda de massa muscular, deixando a pessoa não só magra, mas como flácida. Dos 15 kg, às vezes ela perdeu 8 kg de gordura, mas 7 kg de músculo. Na balança não faz sentido, não tem vantagem em fazer isso, você se torna menos saudável. Apesar de ter perdido gordura, pode gerar outros problemas musculares ou tendinosos".
O personal destaca ainda impactos na autoestima. "A pessoa achau que vai ficar de uma forma e fica de outra, por perda excessiva. O rosto muda, os olhos afundam, a boca muda, quem tem botox em excesso no rosto vai ficar mais protuso, mais aparente. Isso também serve para outras próteses. Então se vai fazer administração de canetas emagrecedoras, tem que ser muito bem administrada a dose, o psicológico e a alimentação. E não é para tomar sem treino de musculação, porque vai ficar flácido, vai cair tudo".
Camila Vargas reforça que "essa perda de peso rápido não é considerado saudável". "É importante lembrar que grande parte do que circula na internet não mostra o processo real, não considera diferenças individuais e, muitas vezes, não tem embasamento científico. Saúde não é linear, nem imediata. Mudanças sustentáveis acontecem com tempo, constância e orientação adequada", reforça.
Aline Macedo critica o uso indiscriminado das canetas. "Então, a caneta veio com um foco de tratamento, um emagrecimento, uma melhora de várias alterações metabólicas, mas hoje ela está sendo usada de maneira mais indiscriminada. As pessoas estão se automedicando, restringindo a comida, querem aplicar doses a ponto de não sentirem fome. Mas nenhum medicamento emagrecedor vem para tirar a fome e sim para controlar, trabalhar no eixo hormonal para fazer uma digestão um pouco mais lenta, para fazer uma resposta insulínica melhor e, assim, a pessoa comer certo, exercitar e ter um peso reduzido de maneira progressiva", explica a nutricionista.
Performance ou bem-estar?
Para a maioria dos entrevistados pela Abbott, o conceito de saúde está diretamente ligado ao estilo de vida e a não ficar doente. Entre os aspectos apontados como os mais importantes para se ter uma boa saúde estão: alimentar-se de maneira saudável (52%), envelhecer com disposição (41%), dormir bem (40%), não depender de remédios (37%) e estar com a imunidade alta (37%).
Embora a performance ainda motive parte do público, o bem-estar tem ganhado espaço. "Hoje, observa-se uma busca cada vez maior por bem-estar, embora a performance ainda esteja presente como motivação para parte das pessoas. Muitos começam pelo objetivo estético ou de desempenho, mas ao longo do processo passam a valorizar mais qualidade de vida, saúde mental, disposição e equilíbrio", diz Camila.
Aline confirma: "Como nós observamos em Campo Grande, as pessoas estão cada vez mais tendo a consciência do autocuidado e das práticas de atividade física. Então nós temos um público, sim, que está procurando por performance, mas a grande maioria busca prevenção, saúde e bem-estar".
Alexandre também observa que a balança pende para o bem-estar, mas nota que "hoje em dia muita gente treina por alto rendimento".
Acompanhamento
As tendências fitness e produtos como canetas emagrecedoras podem, de fato, servir como incentivo para o início de uma jornada de saúde. No entanto, sem filtro, orientação adequada e paciência, o risco de frustração, transtornos e prejuízos à saúde é real.
Os especialistas são unânimes em destacar a importância do acompanhamento profissional. "Ajudam a transformar a motivação inicial em resultados seguros, eficazes e duradouros", afirma Camila.
Alexandre explica que o profissional “entrega mastigado” o caminho, evitando erros comuns. "A gente mostra os melhores caminhos administrativos de dosagem de exercício, o que fazer, o que comer, o que tomar, o que parar de fazer, o que melhorar... Então a gente guia, da melhor forma, para a pessoa chegar no seu objetivo".
E Aline defende uma visão integral. "Quando nós temos um acompanhamento individualizado, esse profissional te olha como um todo, corpo, mente, espírito, seus exames laboratoriais, seus sinais e sintomas, seu hábito de vida, sua cultura, e ele consegue encaixar algo adequado e o processo específico para você".

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A apresentadora Marcela Monteiro é a Capa exclusiva do Correio B+ desta semana - Foto: Sérgio Baia - Diagramação:Denis Felipe - Por: Flávia Viana
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