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CULINÁRIA

Veja receitas de bolinho de chuva, iguaria de tradição europeia e ganhou identidade brasileira

Clássico das tardes chuvosas, o bolinho de chuva atravessou gerações, saiu da tradição europeia para ganhar identidade brasileira e segue como símbolo de afeto, memória e aconchego

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Quando as primeiras chuvas de março anunciam a despedida do verão, há um ritual quase automático em muitas casas brasileiras: esquentar água para fazer o café, separar farinha, ovos e açúcar e preparar o tradicional bolinho de chuva – memória afetiva frita em óleo quente, passada de geração em geração, símbolo das tardes em que o tempo desacelera e a cozinha vira abrigo.

O bolinho de chuva não nasceu exatamente no Brasil, mas foi aqui que ganhou identidade própria. Sua origem remonta às frituras europeias, especialmente às tradições portuguesas trazidas durante o período colonial. Em Portugal, receitas como os sonhos e as filhós já faziam parte do repertório culinário popular.

Eram massas simples, fritas e polvilhadas com açúcar, preparadas em datas festivas ou em momentos de escassez, quando era preciso improvisar com poucos ingredientes.

Ao chegar ao Brasil, essas receitas encontraram novos contextos, ingredientes abundantes e a criatividade das cozinheiras locais. Adaptado à despensa brasileira – com farinha de trigo, ovos, leite e açúcar – o bolinho de chuva se consolidou como uma preparação doméstica, barata e prática.

O nome curioso teria surgido justamente da associação com as tardes chuvosas: como as crianças ficavam dentro de casa, as avós improvisavam a guloseima para tornar o dia mais alegre.

A cultura popular também ajudou a eternizar o bolinho. Na literatura infantil, a personagem Tia Nastácia, do universo de “Sítio do Picapau Amarelo”, criado por Monteiro Lobato, ficou famosa por preparar bolinhos de chuva para Pedrinho, Narizinho e Emília.

A cena da cozinheira fritando bolinhos enquanto as crianças esperam ansiosas ajudou a fixar a receita no imaginário nacional como sinônimo de carinho e tradição.

Com o passar do tempo, o bolinho deixou de ser apenas solução improvisada e se tornou protagonista. Ganhou versões recheadas, assadas, gourmetizadas, com especiarias, chocolate, frutas e até releituras salgadas. Ainda assim, a receita clássica continua imbatível – talvez, porque carregue o sabor da infância.

Veja a seguir a receita original e algumas variações que valem a pena experimentar:

Bolinho de chuva original

Ingredientes:

  • 2 ovos;
  • 1/2 xícara (chá) de açúcar;
  • 1 xícara (chá) de leite;
  • 2 xícaras (chá) de farinha de trigo;
  • 1 colher (sopa) de fermento em pó;
  • óleo para fritar;
  • açúcar e canela para polvilhar.

Modo de Preparo:

> Em uma tigela, misture os ovos, o açúcar e o leite;

> Acrescente a farinha aos poucos, mexendo até formar uma massa cremosa e espessa;

> Incorpore o fermento delicadamente;

> Aqueça o óleo e, com duas colheres, despeje pequenas porções da massa;

> Frite até dourar, escorra em papel-toalha e passe na mistura de açúcar com canela.

O resultado é macio por dentro e levemente crocante por fora.

Bolinho de chuva recheado com doce de leite

Bolinho de chuva recheado com doce de leiteBolinho de chuva recheado com doce de leite - Foto: Reprodução

Ingrediente extra:

  • Doce de leite firme para rechear.

Modo de Preparo:

> Frite os bolinhos normalmente;

> Depois de mornos, faça um pequeno furo com a ponta de uma faca ou bico de confeitar e recheie com doce de leite;

> Finalize com açúcar de confeiteiro.

Dica: Também é possível rechear com brigadeiro, creme de avelã ou goiabada cremosa.

Bolinho de chuva com banana

Bolinho de chuva com bananaBolinho de chuva com banana - Foto: Reprodução

Ingrediente extra:

  • 1 banana madura amassada.

Modo de Preparo:

> Basta acrescentar a banana à massa original antes de adicionar o fermento.

> Se quiser, adicione uma pitada de canela à massa. 

> O sabor fica mais intenso e aromático.

Bolinho de chuva assado (versão mais leve)

bolinho de chuva assadoBolinho de chuva assado (versão mais leve) - Foto: Reprodução

Ingredientes:

  • Os mesmos da receita original, com 2 colheres (sopa) de manteiga derretida na massa.

Modo de Preparo:

> Distribua a massa em forminhas untadas ou de silicone e asse em forno preaquecido a 180°C por cerca de 20 a 25min;

> Ao sair do forno, pincele manteiga derretida e passe no açúcar com canela;

> A textura muda (fica mais próxima de um mini-bolinho), mas o sabor mantém a essência.

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GASTRONOMIA

Fim de uma era? BK troca Pepsi por Coca-Cola e surpreende clientes

Mudança já começou em unidades da Capital e deve levar máquinas de autoatendimento liberado por até 30 minutos aos restaurantes da rede

14/05/2026 12h10

Transição para produtos Coca-Cola já começou em unidades do Burger King em Campo Grande e inclui free refil

Transição para produtos Coca-Cola já começou em unidades do Burger King em Campo Grande e inclui free refil Divulgação

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Quem nunca imaginou aquele combo clássico de hambúrguer na brasa, batata frita crocante e um copo bem gelado do refrigerante mais famoso do mundo? Em Campo Grande, esse desejo dos fãs de fast-food começou a virar realidade. O Burger King iniciou a troca das bebidas da antiga parceria pelos produtos da Coca-Cola.

A mudança começou pelas unidades administradas pelo Grupo Conforti e, nesta primeira etapa, os refrigerantes estão sendo vendidos em lata. Entre as opções disponíveis estão Coca-Cola, Coca-Cola Zero, Fanta Guaraná, Fanta Laranja e Sprite.

Segundo a empresa, a comercialização em lata faz parte de uma fase de adaptação operacional necessária antes da instalação das máquinas de autoatendimento no salão, modelo já conhecido pelos clientes da rede. Após esse período, os clientes terão de volta o consumo à vontade por até 30 minutos, agora com bebidas da Coca-Cola.

A transição acontece gradualmente em todo o Brasil e, por enquanto, nem todas as lojas de Campo Grande já concluíram a troca. As unidades localizadas na Avenida Zahran e na Avenida Afonso Pena seguem operando temporariamente com bebidas da antiga parceria, incluindo Pepsi e demais produtos da Ambev.

Já outras lojas da Capital passaram a oferecer os novos refrigerantes tanto no atendimento presencial quanto no delivery. É o caso das unidades dos shoppings Bosque dos Ipês e Norte Sul Plaza, além dos restaurantes localizados nas avenidas Gunter Hans, Mascarenhas de Moraes, Mato Grosso, Fernando Corrêa da Costa, Spipe Calarge e no Comper Itanhangá.

A expectativa é que todas as unidades avancem para a próxima fase da mudança nos próximos meses, consolidando o retorno do free refil, agora acompanhado da clássica Coca-Cola bem geladinha.

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Brasil Sabor

Festival gastronômico valoriza a culinária brasileira e regional e reúne mais de 400 restaurantes

Festival gastronômico valoriza a culinária brasileira e regional e reúne mais de 400 restaurantes com pratos promocionais em edição comemorativa

14/05/2026 08h30

Filé canavial, do Espaço Primazia, em Rio Brilhante

Filé canavial, do Espaço Primazia, em Rio Brilhante Arquivo

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Entre receitas tradicionais, releituras criativas e ingredientes regionais, o festival Brasil Sabor chega à sua 20ª edição este ano, celebrando a diversidade gastronômica do País. Com o tema “A Seleção da Cozinha Brasileira”, o evento transforma bares e restaurantes em representantes oficiais dos sabores nacionais, com uma proposta que mistura identidade cultural, turismo, economia e experiências gastronômicas.

Realizado entre os dias 14 e 31 deste mês, o festival acontece em formato híbrido, permitindo que o público prove os pratos tanto presencialmente quanto por delivery. A iniciativa reúne centenas de estabelecimentos em diferentes regiões do Brasil, com menus exclusivos e preços promocionais definidos por cada restaurante participante.

Criado em 2006, o Brasil Sabor se consolidou ao longo das últimas duas décadas como um dos maiores festivais gastronômicos do País.

A proposta nasceu a partir da união de eventos culinários municipais já existentes em diferentes cidades brasileiras, em um movimento liderado pela Abrasel, Sebrae e Ministério do Turismo para fortalecer a gastronomia como diferencial turístico e cultural do Brasil.

Neste ano, a temática inspirada no universo esportivo busca destacar a cozinha brasileira como símbolo de orgulho nacional. Cada restaurante participante assume o papel de “convocado” para representar sua região, apostando em ingredientes típicos, técnicas locais e combinações autorais que revelam a riqueza da culinária brasileira.

Segundo José Eduardo Camargo, líder de Conteúdo e Inteligência da Abrasel, o festival vai além da experiência gastronômica e movimenta diferentes setores da economia.

“O Brasil Sabor tem um papel relevante para movimentar as economias locais. Ao valorizar a gastronomia regional, o festival estimula a circulação de pessoas, gera oportunidades para diferentes elos da cadeia produtiva e contribui para o desenvolvimento do setor de forma ampla”, afirma.

A expectativa para este ano é ampliar ainda mais o alcance do evento. Em 2025, o festival reuniu mais de 600 restaurantes distribuídos em 89 cidades de 18 estados e do Distrito Federal. Neste ano, a organização destaca a presença em 19 estados, mais de 40 cidades e mais de 400 restaurantes participantes.

Além de fortalecer a gastronomia regional, o festival também se tornou uma ferramenta estratégica para os estabelecimentos participantes. Para muitos empresários do setor, o evento funciona como uma vitrine para apresentar novos pratos, atrair clientes e ampliar a visibilidade dos negócios.

“Para os proprietários de bares e restaurantes, o festival é uma oportunidade de ampliar a visibilidade dos negócios, atrair novos públicos e fortalecer o relacionamento com os clientes. Além disso, o evento estimula a inovação nos cardápios e contribui para posicionar os estabelecimentos de forma mais competitiva no mercado”, completa José Eduardo Camargo.

TRANSFORMAÇÃO

Ao longo de 20 anos, o Brasil Sabor acompanhou mudanças importantes no comportamento do consumidor e também no próprio setor gastronômico. Desde a primeira edição, o evento passou por reformulações, expandiu formatos e incorporou novas tendências.

Em 2006, quando foi realizado pela primeira vez, o festival já demonstrava força nacional. Foram 1.057 restaurantes participantes em 24 estados brasileiros, consolidando o chamado “Movimento Brasil Sabor” como uma estratégia de promoção do turismo gastronômico.

Nos anos seguintes, o evento passou a apostar em temas específicos e ações promocionais. Em 2012, por exemplo, a edição foi dedicada à culinária italiana e utilizou o slogan “Quem tem boca vai a Roma”, oferecendo aos consumidores a possibilidade de concorrer a uma viagem para a Itália.

Em 2015, o festival celebrou seus dez anos reafirmando a posição de um dos maiores eventos gastronômicos do Brasil. Já em 2020, em razão da pandemia da Covid-19, o Brasil Sabor precisou se reinventar e realizou sua primeira edição totalmente voltada ao delivery.

A experiência acabou mudando definitivamente o formato do evento. Desde 2021, o festival acontece de maneira híbrida, unindo atendimento presencial, delivery e também take away. Naquele ano, a adesão chegou a 901 estabelecimentos – o maior número já registrado pelo festival.

CULINÁRIA REGIONAL

Em Mato Grosso do Sul, dezenas de estabelecimentos aderiram ao Brasil Sabor 2026 com pratos que passeiam entre referências pantaneiras, culinária italiana, receitas nordestinas, gastronomia contemporânea e clássicos reinventados.

As cidades de Bonito, Campo Grande, Corumbá, Dourados, Ponta Porã e Rio Brilhante participam da edição deste ano com opções que destacam ingredientes típicos e combinações criativas.

Em Bonito, os pratos participantes exploram sabores regionais e referências locais. O Beco da Arte apresenta a pizza pantaneira, enquanto o Pantanal Grill aposta no jacaré ao coco. Já o Raízes Restaurante participa com o prato raiz do Norte, e o Cantinho da Vovó leva ao festival o filé do poeta.

Campo Grande concentra o maior número de participantes no Estado e reúne uma diversidade de propostas gastronômicas. Há desde pizzarias e hamburguerias até restaurantes especializados em culinária regional, massas artesanais e pratos fitness.

Entre os destaques está a Pizzaria Dom Pauligi, que aposta em uma pizza de avestruz, enquanto o Poiá leva ao festival o tradicional cupim soleado. O Restaurante Lagoa Morena participa com o pacu à Morena, valorizando um dos peixes mais consumidos na região.

Também chamam atenção pratos como o sobá pantaneiro, do Jardim Secreto, o risoto de carne seca com banana-da-terra, do Restaurante Grattugia, e o pantaneiro, do Manjê Burger.

A criatividade aparece ainda em combinações inusitadas, como o paulistinha blue cheese, de O Paulistinha Sanduíches, as empanadas de ossobuco, da Steak Store, e o capivara parmê, da CapivaS Cervejaria.

O festival também contempla sobremesas e cafés especiais. Entre as opções estão os bolos da Cheiro d’ Bolo, a torta de maçã holandesa, da Doce Lembrança, e o combo memória de elefante, do Juna Café e Restaurante.

Em Corumbá, o Restaurante Migueis participa com uma coxinha de jacaré, reforçando a presença da culinária pantaneira no evento.

Já em Dourados, os restaurantes apostam em pratos sofisticados e fusões gastronômicas. O Restaurante Mandhi Cozinha Autêntica apresenta um filé de pirarucu grelhado com risoto de palmito pupunha orgânico, enquanto o Utida Sushi Bar participa com o combo do chef Utida. O Tapioca Nordestina leva ao festival a tapioca virada Lampião.

Ponta Porã participa com o filé Alfredo Flamboyant, do Flamboyant Restaurante Bar, e Rio Brilhante marca presença com o filé canavial, do Espaço Primazia.

IDENTIDADE CULTURAL

Além de ajudar a promover restaurantes, o Brasil Sabor ajuda a contar histórias por meio da comida. Ingredientes típicos, receitas afetivas e tradições culinárias se transformam em elementos de valorização cultural e pertencimento.

No caso de Mato Grosso do Sul, o festival evidencia a força da culinária pantaneira e das influências culturais que moldam a gastronomia regional. Peixes de água doce, carnes típicas, receitas de influência paraguaia e técnicas tradicionais aparecem lado a lado com propostas contemporâneas.

Ao mesmo tempo, o evento estimula chefs e cozinheiros a experimentarem novas combinações e releituras, criando um diálogo entre tradição e inovação.

A gastronomia também ocupa um papel importante no turismo. Em cidades como Bonito e Corumbá, por exemplo, a experiência culinária se tornou parte fundamental do roteiro turístico, atraindo visitantes interessados em conhecer sabores regionais, além das paisagens naturais.

O crescimento dos festivais gastronômicos no Brasil acompanha justamente essa valorização da comida como experiência cultural. Hoje, provar um prato típico deixou de ser apenas uma refeição e passou a integrar a forma como turistas conhecem cidades, tradições e modos de vida.

>> Serviço

Festival Brasil Sabor – 20ª edição

Datas: de 14 a 31 de maio.
Mais informações: www.brasilsabor.com.br.

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