Economia

decisão

Aprovação da revisão da vida toda pode aumentar valores da aposentadoria

O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que as contribuições feitas antes de julho de 1994 vão entrar no cálculo

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Quem se aposentou ou está prestes a se aposentar pode começar a sonhar com um valor maior e mais justo nos rendimentos mensais. Isso porque o Supremo Tribunal Federal (STF) aprovou, na quinta-feira (1º), a chamada revisão da vida toda do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS). 

A partir da publicação da nova regra de aposentadoria, o cálculo poderá considerar as contribuições feitas antes de julho de 1994, ou seja, antes do Plano Real, com conversão e correção monetária. 

Na prática, a inclusão destas contribuições mais antigas pode gerar melhoria nos rendimentos de quem se aposentou ou quem está para se aposentar. Para a advogada previdencialista e diretora do Instituto Brasileiro de Direito Previdenciário (IBDP), Juliane Penteado, a revisão da vida toda é uma conquista para toda a sociedade brasileira. 

Até 1999, a regra para a aposentadoria se resumia a uma média aritmética dos últimos 36 meses. Com a aprovação da Lei nº 9.876/1999, trabalhadores ganharam o direito de incluir as contribuições até julho de 1994. Agora, com a aprovação por 6 a 5 no STF em definitivo, muitos valores podem ser modificados.

De acordo com Juliane Penteado, de uma maneira geral, aposentados podem pedir a inclusão das contribuições ao INSS feitas antes de julho de 1994, o que pode acarretar no aumento do valor delas. Ou seja, o segurado consegue abranger todos os salários no cálculo da aposentadoria, usando inclusive a média salarial que era maior.

Ela explica, ainda, que antigamente as pessoas se aposentavam considerando apenas os 36 últimos meses de renda. 

“Era injusto para o sistema, porque as pessoas pagavam pouco durante muito tempo e chegando mais perto de se aposentar elas pagavam bastante. Em 1999, a lei resolveu mudar essa sistemática e colocou como regra que somente os salários de julho de 1994 em diante iriam entrar para o cálculo”, frisa.

O resultado de tudo isso foi a defasagem na renda, porque muita gente tem na sua vida contributiva, antes da data, valores altos de contribuição em outras moedas que não entraram no cálculo de sua aposentadoria.

Essa revisão começou a questionar o direito de igualdade, de isonomia, que trazia uma diferenciação que não era justa para quem tinha valores altos antes da data. 

“Essa regra de transição tinha o objetivo de não prejudicar quem já estava no sistema e beneficiar a maior parte dos segurados. Porém, é necessário que um advogado previdenciarista faça uma simulação com o segurado, para saber se será benéfico ou não”, afirma a diretora do IBDP para Mato Grosso do Sul e Centro-Oeste.

Quem se aposentou até novembro de 1999 não é elegível à tese, pois a ele não se aplica a regra impugnada no Judiciário. Pela cronologia de fatos do STF, o que aconteceu esta semana foi a decisão pela revisão da vida toda do INSS, em julgamento de votação acirrada de 6 a 5. O novo julgamento no plenário físico confirmou o placar da sessão realizada em março de 2022. 

COMO PEDIR

Para pedir a revisão da vida toda, os segurados devem ingressar com uma ação levando em conta as seguintes situações: Juizado Especial Federal, quando o valor da causa é de até 60 salários mínimos; e Justiça Federal, quando o valor da causa é acima de 60 salários mínimos.

De acordo com os especialistas, pedir a revisão é uma opção que compensa apenas para quem recebia salários mais altos antes de 1994, o que aumenta o valor da aposentadoria a que o trabalhador tem direito de receber. Para quem recebia menos, a ação não vale a pena.

Aquele que já entrou com ação na Justiça deve procurar seu advogado para conferir como será o andamento final do processo. No caso dos que ainda não entraram com ação, mas estão perto de completar 10 anos de recebimento da primeira aposentadoria, é preciso atenção para não perder o prazo para o pedido.

“Quem já entrou com ação na Justiça para rever os valores da aposentadoria será beneficiado e vai receber toda a diferença, a maior, retroativa. Isso porque o processo está sobrestado. Quem não ingressou com ação na Justiça ainda pode entrar, desde que tenha vantagem econômica e se tive dentro do prazo decadencial de dez anos, mas só vai desfrutar de cinco anos de retroativo porque a ação, neste caso, será revisional”, explica a tese do IBDP.

Caso acredite que a inclusão dos períodos anteriores a 1994 podem melhorar a aposentadoria, o segurado deve organizar os documentos, fazer os cálculos e procurar um advogado para entrar com a ação.

Conforme reportagem do Jota Info, o julgamento tem impacto bilionário aos cofres públicos e, desde que se formou o resultado no plenário virtual a favor dos aposentados, no fim de fevereiro de 2022, o governo federal vinha trabalhando para tentar mudar o placar. 

Segundo a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), o impacto seria de R$ 46,4 bilhões ao longo de 10 anos. No entanto, em nota mais recente do Ministério da Economia, o valor seria de R$ 360 bilhões em 15 anos. Ainda de acordo com a reportagem do Jota, as associações de aposentados estimam valores menores.

O grupo “Lesados pelo INSS Revisão da Vida Toda” contesta a previsão do órgão federal e contratou estatísticos e matemáticos, que estimam impacto econômico entre R$ 2,7 bilhões e R$ 5,5 bilhões nos gastos federais com Previdência, conforme a mediana do indicador de inflação. 

HISTÓRICO

A revisão teve início porque aposentados que entraram com a ação pediram que todas as suas contribuições, incluindo as realizadas antes da criação do real, em 1994, sejam consideradas no cálculo da média salarial para aumentar a renda previdenciária.

Isso porque a reforma da Previdência de 1999 criou duas fórmulas de cálculo para a média salarial (que é a base do valor do benefício). 

A primeira foi a regra de transição: Para quem já era segurado do INSS até 26 de novembro de 1999 e a média salarial é calculada sobre 80% das maiores contribuições feitas a partir de julho de 1994. 

A segunda foi a regra permanente, que é para quem começou a contribuir com o INSS a partir de 27 de novembro de 1999. Por esta metodologia, a média é calculada sobre 80% dos mais altos recolhimentos desde o início das contribuições  e sem definir a data de início das contribuições. 

Desta forma, quem já era segurado da Previdência e concentrou seus maiores pagamentos no início da vida profissional, antes da criação do Plano Real, saiu prejudicado.
 

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Em 2027

Governo projeta gastar entre R$ 500 mi e R$ 1 bilhão com a Copa feminina no Brasil

O valor final, no entanto, ainda será definido nos próximos meses

24/06/2026 23h00

Divulgação

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O Governo Federal trabalha com uma estimativa de orçamento entre R$ 500 milhões e R$ 1 bilhão para a organização da Copa do Mundo Feminina de futebol, que será realizada no Brasil entre 24 de junho e 25 de julho de 2027. O valor final, no entanto, ainda será definido nos próximos meses.

Nesta quarta-feira, 24, um evento em Miami, nos Estados Unidos, marcou a contagem regressiva de um ano para a abertura da competição. Estiveram presentes Jill Ellis, ex-treinadora bicampeã mundial e atual responsável pelo escritório de futebol feminino da Fifa, a ex-jogadora Aline Pellegrino, diretora de legado e relações institucionais da Copa do Mundo Feminina, e o ministro do Esporte, Paulo Henrique Cordeiro.

"O governo brasileiro trabalha hoje com um planejamento para aportar recursos na Copa do Mundo. Estamos falando de toda estrutura de segurança, mobilidade, comunicação, redes e outros elementos operacionais. A estimativa é de um investimento entre R$ 500 milhões e R$ 1 bilhão", disse Cordeiro.

O ministro ressaltou que o valor definitivo será conhecido mais adiante, mas afirmou que a projeção inicial já contempla uma parte importante do legado que o País pretende deixar para o futebol feminino.

"Isso só será confirmado efetivamente mais adiante, mas essa é a projeção inicial para viabilizar a realização do evento no Brasil", afirmou. Há até a possibilidade de ficar abaixo dos R$ 500 milhões. Esses gastos não contemplam o que governos estaduais e prefeituras aportarão.

Segundo ele, parte dos recursos será destinada a investimentos em infraestrutura voltados especificamente ao desenvolvimento da modalidade.

"Há alguns investimentos em infraestrutura, como a construção de centros voltados especificamente para a formação de jogadoras de futebol. Além do legado sociocultural, que passa por uma mudança de mentalidade para aproximar o futebol masculino e o feminino, teremos também esse legado estrutural, com a criação de centros de treinamento de referência para a prática do futebol feminino no Brasil", disse.

A Fifa estima colocar na competição US$ 800 milhões. Oito cidades receberão as partidas do Mundial, todas elas sedes da Copa do Mundo masculina de 2014: Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Porto Alegre, Brasília, Recife, Salvador e Fortaleza. O calendário detalhado, com a distribuição dos jogos, será divulgado nos próximos meses. A abertura deve acontecer em São Paulo, enquanto a final será disputada no Maracanã.

"Esse trabalho, toda essa logística de preparação do País para a Copa do Mundo, acontece há bastante tempo. O Brasil está preparado. A infraestrutura que ficou como legado de 2014 está pronta. Nós temos oito cidades-sede espalhadas pelas cinco regiões do País", afirmou Cordeiro.

O ministro também revelou que a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) iniciou um estudo para mensurar o impacto econômico e turístico da competição.

"Estamos falando da movimentação do turismo, da rede hoteleira, dos restaurantes e de toda a cadeia econômica envolvida", disse.

Piso salarial

Salários de professores vão de R$ 3,9 mil a R$ 11,6 mil em MS

Ranking salarial divulgado pela FETEMS pretende expor municípios que não cumprem o piso salarial dos magistrados estabelecido em lei

24/06/2026 16h15

FETEMS divulga ranking de salários de professores estaduais e municipais

FETEMS divulga ranking de salários de professores estaduais e municipais FOTO: Gerson Oliveira/Correio do Estado

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Os salários dos professores na rede estadual e municipal de nível médio e superior em Mato Grosso do Sul apresentam uma variação de aproximadamente R$ 7,7 mil entre os municípíos do Estado.

O ranking salarial foi divulgado nesta quarta-feira (24) pela Federação dos Trabalhadores em Educação de Mato Grosso do Sul (Fetems), a fim de tornar pública as prefeituras que não cumprem a Lei do Piso Nacional para os Professores do Magistério. 

A Lei determina que o piso salarial instituído para a categoria de até 40 horas semanais é de R$ 5.130,63. No Estado, 17 municípios pagam menos que o estabelecido em lei para os professores de nível médio:

  • Caracol - R$ 5.122,62
  • Rio Negro - R$ 5.045,56
  • Aral Moreira - R$ 5.038,24
  • Jateí - R$ 4.872,06
  • Juti - R$ 4.827,52
  • Dois Irmãos - R$ 4.783,94
  • Jaraguari - R$ 4.580,60
  • Selvíria - R$ 4.415,00
  • Sete Quedas - R$ 4.023,28
  • Anaurilândia - R$ 3.965,14

Água Clara, Brasilândia, Chapadão do Sul, Batayporã, Paraíso das Águas, Paranaíba e Rochedo fazem parte da categoria da Fetems de municípios que "não respeitam a lei do piso de carreira, que prevê que a aplicação do piso deve iniciar para o nível médio, promovendo assim, o desmonte da carreira". Dessa forma, não tiveram os salários divulgados. 

O município de Três Lagoas é o com salário maior nas duas categorias (médio e superior). Os profissionais estaduais e municipais com carga horária de 40 horas semanais para o ensino médio é de R$ 7.775,06. 

Em seguida, aparecem os municípios:

  1. Sidrolândia - R$ 7.440,60
  2. Corumbá - R$ 6.553,04
  3. Tacuru - R$ 6.418,10
  4. Angélica - R$ 6.375,00
  5. Ribas do Rio Pardo - R$ 6.292,42
  6. Nova Andradina - R$ 6.091,56
  7. Campo Grande - R$ 6.018,72
  8. Glória de Dourados - R$ 5.853,62
  9. Eldorado - R$ 5.798,16

Coxim, Itaquiraí, Terenos, Iguatemi, Pedro Gomes, Douradina, Inocência, Figueirão, Nioaque, Porto Murtinho e Ponta Porã têm os salários no mínimo estabelecido pela Lei do Piso Salarial, de R$ 5.130. 

Para os profissionais do ensino superior, apenas os municípios de Brasilândia e Sete Quedas têm salários inferiores ao obrigatório na Lei, de R$ 5.075,04 e R$ 4.827,94 respectivamente. 

Os maiores salários são observados em:

  1. Três Lagoas - R$ 11.662,59
  2. São Gabriel - R$ 10.192,97
  3. Ribas do Rio Pardo - R$ 9.438,80
  4. Aquidauana - R$ 9.058,40
  5. Campo Grande - R$ 9.028,09
  6. Sidrolândia - R$ 8.928,72
  7. Mundo Novo - R$ 8.468,40
  8. Amambai - R$ 8.308,94
  9. Bonito - R$ 8.294,04
  10. Cassilândia - R$ 8.288,16

"Com a publicação do Ranking Salarial dos Municípios de Mato Grosso do Sul, a FETEMS e os 74 SIMTEDs esperam que os(as) gestores(as) públicos se conscientizem da importância da valorização dos(as) profissionais em Educação para os avanços na qualidade da Educação Pública", escreveu a Federação em nota. 

Educação Básica e negociação

O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), sancionou a Lei 15.437/2026, que estabelece o valor de R$ 5.130,63 para o novo piso salarial profissional nacional dos professores da educação básica. 

Com o reajuste, o piso salarial dos professores terá aumento de 5,4% em relação ao valor anterior, que era de R$ 4.867,77. O ganho representa 1,5 ponto percentual acima da inflação. 

A nova legislação estabelece critérios para a atualização anual do piso salarial profissional nacional e determina que o valor não poderá ser corrigido abaixo da inflação acumulada no período anterior. A norma também prevê a divulgação, pelo Ministério da Educação, da memória de cálculo utilizada para a atualização do piso, ampliando a transparência do processo.

Outra mudança é a inclusão dos profissionais contratados por tempo determinado entre os beneficiários do piso salarial nacional, garantindo a esses trabalhadores os mesmos direitos assegurados aos demais profissionais do magistério público da educação básica.

Em meio ao processo de sanção, professores municipais de Campo Grande tentam negociar com a prefeita Adriane Lopes, para garantir a implementação do reajuste de 5,4% previsto na política do Piso 20h.

Um encontro, ocorrido no dia 15, reuniu a Comissão de Negociação da Associação Campo-Grandense de Professores (ACP), representantes da Comissão de Educação da Câmara Municipal e membros da administração municipal para discutir os pontos importantes da negociação.

De acordo com a ACP, ficou acordado entre as partes que a Prefeitura apresentará oficialmente sua proposta e os respectivos dados no próximo dia 24 de junho. A associação convocará uma nova assembleia geral extraordinária para análise coletiva do material apresentado, que ocorrerá no dia 25, às 18 horas, na sede da FETEMS.

 

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