Economia

CONFLITO

Briga de 5 anos por fábrica de celulose em Três Lagoas está perto do fim

Após empresa de capital estrangeiro adquirir terras sem autorização do Congresso, procuradores afirmam em audiência que "todo o negócio deve ser considerado nulo" e Mistério Público Federal move Ação Civil Pública

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Classificada inclusive como a "maior briga societária do Brasil", a disputa pela fábrica Eldorado Brasil Celulose de Três Lagoas - travada há cinco anos entre J&F Investimentos e Paper Excellence - está prestes a chegar ao fim já que o negócio foi descrito como irregular e deve ser anulado. 

Durante audiência na 1ª Vara Federal de Três Lagoas, na sexta-feira (27), os procuradores afirmaram que "todo o negócio deve ser considerado nulo", como detalha a revista especializada Consultor Jurídico, já que a Paper Excellence não teve autorização para comprar terras brasileiras. 

Diante disso, o Ministério Público Federal (MPF) moveu Ação Civil Pública (ACP), dando apenas duas saídas: ou o negócio é desfeito, ou um acordo pode fazer com que a empresa indonésia movimente parte dos ativos da fábrica, sem acesso às terras da empresa. 

Conforme previsto em lei, uma empresa de capital estrangeiro precisa de autorização do Congresso para ter terras em território nacional. Com isso, ambas as empresas devem ser multadas pelo negócio irregular, já que a chance desse negócio é mínima, uma vez que J&F e Paper brigam desde 2018 com trocas de ações judiciais. 

Ainda, a J&F se colocou disposta a devolver os recursos pagos pela Paper em até 30 dias, para assim desfazer o negócio, numa tentativa de escapar das prováveis multas. 

O negócio 

Em 2017, por um valor de quase quatro bilhões de reais, a indonésia conquistou quase metade (49,5%) da Eldorado, com um prazo de um ano para atender às condições e liquidar para si as ações que restavam. Foi justamente nesse primeiro ano que os desentendimentos começaram. 

O MPF, em audiência, negou a proposta de acordo da Paper visando regularizar a situação das terras tupiniquins, na tentativa de uma eventual tomada de controle da fábrica. 

Ainda ontem (27), o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), na figura de um representante, confirmou que a Paper Excellence jamais teve autorização necessária para comandar os cerca de 450 mil hectares de terra da fábrica. 

Com a ideia de vender as terras da Eldorado e mudar a nomenclatura dos contratos de arrendamento para parceria agrícola, a Paper Excellence diverge do que trata a chamada "Lei de Terras". 

Até por isso, a proposta da empresa foi descrita pelos procuradores como uma "burla ao Congresso Nacional" além de "violação ao Estado brasileiro e à Constituição". 

Segundo o diretor-presidente da Paper Excellence no Brasil, Claudio Cotrim, em entrevista à Folha de S. Paulo à época, a família Batista teria solicitado R$ 6 bilhões a mais do que teria direito em contrato para finalizar a venda da fábrica de celulose Eldorado. 

"Achávamos que nosso contrato era forte, mas não há contrato que se defenda de má-fé", disse. 

Ainda em outubro de 2022 um revés chegou a acontecer, com a 1ª Câmara Reservada de Direito Empresarial do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJSP) revertendo uma decisão e permitindo a transferência para o grupo indonésio. 

A Paper Excellence acusa os irmãos Batista de terem agido de má-fé e não cooperarem para a liberar as garantias, e que a J&F quer elevar o valor acertado. 

Já a J&F, através dos assessores dos irmãos Wesley e Joesley Batista, ressaltou que a liberação das garantias era uma obrigação da Paper Excellence.
 


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Procon

Ingredientes para receitas juninas têm variação de até 266% entre os mercados da Capital

Pesquisa do Procon MS mostra diferença entre os preços dos ingredientes das principais receitas da comemoração junina

05/06/2026 14h45

Variação chega a 266% entre produtos de 13 estabelecimentos

Variação chega a 266% entre produtos de 13 estabelecimentos Valdenir Rezende/Arquivo Correio do Estado

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Junho marca o início das comemorações de festa junina em todo o Brasil e, em Mato Grosso do Sul, não é diferente, com culinárias típicas da data. 

Os consumidores e cozinheiros devem ficar atentos, já que uma pesquisa do Procon MS revelou que pode haver variação de até 266% entre os produtos tradicionais nas festas juninas. 

A pesquisa visitou 13 estabelecimentos de Campo Grande e cotou os preços de mais de 800 produtos entre ingredientes para as principais receitas. 

A maior variação de preços foi encontrada entre a canela em pó. A marca Kelli, de 100g, foi encontrada de R$ 1,50 a R$ 5,49, ou seja, uma variação de 266% entre os estabelecimentos. 

Outros itens que merecem atenção nas gôndolas é o molho de tomate de 300g. A marca Donana teve variação de 205,76%, com preços indo de R$ 1,39 a R$ 4,25. 

O pé de moleque da marca Yoki de 306g apresentou variação de 118,68% entre os mercados, com preços entre R$ 21,90 a R$ 47,89. O amendoin cru, presente em grande parte das receitas juninas, teve oscilação de 73,62% nos preços, com valor mínimo de R$ 11,98 e mínimo de R$ 6,90 no pacote de 400g. 

O pacote de fubá mimoso da marca Donzan de 500g foi o com maior variação nos valores entre o ingredientes. Os valores indo de R$ 3,49 a R$ 6,99 resultam em uma variação de 100,29%.

Entre os valores médios, a paçoca rolha de 210 gramas sai por cerca de R$ 10,38. Já no caso das canjicas amarela e branca de 500 gramas, os custos médios são de R$ 4,33 e R$ 5,54, respectivamente.

Veja os outros produtos pesquisados e a variação de preços encontrada:

Açúcar cristal
Marca Sonora 2kg - variação de 34,68%, com preços variando entre R$ 5,19 a R$ 6,99

Paçoca em tablete
Marca Santa Helena 350g - variação de 36,28%, com preços entre R$ 21,90 a R$ 29,99

Paçoca em rolha
Marca Da Colônia 210g -  variação de 31,28%, com preços entre R$ 8,95 e R$ 11,75

Leite condensado (caixa)
Marca Italac semi desnatado 395g - variação de 41,74%, com preços entre R$ 5,99 a R$ 8,49

Bebida alcoólica 
Cachaça 51 965 ml - variação de 101,37%, com preços variando entre R$ 13,90 e R$ 27,99

Leite Integral UHT Pack
Marca Itambé 1L - variação de 27,32%, com preços entre R$ 5,49 a R$ 6,99

Leite Pasteurizado Integral
Marca Buriti tipo C 1L - variação de 20,04%, com preços entre R$ 4,99 a R$ 5,99

Cereais e grãos - arroz agulhinha longo fino tipo 1 
Marca Guacira 5kg - variação de 60,04%, com preços entre R$ 15,49 a R$ 24,79

Canjica Amarela
Marca Donana 400g - variação de 118,81%, com preços entre R$ 3,19 e R$ 6,98

Flocão de milho
Marca Dona Clara 500g - variação de 77,33%, com preços entre R$ 2,25 e R$ 3,99

Milho para pipoca
Marca Donana 400g - variação de 71,63%, com preços entre R$ 3,49 e R$ 5,99

Coco ralado adoçado
Marca Ducoco 100g - variação de 116,63%, com preços entre R$ 4,15 e R$ 8,99

Batata Palha
Marca Yoki 105g - variação de 128,18%, com preços entre R$ 6,99 e R$ 15,95

Óleo de soja 
Marca Concórdia 900 ml - variação de 27,03%, com preços entre R$ 6,29 a R$ 7,99

Hortifruti
Gengibre a granel (kg) - variação de 100,75%, com preços entre R$ 11,95 a R$ 23,99

Pão para Hot Dog 
Marca Da Casa Artesanal 300g - variação de 129,78%, com preços entre R$ 4,13 a R$ 9,49

Salsicha
Marca Copacol 500g - variação de 50,06%, com preços entre R$ 7,99 a R$ 11,99. 

Os estabelecimentos pesquisados foram:

  • SENDAS DISTRIBUIDORA S/A - ASSAÍ ATACADISTA - AV. CÔNSUL ASSAF TRAD S/N - MATA DO JACINTO
  • ATACADÃO S.A.- AV. DUQUE DE CAXIAS, nº 2400 - SANTO ANTONIO
  • SDB COMERCIO DE ALIMENTOS LTDA - COMPER SUPERMERCADOS - AV. CEARA, nº 1553 JD. DOS ESTADOS
  • SUPERMERCADO DUARTE LTDA - R. ANACÁ, nº 437 - VILA MORENINHA II
  • SDB COMERCIO DE ALIMENTOS LTDA - FORT ATACADISTA - AV. TRÊS BARRAS, 1650 - VILA VILAS BOAS
  • SYMPLÊ SUPERMERCADO - R. SÃO PAULO, nº 626 -JD. BRASIL
  • MISTER JUNIOR - AV. GAL ALBERTO CARLOS MENDONÇA LIMA, nº 2669 - JARDIM SÃO CONRADO
  • S. PIRES COMERCIO DE ALIMENTOS LTDA - R. RAQUEL DE QUEIROZ, nº 568 - AERO RANCHO
  • HORTIFRUTI SANTA RITA LTDA ME - AV. GUAICURUS, Nº 3235 - SANTO EUGENIO
  • VASCONCELOS SANTOS E CIA LTDA - SUPERMERCADO COMPRE BEM- R. DELFIM MOREIRA, nº 759 - VILA ALMEIDA
  • OLIVEIRA E CARNEIRO LTDA - MORENA ATACADISTA - AV. SÃO NICOLAU, nº 1139 - VILA SANTA LUZIA
  • SUPERMERCADO ECONÔMICO - R. CATIGUA, nº 883 - JARDIM CANGURU
  • NUNES SUPERMERCADO - AV. MARECHAL DEODORO, nº 165, GUANANDI

BENEFÍCIO SOCIAL

Em MS, 69 mil famílias superam pobreza e deixam o Bolsa Família

Famílias não dependem mais do programa pois saíram da pobreza por terem conseguido um emprego de carteira assinada ou por empreenderem

05/06/2026 09h45

DIVULGAÇÃO

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Dados divulgados pelo Governo Federal apontam que aproximadamente 69,5 mil famílias deixaram o Bolsa Família, entre março de 2023 e maio de 2026, em Mato Grosso do Sul.

As famílias não dependem mais do programa pois saíram da pobreza por terem conseguido um emprego de carteira assinada ou por empreenderem.

Os lares alcançaram a renda acima do limite exigido pela regra de proteção ou já cumpriram o prazo previsto para permanência nessa modalidade.

Em maio de 2026, mais de 2,4 mil famílias sul-mato-grossenses deixaram o programa social. Em todo o país, mais de 5,1 milhões de famílias deixaram o Bolsa Família neste período.

Campo Grande (623) foi o município com maior número de desligamentos no mês passado, seguido por Dourados (163), Ponta Porã (90), Três Lagoas (89), Corumbá (84), Naviraí (72), Sidrolândia (66), Aquidauana (58), Aparecida do Taboado (57) e Amambaí (55).

A regra de proteção, do Bolsa Família, garante uma transição segura para famílias que aumentam a renda. Mesmo após superar o limite de R$ 218 por pessoa da família, elas podem continuar recebendo 50% do benefício por até 12 meses, desde que a renda familiar per capita permaneça abaixo de R$ 706.

BOLSA FAMÍLIA

Bolsa Família é um programa social que proporciona renda à famílias em situação de pobreza e vulnerabilidade social.

O objetivo é garantir condições dignas de vida aos mais necessitados, reduzir a pobreza e a desigualdade social no país.

As famílias beneficiárias recebem valores mensais que variam conforme a composição e a renda familiar. Para manter o benefício, é necessário que crianças e adolescentes estejam matriculados na escola e com frequência escolar adequada, além de cumprirem o calendário de vacinação e acompanhamento de saúde.

O programa foi criado pelo Governo Federal em 2003 e desde então vem contribuindo para a redução da extrema pobreza e para a melhoria de indicadores sociais no País.

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