O presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis, Lubrificantes e Lojas de Conveniência de Mato Grosso do Sul (Sinpetro), Edson Lazarotto, afirmou nesta quinta-feira (19) que o preço dos combustíveis deve sofrer um novo aumento ainda nos próximos dias. A informação foi adiantada pela Presidente da Petrobrás, Magda Chambriard, que alegou que o aumento é “inevitável”.
“Hoje, quem vende combustível aqui em Mato Grosso do Sul não tem condições de manter o preço, de estabilizar o preço no Estado. Agora à tarde, a Presidente da Petrobrás falou que é inevitável um novo aumento devido justamente ao que está acontecendo. A guerra não parou, continua e está cada vez mais acelerada”, disse durante coletiva nesta tarde.
Larazotto reforçou que não há uma previsão de quando o aumento deve chegar ao consumidor final, mas que todas as medidas possíveis para segurar os preços já foram tomadas, inclusive as tentativas de diminuição do ICMS dos Estados.
Atualmente, cerca de 30% do combustível do Brasil é importado. Devido à guerra no Irã, que teve início em fevereiro, os preços de importação começaram a ser impactados, especialmente o diesel e a gasolina. Prova disso é que, em pouco tempo, o preço do barril de petróleo subiu de US$ 62 para US$ 120.
“A gente tem tentado falar com as distribuidoras, tentado o ‘meio de campo’ para que as coisas não ocorram de uma maneira tão grotesca como estão acontecendo a nível do Brasil, a ponto de chegar ao desabastecimento, como já está acontecendo em alguns postos”, afirmou.
Com os preços brasileiros pouco atrativos, o País deixou de ser um mercado vantajoso. Lazarotto explicou que navios com combustíveis estão deixando de atracar nos portos do Brasil e buscando mercados internacionais mais vantajosos.
Isso faz com que as distribuidoras precisem racionar a distribuição, entregando o mínimo possível devido à escassez e dificuldade de compra da Petrobrás. Como consequência, há volatilidade de preços, com valores mudando diariamente.
O preço da gasolina subiu, em média, R$ 0,40 nos postos de Campo Grande. Já não é possível encontrar o combustível com valor do litro menor que R$ 6 na Capital, realidade diferente que a do final do mês passado, com o início da guerra.
Sobre o diesel, o impacto vem sendo observado de forma mais rápida, com um aumento de R$ 1 em uma semana. Isso vem causando uma guerra de lados, entre os donos de Postos e a Petrobrás e órgãos governamentais, que zeraram os tributos e Confins do combustível.
Sobre os riscos de desabastecimento, o presidente afirmou que, neste momento, não deve acontecer, mas que o cenário causa incertezas.
“A guerra na Ucrânia, por exemplo, era para durar uma semana, e já dura dois anos. Nossa preocupação é que essa guerra no Oriente Médio continue por muito mais tempo, e aí sim, poderemos ter um cenário bem desfavorável”.
Os dois lados
Esse aumento nos preços de forma rápida e brusca também coloca os postos na mira do Procon, que tem aumentado as fiscalizações.
De acordo com o Secretário-Executivo do Procon em MS, Antonio José Angelo Motti, já foram registradas 15 reclamações relacionadas ao preço abusivo e duas denúncias de alteração do combustível em relação à bandeira.
Assim, uma reunião foi convocada na tarde desta quinta-feira com representantes das distribuidoras de combustível no Estado para entender qual a dinâmica do repasse dos combustíveis até chegar aos postos e como isso impacta no valor final ao consumidor.
“Nós queremos entender como é a dinâmica de cada uma, qual é o processo em que ela faz a aquisição de combustível, se é um processo direto, se é lento, como é que se comportam os preços dos combustíveis nessa comercialização com eles e se eles estão mantendo a margem de lucro que eles vinham praticando antes dessa alta do combustível no mercado internacional”, explicou.
Segundo o Secretário, é esperada uma reação moderada da reunião, tanto das distribuidoras e fornecedores, como do próprio Procon, que já está monitorando e fiscalizando as documentações e preços dos postos.
“Então a gente espera uma reação consciente e responsável daqueles que fazem parte dessa cadeia, desde a refinaria, distribuidora e dos fornecedores. É isso que a gente espera. Agora cada caso é um caso. A maioria dos fornecedores são pessoas de bem, mas sempre tem um que foge à regra. Esse, se denunciado, vai ser autuado na forma da lei”, afirmou.
O encontro teve início às 15h de hoje e reuniu representantes de 8 distribuidoras de combustíveis para Mato Grosso do Sul, além de equipes de fiscalização, atendimento, processos, orientação e demais colegiados do Procon/MS.




