Após 16 anos, a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (Fecomércio) ganhou uma nova presidência em Mato Grosso do Sul.
Juliano Wertheimer é o mais novo presidente da Fecomércio-MS, assumindo a administração de 2026 a 2030.
Ele venceu as eleições em 12 de maio, sob discussão judicial, embates na justiça e tentativa de anular sua vitória.
Interrogado pelo Correio do Estado, em sua posse na tarde desta terça-feira (16), sobre o que esperar de sua administração após longos anos de um mesmo mandato, Weitheimer respondeu que o foco será o empresário, sindicatos de base e desenvolvimento econômico.
“Agora a gente vai ter uma gestão com um olhar da porta pra fora. O que vocês podem esperar é uma gestão compartilhada, então nós vamos governar juntos, ouvindo muito as pessoas, indo nas regiões, interiorizando as nossas ações e principalmente com foco no desenvolvimento econômico e nos empresários que alimentam o sistema”.
A nova gestão chega após três décadas de uma mesma diretoria, presidida por Edison Ferreira de Araújo, que ocupou cargos de presidente e vice-presidente por vários anos consecutivos.
PERFIL
Juliano Wertheimer nasceu em 8 de setembro de 1979 em Porto Alegre (RS) e tem 46 anos.
É empresário do ramo de alimentação fora do lar. É presidente do Sindicato Empresarial de Hospedagem e Alimentação (Sindha MS), eleito para o segundo mandato até 2030.
É vice-presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (ABRASEL-MS). É delegado representante do Sindicato junto a Fecomércio MS, membro do Conselho Regional do Sesc MS e Senac MS e Vogal da Junta Comercial.
POSSE
A posse ocorreu na tarde desta terça-feira (16), na sede do Senac Hub Academy, localizado na rua Francisco Cândido Xavier, número 75, Centro, em Campo Grande.
Em sua posse, Wertheimer abordou vários assuntos, como objetivos/expectativas/desafios de sua nova gestão, Rota Bioceânica, juros/inadimplência, dificuldade de mão de obra, turismo de negócios, diminuição do movimento no Centro de Campo Grande, fim da escala 6x1, eleição da Fecomércio, novos hubs e empreendimentos em Bonito (MS).
Confira detalhadamente cada um:
NOVA ADMINISTRAÇÃO
O foco será o empresário, sindicatos de base e desenvolvimento econômico.
“Agora a gente vai ter uma gestão com um olhar da porta pra fora. O que vocês podem esperar é uma gestão compartilhada, então nós vamos governar juntos, ouvindo muito as pessoas, indo nas regiões, interiorizando as nossas ações e principalmente com foco no desenvolvimento econômico e nos empresários que alimentam o sistema. A gente só constrói o futuro olhando para o passado. Hoje a gente teve uma linda apresentação do ex-presidente com as realizações dos últimos 16 anos. Hoje somos os maiores formadores de mão de obra técnica e profissional do estado”.
DESAFIOS NA NOVA GESTÃO
Wertheimer afirmou que irá enfrentar desafios e dificuldades de cabeça erguida e conta com o apoio do Estado e Prefeitura.
“os desafios a gente vai enfrentar com responsabilidade, com empenho e eu tenho certeza que estrutura e parceria do resto do estado, das federações, do governo e das prefeituras não vai nos faltar. A gente pega uma casa muito preparada para o desenvolvimento, um time muito engajado. Tu vai ter um time que a gente não vai fechar os olhos para dificuldades. as dificuldades são inerentes, várias dificuldades podem chegar aqui”.
CRESCIMENTO EM MEIO A JUROS ELEVADOS E INADIMPLÊNCIA
O novo gestou apresentou possibilidades de como o comércio sul-mato-grossense pode crescer em meio a juros elevados, inadimplência e mudanças no consumo.
“A gente tem que preparar os empresários para o novo momento em que o setor deles enfrenta. A nossa responsabilidade vai ser levar para os pequenos a formação, a integração, a inovação para dentro dos menores negócios. Quando tu fala das taxas de juros, um dos nossos compromissos é trabalhar com taxas mais competitivas, comerciais, para os nossos empresários. Porque tu pega, por exemplo, um bar, um restaurante ou um grande posto de gasolina, eles vão lá pagar 1,5%, 1,8% de juros no crédito, mas a média que um pequeno estabelecimento paga de juros numa maquininha de cartão de crédito é 3,5%”.
COMÉRCIO/SERVIÇOS x “BOOM” DA ROTA BIOCEÂNICA E INDÚSTRIAS DE CELULOSE
A Fecomércio pretende capacitar/qualificar fucionários para lidar com a expansão impulsionada pelos grandes investimentos, como indústria da celulose e na Rota Bioceânica.
“Nós vemos grandes empresas implantando suas operações aqui, vemos outras grandes empresas de fora atendendo as suas demandas de serviço de fornecimento e pouca atuação das empresas locais. A gente traz ele [o empresário] para dentro de casa, tanto com o SEBRAE, que é o nosso braço de consultoria e desenvolvimento de micro, pequenas e médias empresas, como o SENAC, que é onde vai qualificar esses funcionários na ponta e prepará-los para aí sim eles atuarem e conseguirem receber essa riqueza que as grandes empresas trazem pra nós. E, naturalmente, Eles vão precisar de uma mão de obra que vai ser formada aqui em casa, dentro do SENAC”.
FALTA DE MÃO DE OBRA
Para Wetheimer, a falta de mão de obra é um dos principais problemas do empresário atual e o maior desafio é o próprio ser humano que precisa querer se qualificar.
“Todos os setores da economia precisam de funcionários qualificados. A maior dificuldade é a pessoa querer ter essa formação. Então, muitas vezes, tu vai numa comunidade, olha, tem um curso de graça, tem um lanche, tu vai sair de lá com um salário de dois mil reais. Às vezes tu não consegue fechar uma turma.acho que o maior desafio é engajar as pessoas que estão alheias ao mercado de trabalho pra enxergar o valor de uma formação técnica”.
ROTA BIOCEÂNICA
De acordo com Wertheimer, a Rota Bioceânica vai demandar capacidades altas de atendimento, as quais Mato Grosso do Sul, atualmente, não tem como oferecer. Com isso, é preciso achar soluções para tal empecilho.
“Se resolver fazer uma conferência nacional da empresa dela, na capital mundial da celulose que somos nós, se quiser botar 10 mil pessoas no ar-condicionado, não temos local. Se precisar de duas mil vagas de estacionamento, não temos onde colocar. Sobre o show do Guns N' Roses, tu vê a riqueza que um evento de duas horas proporciona numa cidade como a nossa. Junto da biociânica, há necessidade de um centro de convenções para atender as grandes empresas, além das oportunidades de alguns logísticos, de prestação de serviços para alimentar toda essa cadeia”.
CENTRO DE CAMPO GRANDE
Wertheimer se mostrou insatisfeito com o baixo movimento de consumidores e moradores no centro de Campo Grande, além da insegurança.
“Eu enxergo com muita preocupação a situação do Centro de Campo Grande, a gente falou da segurança pública e assim informalmente a gente já tem conversado com as lideranças de segurança, tanto do estado como do município e eu acho que a gente tem um papel decisivo de ajudar a construir uma opinião pública que enxergue a necessidade de sermos mais vínculos na questão de segurança”.
De acordo com o presidente, a construção de habitações poderia reviver o centro.
“O que a gente observa em Belo Horizonte, São Paulo e outras grandes capitais que tem um centro que há pouco tempo atrás eram decadentes, Hoje são centros que eles têm colocado através de empreendimentos imobiliários habitacionais, e uma vez que tu começas a habitar, tu começas a precisar de tudo, de mercado, de farmácia, de loja, e aí tu passa a ter vida”.
FIM DA ESCALA 6x1
O presidente é contra a escala 6x1.
“Primeiro dizer que o fim da 6X1 é uma catástrofe. Nenhum país do mundo impõe jornada. Se discute horas de trabalho. Ele diz quantos dias por semana um trabalhador trabalha ou não.Isso é inédito. Primeira vez que a gente inova negativamente. Quer trabalhar menos e ganhar igual? 90% Respondeu sim. Agora, na medida que a população foi entendendo os impactos, ela foi mudando de opinião. Hoje as pesquisas nacionais já dizem que tem apenas 57% de aprovação da população. Você vai dizer, bom, vamos trabalhar menos, mas vamos ganhar igual. Não. Vai haver o empobrecimento dessas pessoas. Então, continuam ganhando igual, mas valendo menos. Já temos pouco mão de obra. Com isso, vai faltar mais mão de obra ainda”.
NOVO HUB – CENTRO DE CONVENÇÕES
Em sua gestão, Wertheimer quer montar um centro de convenções com capacidade para milhares de pessoas, com o objetivo de trazer novos eventos para Campo Grande e competir com outras cidades do Centro-Oeste.
“Um centro de convenções vai trazer uma pessoa que vai gastar no hotel, no restaurante, vai alugar o carro, vai fazer compras, vai naturalmente demandar algum serviço nosso. E muitas vezes ele se torna num turismo de lazer com uma pessoa que vem uma vez, duas e depois volta pra instalar alguma empresa aqui.A gente não quer competir com São Paulo, a gente quer competir com Cuiabá, Goiania e Brasília, porque todos os eventos nacionais do Centro-Oeste, nós perdemos para Cuiabá, Cuiabá e Brasília, que tem muito mais estrutura do que nós para grandes eventos.
PÓS ELEIÇÃO
O novo presidente venceu as eleições sob discussão judicial, embates na justiça e tentativa de anular sua vitória. De acordo com ele, a situação já está mais calma e houve aceitação da vitória por todas as partes.
“Houve um apaziguamento da situação, houve um consenso na posse de hoje, onde houve o reconhecimento da vitória. Eu acho que tem que ter, depois disso, a versão com harmonia, porque no dia seguinte estamos todos juntos e temos aí, pelo menos, quatro anos pela frente para construir juntos. Eu preciso trabalhar pelos que votaram em mim e pelos que não votaram”.
Ele deixou claro que sua vitória não esteve subjudice em nenhum momento. “ importante dizer que apesar do discurso até aqui ser de eleição subjúdice, não tinha nada de subjúdice”.



