Economia

linha férrea

Rumo tenta barrar fiscalizações finais da ANTT na Malha Oeste

Concessão termia no dia 30 de junho e fiscalização é essencial para diagnóstico sobre cumprimento das obrigações contratuais

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A empresa Rumo tenta barrar fiscalizações finais da ANTT nos 1.973 km da linha férrea Malha Oeste que vão levantar as reais situações da ferrovia necessárias ao encerramento da concessão no dia 30 de junho.  A empresa, que tem mais de R$ 105,3 milhões em multas acumuladas por irregularidades na linha férrea, se negou a fornecer veículos para as inspeções agendadas a partir de segunda-feira (8), até 26 de junho, no trecho entre Três Lagoas e Corumbá, alegando que em alguns pontos estão intransitáveis.

Para transpor este posicionamento, o Gerente de Fiscalização de Infraestrutura e Serviços da autarquia, Daniel Santos, assinou uma Nota Técnica, em 27 de maio,  propôs Medida Cautelar “a fim de que a Concessionária RMO (Rumo Malha Oeste) providencie as ações de roçada e capina, bem como adote as demais providências necessárias para viabilizar a circulação na via férrea, com vistas à realização das Inspeções de Encerramento da Concessão da Malha Oeste.”

Esta determinação aconteceu após a empresa afirmar em reunião de alinhamento com a ANTT, realizada no dia 21 de maio, “que não disponibilizaria veículos ferroviários para esta, referindo-se ao trecho entre Bauru (SP) e Três Lagoas (MS) e para as demais inspeções” e em seguida apresentar uma carta na qual a Concessionária consignou que "o acesso ao trecho não poderá ser realizado por meio de modo ferroviário, haja vista a presença de vegetação densa que impede a circulação entre pontos de interdição".

No mesmo documento, a Rumo afirmou eu que não será fornecido veículo ferroviário para as demais inspeções, exceto nos segmentos entre Corumbá e Porto Esperança, em Mato Grosso do Sul,  e entre Mairinque e Iperó (duas cidades paulistas), que juntos somam 166 km, a que representa apenas 8% da Malha Oeste.

Com essa postura, as inspeções finais programadas pela ANTT antes do encerramento do contrato, que ocorre no dia 30 deste mês, não poderão ser realizadas nos trechos:

  • Indubrasil (Campo Grande)-Corumbá/MS, Ramal de Porto Esperança e Ramal de Ladário, prevista para começar na próxima segunda-feira (8) até dia 12;
  • no trecho entre Três Lagoas/MS – Indubrasil (Campo Grane) entre os dias 22 e 26;  
  • no trecho Indubrasil (Campo Grande) – Ponta Porã/MS, a ser realizada no período entre 22 e 26.

No documento é ressaltando que estas fiscalizações “revestem-se de importância ainda maior, destacando que são essenciais para que a ANTT tenha uma avaliação final da concessão da Malha Oeste, “de modo a consolidar um diagnóstico abrangente sobre o cumprimento das obrigações contratuais, a qualidade dos serviços prestados e o estado de conservação dos bens da concessão, dentre outros aspectos. Essa análise permite não apenas apurar eventuais responsabilidades e subsidiar decisões quanto à indenizações, mas também extrair informações relevantes para o aprimoramento regulatório, contribuindo para maior eficiência, transparência e segurança jurídica do setor.”

É enfatizado que não tem sustentação a justificativa  para não disponibilizar veículos ferroviários, já que “é dever elementar da Concessionária, nos termos dos Contratos de Concessão e Arrendamento, promover a adequada capina e roçada da Malha. A presença de vegetação densa afronta os deveres de manter as condições de segurança operacional, responsabilizar-se pela conservação e manutenção dos bens arrendados, manter a continuidade do serviço concedido, zelar pela integridade dos bens, dentre outros deveres estabelecidos nos Contratos de Concessão e Arrendamento.”

Na avaliação do gerente da ANTT, a Rumo não pode justificar a falta de apoio à fiscalização, o que corresponde a descumprimento de obrigações legais e contratuais, com outro descumprimento contratual: de não realizar capina e roçada.

Ele argumenta que caso os fiscais da ANTT “não consigam transitar com veículo ferroviário na Malha Oeste, as Inspeções de Encerramento da Concessão da Malha Oeste restarão obstadas pela Concessionária, de modo que os elementos a serem colhidos serão em quantidade muito inferior ao que seria possível de se verificar.

Inclusive, não apenas as inspeções da ANTT seriam prejudicadas, mas também o próprio trabalho de Levantamento das Bases de Passivos e Ativos que está sendo realizado por Verificador Independente, que realizará o levantamento de dados em campo no período de 15 a 19 de junho de 2026.”

Com esses argumentos, a nota técnica afirma que existem requisitos jurídicos para a adoção de medida cautelar: (i) Periculum in mora e (ii) Fumus boni iuris.

Em relação ao de Periculum in mora, ressalta que as inspeções devem ser realizadas antes do término contratual, dia 30 de junho de 2026, havendo “risco iminente de prejuízo grave e de difícil reparação decorrente do imotivado embaraço da Concessionária frente aos trabalhos de fiscalização da ANTT e de levantamento de ativos e passivos do Verificador Independente. Caso a Concessionária não promova as ações de roçada e capina, restará prejudicada a adequada verificação das condições da via permanente, da faixa de domínio e dos pátios ferroviários.”

Já o fumus boni iuris “encontra-se evidenciado pelos deveres legais, contratuais e regulatórios impostos à Concessionária de assegurar condições adequadas de acesso, conservação e operacionalidade da infraestrutura ferroviária concedida e arrendada, bem como de colaborar integralmente com as atividades de fiscalização da ANTT e com os procedimentos relacionados ao encerramento da concessão. A omissão da Concessionária quanto à realização das medidas mínimas de roçada e capina necessárias à inspeção da malha ferroviária revela o descumprimento de suas obrigações legais, contratuais e regulatórias, além de afronta aos princípios da eficiência, da continuidade do serviço público e da supremacia do interesse público, legitimando a adoção de providências cautelares pela Agência.”

Na conclusão, é proposta a edição de Medida Cautelar para que a Rumo faça a roçada e a capina e adote as demais providências necessárias para viabilizar a circulação na via férrea para que as inspeções possam ser feitas.

Com esta avaliação, foi apresentada uma minuta de portaria, no dia 27 deste mês, na qual a ANTT determinar que a concessionária “promova, de forma imediata, a execução dos serviços de roçada e campina, conforme cronograma contido no Anexo I desta Portaria (com os períodos das fiscalizações), bem como adote as demais providências necessárias para viabilizar a circulação na via férrea, com vistas à realização das Inspeções de Encerramento da Concessão da Malha Oeste”, definindo que o descumprimento será punido com multa.

Só que a empresa já foi autuada em R$ 105,363 milhões pelo abandono da linha férrea Malha Oeste nos últimos anos. Só entre 2021 e 2024, a Agência Nacional de Transportes (ANTT) aplicou 74 multas na empresa por não cuidar da faixa de domínio, abandonar prédios e não trocar dormentes.

Este valor  foi apresentado em outra Nota Técnica, desta vez da SUFER (Superintendência de Transporte Ferroviário), que aponta que em novembro de 2024 o total em multas chegava a R$ 80 milhões. Só que este valor apresentado pela empresa Houer Consultoria e Concessões Ltda, contratada pela INFRA S.A. como Verificadora Independente da RMO, deverá ser maior  chegando a R$ 105,3 milhões, conforme relatório apresentado no final do ano passado.

Fisco federal

Suspeitas de fraude, distribuidoras de combustíveis de MS têm dívida bilionária

Empresas sediadas em Iguatemi, no sul do Estado, lideram a lista de devedores da União; uma delas é alvo da Operação Carbono Oculto

27/07/2026 05h00

Técnicos da Agência Nacional do Petróleo fecharam base de distribuidora de combustíveis fantasma em 2025

Técnicos da Agência Nacional do Petróleo fecharam base de distribuidora de combustíveis fantasma em 2025 Divulgação

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As distribuidoras de combustíveis continuam liderando a lista de devedores de tributos federais em Mato Grosso do Sul. Elas são as únicas empresas do Estado cuja dívida com a União rompe a casa dos bilhões de reais.

O destaque na lista da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) também diz respeito à localização das empresas que deixaram de recolher bilhões em impostos: a pequena cidade de Iguatemi, no cone sul do Estado, distante 360 quilômetros da Capital, Campo Grande.

A dívida das empresas Alpes Comércio de Combustíveis e Vetor Comércio de Combustíveis, somada, aproxima-se de R$ 5 bilhões. Para ser mais preciso, a atualização mais recente da PGFN indicava uma dívida de R$ 4,9 bilhões.

A maior devedora do Fisco federal em Mato Grosso do Sul é a Alpes Comércio de Combustíveis Ltda., empresa investigada em duas operações da Polícia Federal, da Receita Federal e do Ministério Público do Estado de São Paulo: a Carbono Oculto e a segunda fase desta, a Fluxo Oculto.

A dívida da Alpes, empresa de fachada no esquema de fraude fiscal alvo da Operação Carbono Oculto, é de R$ 2,93 bilhões. A suspeita é de que a empresa, que integra o esquema do qual a organização criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) possa estar envolvida, nem sequer tenha distribuído combustível a partir de Mato Grosso do Sul, tendo sido apenas uma emissora de notas fiscais para o esquema.

Máfia dos combustíveis

A organização criminosa investigada é liderada por Mohamad Hussein Mourad, conhecido como Primo ou João, que atua como o epicentro de um esquema bilionário que abrange toda a cadeia produtiva de combustíveis, desde usinas sucroalcooleiras até redes de postos. Ao lado dele está Roberto Augusto Leme da Silva, o Beto Louco, identificado como o colíder do grupo, exercendo funções cruciais na gestão operacional de empresas centrais, como a formuladora Copape e a distribuidora Aster. Juntos, eles comandam uma estrutura profissionalizada que utiliza fundos de investimento e centenas de empresas de fachada para ocultar a origem ilícita de recursos e realizar fraudes tributárias.

A Alpes Distribuidora de Petróleo Ltda., que deve quase R$ 3 bilhões ao Fisco e está localizada em Iguatemi, desempenha um papel fundamental nesse ecossistema, servindo como um dos principais canais para a distribuição de etanol produzido pelas usinas controladas pelo grupo, como a Itajobi e a Carolo.

A empresa é apontada como parte de uma engrenagem de fraude fiscal estruturada, tendo sido utilizada em esquemas de inflacionamento artificial de preços de insumos para a obtenção de créditos indevidos do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços (ICMS) e sonegação de impostos.

No ano passado, a Agência Nacional do Petróleo (ANP), chegou a interditar a base fantasma da empresa (e outras cinco laranjas, pelo menos) em Iguatemi.  

O controle da Alpes pela organização criminosa é exercido por meio de um sistema de laranjas (interpostas pessoas), em que os proprietários formais, Alexandre Pinheiro Leitão e seu filho, apresentam perfis financeiros absolutamente incompatíveis com o faturamento bilionário da distribuidora.

O vínculo de fato com os líderes Mohamad e Beto Louco, que estão foragidos da Justiça há quase um ano, é reforçado por evidências logísticas, como o compartilhamento de sedes físicas com outras empresas do núcleo familiar de Mohamad. Por exemplo, uma filial da Alpes divide o mesmo espaço com a Safra Distribuidora, presidida por Armando Hussein Ali Mourad, irmão de Mohamad.

Essa estrutura de blindagem patrimonial permite que os verdadeiros líderes operem o negócio e lavem capitais sem aparecer formalmente nos registros societários.

Empresa paranaense

A segunda maior devedora, embora não seja alvo da Operação Carbono Oculto, também movimenta quantidade significativa de combustível, com poucas evidências de que esse combustível tenha sido comercializado em Mato Grosso do Sul. Trata-se da Vetor Comércio de Combustíveis, que deve R$ 2,04 bilhões ao Fisco federal.

A empresa, cujo sócio-administrador que aparece em seu contrato social é Servio Tulio Fagotti Zaqueti, responde a vários processos de execução fiscal na Justiça Federal em Mato Grosso do Sul e nos estados de São Paulo e do Paraná.

Nos últimos meses, a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional acionou a Justiça para cobrar a dívida tributária, mas não obteve sucesso ao tentar intimar a formuladora de gasolina e distribuidora de combustíveis na pequena cidade de Iguatemi.

No ano passado, quando o Correio do Estado publicou reportagem com a mesma lista de devedores, o total devido pela Vetor era menor, mas não menos significativo: R$ 1,6 bilhão.

Copape

A Copape Produtos de Petróleo Ltda., formuladora de combustíveis ligada ao ecossistema de Mohamad Hussein Mourad, o Primo, e Beto Louco, não aparece mais na lista. No ano passado, a empresa, sediada em um edifício na Rua da Paz, em frente ao Fórum Heitor Medeiros, em Campo Grande, devia nada menos que R$ 476,9 milhões ao Fisco nacional.

Tudo indica que o endereço na Capital sul-mato-grossense é apenas burocrático. A Copape operava fortemente no estado de São Paulo, na cidade de Guarulhos, e chegou a comercializar volumes expressivos, competindo com grandes players do mercado, como os grupos Ultra (Ipiranga) e Vibra (BR Distribuidora).

 

ascensão

Lula diz que chegada da BYD na Bahia levou a indústria automobilística a acordar e investir

BYD é uma gigante multinacional chinesa de veículos elétricos e híbridos

26/07/2026 20h00

Foto: reprodução Instagram @lulaoficial

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse que a vinda da Build Your Dreams (BYD) para a Bahia "fez a indústria automobilística brasileira acordar e fazer investimento, e por isso a empresa voltou a crescer outra vez".

A declaração foi feita na posse do presidente do sindicato dos metalúrgicos em São Bernardo do Campo (SP), neste domingo, 26.

"Fazia mais de 15 anos que a indústria automobilística não anunciava um produto novo. A Ford foi embora e outras empresas foram embora. Depois que eu ganhei as eleições, em 2025, a indústria automobilística anunciou investimentos de R$ 190 bilhões", disse Lula.

Ele acrescentou: "A vinda da BYD fez a indústria automobilística brasileira acordar e fazer investimento, e por isso a empresa voltou a crescer outra vez".

No mesmo evento, Lula disse que terá um telefonema com o presidente da China, Xi Jinping, ainda neste domingo, às 22h. Ele não informou a pauta da conversa.

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