Economia

ESTUDO

Selo do Procel motiva economia de 15 bilhões de KWh em um ano

O volume cresceu 29,74%, em relação ao ano anterior

FOLHAPRESS

09/09/2017 - 14h36
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O consumidor brasileiro evoluiu na busca de produtos com mais eficiência energética e o selo do Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica (Procel) para esses produtos tem sido decisivo na hora da compra de eletrodomésticos e outros equipamentos. Em 2016, foram vendidos 42 milhões de aparelhos com o selo, como mostra o Relatório de Resultados 2017, referente a dados de 2016.

Em 2016, as ações do Procel motivaram a economia de aproximadamente 15,15 bilhões de KWh. O volume cresceu 29,74%, em relação ao ano anterior e equivale à energia fornecida durante um ano por uma usina de 3.634 MW.

“Há uma demanda do consumidor, que cada vez mais pede e percebe isso”, disse à Agência Brasil o secretário-executivo do Ministério de Minas e Energia, Paulo Pedrosa.

Na visão do professor de Planejamento energético do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa em Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe/UFRJ), André Lucena, existe um movimento de incentivo à compra de produtos mais eficientes, mas nas classes de renda mais baixa, o consumidor costuma optar pelo mais barato. “Se tem preços parecidos até vai comprar o mais eficiente se tiver esta informação, mas não vai ser o único critério na hora da compra", disse.

Pedrosa sugeriu ainda que o consumidor deve ser incentivado a regular os aparelhos para economizar energia. “O consumidor pode ser informado, que em determinado momento, pode mudar o termostato dele de 24 graus para 26 graus e com isso economizar um dinheiro. Muitas vezes até de forma eletrônica e automática isso pode ser feito. Ou uma máquina de lavar que lava a roupa por exemplo de madrugada. Esses ganhos de eficiência melhoram muito o setor e reduzem o custo para todos. Eles [os consumidores] precisam ser estimulados”, indicou.

Incentivos à modernização

Para o secretário-executivo, para avançar ainda mais o setor de energia precisa se atualizar e se modernizar. Na visão de Pedrosa, ele ficou imune à evolução tecnológica durante muitos anos. “Hoje ele [o setor] está sendo questionado pela geração distribuída, pelos medidores inteligentes, pelos consumidores inteligentes e pela demanda da sociedade, das indústrias, do comércio e do consumidor residencial de participar do mercado. Isso no mundo inteiro é um fator de eficiência para o setor”, disse.

A indústria deveria ser incentivada na produção de equipamentos eficientes, na opinião do professor da Coppe. Lucena contou que no Japão tem um programa chamado Top Runner, que impõe períodos para os produtores ampliarem a eficiência de seus equipamentos. “É como se fosse um sarrafo cada vez mais alto. Se for comparar o sarrafo brasileiro com o sarrafo japonês ou europeu, o brasileiro não é alto comparativamente aos outros. Um programa que colocasse metas de eficiência nos equipamentos no longo prazo dá tempo da indústria se ajustar”, concluiu.

A superintendente de Gestão de Participações em Sociedades de Propósito Específico e programas de governo da Eletrobras, Renata Falcão, informou que desde 85, quando foi criado, o Procel "conseguiu economizar em torno de 107 bilhões de KW/h, o que é muita coisa. Só em 2016, a gente teve uma economia de 3,3% do consumo total do Brasil. Com isso, se deixou de investir R$ 3 bilhões para fazer a oferta de geração de energia”.

Atualmente, 39 categorias de equipamentos são certificadas pelo selo Procel. A lista de produtos inclui não apenas eletrodomésticos, mas também painéis fotovoltaicos de geração de energia, bombas centrífugas e lâmpadas a vapor de sódio e led, entre outros.

Outras iniciativas

O Procel também certifica edificações e municípios com uso eficiente de energia. Com Selo Procel Edificações, foi possível economizar 4,63 GWh apenas em 2016. Esse tipo de selo incentiva a redução do custo operacional das construções e também do uso e manutenção dos imóveis. “As construtoras que trabalham para os níveis de renda A e B estão muito preocupadas com isso, porque vendem para uma classe que quer sustentabilidade e eficiência. Ao mesmo tempo [o projeto de eficiência energética nos prédios] resulta em propaganda positiva para a construtora”, afirmou Renata.

Em relação às prefeituras,  o Procel Gestão Energética Municipal contribui para reduzir custos e evitar desperdícios de energia elétrica e o Procel Reluz desenvolve sistemas eficientes de iluminação pública e de semáforos. Com a troca das lâmpadas por modelos mais econômicos (a vapor de sódio ou por luminárias led), o Procel Reluz gerou economia de 62,64 KWh em 2016 – a redução de demanda no horário de ponta alcançou 14,30 mil KWh. Desde 2000, cerca de 2,78 milhões de pontos de iluminação pública foram substituídos no país.

“O Reluz teve um apelo maior, porque além de economizar energia, tem a questão de segurança e do turismo e diminui as contas municipais de prefeituras endividadas. Junto com o selo é um carro-chefe do Procel”, disse Renata.

Menos poluição

A economia de geração de energia com o uso mais eficiente evitou que 1.238 milhão de toneladas de gás carbônico (CO2) fossem liberadas na atmosfera, o que corresponde às emissões de 425 mil veículos durante um ano.

Para a pesquisadora da Fundação Getulio Vargas Energia (FGV Energia), Mariana Weiss, o investimento feito em eficiência energética é o mais barato e seguro que pode ser feito no setor, porque vai impedir a expansão maior do sistema elétrico e de emissões de gases. A economia de energia alcançada pode evitar até o acionamento de usinas térmicas, que são mais poluidoras.

Mariana incentiva que o consumidor use equipamentos eficientes e fora do horário de pico. “Qualquer redução de consumo de energia que tiver no horário de ponta, tem uma queda no custo muito maior”.

Ela também fez referência à iniciativa de alguns municípios de incentivar construções mais eficientes por meio do IPTU Verde, como já acontece por exemplo no Rio de Janeiro, Curitiba e Belo Horizonte. “O consumidor que decide fazer essa construção verde, além de ter a redução no consumo de energia e de água, ainda tem redução do IPTU e vai conseguir ter o retorno do investimento muito mais rápido”, afirmou a pesquisadora.

Energia Elétrica

Aneel aprova tarifaço nas contas de energia em MS

Reajuste anual das tarifas da Energisa Mato Grosso do Sul fica definido em um efeito médio de R$12,11% a mais no bolso do consumidor

22/04/2026 09h14

Conforme a Resolução Homologatória (REH), o índice que passa a ser percebido é de 12,11%, sendo 12,39% para os consumidores em Alta Tensão e 11,98% para aqueles em Baixa Tensão.

Conforme a Resolução Homologatória (REH), o índice que passa a ser percebido é de 12,11%, sendo 12,39% para os consumidores em Alta Tensão e 11,98% para aqueles em Baixa Tensão. Gerson Oliveira/Correio do Estado

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Após decisão tomada através de votação na Superintendência de Gestão Tarifária e Regulação Econômica (STR), a Agência Nacional de Energia Elétrica aprovou o chamado "tarifaço" nas contas de energia em Mato Grosso do Sul, como consta na ata de voto publicada pela Aneel com data desta quarta-feira (22). 

Vale lembrar que, comumente os reajustes acontecem até o fim da primeira semana de abril, mais tardar dia oito, com esse aumento previsto tendo sido adiado mais de uma vez enquanto tramitava pelos corredores da Aneel. Há uma semana, por exemplo, de forma inédita o diretor-geral da agência pediu destaque mesmo não tendo votos divergentes para a definição da tarifa. 

Agora, conforme ata de voto publicada pela Aneel, com a pauta da 8ª reunião pública ordinária da diretoria, o processo de reajuste anual das tarifas da Energisa Mato Grosso do Sul fica definido em um efeito médio de R$12,11% a mais no bolso do consumidor. 

Conforme a Resolução Homologatória (REH), o índice que passa a ser percebido é de 12,11%, sendo 12,39% para os consumidores em Alta Tensão e 11,98% para aqueles em Baixa Tensão.

Além disso, a REH também estabelece os seguintes pontos: 

  • FIXAR as Tarifas de Uso dos Sistemas de Distribuição (TUSD) e as Tarifas de Energia Elétrica (TE) aplicáveis aos consumidores e usuários da EMS.
  • ESTABELECER os valores da receita anual referente às instalações de conexão classificadas como Demais Instalações de Transmissão (DIT) de uso exclusivo; e
  • HOMOLOGAR o valor mensal de recursos da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE) a ser repassado pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) à EMS, de modo a custear os descontos retirados da estrutura tarifária.
Conforme a Resolução Homologatória (REH), o índice que passa a ser percebido é de 12,11%, sendo 12,39% para os consumidores em Alta Tensão e 11,98% para aqueles em Baixa Tensão.

Entenda

A votação para esse aumento já havia aprovado o reajuste médio de 12,11% para a tarifa de energia elétrica para 1,15 milhão de consumidores, em 74 municípios sul-mato-grossenses atendidos pela Energisa MS, há pelo menos uma semana. 

Essa novela em cima da atualização anual começou ainda dia 6 deste mês, quando a Energisa MS apresentou ofício comunicando que aceita o adiamento em uma semana para: "contribuir com a avaliação de possíveis alternativas destinadas a mitigar os impactos de reajustes tarifários aos clientes”.

Nesse cenário, como citado anteriormente haverá variação nos percentuais de acordo com a tensão da rede utilizada, ficando em 12,39%,em média,  para empresas, e 11,98% para o consumo de baixa tensão.

O reajuste para cliente residencial será de 11,75%. Esses índices seriam maiores, porém, a autarquia consultou a empresa, a pedido do Ministério de Minas e Energia, sobre a possibilidade de abrir mão de R$ 21 milhões em custos no cálculo.

A proposta foi acatada pela empresa, resultando na diminuição de meio ponto percentual no reajuste, após a diretoria colegiada adiar a decisão em cerca de duas semanas agora. 

Pelos valores anteriores, o reajuste médio seria de 12,61%, sendo 12,49% a mais aos consumidores de baixa tensão, enquanto os de alta teriam aumento até 12,88%, conforme dados da planilha apresentada em 30 de março.
**(Colaborou Clodoaldo Silva, de Brasília).

 

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Disparada

CNJ cria regras para conter recuperação judicial no agro

Critérios endurecem comprovação de crise financeira e reforçam análise técnica da atividade rural diante da alta de pedidos

22/04/2026 08h00

Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

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Diante do forte aumento dos pedidos de recuperação judicial no agronegócio, que em Mato Grosso do Sul cresceram 118%, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) publicou neste mês o Provimento nº 216/2026, estabelecendo critérios mais rigorosos para o acesso dos produtores rurais ao instrumento de reestruturação de dívidas. 

A norma orienta magistrados de primeira instância sobre a aplicação da legislação após as alterações nas Leis nº 11.101/2005 e nº 14.112/2020, diante da preocupação com interpretações divergentes que afetam o crédito rural.

O texto, assinado pelo corregedor nacional de Justiça, ministro Mauro Campbell Marques, foi editado “com o objetivo de assegurar a segurança jurídica e a estabilidade econômica do setor agropecuário”, diante da “complexidade e especialidade dos processos de recuperação judicial, tendo como devedor o empresário produtor rural, pessoa física ou jurídica”.

O aumento dos pedidos reforçou a necessidade de padronização. No Estado, foram 216 solicitações em 2025, volume 118% superior ao de 2024 e 756% maior que o registrado em 2023, quando houve apenas 25 casos, segundo a Serasa Experian. Em 2024, o número já havia subido para 99.

O crescimento foi impulsionado por juros elevados, oscilações de preços e mudanças no mercado agrícola.

Pelo provimento, o produtor rural deverá demonstrar efetiva insolvência ao protocolar o pedido, comprovando insuficiência de recursos financeiros para quitar dívidas e apresentando laudos sobre as condições operacionais da atividade, incluindo maquinário, estrutura produtiva e garantias vinculadas às safras.

O magistrado poderá nomear perito para verificar as informações e confirmar se o devedor exerce a atividade rural pessoalmente, sendo vedado o benefício a quem apenas arrenda terras ou participa de sociedades sem assumir o risco da produção.

O CNJ também definiu quais créditos não podem ser incluídos na recuperação judicial, como valores renegociados com instituições financeiras antes do pedido, financiamentos contratados nos três anos anteriores para aquisição de propriedade rural e operações de antecipação de câmbio para exportação.

O documento estabelece ainda que “os créditos e as garantias cedulares vinculados à Cédula de Produto Rural (CPR) com liquidação física, nos casos de antecipação parcial ou integral do preço, ou quando representarem operação de troca por insumos (barter)”, não se submetem aos efeitos da recuperação, salvo em situações de caso fortuito ou força maior.

Outro ponto destacado é que “tratando-se de credor titular da posição de proprietário fiduciário de bens móveis ou imóveis [...] prevalecerão os direitos de propriedade sobre a coisa e as condições contratuais”, preservando garantias essenciais ao financiamento da atividade rural.

EQUILÍBRIO

Especialistas avaliam que a medida busca preservar o equilíbrio do sistema de crédito agrícola. Para André Aidar, sócio e head de Direito do Agronegócio no Lara Martins Advogados, o uso recorrente da recuperação judicial pode gerar distorções no mercado.

“Quando a recuperação judicial se torna previsível, ela deixa de cumprir plenamente sua finalidade. Credores passam a precificar o risco de inadimplemento de forma sistêmica, elevando custos, endurecendo garantias e reduzindo a flexibilidade contratual. O resultado é um ambiente mais caro e menos eficiente para todos, inclusive para produtores financeiramente saudáveis”, afirma.

Segundo ele, a banalização do instrumento afeta toda a cadeia de financiamento. “A recuperação judicial, quando utilizada de forma recorrente, fragiliza o próprio sistema de financiamento do agronegócio, pois transfere custos e incertezas para toda a cadeia”, explica.

Na avaliação do advogado Leandro Provenzano, integrante da Comissão de Direito do Agronegócio da OAB-MS, a alta nos pedidos é reflexo de fatores estruturais.

“O produtor brasileiro tem custo elevado porque a maioria dos insumos é importado e cotado em dólar. Só a semente tem produção local, o restante [fertilizantes, defensivos, corretivos de solo] vem de fora. Isso encarece a produção e reduz a competitividade”, analisa.

Ele destaca ainda a limitação do seguro rural no País. “A maioria dos produtores está desprotegido. O seguro rural poderia minimizar os impactos das quebras de safra, mas é pouco acessível”.

Para Aidar, o desafio está na prevenção das crises financeiras. “Estamos utilizando a recuperação judicial para corrigir falhas que deveriam ser tratadas antes da crise, na modelagem dos contratos, na estruturação do crédito e na organização jurídica da atividade rural”, conclui.

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