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Esperança

"Há chance de eu voltar a andar",
conta ex-atleta Laís Souza

"Há chance de eu voltar a andar",
conta ex-atleta Laís Souza

IstoÉ

31/03/2017 - 12h15
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Faz pouco mais de um mês que a ex-atleta Laís Souza, 28 anos, voltou dos Estados Unidos com essa notícia na bagagem. No início de fevereiro, Laís esteve em uma consulta com o médico Barth Green, do Miami Project, e ouviu dele a informação de que existe a possibilidade de que ela ande novamente. Em 2014, ela ficou tetraplégica depois de um acidente enquanto treinava para as Olimpíadas de Inverno que, naquele ano, aconteceram em Sochi, na Rússia.

Green, o mesmo médico que cuidou do ator Christopher Reeve, acompanha os progressos que Laís vem experimentando a partir do tratamento pioneiro ao qual ela foi submetida usando células-tronco. A ex-atleta brasileira foi a primeira pessoa nos Estados Unidos a obter uma autorização da Food and Drug Administration – agência americana responsável pela liberação de drogas e tratamentos –  para usar células-tronco em terapia de lesão medular.

Na entrevista a seguir, ela relata as vitórias e tristezas três anos depois.

Como você conseguiu realizar seu mais progresso mais recente?
Usei um extensor que deixa o joelho estendido. As pessoas o utilizam para ficar em pé depois que fazem cirurgia para o joelho. Já ficava de pé, mas com a tala pude fazer coisas a mais com o braço. Ele fica mais solto, o que me permite executar alguns movimentos.

No vídeo dá para ver que você faz um esforço enorme.
Nossa… Fiquei muito feliz. Por isso que postei. A minha pressão não caiu! Fiquei sem desmaiar! Por causa da lesão, minha pressão fica baixa na maior parte do tempo, e quando mudo de posição, quase sempre ela cai.

Que outros sinais de avanços você está conseguindo observar?
Sinto algumas coisas. Algumas áreas no meu braço trepidam, o dedo mexe um pouco, o tríceps pula bastante. Parece que está fibrilando, sabe? E sei que a força do meu abdome e das minhas costas também está muito melhor.

Quando essas sensações aparecem, o que passa pela sua cabeça?
Sentir alguma coisa é sensacional. Até mesmo uma dor que às vezes sinto quando fico tentando muitas vezes passar a mão no rosto ou na perna. Dói, mas não estou nem aí para a dor.

Os treinos deixaram você preparada para lidar com essa sensação?
A dor fez parte do meu aprendizado. Os treinos são acompanhados de muito sofrimento por causa das lesões, os calos na mão. Treinei muito com bolha se abrindo…Isso tudo me deixou com uma armadura que hoje me ajuda a enfrentar o que estou vivendo.

O que mais o esporte ensinou a você? Disciplina?
Ah… (risos). Não sou muito disciplinada, educadinha… Sou meio pancada. Às vezes invento de mudar, de querer fazer os exercícios de fisioterapia de outro jeito. Fico dizendo que podemos tentar isso, aquilo… E meu fisioterapeuta aqui (Robson Lopes) foi o maluco que deu ouvido às minhas invenções. Para um cadeirante não tem protocolo a ser seguido, não tem cartilha. Se estou com vontade de alongar, a gente alonga. Se não dá para treinar no dia, não treino. E a galera toda entra no meu clima.

No mês passado você esteve nos Estados Unidos para mais uma consulta de acompanhamento do tratamento que fez usando células-tronco (elas foram extraídas da medula óssea de Laís, multiplicadas em laboratório e reinfundidas. A esperança é que ajudem na reparação das lesões na medula espinhal da ex-atleta). Qual foi a impressão dos médicos?
O dr. Barth (Barth Green, do Miami Project, importante centro mundial de tratamento e pesquisa da paralisia) acredita que há chance de eu voltar a andar. Fiquei muito, muito feliz. Ele falou em inglês, eu fiquei lá toda concentrada para conferir se era aquilo mesmo que ele estava me dizendo. E era. Quando traduzi para minha mãe (Odete), o coração dela pulsou mais forte.

Como ele justificou essa previsão?
Ele disse que a lesão é pequena e que sou muito nova. Conforme o tempo for passando e eu continuar progredindo, vão surgir outros avanços que me ajudarão ainda mais.

Três anos depois do acidente, como foi ouvir isso do médico?
Gosto de viver com o pé no chão, mas quando um médico tão grande quanto ele fala isso, que eu tenho a possibilidade de voltar a andar com a evolução das coisas, não tem como não ter esperança. Eu nunca a perdi. E agora ele a reacendeu um pouco mais.

No seu período de internação você já deu sinais de que sua recuperação era surpreendente.
Sim. Muitos diziam que pelo grau do meu acidente era mesmo para eu não estar sentindo nada, me alimentando por meio de sonda. Mas meus médicos me incentivaram. Diziam ‘ela vai conseguir sair do respirador’ e quando achavam que não conseguiria, eu saí. E eu mesma me surpreendia com minhas pequenas vitórias. Tentava cantar ou eu me alimentar sozinha, por exemplo. Aos poucos fui provando que eu era capaz de fazer isso.

Sua luta inspira muita gente. Você tem consciência disso? Recebe muitos pedidos de ajuda?
Não tenho essa consciência assim tão forte. Mas recebo muitos pedidos de auxílio, de pessoas querendo saber o que eu faço, o nome do meu médico das células-tronco.

Isso cansa você?
Digito as respostas com a boca e às vezes fico exausta. Aí peço desculpas quando não consigo mais.

“Guerreira” é uma das palavras mais frequentes que se ouve a seu respeito. Você se considera uma guerreira?
Acho que sim. Todos os dias abro olho e penso: ‘hoje vou me levantar’. Deixo o chinelo na beira da cama porque sempre penso que no dia seguinte vou me levantar.

E como lida com a frustração de não ver isso acontecer até agora?
Não passo só por essa frustração. Tem a decepção de querer sair com as amigas e não conseguir porque o lugar não é acessível para cadeirante, por exemplo. Isso me deixa triste. Ou coisas mais simples, como deixar o cabelo do jeito que eu gosto e não poder fazer isso.

Nesses momentos, o que você faz para superar a tristeza?
Vejo minha família toda me apoiando, meus amigos. Tento ultrapassar a dor e realmente olhar as coisas positivas. Paro e penso: ‘calma, vamos pensar no que é possível fazer’. Aprendi que tenho que planejar minha vida a adaptando para o meu problema. Eu podia ficar na cama chorando, mas tive muita sorte porque desde que sofri o acidente não houve um dia que não tenha passado um anjo na minha vida para me trazer palavras de força.

Quais foram os momentos mais difíceis até agora?
O primeiro ano teve muitos momentos muito difíceis, de querer parar com tudo. No hospital, por exemplo, a hora de limpar a traqueostomia era bem complicada. Tinha mais dor… Enquanto essas coisas não estavam assentadas, tinha horas que eu não queria mais, achava que não ia dar mais para mim. Foi um período de adaptação difícil para mim, minha família e meus amigos. Enquanto isso não melhorou não fiquei tranquila.

E hoje?
Tenho muitas dores nas mãos e no pescoço. São fortes. E eu odeio tomar remédio, mas tenho que tomar.

E a sua relação com seu corpo?
Não gosto do meu corpo. Tem coisas que me incomodam.

O que, por exemplo?
Meu quadril está mais largo. Eu tinha o corpo muito estruturado e hoje isso me incomoda. Por vaidade mesmo.

Você já namorou depois do acidente?
Sou bissexual. Depois do acidente tive um período de aceitação física minha e simplesmente não quis me envolver com ninguém. E continuo fechada para essas coisas. Meu coração está vazio.

Qual seu principal aprendizado após o acidente?
Uma lição que tirei é que não é porque estou na cadeira de rodas que eu vou ficar parada. Também aprendi a pensar mais antes de agir. E a pensar mais no próximo também. Isso é essencial para ter uma convivência mais apaziguada.

Por que escolheu a Psicologia para estudar?
Pensei em uma profissão que eu pudesse exercer sem me mexer. Comecei agora e estou gostando. Ainda tem uma adaptação, não sei como será minha forma de estudo, se vou escrever usando um computador… Não sei também como farei as provas.

Pela sua experiência, como o Brasil trata o cadeirante?
As autoridades precisam conhecer melhor nossa realidade. Devem ficar mais atentas com calçadas e ruas, por exemplo. Na semana passada, descemos numa rua que tinha rampa de um lado e não no outro.

Como a cadeira ia subir do outro lado?
Temos que continuar na luta para abrir os olhos das autoridades e da sociedade como um todo.

Como você está conseguindo pagar seu tratamento?
Tenho uma pensão que recebo do governo e também dou palestras.

Quanto você recebe do governo?
O que ganho paga meus remédios. Mas com certeza não é suficiente para as outras despesas. Sustento minha família, que está aqui para me ajudar. Meu fim de mês acaba no vermelho. Se eu não for atrás de ganhar dinheiro, as coisas complicam.

Assim que as Olimpíadas acabaram, muitos atletas ficaram sem patrocínio e estão passando por situações difíceis agora. O que pode ser feito para mudar essa prática tão comum no Brasil?
Próximo de um grande evento é natural que todas as empresas queiram estar lá. Passou o calor, é difícil que elas continuem. Elas não pensam com o coração. Entendo esse pensamento, mas as companhias deveriam pensar um pouco mais com o coração e fazer contratos de patrocínio mais longos. Mas estamos muito longe de chegarmos no nível do que acontece no futebol.

A ginástica sofre bastante?
Sim. A maioria mora longe, pega ônibus, paga a comida do bolso para competir pelo clube.

O que você gostaria de dizer ao País que lhe admira tanto?
Continuem rezando, torcendo por mim. E que continuem fortes. Estou aqui sem movimento, passando por coisas muito difíceis. Mas todos têm problemas. E é possível enfrentá-los.

Série D do Brasileirão

Operário vence o Ivinhema por 2 a 0 e reage na Série D do Brasileiro

Galo marcou um gol em cada tempo no estádio Jacques da Luz e conquistou resultado importante diante da torcida

17/05/2026 13h55

Galo marcou um gol em cada tempo no estádio Jacques da Luz e conquistou resultado importante diante da torcida

Galo marcou um gol em cada tempo no estádio Jacques da Luz e conquistou resultado importante diante da torcida Foto: Rodrigo Moreira

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O Operário venceu o Ivinhema por 2 a 0 na tarde deste sábado (16), no Estádio Jacques da Luz, em Campo Grande, em partida válida pela 7ª rodada da Série D do Campeonato Brasileiro. O confronto teve gols de João Pedro Quintino e Luis Gustavo, garantindo a reação do Galo na competição nacional.

O primeiro gol da partida saiu aos 44 minutos do primeiro tempo. João Pedro Quintino a aproveitou a oportunidade e abriu o placar para o Operário ainda antes do intervalo. Já na segunda etapa, aos quatro minutos, Luis Gustavo converteu cobrança de pênalti e ampliou a vantagem do Galo.

Apesar do domínio do Operário ao longo da partida, o Ivinhema tentou reagir com mudanças ofensivas no segundo tempo, promovendo três substituições aos 10 minutos da etapa final. Ainda assim, a equipe da Capital conseguiu controlar o resultado e manteve a vantagem até o apito final no estádio Jacques da Luz.

A partida contou com arbitragem da árbitra FIFA Daiane Muniz, de São Paulo, auxiliada pelos assistentes Leandro dos Santos Ruberdo e Luiz Felipe de Oliveira, ambos de Mato Grosso do Sul.

Durante o confronto, o árbitro distribuiu quatro cartões amarelos, sendo dois para jogadores do Ivinhema e dois para atletas do Operário. Não houve expulsões.

Com o resultado, o Operário conquistou três pontos importantes e chegou aos seis pontos na busca pela recuperação dentro do grupo da Série D do Campeonato Brasileiro.

Ivinhema

Com a derrota de ontem, o Ivinhema segue em boa situação na briga pela classificação à próxima fase da competição. No entanto, o time pode perder a vice-liderança do grupo caso CRAC (GO) e Betim (MG) vençam seus compromissos na rodada, já que ambos somam oito pontos na tabela.

O CRAC joga em casa contra o ABECAT (GO), enquanto o Betim enfrenta, fora de casa, o líder do grupo, o Uberlândia (MG).

Situação do Grupo

Na liderança isolada, o Uberlândia (MG) soma 15 pontos, seguido pelo Ivinhema (MS), com 11. Na terceira colocação aparece o CRAC (GO), com oito pontos. Em quarto lugar, fechando a zona de classificação, está o Betim (MG), também com oito pontos.

Na penúltima posição figura o Operário (MS), com seis pontos, enquanto a Abecat (GO) ocupa a última colocação do Grupo A11, com apenas três pontos.

Galo marcou um gol em cada tempo no estádio Jacques da Luz e conquistou resultado importante diante da torcida

Classificação do Grupo A11 da Série D do Brasileirão.

 

FUTEBOL

Fifa reúne com Federação Iraniana e promete Copa do Mundo 'o mais agradável possível'

Em sua quarta participação em Copas do Mundo, todos os jogos do Irã na primeira fase são nos Estados Unidos

16/05/2026 23h00

Foto: Divulgação / Fifa

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Federação Iraniana de Futebol (FFIRI, na sigla em inglês) e a Fifa tiveram um encontro de alinhamento para a Copa do Mundo na sede da Federação Turca, em Istambul, onde o time do Irã se prepara para o torneio. No encontro, a entidade máxima do futebol garantiu que a experiência da delegação iraniana na América do Norte será "o mais agradável possível".

Quem participou do encontro pela Fifa foi o Secretário-Geral Mattias Grafstrom. Também estiveram presentes os presidentes das federações do Irã, Mehidi Taj, e da Turquia, Ibrahim Haciosmanoglu. A seleção turca voltará ao Mundial após 24 anos.

"O senhor Grafstrom reiterou a posição da Fifa e dos organizadores para fazer a experiência do Irã na Copa do Mundo o mais impecável, produtiva e agradável possível", disse a entidade, em nota.

Segundo Grafstrom, foram discutidas questões operacionais, "como é feito com todos os associados classificados". Todos os jogos do Irã na primeira fase são nos Estados Unidos. "Nós estamos trabalhando muito próximos e com grande expectativa de recebê-los na Copa do Mundo", disse o Secretário-Geral da Fifa.

No seu informativo sobre a reunião, a FFIRI foi mais firme. "A diplomacia no futebol vai além do orgulho nacional. O Irã entrou na questão não partindo de uma posição de exigência, mas sim de lógica e dignidade", escreveu a entidade iraniana.

"O que torna este encontro diferente não é apenas o encontro em si, mas o caminho que percorreu. A principal conquista deste encontro talvez não esteja apenas no conteúdo das negociações, mas na imagem que foi criada do futebol iraniano. A imagem de uma gestão que demonstrou estar disposta a dialogar, mas não a recuar", concluiu.

Esta será a quarta participação do Irã em Copas do Mundo. A seleção iraniana integra o G. A estreia será diante da Nova Zelândia, em Los Angeles. Depois, o adversário será a Bélgica, na mesma cidade. O time fecha a primeira fase em Seattle, contra o Egito. A base do Irã será em Tucson, no Arizona.

 

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