Ciência

A 747 km da Terra, satélite registra fenômeno que não acontecia havia quase 500 anos

Nada igual era visto desde aproximadamente 1.550.

<p>Um vulcão inativo desde aproximadamente 1.550 entrou em erupção após um terremoto de magnitude 8,8 no Oceano Pacífico, próximo à Península de Kamchatka. Em órbita a 747 quilômetros de altitude, o satélite NISAR registrou a lava se espalhando mês a mês por meio de imagens de radar de alta resolução.</p>

<p>O vulcão Krasheninnikov fica na costa russa do Pacífico e é formado por dois vulcões. Segundo o Global Volcanism Program, da Instituição Smithsonian, a última erupção ocorreu por volta de 1.550.</p>

<p>Quando o terremoto de magnitude 8,8 atingiu o oceano, em 30 de julho de 2025, o cone norte do vulcão começou a expelir lava e detritos para o leste.</p><div class="bob-video" style="margin:18px 0"><iframe src="https://www.youtube.com/embed/BwU0of7ae38" width="560" height="315" frameborder="0" loading="lazy" allowfullscreen="" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture"></iframe></div><p><br></p>

<h2>Como o satélite captura as imagens</h2>

<p>O NISAR é uma missão conjunta da NASA e da Organização de Pesquisa Espacial Indiana (ISRO). A primeira imagem de Krasheninnikov foi registrada em 25 de dezembro de 2025, encerrando os testes pós-lançamento e iniciando as operações regulares.</p>

<p>Desde então, o satélite volta a passar pelo mesmo local a cada 12 dias: uma vez de sul para norte e outra de norte para sul.</p>

<p>Pesquisadores alinharam 17 desses quadros, coletados até meados de agosto de 2025, e formaram um vídeo em time-lapse. A sequência mostra a lava preenchendo uma pequena tigela no topo do vulcão, transbordando em uma cratera maior e depois se espalhando em leque.</p>

<p>Matthew Pritchard, geofísico da Universidade de Cornell e membro da equipe científica do NISAR, analisou os dados por trás da animação.</p>

<h2>Por que Krasheninnikov surpreendeu</h2>

<p>A maioria dos vulcões de Kamchatka entra em erupção com frequência e tem instrumentos de monitoramento instalados nas encostas, o que permite vigilância contínua. Krasheninnikov não tinha esses instrumentos, e quase cinco séculos de inatividade faziam dele uma prioridade menor de observação. O terremoto que atingiu o oceano também desencadeou um tsunami que cruzou o Pacífico.</p>

<p>A tecnologia de radar do NISAR oferece uma vantagem: consegue penetrar as nuvens. Assim, um dia tempestuoso sobre o vulcão em erupção não impede a captura das imagens.</p>

<p>Além disso, cada pixel do vídeo cobre um quadrado de 10 metros por 10 metros — aproximadamente metade do tamanho de uma quadra de tênis. Essa resolução permite visualizar detalhes da propagação da lava.</p>

<h2>Imagens de radar: como funcionam</h2>

<p>Enquanto orbita, o NISAR dispara milhares de pulsos de micro-ondas por segundo em direção à Terra e captura os ecos. Cada eco traz informações sobre a superfície abaixo, como um instantâneo em tempo real.</p>

<p>A lava se destaca nas imagens porque reflete as micro-ondas de forma mais brilhante do que a neve ou o solo descoberto, dependendo da estação.</p>

<p>O Laboratório de Propulsão a Jato da NASA. Na Califórnia do Sul, foi pioneiro em uma técnica que combina muitas dessas observações da mesma área em uma imagem nítida chamada radar de abertura sintética.</p>

<p>O satélite captura não apenas o fluxo principal. As imagens também revelam um segundo fluxo de lava para o noroeste, que provavelmente se formou antes de o NISAR registrar sua primeira imagem, em dezembro de 2025.</p>

El Niño

Alerta no Brasil: Super El Niño pode trazer seis ondas de calor com temperaturas extremas

Fenômeno vem se intensificando no Oceano Pacífico.

30/09/2026 14h01

Foto: Giovana Montes Furlan/Pexels

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O histórico de temperaturas em anos de El Niño indica que o Brasil pode enfrentar ao menos seis episódios de calor extremo entre setembro e dezembro de 2026. No Oceano Pacífico, o fenômeno vem se intensificando, e órgãos de monitoramento climático já classificam o momento atual como de fortalecimento do El Niño.

Em boletim de 10 de setembro, a agência meteorológica dos Estados Unidos calculou em mais de 90% a chance de o El Niño atingir intensidade muito forte nos próximos meses. No trimestre de outubro a dezembro, existe ainda 75% de chance de esse El Niño superar todos os episódios já registrados pela agência desde 1950.

O calor chegou antes mesmo de a estação avançar por completo. Áreas do Centro-Oeste, Sudeste e Sul entraram em aviso vermelho, com termômetros até 5°C acima da média por vários dias seguidos.

De onde vem a conta de seis ondas

Uma base de 47 anos de registros de temperatura, cruzada com o padrão de períodos anteriores de El Niño, sustenta a projeção de pelo menos seis episódios de calor extremo até dezembro. Não há data marcada para cada onda. O número pode subir ou descer, dependendo de como a atmosfera reagir.

Estudos do Cemaden mostram que o país já registrava, historicamente, entre 8 e 14 ondas de calor por ano. O Centro-Oeste e o Sudeste tendem a concentrar o risco nos anos de El Niño. O fenômeno altera a circulação atmosférica e favorece longos períodos secos e quentes.

Cuiabá bate quase 41°c na primeira onda

A primeira onda começou no fim de setembro. Desde então, o calor atinge o Centro-Oeste, o Sudeste e o Paraná, com alerta vermelho de grande perigo válido entre 26 e 30 de setembro.

Cidades do Centro-Oeste podem passar dos 40°C, e Cuiabá chegou perto de 41°C nas previsões mais recentes. Municípios de Mato Grosso dentro da área de risco receberam orientações sobre baixa umidade e maior chance de incêndios, enquanto a Defesa Civil de Duque de Caxias, no Rio de Janeiro, avisou sobre temperaturas capazes de superar os 40°C no pico do calor.

Outubro segue com termômetros elevados

Outubro deve trazer temperaturas acima da média em quase todo o país, e é justamente entre Centro-Oeste e Sudeste que os termômetros tendem a fugir mais do padrão histórico. Goiás, Distrito Federal e Minas Gerais podem registrar médias mais de 2°C acima do esperado para o mês, cenário que também deve se repetir no norte paulista.

Partes do Norte podem alcançar entre 1,5°C e 2°C acima do esperado, enquanto trechos da Bahia, no Nordeste, chegam perto dos 2°C de desvio. A intensificação das ondas de calor e o desconforto térmico devem persistir até 21 de dezembro, fim da estação.

Riscos à saúde e histórico recente de calor

O calor extremo ligado ao El Niño pode provocar cerca de 451 mil mortes adicionais entre junho de 2026 e fevereiro de 2027, conforme projeção de pesquisadores. O Ministério da Saúde recomenda atenção redobrada a grupos mais vulneráveis ao calor durante episódios de temperatura extrema, como idosos, crianças e pessoas com doenças crônicas.

O país já vivera um alerta parecido em 2024, quando 58 dias tiveram temperaturas iguais ou superiores a 40°C em diferentes localidades, boa parte concentrada entre setembro e outubro daquele ano. A combinação entre El Niño em intensificação e esse histórico recente reforça o cenário de atenção prolongada para as próximas semanas.

Cuiabá, que já chegou perto dos 41°C na primeira onda da primavera, segue entre as cidades mais monitoradas pelo Instituto Nacional de Meteorologia nos próximos dias.

Ciência

Satélites feitos por estudantes brasileiros vão ao espaço em missão da SpaceX

A iniciativa integra o programa AEB - Escola em Órbita.

30/09/2026 13h40

Foto: Paul Seling/Pexels

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100 jovens de Sorocaba e Fortaleza construíram os satélites educacionais EduSat-2 e EduSat-3, que seguem para a órbita terrestre em novembro deste ano. Os equipamentos nasceram de um curso que combinou montagem prática, programação e definição de missões espaciais.

A iniciativa integra o programa AEB - Escola em Órbita, concebido pela Ideia Space em parceria com a Agência Espacial Brasileira. Os satélites serão enviados pela missão Transporter-18, uma carona espacial da SpaceX que decola da Base da Força Espacial de Vandenberg, na Califórnia.

Nesse modelo, empresas, agências e universidades dividem o mesmo foguete Falcon 9 para reduzir custos e ampliar o acesso ao espaço.

O satélite montado em Sorocaba

Cinquenta alunos do ensino fundamental dois da Escola Municipal Dr. Getúlio Vargas, em Sorocaba, participaram do Curso Avançado de Missões Espaciais e montaram o EduSat-2. Durante a formação, a turma criou seis missões espaciais próprias, além de testar e programar o equipamento que vai para a órbita.

Os estudantes decidiram a aplicação final do aparelho: o EduSat-2 vai ajudar a monitorar alagamentos e melhorar a conectividade em áreas de Sorocaba. O sócio-fundador e diretor de produto e educação da Ideia Space, Matheus Six, destacou ao CNN Brasil a importância de ver os alunos como protagonistas na construção de tecnologia.

E disse esperar que essa seja apenas a primeira de muitas escolas da região a viver essa experiência.

O equipamento criado no Ceará

No Instituto Federal do Ceará e na EEMTI Professor Paulo Ayrton de Araújo, em Fortaleza, outros 50 alunos do ensino médio, técnico e fundamental dois desenvolveram o EduSat-3. Estudantes de diferentes níveis de ensino trabalharam juntos no projeto de construção espacial.

A vivência em laboratório permitiu que os participantes pesquisassem soluções, questionassem processos e propusessem ideias próprias durante a montagem. O analista de Educação da Ideia Space. Kevin, informou à CNN Brasil que experiências práticas como essa abrem novos horizontes para os alunos, estimulando a pesquisa e a descoberta do que a tecnologia e a exploração espacial podem oferecer.

A troca entre estudantes de idades e formações distintas também ampliou a forma como eles enxergam o próprio futuro. Os dois aparelhos devem decolar juntos rumo à órbita terrestre em novembro, levando à mesma missão espacial da SpaceX o trabalho de estudantes de Sorocaba e Fortaleza.

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