Filosofia

A reflexão de Friedrich Nietzsche: "Deus é uma criação do homem"

Essa visão aparece de forma central em "Assim Falou Zaratustra".

O filósofo alemão Friedrich Nietzsche sustentou que Deus não é uma realidade externa, mas uma invenção humana. Para ele, as pessoas construíram a ideia de um ser superior e de mundos além da vida terrena para suportar a dor e a finitude da existência.

Essa visão aparece de forma central em "Assim Falou Zaratustra", um dos textos mais conhecidos do pensador, no qual ele também apresenta o conceito do Além-Do-Homem. A obra expõe a tentativa de Nietzsche de repensar a moral e os valores que sustentavam a sociedade europeia de sua época.

A Projeção humana por trás da fé

Na leitura do filósofo, a religião nasce de uma necessidade: lidar com a dor, a incerteza e o fim inevitável da vida. Diante disso, o homem teria criado entidades e promessas de um mundo superior como forma de consolo e fuga da realidade concreta.

Esse raciocínio sustenta uma das frases mais repetidas do pensador ao longo do tempo. "Deus está morto" aparece primeiro em "A Gaia Ciência" e depois ganha força máxima em "Assim Falou Zaratustra", sua principal obra.

Nietzsche não discutia a existência de um ser divino em termos científicos. Ele descrevia uma mudança cultural na qual o avanço da razão moderna esvaziou o peso que antes sustentava crenças e certezas religiosas.

A crítica à chamada moral do rebanho

Outro ponto central do pensamento nietzschiano é a rejeição daquilo que ele chamava de moral do rebanho. Segundo essa crítica, as tradições religiosas valorizavam a submissão, a culpa e a negação dos impulsos naturais do indivíduo em troca de uma recompensa prometida em outra vida.

Para o filósofo, esse tipo de moral enfraquecia a capacidade humana de viver com intensidade e autonomia. Em vez de incentivar a força e a criação, ela promovia resignação e conformismo diante das dificuldades do cotidiano.

O vazio deixado pelo fim das certezas

Com o esvaziamento da crença em verdades absolutas, Nietzsche identificava um risco real: o niilismo, a sensação de que nada mais tem sentido. Sem um Deus ou uma ordem externa para seguir, o indivíduo se vê sozinho diante da tarefa de dar significado à própria trajetória.

É nesse ponto que surge o conceito do Além-Do-Homem, o Übermensch. Descrito em "Assim Falou Zaratustra", o conceito se refere a um ser capaz de transcender as limitações convencionais e romper com valores tradicionais que Nietzsche via como restritivos.

Para Nietzsche, o sobre-homem é um ideal de humanidade que busca a autossuperação, a afirmação plena da vida e a criação de sua própria ética, livre das amarras das tradições moralistas.

Responsabilidade humana sobre os próprios valores

Esse ser não espera por respostas prontas vindas de fora; ele assume a tarefa de criar seus próprios valores e viver de acordo com eles. A proposta de Nietzsche não termina na negação da religião, mas segue adiante, cobrando do próprio homem a construção de um sentido para a vida na Terra.

Essa é a base do que ele chamou de autossuperação: transformar a ausência de certezas em espaço para liberdade e criação. A frase "Deus está morto" marca justamente essa virada, o momento em que a razão moderna cobra do indivíduo a responsabilidade de inventar o próprio caminho.

Como a transvaloração funciona na criação de novos valores

Para Nietzsche, o processo pelo qual alguém se torna um sobre-homem não é automático. Ele passa pela transvaloração de todos os valores do indivíduo — ou seja, uma reavaliação radical daquilo em que se acreditava até então. Não se trata apenas de rejeitar valores antigos, mas de examiná-los criticamente e reconstruir uma ética pessoal a partir dessa análise.

Esse processo está ligado à vontade de potência, que se manifesta de forma criativa. A pessoa usa essa energia não para destruir, mas para superar o niilismo (o vazio de sentido), criar ideais genuinamente novos ou reavaliar os antigos com lucidez.

Trata-se de um processo contínuo de superação de si mesmo, não de um destino final que se alcança uma vez.

Quando o conceito de sobre-homem não se aplica

Nietzsche contrastou o sobre-homem com o que chamou de "último homem", seu oposto direto. O último homem é aquele que aceitou confortavelmente as crenças tradicionais sem questioná-las, que vive de forma acomodada e conformista.

Enquanto o sobre-homem sai da "casa no lago" da certeza fácil para as "montanhas de inquietação e solidão", o último homem permanece na zona de conforto intelectual e moral.

Assim, o conceito de sobre-homem não vale para quem não está disposto a passar pela transformação pessoal, pela dúvida e pelo esforço contínuo de autossuperação. Não é uma categoria que descreve a maioria das pessoas; é um ideal, uma tarefa que a humanidade deveria estabelecer para si mesma, não uma realidade generalizada.

Se Deus não existe, para Nietzsche, o que impede as pessoas de fazer o que querem sem limites?

Uma questão frequente é se a morte de Deus, para Nietzsche, significaria o caos moral total. Mas Nietzsche não propõe a ausência de valores — propõe exatamente o oposto. O ser humano, ao perder a bengala externa da religião, deve assumir a responsabilidade de criar seus próprios valores e viver de acordo com eles.

Não é "tudo vale", mas "você é responsável por aquilo que você valoriza". O sobre-homem não faz o que quer, mas faz o que ele mesmo decidiu que tem valor, após uma reflexão profunda. A diferença é que esses valores não vêm de fora (de uma divindade ou tradição herdada), mas são construídos pelo próprio indivíduo com integridade e lucidez.

A frase "Deus está morto" não é original de Nietzsche

Embora Nietzsche seja o filósofo mais associado à frase "Deus está morto", ela não nasceu com ele. A expressão apareceu em escritos anteriores, como no poema "Cristo nas Oliveiras" de Gérard de Nerval em 1854, e até mesmo em Jean Paul no final do século XVIII.

Filósofos alemães como Hegel já discutiam o conceito em suas obras, argumentando que a morte de Deus era parte do ciclo de redenção cristão, não uma negação definitiva da fé.

O mérito de Nietzsche foi transformar essa frase em uma declaração sobre a mudança cultural trazida pelo Iluminismo, mostrando que as crenças religiosas perderam força com o avanço da razão moderna.

Ao popularizá-la em "Assim Falou Zaratustra", Nietzsche deu a ela uma força filosófica e cultural que a separou de seus antecedentes literários e a colocou no centro do pensamento sobre secularização e valores modernos.

Reflexão

Joaquim Nabuco: "O verdadeiro patriotismo concilia a pátria com a humanidade"

Nabuco fundou a Sociedade Brasileira Contra a Escravidão em 1880.

01/11/2026 10h22

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Joaquim Nabuco escreveu: "O verdadeiro patriotismo é o que concilia a pátria com a humanidade." Escritor, diplomata e abolicionista, ele marcou a política brasileira do século XIX. Hoje repetida em debates sobre cidadania e ética, a frase aparece em obras e discursos ligados à campanha contra a escravidão.

A frase é retomada quando a discussão pública esbarra nos limites entre orgulho nacional e respeito à dignidade humana. Para Nabuco, amar o próprio país não significava desprezar outros povos nem fechar-se ao mundo.

Da infância no Engenho à tribuna parlamentar

Nascido em Recife em 1849, Nabuco cresceu numa família tradicional e politicamente influente do Império. Ainda criança, foi criado pela madrinha no Engenho Massangana, onde testemunhou de perto a rotina da escravidão — experiência apontada como origem de sua rejeição ao sistema escravista.

Formado em Ciências Jurídicas e Sociais em Recife, construiu uma base intelectual voltada ao direito e à justiça. Elegeu-se deputado geral por Pernambuco e usou a tribuna da Câmara como principal espaço de denúncia contra o regime servil no país.

A construção do movimento abolicionista

Nabuco fundou a Sociedade Brasileira Contra a Escravidão em 1880 para organizar a militância interna e levar ao cenário internacional a pressão pelo fim da escravidão. A instituição se tornou um dos pilares da articulação da causa abolicionista no Império.

Em 1883, publicou "O Abolicionismo", obra em que defendia que a escravidão não feria apenas os negros escravizados, mas corrompia toda a estrutura social, econômica e política do Brasil. O livro consolidou Nabuco como principal voz intelectual do movimento.

O caminho até a Lei Áurea

Nabuco se aproximou da Coroa e apoiou a Princesa Isabel na causa abolicionista. Esse esforço conjunto culminou na assinatura da Lei Áurea, em 13 de maio de 1888, que extinguiu a escravidão no Brasil.

Além de lutar pela abolição, Nabuco atuou como diplomata e foi um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras. Sua frase sobre patriotismo e humanidade sintetiza uma visão que recusava o nacionalismo fechado em nome de valores éticos universais.

Tendência

Adeus à árvore de Natal: nova tendência para a deixar sua sala com um visual mais moderno

O novo padrão aposta em um visual natural e acolhedor.

01/11/2026 09h48

Foto: Gustavo Fring/Pexels

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A árvore de Natal tradicional, repleta de bolas metalizadas e luzes frias, perdeu espaço em 2026. O novo padrão aposta em um visual natural e acolhedor, usando madeira, fibras, tecidos e iluminação quente — sem necessidade de descartar a árvore artificial guardada em casa. A mudança reflete uma preferência por menos enfeites, mais textura e composições menos uniformes.

A proposta integra a árvore ao restante da sala para criar um ambiente moderno e confortável sem investimento extra em decoração.

Materiais naturais que transformam a árvore

Os enfeites mais utilizados na nova tendência combinam simplicidade e autenticidade. Estrelas de madeira entalhada, pingentes de rattan ou juta, fitas de linho e algodão, pinhas secas e laços de tecido formam a base dessa estética. Cordões de luz em tom quente completam o efeito, substituindo o brilho intenso anterior.

Rodelas de laranja desidratada estão entre as peças mais fáceis de produzir em casa. Corte fatias finas e deixe-as secar em forno baixo por algumas horas. Vire-as ocasionalmente, até que percam toda a umidade, e em seguida, passe uma fita de juta ou barbante pelo centro e pendure-as nos galhos.

Esse tipo de enfeite artesanal reforça o clima natural que define a tendência.

Passo a passo para renovar sua árvore artificial

Comece recuperando o volume dos galhos, achatados depois de meses com a árvore guardada. Abra e ajuste cada galho individualmente antes de qualquer enfeite. Instale as luzes primeiro, começando pela parte interna e seguindo até as pontas, espalhando a iluminação uniformemente pelos galhos.

Misture peças que já possui com itens de madeira, laços de tecido e luzes quentes, priorizando a variedade de texturas. Use menos enfeites e deixe alguns galhos livres para que a estrutura pareça mais leve e espaçada. O verde da folhagem artificial deve predominar, com os elementos naturais distribuídos para criar equilíbrio visual.

Lembre-se de que o resultado final depende do estado da folhagem: árvores com galhos danificados exigem uma decoração mais cuidadosa.

Cores que funcionam com a nova tendência

A paleta se define por tons neutros como off white, bege, marrom e verde floresta. O dourado permanece, mas em versão fosca, trazendo um toque festivo sem excesso de brilho. Considere também as cores predominantes na sua sala ao escolher a combinação.

Completando o visual além da árvore

A decoração natalina não se limita à árvore. Uma manta de fibra natural no sofá reforça o clima aconchegante, enquanto um cordão de luz quente em estantes ou janelas amplia o efeito. Presentes embrulhados em papel kraft, amarrados com barbante ou fita de linho, combinam com o pé da árvore no mesmo estilo.

Como o Natal brasileiro cai no verão, essa estética leve oferece uma vantagem adicional. Tecidos como linho e algodão, combinados com tons claros como bege e off white, combinam naturalmente com dias quentes e casas mais iluminadas, criando um ambiente festivo sem parecer sobrecarregado.

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