Aos 90 anos, Woody Allen não vê a aposentadoria como uma fuga necessária, mas como o destino de quem desprezou a profissão durante décadas. Em entrevista à revista La Vanguardia, publicada em abril de 2018, o diretor, roteirista, escritor e músico expôs sua visão pessoal sobre trabalho e descanso.
Na ocasião, Allen disse que gostaria de chegar aos 90 anos fazendo um filme por ano por muitos anos ainda. Para ele, o verdadeiro prêmio não estava no resultado final, mas no processo criativo, que o mantinha motivado havia décadas.
Duas visões distintas do trabalho
A afirmação de Allen contrapõe duas formas de viver o trabalho. Quem vê o trabalho como uma obrigação a suportar pode experimentar a aposentadoria como libertação: a chance de recuperar tempo e dedicação para interesses que ficaram suspensos.
Quando uma profissão desperta interesse genuíno e satisfação pessoal, porém, deixar de trabalhar perde o apelo. Continuar ativo se torna uma escolha ligada ao desejo de criar, aprender e manter viva uma atividade que define quem se é. Essa diferença determina como cada pessoa vive o cotidiano profissional ao longo de décadas.
O privilégio de escolher e as realidades díspares
A reflexão do cineasta lembra que nem todos conseguem escolher uma profissão apaixonante. Necessidades econômicas, oportunidades limitadas e responsabilidades familiares condicionam as decisões profissionais desde o início. Por isso, sua afirmação pode inspirar quem tem a sorte de amar o próprio trabalho, mas não retrata todas as experiências de vida.
Aposentar-se também pode ser uma escolha desejada por quem adora sua profissão e prefere dedicar mais tempo a outras áreas da vida; isso não significa frustração com o que fez. Allen tem mais de 50 filmes na filmografia e trabalha em um novo longa-metragem, o 51º de sua carreira, que está sendo rodado em Madrid.
Sua trajetória, com o cinema, a escrita e a música ainda centrais em sua vida, reflete sua disposição de continuar ativo na carreira.


