Reflexão e Filosofia

"A vida não é a que você viveu": García Márquez e uma reflexão que continua atual

A frase aparece em Viver para Contar, livro autobiográfico que o escritor.

A frase de Gabriel García Márquez sobre a memória atravessa gerações: para o escritor, a vida não é a que se viveu, mas a que se recorda e como se recorda para contá-la.

A frase aparece em Viver para Contar, livro autobiográfico que o escritor colombiano publicou em 2002. Nas páginas iniciais, García Márquez apresenta sua visão sobre o elo entre passado, lembrança e narrativa: o passado não consiste apenas nos fatos que ocorreram, mas na maneira como cada pessoa os recorda, interpreta e relata.

Por que a memória não reproduz a realidade

Dois indivíduos que vivem a mesma situação muitas vezes a descrevem de formas opostas. Isso ocorre porque emoções, vínculos afetivos e o contexto presente moldam a versão que cada um guarda da própria história. Mesmo quem viveu sozinho um episódio pode reinterpretá-lo anos depois, ao observá-lo sob outro olhar.

García Márquez ressalta ainda o papel ativo de quem narra. Ao contar uma experiência, a pessoa escolhe o que destacar, organiza os fatos numa sequência própria e confere sentido ao vivido. Esse processo de seleção é tão relevante quanto o acontecimento original — talvez mais.

Memória e identidade se constroem juntas

Infância, laços familiares, amores e perdas compõem a história que cada um constrói sobre si mesmo. Um fato que parecia irrelevante numa época pode ganhar peso diferente décadas depois, mesmo que os acontecimentos em si não se transformem. A interpretação muda, mas a realidade dos fatos, não.

Essa reflexão sobre lembrança e narrativa permeia toda a obra do escritor. Histórias pessoais, episódios da infância e experiências vividas tornaram-se matéria-prima central de sua ficção.

O título de sua autobiografia resume a ideia: viver, lembrar e narrar formam um único processo — recordar não é apenas guardar o que passou, mas conferir a esse passado um significado a partir de onde se está agora.

El Niño

Alerta no Brasil: Super El Niño pode trazer seis ondas de calor com temperaturas extremas

Fenômeno vem se intensificando no Oceano Pacífico.

30/09/2026 14h01

Foto: Giovana Montes Furlan/Pexels

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O histórico de temperaturas em anos de El Niño indica que o Brasil pode enfrentar ao menos seis episódios de calor extremo entre setembro e dezembro de 2026. No Oceano Pacífico, o fenômeno vem se intensificando, e órgãos de monitoramento climático já classificam o momento atual como de fortalecimento do El Niño.

Em boletim de 10 de setembro, a agência meteorológica dos Estados Unidos calculou em mais de 90% a chance de o El Niño atingir intensidade muito forte nos próximos meses. No trimestre de outubro a dezembro, existe ainda 75% de chance de esse El Niño superar todos os episódios já registrados pela agência desde 1950.

O calor chegou antes mesmo de a estação avançar por completo. Áreas do Centro-Oeste, Sudeste e Sul entraram em aviso vermelho, com termômetros até 5°C acima da média por vários dias seguidos.

De onde vem a conta de seis ondas

Uma base de 47 anos de registros de temperatura, cruzada com o padrão de períodos anteriores de El Niño, sustenta a projeção de pelo menos seis episódios de calor extremo até dezembro. Não há data marcada para cada onda. O número pode subir ou descer, dependendo de como a atmosfera reagir.

Estudos do Cemaden mostram que o país já registrava, historicamente, entre 8 e 14 ondas de calor por ano. O Centro-Oeste e o Sudeste tendem a concentrar o risco nos anos de El Niño. O fenômeno altera a circulação atmosférica e favorece longos períodos secos e quentes.

Cuiabá bate quase 41°c na primeira onda

A primeira onda começou no fim de setembro. Desde então, o calor atinge o Centro-Oeste, o Sudeste e o Paraná, com alerta vermelho de grande perigo válido entre 26 e 30 de setembro.

Cidades do Centro-Oeste podem passar dos 40°C, e Cuiabá chegou perto de 41°C nas previsões mais recentes. Municípios de Mato Grosso dentro da área de risco receberam orientações sobre baixa umidade e maior chance de incêndios, enquanto a Defesa Civil de Duque de Caxias, no Rio de Janeiro, avisou sobre temperaturas capazes de superar os 40°C no pico do calor.

Outubro segue com termômetros elevados

Outubro deve trazer temperaturas acima da média em quase todo o país, e é justamente entre Centro-Oeste e Sudeste que os termômetros tendem a fugir mais do padrão histórico. Goiás, Distrito Federal e Minas Gerais podem registrar médias mais de 2°C acima do esperado para o mês, cenário que também deve se repetir no norte paulista.

Partes do Norte podem alcançar entre 1,5°C e 2°C acima do esperado, enquanto trechos da Bahia, no Nordeste, chegam perto dos 2°C de desvio. A intensificação das ondas de calor e o desconforto térmico devem persistir até 21 de dezembro, fim da estação.

Riscos à saúde e histórico recente de calor

O calor extremo ligado ao El Niño pode provocar cerca de 451 mil mortes adicionais entre junho de 2026 e fevereiro de 2027, conforme projeção de pesquisadores. O Ministério da Saúde recomenda atenção redobrada a grupos mais vulneráveis ao calor durante episódios de temperatura extrema, como idosos, crianças e pessoas com doenças crônicas.

O país já vivera um alerta parecido em 2024, quando 58 dias tiveram temperaturas iguais ou superiores a 40°C em diferentes localidades, boa parte concentrada entre setembro e outubro daquele ano. A combinação entre El Niño em intensificação e esse histórico recente reforça o cenário de atenção prolongada para as próximas semanas.

Cuiabá, que já chegou perto dos 41°C na primeira onda da primavera, segue entre as cidades mais monitoradas pelo Instituto Nacional de Meteorologia nos próximos dias.

Ciência

Satélites feitos por estudantes brasileiros vão ao espaço em missão da SpaceX

A iniciativa integra o programa AEB - Escola em Órbita.

30/09/2026 13h40

Foto: Paul Seling/Pexels

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100 jovens de Sorocaba e Fortaleza construíram os satélites educacionais EduSat-2 e EduSat-3, que seguem para a órbita terrestre em novembro deste ano. Os equipamentos nasceram de um curso que combinou montagem prática, programação e definição de missões espaciais.

A iniciativa integra o programa AEB - Escola em Órbita, concebido pela Ideia Space em parceria com a Agência Espacial Brasileira. Os satélites serão enviados pela missão Transporter-18, uma carona espacial da SpaceX que decola da Base da Força Espacial de Vandenberg, na Califórnia.

Nesse modelo, empresas, agências e universidades dividem o mesmo foguete Falcon 9 para reduzir custos e ampliar o acesso ao espaço.

O satélite montado em Sorocaba

Cinquenta alunos do ensino fundamental dois da Escola Municipal Dr. Getúlio Vargas, em Sorocaba, participaram do Curso Avançado de Missões Espaciais e montaram o EduSat-2. Durante a formação, a turma criou seis missões espaciais próprias, além de testar e programar o equipamento que vai para a órbita.

Os estudantes decidiram a aplicação final do aparelho: o EduSat-2 vai ajudar a monitorar alagamentos e melhorar a conectividade em áreas de Sorocaba. O sócio-fundador e diretor de produto e educação da Ideia Space, Matheus Six, destacou ao CNN Brasil a importância de ver os alunos como protagonistas na construção de tecnologia.

E disse esperar que essa seja apenas a primeira de muitas escolas da região a viver essa experiência.

O equipamento criado no Ceará

No Instituto Federal do Ceará e na EEMTI Professor Paulo Ayrton de Araújo, em Fortaleza, outros 50 alunos do ensino médio, técnico e fundamental dois desenvolveram o EduSat-3. Estudantes de diferentes níveis de ensino trabalharam juntos no projeto de construção espacial.

A vivência em laboratório permitiu que os participantes pesquisassem soluções, questionassem processos e propusessem ideias próprias durante a montagem. O analista de Educação da Ideia Space. Kevin, informou à CNN Brasil que experiências práticas como essa abrem novos horizontes para os alunos, estimulando a pesquisa e a descoberta do que a tecnologia e a exploração espacial podem oferecer.

A troca entre estudantes de idades e formações distintas também ampliou a forma como eles enxergam o próprio futuro. Os dois aparelhos devem decolar juntos rumo à órbita terrestre em novembro, levando à mesma missão espacial da SpaceX o trabalho de estudantes de Sorocaba e Fortaleza.

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