Fenômeno marinho

Após tsunami em Santa Catarina, mar recua de forma intensa em Santos

Este foi o menor nível registrado do mar em 2026.

Logo após o tsunami meteorológico que atingiu Santa Catarina no início desta semana, outro fenômeno chamou a atenção dos brasileiros. Trata-se do recuo do mar em Santos, no Litoral de São Paulo. Segundo os dados, este foi o menor nível registrado do mar em 2026.

Um levantamento realizado pelo Núcleo de Pesquisas Hidrodinâmicas (NPH), da Universidade Santa Cecília, mostra que o mar chegou a -0,34 metro em agosto deste ano. Em 2025, o menor nível registrado foi de -0,36 metro.

Em Santa Catarina, por sua vez, praias e estabelecimentos comerciais do Litoral Sul foram surpreendidos por uma súbita elevação do nível do mar na segunda-feira (21). Segundo a Defesa Civil de Santa Catarina, tratou-se de um tsunami meteorológico, causado pela combinação entre mudanças repentinas na pressão do ar e rajadas fortes de vento sobre o mar.

Em Laguna, a Praia do Cardoso foi tomada pela água ainda antes das 6h. O pescador André Eduardo Bento contou ao Atribuna que esperava o tempo firmar para começar a pescaria. Havia raios e uma tempestade intensa quando ele viu a onda avançar.

Ele correu contra a correnteza para proteger sua embarcação e a de um colega. Durante o resgate, enfrentou água na altura do peito. Ninguém ficou ferido.

Como funciona o tsunami meteorológico

O tsunami meteorológico ocorre quando nuvens carregadas e ventos fortes avançam rapidamente sobre o mar, criando uma grande onda que se propaga até a costa.

Diferentemente do tsunami convencional, provocado por um abalo sísmico (terremoto) e geralmente mais destrutivo, o tsunami meteorológico ocorre exclusivamente por fatores atmosféricos. O fenômeno está associado a sistemas meteorológicos como linhas de instabilidade.

Segundo a Defesa Civil, a elevação rápida e temporária do nível do mar favorece o avanço da água em direção à faixa costeira. Essa associação com sistemas meteorológicos torna o tsunami meteorológico difícil de prever.

Repetição do fenômeno no local

Em 2023, a Praia do Cardoso já havia sido palco de um episódio semelhante. Na época, André atuava como salva-vidas no mesmo trecho de praia e acompanhou de perto o susto causado pela onda, que chegou a arrastar veículos e espantar quem estava no local.

O fenômeno confirmado pela Defesa Civil em Santa Catarina ocorreu durante uma tempestade severa, com raios e ventos intensos. Esses fatores alteraram a pressão atmosférica local e provocaram o avanço rápido das águas em direção à costa.

Hotel nas Alturas

Adeus, aeroporto: Boeing 727 que foi jato particular agora recebe hóspedes

Avião saiu de operação comercial há décadas.

25/09/2026 13h51

Boeing 727. Foto: Divulgação

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Um Boeing 727 que saiu de operação comercial há décadas foi transformado em hospedagem de luxo em Bristol, na Inglaterra, onde recebe turistas que podem explorar a cabine de pilotagem durante a estadia.

A aeronave, fabricada em 1967, preserva a decoração dos anos 1980 e oferece acomodações para até quatro pessoas em seus quase 92 metros quadrados de espaço interno. O PytchAir, nome da hospedagem, mantém elementos originais do jato particular, como móveis, revestimentos de madeira e detalhes dourados.

Além das duas salas de estar e do quarto principal com cama king-size, a hospedagem tem dois quartos adicionais, cozinha completa e três banheiros. A acomodação funciona dentro da fuselagem, que já serviu à Japan Airlines e depois foi convertida para uso privado.

Como o avião chegou a Bristol

O Boeing 727 começou a voar em 1967 e integrou a frota da Japan Airlines no ano seguinte. Após décadas em operação comercial, a aeronave foi retirada de serviço e convertida em jato particular de luxo, com acabamentos que refletem o padrão de conforto dos anos 1980.

O empresário britânico Johnny Palmer localizou e comprou a aeronave em um cemitério de aviões no oeste da Inglaterra. Em uma operação que exigiu grandes guindastes, removeu as asas e os motores para transportar apenas a fuselagem até Bristol por via terrestre.

O transporte do avião pelas ruas chamou a atenção de moradores, causou perturbações no trajeto por emergências nas estradas e enfrentou dificuldades para passar sob uma ponte.

Palmer pretendia usar o espaço como área de lazer para os filhos e para festas, mas decidiu transformá-lo em uma acomodação para aluguel de temporada, que também funciona como espaço para eventos e reuniões.

O que os hóspedes encontram no avião

O acesso à cabine de comando é o principal diferencial do PytchAir. Ao contrário do que ocorre em um avião em operação comercial, os hóspedes podem entrar no cockpit e manipular os controles e interruptores originais preservados na estrutura. A hospedagem mantém a experiência de estar dentro de um avião funcional, apesar da ausência de asas e motores.

A área externa também recebeu adaptações: há uma banheira de hidromassagem, sauna e chuveiro sob a fuselagem, além da escada original de embarque, que permanece no local. O imóvel oferece estacionamento e internet e usa energia renovável gerada por mais de 300 painéis solares e armazenada em um sistema com capacidade de 240 kWh.

Quanto custa uma noite no Boeing 727

O preço da diária varia conforme a data da reserva. Em levantamento feito em setembro de 2026, a diária para duas pessoas começava em £ 597 (cerca de R$ 4 mil, na cotação atual), incluindo taxas. A hospedagem está disponível no Airbnb e em outras plataformas de aluguel. O anúncio registra nota média de 4,74 em 5, com 148 avaliações.

Alerta da Defesa Civil

Após alerta de tsunami, ondas de até 3 metros podem atingir litoral brasileiro

Ventos com rajadas devem manter o mar agitado.

25/09/2026 13h00

Imagem gerada por IA

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Um novo alerta da Defesa Civil de Santa Catarina, publicado em 22 de setembro, prevê ondas de até 3 metros no litoral catarinense, podendo chegar a valores ainda maiores mar adentro. Um dia antes, um raro tsunami meteorológico já havia deixado estragos em cidades do Sul catarinense.

Ventos com rajadas entre 50 km/h e 70 km/h devem manter o mar agitado, formando ondas de 2,0 a 3,0 metros. Segundo a Defesa Civil, o nível de risco para ressaca e mar agitado é moderado.

Pescadores, banhistas e praticantes de esportes aquáticos devem evitar o mar enquanto durar o aviso. A Defesa Civil também recomenda evitar a navegação e a pesca. E redobrar a atenção ao caminhar ou pedalar pela orla se as ondas atingirem a ciclovia, porque elas podem invadir esse trecho.

Água invadiu comércios na praia do Cardoso

Na madrugada de segunda-feira (21), a Praia do Cardoso, em Laguna, foi tomada por um avanço súbito do mar. Móveis foram derrubados, uma porta de vidro de restaurante se quebrou e embarcações de pescadores locais acabaram arrastadas pela força da água.

Segundo relato divulgado pelo Bom Dia Santa Catarina, o mar recuou bruscamente segundos antes de a onda atingir a orla. A mesma praia registrou um tsunami meteorológico em 2023, o que reforça a raridade e a dificuldade de prever o fenômeno no litoral catarinense.

Alagamentos em três municípios do Sul catarinense

Jaguaruna, Laguna e Imbituba sofreram os efeitos mais visíveis do fenômeno, com ruas alagadas, areia espalhada pelas cidades e barcos arrastados pela correnteza. Até o momento, a Defesa Civil catarinense não contabilizou vítimas, embora equipes municipais sigam levantando os prejuízos causados pela água.

No Farol de Santa Marta, em Laguna, pequenas embarcações foram levadas pela correnteza repentina que atingiu a costa. Em Jaguaruna, o mar chegou a atingir ruas e imóveis próximos à faixa litorânea, ampliando os danos já registrados em outros trechos do Sul do Estado.

Defesa Civil confirma o fenômeno raro

O meteorologista Caio Guerra confirmou o episódio em nota da Defesa Civil, relacionando-o a uma linha de instabilidade — uma faixa de tempestades que costuma trazer mudanças bruscas na pressão do ar. Ventos entre 60 km/h e 90 km/h atuaram no momento em que a onda avançou sobre a orla.

O mecanismo por trás do meteotsunami

Nuvens carregadas e rajadas fortes que se deslocam rapidamente sobre o oceano formam pulsos de pressão capazes de gerar pequenas oscilações na superfície da água.

A onda cresce quando a velocidade e a direção dessa força atmosférica se alinham ao movimento natural do mar. Esse processo de ressonância amplia a elevação até provocar uma inundação repentina perto da praia.

Ao contrário dos abalos sísmicos no fundo do oceano, que costumam gerar ondas com maior poder destrutivo, o meteotsunami nasce inteiramente da atmosfera. Essa origem torna o fenômeno raro, pouco compreendido e de previsão limitada, mesmo entre quem vive perto do litoral catarinense.

Tempestades castigaram toda a região Sul

O mesmo sistema meteorológico que gerou o tsunami em Santa Catarina atingiu o Rio Grande do Sul e o Paraná com temporais, vendavais e granizo. No Litoral Norte gaúcho, cidades como Capão da Canoa sofreram rajadas superiores a 100 km/h, com destelhamentos e falhas no fornecimento de energia.

Na Serra Gaúcha, Caxias do Sul e a região vizinha registraram alagamentos, enxurradas e quedas de árvores, com relatos de desalojados. Também houve desaparecidos: um carro com uma mulher de 43 anos, um adolescente de 13 anos e uma criança de 4 anos foi levado pela enxurrada em Parada Cristal, e os três seguem sem localização.

Um homem foi arrastado para uma galeria pluvial no bairro de Farroupilha. A previsão é de que o tempo fique mais seco e frio nos próximos dias, o que diminui as chances de surgir uma nova linha de instabilidade sobre o mar. Mas o aviso de ondas fortes segue valendo até quinta-feira (24).

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