Observação avançada

Brasil ajuda a construir telescópio gigantesco no Chile que poderá enxergar o Universo como nunca

Novo telescópio deve elevar em até 200 vezes o poder de observação

No deserto chileno do Atacama, avança a construção de um equipamento que promete elevar em até 200 vezes o poder de observação em relação aos telescópios mais avançados hoje em operação. Batizado de Telescópio Gigante de Magalhães (GMT), o projeto reunirá sete espelhos primários de 8,4 metros de diâmetro que, juntos, funcionarão como uma superfície de captação equivalente a um espelho único de 25,4 metros.

A astronomia mudou de patamar quando Galileu Galilei, séculos atrás, voltou sua luneta pela primeira vez para o céu.

Esse ganho de sensibilidade permitirá observar galáxias, estrelas e possíveis planetas com nitidez e precisão inéditas, além de revelar detalhes antes fora de alcance. A operação do telescópio está prevista para começar no início da década de 2030, marcando uma virada na astronomia observacional.

A participação brasileira no maior projeto astronômico

No consórcio internacional responsável pelo GMT, o Brasil marca presença sob a coordenação da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP). Pesquisadores e instituições do país atuam por meio da iniciativa GMT Brasil em engenharia, óptica, mecânica, eletrônica e software do equipamento — áreas que exigem tecnologia de alta complexidade.

Essa participação também abre espaço para a indústria nacional entrar em projetos tecnológicos avançados.

Quem coordena o esforço científico brasileiro

Eduardo Cypriano, coordenador de Difusão Científica do GMT Brasil, atua como professor associado no IAG-USP, unidade da Universidade de São Paulo dedicada à Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas, onde integra o Departamento de Astronomia. Sua trajetória inclui bacharelado em Física pelo Instituto de Física da USP, mestrado e doutorado em Astronomia pelo IAG-USP, além de pós-doutorado na University College London.

Como astrônomo residente no telescópio Southern Astrophysical Research (SOAR), ele concentra suas pesquisas em astrofísica extragalática, com foco em aglomerados de galáxias, lentes gravitacionais e cosmologia observacional.

A arquitetura e o alcance do instrumento

A revisão do desenho conceitual do domo do telescópio, que terá 65 metros de altura e portas de 46 metros, foi concluída, e a estrutura está pronta para construção.

Espelhos maiores captam mais luz e resolvem imagens com mais nitidez — é esse princípio que sustenta a expectativa de o GMT se tornar até 200 vezes mais potente que os melhores telescópios em operação atualmente.

A NSF doou US$ 17,5 milhões para acelerar o desenvolvimento de sistemas ópticos e tecnologias infravermelhas do equipamento. A doação reforça o compromisso internacional com o projeto e aproxima a primeira luz do telescópio, quando ele começará a coletar dados do cosmos.

Acompanhe os bastidores do GMT

O Programa Olhar Espacial é transmitido todas as sextas-feiras, às 21h (horário de Brasília), pelos canais oficiais no YouTube, Facebook, Instagram, X, LinkedIn e TikTok.

Eduardo Cypriano participa do programa desta sexta-feira para detalhar os objetivos do GMT, os desafios de construir um telescópio dessa dimensão e o que ele representará para a ciência brasileira e mundial.

Alerta ligado

Logo após tsunami em Santa Catarina, nuvem branca surge no mar e encobre praia

Litoral catarinense registrou dois fenômenos raros em menos de uma semana

28/09/2026 09h11

Imagem: Magda Ehlers/Pexels

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O litoral catarinense registrou dois fenômenos raros em menos de uma semana. No sábado (26), uma camada espessa e esbranquiçada tomou conta de trechos da orla, entre eles a praia do Gravatá, em Navegantes, e pontos de Florianópolis, pegando banhistas de surpresa.

Dias antes, na segunda-feira (21), Laguna, Jaguaruna e Imbituba haviam sido atingidas por um tsunami meteorológico — evento que já havia acontecido em 2023, também na Praia do Cardoso, em Laguna. Os dois episódios não têm relação direta entre si, mas reforçam como o clima na região tem se comportado de forma atípica nas últimas semanas.

Nevoeiro surpreende quem estava na praia

Câmeras de moradores e turistas flagraram o instante em que a névoa engoliu a paisagem ensolarada em poucos minutos, reduzindo bruscamente a visibilidade na faixa de areia. O especialista Leandro Puchalski explica que se trata de um nevoeiro marítimo, formado quando ar quente e carregado de umidade encontra uma superfície de mar mais fria.

Esse choque de temperaturas faz o vapor da atmosfera se transformar em gotículas bem rente à água, e o vento empurra essa névoa densa até a costa. Diferente do tsunami meteorológico, esse fenômeno não representa perigo e some sozinho conforme o sol esquenta ou os ventos mudam de direção.

O que causou o tsunami meteorológico

Uma faixa de nuvens ligada a uma linha de instabilidade se formou no Litoral Sul, gerando rajadas de vento sul entre 60 e 90 km/h, segundo a Defesa Civil de Laguna.

A combinação dessas rajadas com mudanças bruscas na pressão do ar empurrou o mar para cima de forma repentina. Por volta das 6h, conforme captaram marégrafos de Imbituba e Laguna e câmeras de segurança na faixa litorânea.

A força da água arrastou redes de pesca e equipamentos de pescadores, além de deslocar embarcações que já foram recuperadas sem avarias graves. O estrago mais visível ficou por conta de uma igreja da região, que teve parte do muro derrubada pela correnteza — sem registro de qualquer pessoa ferida.

Chuvas atingem outras regiões do estado

Enquanto o litoral lidava com esses episódios, outras 11 cidades catarinenses decretaram Situação de Emergência por causa de temporais: Timbé do Sul, Criciúma, Turvo. São Joaquim, Campo Erê, Araranguá, Forquilhinha, Ermo, Meleiro, Bom Jardim da Serra e Nova Veneza.

Porto União é a cidade mais afetada e ainda tramita o próprio decreto de Emergência. O município soma 203 pessoas desabrigadas, 241 desalojadas e 135 famílias atingidas por conta de chuvas fortes. E ventos que passaram de 60 km/h, com cinco abrigos abertos para receber quem perdeu a casa.

Curioso

Foto divulgada pela NASA parece mostrar um anjo no espaço

Formação luminosa capturada por um telescópio espacial circula nas redes sociais

28/09/2026 08h42

Imagem: Divulgação/NASA

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Uma formação luminosa capturada por um telescópio espacial e divulgada recentemente pela NASA circula nas redes sociais. Para parte dos internautas, a formação lembra a silhueta clássica de um ser celestial, o que rendeu comparações imediatas com um anjo.

O debate ganhou força entre entusiastas da Arqueologia Bíblica, que passaram a discutir se o fenômeno teria algum significado além do puramente científico. A repercussão nas redes foi rápida, com usuários compartilhando a foto acompanhada de interpretações bem diferentes entre si.

Formação de luz intriga quem vê

O registro mostra um padrão de luz que, aos olhos de muitos, reproduz o contorno de asas e de um corpo alongado, a representação mais comum associada a anjos em pinturas e esculturas religiosas ao longo da história. Justamente por essa semelhança visual, a foto chamou atenção fora do círculo de quem acompanha rotineiramente descobertas astronômicas.

Fenômenos ópticos causados por poeira cósmica, radiação e pela distribuição de estrelas costumam formar padrões que o olho humano tenta associar a algo já conhecido. Esse processo natural de reconhecimento de formas ocorre mesmo diante de fenômenos puramente físicos. Ele explica por que tantas pessoas enxergam figuras reconhecíveis em nebulosas e aglomerados estelares.

Redes se dividem entre ciência e fé

Enquanto uma parte do público trata a semelhança como mera coincidência de luz e sombra, outra enxerga na imagem um sinal com peso simbólico maior. Essa divisão de opiniões é comum sempre que um registro espacial escapa do padrão visual mais previsível.

A discussão em torno da fotografia reforça como um mesmo fenômeno visual pode gerar leituras opostas, dependendo da bagagem cultural e religiosa de quem observa. Publicações que cruzam achados científicos com interpretações teológicas costumam repercutir justamente por esse contraste entre explicação racional e leitura simbólica.

A foto segue circulando como um exemplo de como o espaço continua provocando tanto curiosidade científica quanto reflexão espiritual. Para muitos que acompanham o debate, a imagem representa um lembrete da beleza e do mistério do universo.

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