Calvin Coolidge chegou à Casa Branca de um modo que poucos presidentes americanos experimentaram: de madrugada, em uma casa simples de Vermont, com o pai administrando o juramento sob a luz de uma lamparina.
Na madrugada de 3 de agosto de 1923, a morte de Warren Harding colocou Coolidge no comando do país. Vice-presidente, ele recebeu a notícia, e nascido em Plymouth, Vermont, em 4 de julho de 1872, filho de um comerciante local, Coolidge construiu uma trajetória lenta e metódica na política.
Formou-se no Amherst College, entrou na política em Massachusetts e passou de vereador a governador republicano, consolidando um perfil cada vez mais conservador.
Um presidente contra a intervenção do governo
À frente do país, Coolidge resistiu a usar o poder econômico federal para conter o crescimento acelerado da década ou amenizar as dificuldades da agricultura e de alguns setores industriais. Na mensagem enviada ao Congresso em dezembro de 1923, defendeu isolamento na política externa, corte de impostos, economia nos gastos públicos e ajuda limitada aos agricultores.
Essa postura ficou clara quando vetou projetos de socorro ao setor agrícola. Também barrou um plano federal para produzir energia elétrica barata no rio Tennessee.
A fórmula do silêncio que deu certo
Em 1924, já beneficiado pela chamada "prosperidade Coolidge", o republicano teve um desempenho expressivo nas urnas. No discurso de posse, declarou que os Estados Unidos haviam alcançado um estado raro de contentamento e prometeu manter as coisas como estavam, sem grandes rupturas.
Em 1926, o economista Walter Lippmann resumiu o que considerava o verdadeiro talento político do presidente: a capacidade de não fazer nada de forma ativa. Numa inércia que agradava ao humor do país e aos interesses empresariais que queriam ser deixados em paz.
Mesmo remoto e de poucas palavras, Coolidge se deixava fotografar com cocares indígenas e trajes de cowboy, recebendo toda espécie de delegação na Casa Branca.
O humor seco que virou marca registrada
A fama de homem de poucas palavras acompanhou Coolidge até os jantares oficiais. Sua esposa, Grace Goodhue Coolidge, contava que uma jovem sentada ao lado dele apostou que conseguiria arrancar pelo menos três frases em conversa — e ouviu, sem nem um olhar de resposta, um lacônico "você perde".
Foi com a mesma economia de palavras que encerrou a própria carreira política. Em 1928, enquanto descansava nas Black Hills de South Dakota, emitiu o mais famoso de seus comunicados lacônicos: "I do not choose to run for President in 1928".
Uma frase sobre o natal que atravessou décadas
Fora da arena política, Coolidge deixou uma reflexão sobre espírito e generosidade, distante do tom austero de suas decisões de governo: "O natal não é um período e nem uma estação, é um estado de espírito".
A frase contrasta com a imagem do presidente calculista e revela um lado íntimo de Coolidge, além de definir um sentimento ainda repetido hoje fora do contexto político.
Coolidge não viveu para ver os tempos mudarem. Morreu em janeiro de 1933, afastado da vida pública, e confessou a um velho amigo que sentia não mais se encaixar nos novos tempos que chegavam.


