Defesa planetária

Com ameaça de colisão de asteroide, China cria novo plano para salvar a Terra

Descoberta de milhares de novos objetos.

Asteroides atravessam o espaço sem aviso, e a descoberta de milhares de novos objetos a cada ano mantém a possibilidade de um deles se chocar contra a Terra. A missão DART já comprovou que é possível desviar um asteroide com um impactador cinético, um objeto lançado para empurrá-lo de sua trajetória.

O projeto, porém, tinha uma limitação crucial: a missão se aproximou do asteroide pela traseira, na mesma direção do objeto, e exigiu anos de manobras orbitais complexas. Pesquisadores da Universidade de Beihang propõem agora uma alternativa: usar uma nova geração de velas solares para atingir o asteroide de frente e transmitir muito mais energia ao impacto.

A física do desvio: velocidade e energia multiplicadas

A eficácia de um impactador depende da energia transferida, e quanto mais rápido ele golpeia, mais energia transmite, já que a energia cresce com o quadrado da velocidade. O DART atingiu seu alvo a cerca de 6 km/s, velocidade limitada pela direção de aproximação.

Em contraste, um impactador impulsionado por vela solar poderia se aproximar do asteroide em sentido oposto — como um carro na contramão de uma rodovia — e alcançar velocidades próximas a 100 km/s. Isso permitiria transferir, por quilograma de massa, aproximadamente 230 vezes mais energia do que no teste DART.

O desafio: órbita retrógrada e a energia impossível

O obstáculo técnico é fazer uma nave viajar em sentido contrário. Quase tudo que orbita o Sol, incluindo a Terra, segue uma trajetória no sentido anti-horário. Qualquer objeto lançado da Terra herda essa direção desde o início. Inverter esse movimento e entrar em uma órbita retrógrada — no sentido horário — exige uma grande quantidade de combustível.

Foguetes químicos não conseguem realizar essa manobra: as limitações da equação de Tsiolkovski os impedem de carregar combustível suficiente, e as velas solares, porém, conseguem.

As velas solares dispensam combustível ao aproveitar a pressão da radiação solar — a força que um fóton transmite ao colidir com um objeto. Assim, avançam impulsionadas pela luz do Sol, em vez de queimar combustível como foguetes convencionais.

Da teoria à prática: testes em andamento

A tecnologia de velas solares não é nova, e já na década de 1990. O engenheiro italiano Giancarlo Vulpetti descreveu como essa técnica poderia posicionar uma vela solar em uma trajetória de inversão H — um método que permite contornar a dificuldade da órbita retrógrada.

A segunda vela solar impulsada pela Planetary Society será lançada não antes de setembro para demonstrar a viabilidade prática. Quando desdobrada, a nave mede 32 metros quadrados e testará se a radiação solar consegue impulsioná-la.

Os pesquisadores simularam velas solares difractivas em diferentes configurações para a trajetória de inversão H e comprovaram sua eficácia. Em testes com o asteroide Apofis — objeto de 340 metros de diâmetro que passará a apenas 38 mil quilômetros da Terra em 13 de abril de 2029 —.

Conseguiram enviar um impactador a 100 km/s em 200 a 300 dias após o lançamento. O prazo reduz significativamente o tempo necessário em comparação com velas solares convencionais.

Em alerta

Alerta global: explosões solares estão a caminho da Terra, confirmam cientistas

Três explosões varreram a superfície do Sol recentemente

07/10/2026 07h49

Imagem gerada por inteligência artificial

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Três explosões de classe M varreram a superfície do Sol nas últimas 24 horas, interrompendo um período de atividade moderada. Duas delas brotaram da região AR4549, um agrupamento de manchas solares que se expandiu rapidamente e desenvolveu a configuração magnética mais complexa conhecida entre as áreas ativas do astro-rei.

A maior dessas erupções. Com intensidade M1.8, atingiu seu pico nesta terça-feira (6), às 5h05 no horário de Brasília, e interrompeu comunicações por rádio sobre o Mar Arábico, na costa leste da Somália.

O escurecimento coronal observado logo após o evento sugere que material solar foi lançado ao espaço —. E a posição favorável da AR4549 significa que esse jato pode estar em rota para nosso planeta.

Ainda não há confirmação sobre a chegada ou a intensidade do impacto potencial, mas os próximos dias exigem vigilância. A região em foco tem capacidade de gerar erupções ainda mais poderosas, de classe X, as mais intensas da escala de medição dessas explosões solares.

O ciclo de atividade solar que explica tudo

O Sol passa por ciclos de 11 anos de atividade magnética intensa. Atualmente, o astro está no que os astrônomos chamam de Ciclo Solar 25 — o 25º ciclo documentado e acompanhado com rigor científico desde que começaram os registros modernos.

No auge desses ciclos, a superfície solar fica salpicada de manchas escuras que marcam concentrações enormes de energia. Quando as linhas do campo magnético se emaranham e se reorganizam nessas regiões, elas podem se romper. E lançar rajadas violentas de vento solar — o que os cientistas chamam de ejeção de massa coronal, ou CME na sigla em inglês.

Como as explosões liberam tanta energia

A física Adriana Valio, professora titular da Universidade Presbiteriana Mackenzie e pesquisadora do Centro de Rádio Astronomia e Astrofísica Mackenzie (CRAAM), descreveu ao Olhar Digital o mecanismo que dispara essas liberações colossais.

A energia brota de um processo chamado reconexão magnética, no qual as linhas do campo magnético se reorganizam bruscamente. E convertem parte dessa energia magnética em radiação intensa, aquecimento do plasma e aceleração de partículas carregadas.

As explosões solares são classificadas numa escala alfabética — A, B, C, M e X — conforme a intensidade dos raios-X que emitem. Cada nível é 10 vezes mais potente que o anterior, tornando as explosões de classe X verdadeiras cataclismos cósmicos.

Nessa escala, as erupções de classe M são consideradas moderadas, porém capazes de interromper comunicações, como ocorreu nesta terça-feira.

 

Por que a região AR4549 é especial e perigosa

A configuração da mancha solar AR4549 a coloca num patamar especial de complexidade magnética. Cientistas a descrevem como beta-gama-delta, a categoria mais intrincada entre todas as que classificam áreas ativas no Sol. Estruturas com essa complexidade magnética abrigam e acumulam quantidades extraordinárias de energia.

Localizada a leste do centro visível do disco solar, a AR4549 cresceu em velocidade impressionante e transformou-se num vasto conjunto de manchas entrelaçadas. Essa posição — voltada diretamente para a Terra — torna cada explosão que emanar dela uma ameaça potencial de impacto direto, caso a ejeção de massa coronal se dirija até nós.

Apagão de rádio já foi registrado

A explosão M1.8 de nesta terça-feira provocou um apagão de rádio classificado como R1 — o nível menor numa escala que vai até R5. Embora considerado de menor impacto, o evento bloqueou comunicações de rádio sobre uma vasta região do oceano Índico quase que instantaneamente, demonstrando a velocidade com que a radiação solar viaja.

Esses apagões ocorrem porque a radiação intensa do Sol interfere nas ondas de rádio usadas em navegação aérea, comunicações marítimas e sistemas de satélite. A exposição a essa radiação também afeta satélites de órbita baixa, painéis solares e, potencialmente, redes elétricas terrestres quando o impacto é severo.

O que pode acontecer se atingir a Terra

Uma ejeção de massa coronal que atinja a magnetosfera terrestre desencadeia uma tempestade geomagnética. A intensidade dependerá da quantidade de plasma e da força do campo magnético embarcado pela nuvem solar — fatores que ainda não podem ser estimados com precisão a partir dos dados atuais.

Tempestades geomagnéticas fracas perturbam satélites de GPS e comunicações, e Tempestades moderadas expandem esses problemas para transformadores elétricos em latitudes altas. Tempestades severas podem danificar infraestrutura de energia elétrica em larga escala e afetar sistemas de navegação globais por horas ou dias.

Observações científicas alertam para risco crescente

Imagens coletadas imediatamente após a explosão de nesta terça-feira registraram um escurecimento amplo ao redor da zona de erupção — evidência de que material foi ejetado da atmosfera solar externa, chamada coroa. Esse padrão é o sinal visual que antecede uma ejeção de massa coronal potencial.

O físico espacial Vincent Ledvina, que fotografa auroras boreais do Alaska, alertou que as imagens disponíveis eram muito recentes para permitir estimativas confiáveis do volume de material em deslocamento. Mesmo assim, a probabilidade de impacto terrestre já justifica que agências espaciais monitorem a AR4549 continuamente nos próximos dias.

Por que os próximos dias são críticos

A AR4549 permanece em posição de risco — sua orientação atual a mantém apontada para a Terra. Nos próximos dias, enquanto a região ativa continuar visível e ativa, existe potencial para novas erupções de classe M e, crucialmente, para explosões de classe X, que liberariam energia vastamente superior.

Meteorologistas espaciais usam imagens contínuas de telescópios terrestres e sondas solares para identificar mudanças na estrutura magnética da região e prever o risco. Essas observações permitem calcular se novas explosões ocorrerão e, quando uma CME é confirmada, estimar o tempo de chegada à Terra — geralmente entre 24 e 72 horas após a erupção.

A vigilância dessa região torna-se imprescindível porque agora temos tecnologia capaz de antecipar impactos e proteger infraestruturas críticas, desde que o tempo seja suficiente para implementar as medidas. O trabalho contínuo de instituições como o CRAAM e o acompanhamento global mantêm a humanidade preparada para lidar com a próxima tempestade solar que se aproxime.

Rejuvenescendo?

Cientistas descobrem água-viva que desafia o tempo ao reverter próprio envelhecimento

Minúscula criatura marinha pode rejuvenescer quando ameaçada

07/10/2026 07h24

Foto: emdash/Pixabay

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Uma minúscula criatura marinha pode rejuvenescer quando ameaçada. Apelidada de "água-viva imortal", a Turritopsis dohrnii segue vulnerável a predadores, doenças e variações bruscas no ambiente marinho — ela não é indestrutível, apenas capaz de driblar o envelhecimento. A espécie, porém, possui uma capacidade que fascina cientistas há décadas.

Situações de fome, lesões ou oscilações bruscas de temperatura na água desencadeiam uma mudança física no animal adulto, que encolhe o corpo até perder os tentáculos. O que resta é um amontoado minúsculo de tecido, que volta a se comportar como um pólipo, fase inicial do desenvolvimento da espécie.

Esse pólipo dá origem a cópias genéticas do animal original, fazendo com que todo o ciclo de vida recomece quase do nada. É o único processo comprovado no reino animal que representa uma reversão completa do envelhecimento.

O genoma revelado pelos pesquisadores espanhóis

Na Espanha, uma equipe da Universidade de Oviedo comandada pela pesquisadora María Pascual-Torner e pelo bioquímico Carlos López-Otín conduziu o mapeamento genético da espécie. E o compararam ao de uma parente próxima, a Turritopsis rubra, que envelhece normalmente após atingir a fase adulta. O estudo foi publicado em 2022 na revista Proceedings of the National Academy of Sciences.

A análise genética revelou que a água-viva "imortal" carrega um conjunto incomum de genes: alguns atuam consertando falhas no DNA, outros protegem os telômeros, regulam o estresse oxidativo e preservam as células-tronco do organismo. Todos esses mecanismos estão envolvidos no envelhecimento celular, e o diferencial não está em um único gene, mas na combinação de múltiplas mudanças que atuam juntas.

María Pascual disse ao Exame que o que torna esse animal especial é a sinergia dessas mudanças, que permitem o rejuvenescimento. Segundo a pesquisadora, não há um único gene responsável pelo fenômeno, mas uma combinação de mecanismos biológicos que atuam em conjunto.

 

Como as células especializadas recuperam a juventude

Durante a transformação, ocorre um processo chamado transdiferenciação, que intrigou os pesquisadores. Células altamente especializadas, que desempenham funções específicas, deixam sua função original e assumem novos papéis, como se retornassem a um estágio anterior do desenvolvimento. Essa plasticidade celular permite à água-viva "resetar" o organismo.

A observação dessa capacidade remonta a 1988, quando o estudante alemão Christian Sommer percebeu que o animal não morria e parecia cada vez mais jovem. Depois, o pesquisador japonês Shin Kubota também constatou o rejuvenescimento ao ferir águas-vivas e observar que elas se regeneravam, retornando ao estágio inicial do ciclo de vida.

Essas observações abriram caminho para investigações mais profundas sobre os mecanismos genéticos envolvidos.

Distância entre a água-viva e seres humanos

Embora a descoberta desperte interesse nas pesquisas sobre envelhecimento, a aplicação desses conhecimentos em humanos ainda está distante. Organismos superiores, incluindo os humanos, têm sistemas de envelhecimento mais complexos. Um embrião humano nasce com uma quantidade definida de divisões celulares possíveis, um limite que não se aplica à água-viva.

Manipular genes associados ao envelhecimento em pessoas envolveria riscos e exigiria pesquisas que se estenderiam por muitos anos, além dos estudos já em andamento. Ainda assim, compreender como essa criatura marinha consegue reverter o envelhecimento oferece pistas valiosas para futuros tratamentos de doenças relacionadas à idade e mantém o interesse científico por um dos maiores mistérios biológicos.

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