Reflexão

Confúcio, filósofo chinês: "Aquele que comete um erro e não corrige, comete outro erro"

Sua filosofia deixou marcas profundas na cultura da Ásia Oriental.

O pensador Confúcio (551-479 a.C.) moldou a moral, a política e a sociedade chinesa ao longo de mais de dois milênios, por meio de seus ensinamentos éticos. Sua filosofia, o confucionismo, deixou marcas profundas na cultura da Ásia Oriental e permanece como tema central em provas de História e Filosofia dos principais vestibulares do país.

Nascido no Estado de Lu, durante a Dinastia Zhou, Confúcio enfrentou adversidades desde a infância: perdeu o pai aos três anos e cresceu na pobreza, apesar da linhagem nobre. O rigor intelectual o levou a estudar letras, música, história e arquearia, o que o preparou para a vida pública que assumiu aos 19 anos, quando também se casou.

A crise que transformou um funcionário em filósofo

No século VI a.C., a China estava fragmentada, com o poder central desmoronando e guerras civis destruindo cidades e vidas. Confúcio testemunhou essa miséria enquanto atuava em cargos menores do governo, onde se distinguiu pela dedicação ao trabalho administrativo.

Diante do caos político. Da fragmentação e da corrupção dos governantes, que assolavam a China antiga, Confúcio transformou seu propósito: em vez de buscar promoção pessoal, dedicou-se a abrir uma escola capaz de ensinar justiça, ética e a conduta adequada do governante.

Confúcio acreditava que a educação era a única arma contra a guerra e a desordem — não era uma religião, mas uma resposta prática à crise moral de sua época.

Os pilares de uma filosofia revolucionária

O confucionismo repousa sobre dois movimentos simultâneos: a reforma do Estado e a transformação moral do indivíduo. Uma de suas inovações mais radicais foi defender uma elite governante escolhida pelo mérito pessoal e pela sabedoria, não pelo sangue. Isso rompeu com a aristocracia militar hereditária que dominava a época.

Sua técnica de ensino também desafiava os padrões rígidos da época. Ao contrário do ensino tradicional, Confúcio usava o diálogo informal com os discípulos e aceitava qualquer estudante que demonstrasse esforço e inteligência, independentemente de sua condição financeira. Essa abordagem abria caminhos para a ascensão social e tornava sua escola um símbolo de progresso.

O Estado como extensão da família

Para Confúcio, o governante ideal funcionava como um pai benevolente, liderando pelo próprio exemplo moral e pela virtude pessoal. Quando falhava em manter a harmonia social, perdia o Mandato do Céu, conceito que justificava até mesmo sua remoção pela força, e essa visão política se conectava diretamente à conduta individual.

A sociedade só alcançaria equilíbrio se cada pessoa cultivasse cinco virtudes fundamentais: a humanidade e a benevolência (Jen), refletidas no amor ao próximo e na empatia; a justiça. E a retidão (Yi), expressas na ação moral mesmo sem ganho pessoal; e o respeito às regras de conduta e à polidez (Li), que incluía honrar rituais.

Isso incluía respeitar hierarquias, cultivar a sabedoria (Chih), caracterizada pela autoconsciência e pelo discernimento, e praticar a sinceridade (Hsin), mantendo honestidade e integridade em todas as ações.

O Legado de quem recusa repetir erros

Aos 54 anos, Confúcio foi exilado do Estado de Lu porque suas ideias eram consideradas subversivas. Passou anos viajando por outros reinos em busca de um soberano que aceitasse seus ensinamentos, sofreu perseguições e enfrentou até tentativas de atentado.

Depois, retornou à sua terra natal, desapontado com a política, para se dedicar inteiramente ao ensino e consolidar um legado que atravessaria séculos.

Sua máxima — "aquele que comete um erro e não corrige, comete outro erro" — encapsula a essência de seu pensamento. Para o Confucionismo, errar é inerente à condição humana; o verdadeiro problema emerge quando alguém ignora o deslize e deixa de corrigi-lo. Essa omissão gera uma cadeia de falhas que comprometem tanto o caráter pessoal quanto a harmonia coletiva.

A sabedoria e a virtude exigem autocrítica genuína, coragem de assumir o equívoco e ação concreta para mudar de rumo. Os Analectos (Lun Yu), compilação de seus ensinamentos organizada pelos discípulos após sua morte em 479 a.C., tornaram-se a obra central do confucionismo.

Séculos mais tarde, durante a Dinastia Han, no século II a.C., o confucionismo tornou-se a filosofia oficial de Estado, o que tornou Confúcio uma figura determinante para a civilização oriental nos dois mil anos seguintes.

Clima

Enquanto o Piauí registra 40,9 °C, esta cidade enfrenta inverno de -72 °C

Extremos climáticos afetam a sobrevivência humana.

13/10/2026 15h00

Imagem gerada por inteligência artificial

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No Piauí, o calor bateu recorde nesta segunda-feira (12/10): a cidade de Oeiras chegou a 40,9°C, a maior marca entre os municípios brasileiros no dia. Na direção oposta do mapa, a vila russa de Oymyakon já chegou a −71,2°C no inverno, uma das marcas mais baixas já registradas em um local habitado. O contraste mostra como os extremos climáticos afetam a sobrevivência humana de formas diferentes.

Oymyakon fica no nordeste da Rússia, dentro da República de Sakha, e figura entre os pontos habitados com as temperaturas mais baixas do mundo. A vila reúne cerca de 500 moradores, que no inverno convivem com apenas três horas de claridade ao longo do dia.

A neve e o gelo cobrem a paisagem e tornam qualquer atividade ao ar livre uma questão de vida ou morte.

Adaptação ao frio extremo

Durante os meses mais rigorosos, as temperaturas médias em Oymyakon ficam em torno de −50°C, e os moradores precisam reorganizar a rotina. Sair de casa nessas condições exige planejamento, pois o frio extremo pode congelar a pele exposta em segundos.

As moradias da vila são construídas para suportar o frio intenso, com estruturas reforçadas. Como rios e lagos permanecem congelados, a pesca é parte essencial da dieta dos habitantes. Os moradores mantêm suas casas, trabalham e prosseguem com a vida cotidiana em uma região onde o frio faz parte inegável da existência.

Variações sazonais e contraste global

Apesar do inverno extremo, o verão em Oymyakon pode surpreender: as temperaturas chegam próximas de 34°C, criando uma oscilação que desafia o corpo humano de formas opostas. Essa variação contrasta com o recorde brasileiro de 40,9°C em Oeiras, onde os corpos estão biologicamente adaptados ao calor tropical e subtropical.

De acordo com dados do Instituto Nacional de Meteorologia, 10 cidades brasileiras registraram temperaturas acima de 39°C na segunda-feira (12/10). Sete delas ficam no Piauí, entre elas Teresina (39,8°C), Castelo do Piauí e São João do Piauí (ambas com 39,7°C), Campo Maior (39°C) e Picos (39,4°C).

Em dias de calor intenso, o Ministério da Saúde orienta a população a manter a hidratação ao longo do dia, mesmo sem sentir sede, e a evitar o consumo de álcool e cafeína. A pasta também recomenda o uso de roupas leves e a ventilação ou climatização dos ambientes, com atenção redobrada a crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças pré-existentes.

Os dois extremos climáticos — o frio absoluto de Oymyakon e o calor recorde do Piauí — revelam como populações humanas conseguem se adaptar aos limites do que parece humanamente suportável, desenvolvendo estratégias de sobrevivência próprias de suas realidades geográficas.

Ciência

Cientistas confirmam afundamento de cidade que está rebaixando 21 cm por ano

O levantamento foi publicado na revista Nature.

13/10/2026 14h17

Imagem gerada por inteligência artificial

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Pesquisadores mapearam o rebaixamento do solo em 465 cidades ao redor do mundo. E descobriram que a Cidade do México lidera o ranking de afundamento, com trechos específicos cedendo aproximadamente 217 milímetros — ou 21 centímetros — por ano.

O levantamento, publicado na revista Nature, analisou dados coletados entre 2014 e 2023 em regiões da Ásia, da Ásia Central e Ocidental e da América do Norte. O fenômeno ameaça construções, eleva o risco de inundações e revela como o subsolo das grandes cidades está em transformação contínua.

Ao longo de menos de um século. A capital mexicana já afundou mais de 12 metros — evidência de um processo que se acelerou com o crescimento urbano e o aumento das demandas por água.

Como o solo se movimenta

O estudo utilizou dados de InSAR, obtidos por radar orbital, para captar com precisão as variações na superfície terrestre. A mediana do rebaixamento em toda a Cidade do México é de 8 milímetros por ano. Bem abaixo dos picos registrados em áreas específicas onde construções e atividades humanas intensas se concentram sobre o subsolo.

Embora a capital mexicana seja o caso mais crítico, outras cidades importantes apresentaram estabilidade no mesmo período. Boston, Nova Iorque, Londres, Pequim, Tóquio, Seul, Sydney, Montevidéu e Nápoles registraram taxas anuais entre 0,1 e 1,9 milímetros — um patamar considerado baixo nessa escala de medição.

Essa diferença entre municípios reflete como a geologia local e o padrão de uso dos recursos subterrâneos moldam o ritmo do afundamento.

Os principais culpados do afundamento

A extração intensa de água subterrânea é o principal fator do colapso do solo na Cidade do México. O lençol freático encolhe aproximadamente 40 centímetros por ano, enquanto cerca de 40% da água distribuída à população é perdida em vazamentos. Essa pressão dupla força o bombeamento cada vez mais profundo.

O peso das infraestruturas urbanas e a retirada de minerais e gases naturais amplificam o problema.

Fatores naturais também desempenham um papel relevante, e a compactação de sedimentos, comum em cidades construídas sobre deltas de rios, planícies aluviais e regiões costeiras, contribui para o movimento descendente do terreno. Períodos prolongados de seca aumentam essa pressão ao reduzir a disponibilidade de água na superfície, obrigando as cidades a intensificar o bombeamento subterrâneo.

Impactos visíveis nas estruturas urbanas

O rebaixamento do solo já deixou marcas visíveis no patrimônio da Cidade do México. O monumento Anjo da Independência teve 14 degraus adicionados para compensar o afundamento do terreno — uma solução paliativa que ilustra a magnitude do fenômeno.

Estudos recentes mostram que o solo cede mais de 2 centímetros por mês em algumas áreas específicas, velocidade que coloca em risco fundações, tubulações e toda a infraestrutura urbana.

Por que faltam soluções globais

Apesar da gravidade do problema, a compreensão sobre o afundamento global permanece fragmentada. Pesquisas anteriores utilizaram métodos distintos, abrangeram períodos diferentes e concentraram-se em um pequeno número de cidades — obstáculos que dificultam comparações confiáveis em escala mundial.

Regiões construídas sobre solos mais compactos tendem a sofrer menos com esse movimento. Mas a falta de registros padronizados sobre essas áreas dificulta a formulação de políticas públicas voltadas às regiões de maior risco. Sem comparação global confiável, fica mais complexo direcionar recursos e implementar intervenções urgentes onde o solo cede mais rapidamente.

O mapeamento realizado pela Nature representa um passo importante para mudar esse cenário e alertar cidades ao redor do mundo sobre um risco crescente e frequentemente ignorado.

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