Nas alturas

Cristo Redentor tem 38 metros, mas uma estátua em São Paulo é ainda maior

Estrutura foi inaugurada no ano de 2023 e seu tamanho segue chamando atenção

A estátua de Nossa Senhora Aparecida fica em Aparecida, no interior de São Paulo, próxima ao Santuário Nacional, o maior templo mariano do mundo. Com 50 metros de altura, o monumento supera o Cristo Redentor, no Rio de Janeiro, em 12 metros.

A estátua foi inaugurada na semana dedicada à padroeira, em outubro de 2023, e se tornou um dos maiores símbolos religiosos do país.

Segundo estimativa de Gilmar Pinna, escultor e administrador da obra, o local já atraiu mais de 1,5 milhão de visitantes. A estrutura de aço custou cerca de R$ 10 milhões e tem o tamanho equivalente ao de um prédio de 16 andares. Do alto do morro onde está instalada, a estátua pode ser vista a até seis quilômetros de distância.

Localização e fácil acesso

O monumento fica no bairro Itaguaçu, na Rua Itatiba, a aproximadamente 3 quilômetros do Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida. A posição elevada permite que ele seja visto de longe e atrai peregrinos e turistas de diferentes regiões.

A visitação é gratuita e ocorre diariamente, das 6h às 22h, sem necessidade de agendamento. A estrada até a entrada é asfaltada, e o estacionamento também é gratuito. Essas condições facilitam a visita de famílias e devotos que desejam conhecer o local.

 

O Santuário Nacional: a estrutura que atraiu a estátua

A estátua de Nossa Senhora Aparecida foi implantada ao lado do Santuário Nacional, o maior templo católico do Brasil e o segundo maior do mundo. O Santuário recebe aproximadamente 12 milhões de romeiros por ano e já recebeu papas como João Paulo II, Bento XVI e Francisco. Em 2017, registrou 13 milhões de visitantes, o maior número de sua história.

A origem do Santuário remonta a 1717, quando três pescadores encontraram uma estátua da Virgem Maria no rio Paraíba do Sul. O local passou de uma pequena capela, em 1745, à atual basílica de estilo neorromânico, concluída em 1980.

Com capacidade para 30 mil pessoas no interior e até 300 mil em celebrações externas, o Santuário consolidou Aparecida como um dos maiores centros de peregrinação do Brasil. A estátua de 50 metros aproveita essa estrutura já estabelecida e amplia a experiência do peregrino no local.

Nova espécie?

9 cérebros, 3 corações e sangue azul: o polvo que continua intrigando cientistas

Polvo vem desafiando totalmente a biologia convencional

13/10/2026 08h26

Foto: Jeffry Surianto/Pexels

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O polvo desafia a biologia convencional com uma anatomia que parece saída de ficção científica. Três corações, sangue azul e dois terços de seus neurônios distribuídos nos tentáculos fazem dele um dos animais mais extraordinários dos oceanos.

Essa arquitetura única não é mera curiosidade: cada característica revela adaptações que o tornaram um mestre da sobrevivência e da inteligência em ambientes marinhos extremos. Compreender como funciona é mergulhar em mecanismos biológicos que desafiam tudo o que sabemos sobre cérebros e organismos.

Um sistema circulatório com propósito triplo

O polvo possui três corações, cada um com função específica no seu corpo. Dois deles, chamados branquiais, impulsionam o fluido até as brânquias laterais para manter a oxigenação contínua e intensa. O terceiro coração, sistêmico, distribui oxigênio ao restante do corpo de forma ágil e eficiente.

Existe, porém, um trade-off importante nesse sistema: quando o animal nada em alta velocidade, o coração sistêmico para de bater, causando cansaço imediato. Por isso, o polvo prefere caminhar lentamente pelo fundo oceânico a realizar deslocamentos acelerados — uma estratégia que prioriza a conservação de energia sobre a velocidade.

 

Sangue azul como vantagem evolutiva

Enquanto os humanos transportam oxigênio por meio da hemoglobina, o polvo usa hemocianina, uma proteína baseada em cobre que confere a cor azul ao seu sangue. Essa adaptação funciona excepcionalmente bem em águas profundas e frias, onde a molécula atinge sua máxima eficiência.

As mudanças climáticas, porém, representam uma ameaça existencial à espécie. Quando a água aquece, a hemocianina perde sua capacidade de captar oxigênio com eficácia, asfixiando o animal rapidamente. O mecanismo que o tornou perfeito para os oceanos gelados torna-o vulnerável ao aquecimento dos mares.

Um cérebro descentralizado espalhado pelos braços

O polvo possui cerca de 200 milhões de neurônios no cérebro central, mas dois terços de toda a sua rede neural estão distribuídos ao longo dos tentáculos musculares. Essa arquitetura descentralizada permite que cada membro processe informações e tome decisões de forma autônoma, sem esperar comandos do cérebro.

Essa organização ajuda a explicar a expressão “nove cérebros”: além do cérebro central, o polvo possui grandes agrupamentos de neurônios associados a cada um dos oito braços. A expressão é uma forma simplificada de descrever esse sistema nervoso descentralizado.

Graças a isso, os tentáculos funcionam quase como unidades independentes de processamento. As ventosas detectam sinais químicos como se degustassem o alimento, enquanto os braços conseguem tocar, explorar e agir simultaneamente.

Essa capacidade de funcionar em paralelo converte o corpo inteiro numa máquina de sobrevivência e caça altamente otimizada, conferindo ao polvo uma inteligência distribuída que fascina biólogos e redefine conceitos tradicionais de cognição.

Maestria na fuga e no raciocínio

Sem qualquer estrutura óssea, o polvo escapa por aberturas minúsculas com leveza impressionante, frustrando predadores ao se esconder em fendas rochosas ínfimas. Além da flexibilidade extrema, libera uma tinta escura que obstrui tanto a visão quanto o olfato do atacante, ganhando segundos cruciais para desaparecer silenciosamente.

Sua inteligência vai além da fuga, e pesquisas confirmam que consegue desatar nós complexos e abrir potes rosqueados para acessar alimento, demonstrando um raciocínio lógico raro em invertebrados. O animal também utiliza ferramentas do ambiente, como grandes cascos de coco espalhados pelo fundo do mar, aproveitando-os como abrigos móveis provisórios quando identifica perigo. Essas habilidades colocam o polvo entre os animais mais inteligentes do mar, refletindo bilhões de anos de evolução em um corpo radical e incomparável.

Por que o polvo fica cansado ao nadar rápido?

O sistema circulatório do polvo funciona como um mecanismo de trade-off: enquanto os dois corações branquiais oxigenam o sangue continuamente, o coração sistêmico distribui esse oxigênio ao corpo. Porém, quando o animal nada em alta velocidade, esse coração sistêmico interrompe seu funcionamento. Isso ocorre porque a demanda metabólica do nado rápido entra em conflito direto com a capacidade do sistema circulatório de manter-se ativo durante o movimento acelerado.

Essa parada do coração sistêmico causa fadiga imediata, razão pela qual o polvo evoluiu uma estratégia diferente: caminhar lentamente pelo fundo oceânico em vez de se deslocar por longas distâncias nadando. É uma escolha biológica que prioriza a conservação de energia — caminhando, o animal mantém sua circulação estável e pode buscar alimento de forma sustentável, mesmo que mais lentamente.

Curioso

Observado do espaço, Deserto do Atacama é visto com montanha de roupas com mais de 60 mil toneladas

Descartes se espalham por uma área estimada em 300 hectares

13/10/2026 07h02

Imagem gerada por inteligência artificial

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No deserto do Atacama, no norte do Chile, milhares de roupas descartadas se espalham por uma área estimada em 300 hectares, somando mais de 60 mil toneladas. A dimensão do depósito é tamanha que aparece em registros feitos pela plataforma de satélite SkyFi, o que torna possível enxergar o amontoado mesmo a partir do espaço.

Para a Organização das Nações Unidas (ONU), trata-se de uma emergência ambiental e social, consequência do modelo de consumo exagerado e da produção em massa que caracteriza a indústria da fast fashion. Esse acúmulo é sintoma de um problema muito maior: a quantidade de roupas que saem da Europa e não encontram compradores nem destino apropriado.

Como as roupas chegam ao deserto

Itens usados e estoques que nunca foram comercializados saem de países europeus rumo à América Latina, atraídos pela localização estratégica do norte chileno. A cidade de Alto Hospício, nas proximidades do porto de Iquique e de sua área de comércio livre de impostos, concentra esse fluxo: mais de mil empresas atuam na região sem pagar tributos sobre o que comercializam.

Parte do volume segue para mercados de segunda mão no Brasil, Argentina, Peru e Bolívia, enquanto o restante fica retido no deserto.

A ONG Ekō e o coletivo Desierto Vestido, que apuraram a situação no local, identificaram peças de grifes como Zara, H&M, Adidas, Nike, Levi's, Tommy Hilfiger e Hugo Boss — boa parte delas com as etiquetas originais ainda presas, sinal de que sequer chegaram a ser vendidas. 

 

O legado do poliéster no solo árido

A composição material da maioria dessas vestimentas agrava o problema: predomina o poliéster, um plástico derivado do petróleo que leva cerca de 200 anos para se decompor completamente. À medida que as fibras se degradam sob sol e vento do Atacama, liberam microplásticos que se infiltram no solo e suspendem no ar árido.

Este acúmulo reflete um padrão global: a Europa responde por 30% de todas as roupas descartadas exportadas mundialmente. Anualmente, o porto de Iquique recebe mais de 59 mil toneladas de têxteis não vendidos, devolvidos ou com defeitos.

A justiça chilena já ordenou a elaboração de um plano de remediação ambiental de dez anos, reconhecendo que o Estado negligenciou a gestão adequada desses resíduos.

O que os incêndios no Atacama significam para quem vive lá

A montanha de roupas não é apenas um problema ambiental abstrato — quando pega fogo, as fibras sintéticas liberam compostos poluentes que forçam moradores de Alto Hospício a ficar trancados em casa. O prefeito da cidade descreveu a sensação como se a terra tivesse sido "sacrificada" e transformada em "lixo do mundo". Um cofundador da organização chilena que monitora a situação relatou que o terreno após os incêndios parece "petróleo solidificado, mas na realidade são restos de roupas que derreteram". Isso mostra que o descarte europeu longe não significa esquecimento — as consequências respiratórias e ambientais recaem diretamente sobre comunidades latino-americanas.

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