Saúde do sono

Dormir 5 horas faz mal, mas passar de 9 horas na cama também pode ter consequências

"Quando um ou outro ultrapassa a medida, são maus".

Dormir pouco compromete a longevidade, mas ficar na cama demais também não é seguro. Hipócrates, o médico grego que viveu cerca de 90 anos há mais de 24 séculos, já alertava: "O sono e a vigília, q.

A frase continua atual segundo a especialista em medicina do sono Rosana Cardoso Alves, coordenadora da neurofisiologia clínica do Grupo Fleury. A neurologista explica que a ciência moderna confirma o que o antigo mestre grego observava: nem dormir demais nem dormir de menos estão associados à longevidade.

O que parece surpreendente é que muita gente conhece bem os riscos da falta de sono, mas ignora completamente os perigos de passar noites excessivas na cama.

Os riscos de dormir pouco

Estudos há tempos demonstram que dormir insuficientemente eleva a pressão arterial, aumenta o risco de problemas cardiovasculares, favorece diabetes, causa ganho de peso e compromete as defesas contra infecções. O organismo privado de descanso adequado sofre uma cascata de danos que se refletem na expectativa de vida.

Uma pesquisa clássica publicada em 2010 na revista Sleep consolidou essa compreensão. Pesquisadores ingleses e italianos analisaram 16 estudos que acompanharam mais de 1,3 milhão de pessoas durante cerca de 25 anos. O resultado foi claro: quem dormia menos de seis horas por noite tinha 12% maior risco de morrer em comparação com quem dormia entre seis e oito.

O perigo escondido de dormir demais

O que surpreende é que dormir mais de nove horas também traz consequências graves. No mesmo levantamento de 2010, aqueles que dormiam regularmente além de nove horas apresentavam 30% maior mortalidade do que os que mantinham o intervalo ideal. Estudos mais recentes ampliaram essa descoberta preocupante.

Uma meta-análise publicada na revista Sleep Medicine Reviews, que analisou dados de 5 milhões de pessoas, revelou riscos ainda mais altos. Quem dorme rotineiramente mais de nove horas tem 39% maior probabilidade de morrer por diversos problemas de saúde. Além disso, essa população apresenta 26% mais risco de diabetes e 24% de probabilidade aumentada de doença coronariana.

Por que o sono excessivo é prejudicial

Durante o repouso, o corpo realiza funções vitais que não consegue executar durante o dia. No cérebro ocorre um processo de limpeza realizado pelo sistema glinfático, responsável por remover moléculas que se acumulam durante as horas de vigília. Quando esse trabalho não é feito adequadamente, substâncias nocivas se depositam no tecido cerebral.

Sonolência excessiva durante o dia pode sinalizar um problema oculto. Rosana Cardoso Alves observa que é normal estender o sono ocasionalmente após uma semana cansativa ou uma viagem, mas quando alguém dorme consistentemente além de nove horas, isso merece atenção médica. Muitos que sofrem com insônia procuram ajuda, mas os "dorminhocos" raramente buscam orientação, deixando sinais de alerta sem investigação.

O ponto de equilíbrio

A recomendação clara que emerge da evidência científica é manter o sono entre seis e oito horas por noite. Esse intervalo oferece o descanso necessário para que o corpo execute suas tarefas de manutenção e reparo, sem exposição aos riscos associados ao sono insuficiente ou ao excesso.

Se você regularmente dorme muito mais que isso, avalie essa mudança com um médico antes de deixar a situação piorar.

Hotel nas Alturas

Adeus, aeroporto: Boeing 727 que foi jato particular agora recebe hóspedes

Avião saiu de operação comercial há décadas.

25/09/2026 13h51

Boeing 727. Foto: Divulgação

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Um Boeing 727 que saiu de operação comercial há décadas foi transformado em hospedagem de luxo em Bristol, na Inglaterra, onde recebe turistas que podem explorar a cabine de pilotagem durante a estadia.

A aeronave, fabricada em 1967, preserva a decoração dos anos 1980 e oferece acomodações para até quatro pessoas em seus quase 92 metros quadrados de espaço interno. O PytchAir, nome da hospedagem, mantém elementos originais do jato particular, como móveis, revestimentos de madeira e detalhes dourados.

Além das duas salas de estar e do quarto principal com cama king-size, a hospedagem tem dois quartos adicionais, cozinha completa e três banheiros. A acomodação funciona dentro da fuselagem, que já serviu à Japan Airlines e depois foi convertida para uso privado.

Como o avião chegou a Bristol

O Boeing 727 começou a voar em 1967 e integrou a frota da Japan Airlines no ano seguinte. Após décadas em operação comercial, a aeronave foi retirada de serviço e convertida em jato particular de luxo, com acabamentos que refletem o padrão de conforto dos anos 1980.

O empresário britânico Johnny Palmer localizou e comprou a aeronave em um cemitério de aviões no oeste da Inglaterra. Em uma operação que exigiu grandes guindastes, removeu as asas e os motores para transportar apenas a fuselagem até Bristol por via terrestre.

O transporte do avião pelas ruas chamou a atenção de moradores, causou perturbações no trajeto por emergências nas estradas e enfrentou dificuldades para passar sob uma ponte.

Palmer pretendia usar o espaço como área de lazer para os filhos e para festas, mas decidiu transformá-lo em uma acomodação para aluguel de temporada, que também funciona como espaço para eventos e reuniões.

O que os hóspedes encontram no avião

O acesso à cabine de comando é o principal diferencial do PytchAir. Ao contrário do que ocorre em um avião em operação comercial, os hóspedes podem entrar no cockpit e manipular os controles e interruptores originais preservados na estrutura. A hospedagem mantém a experiência de estar dentro de um avião funcional, apesar da ausência de asas e motores.

A área externa também recebeu adaptações: há uma banheira de hidromassagem, sauna e chuveiro sob a fuselagem, além da escada original de embarque, que permanece no local. O imóvel oferece estacionamento e internet e usa energia renovável gerada por mais de 300 painéis solares e armazenada em um sistema com capacidade de 240 kWh.

Quanto custa uma noite no Boeing 727

O preço da diária varia conforme a data da reserva. Em levantamento feito em setembro de 2026, a diária para duas pessoas começava em £ 597 (cerca de R$ 4 mil, na cotação atual), incluindo taxas. A hospedagem está disponível no Airbnb e em outras plataformas de aluguel. O anúncio registra nota média de 4,74 em 5, com 148 avaliações.

Alerta da Defesa Civil

Após alerta de tsunami, ondas de até 3 metros podem atingir litoral brasileiro

Ventos com rajadas devem manter o mar agitado.

25/09/2026 13h00

Imagem gerada por IA

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Um novo alerta da Defesa Civil de Santa Catarina, publicado em 22 de setembro, prevê ondas de até 3 metros no litoral catarinense, podendo chegar a valores ainda maiores mar adentro. Um dia antes, um raro tsunami meteorológico já havia deixado estragos em cidades do Sul catarinense.

Ventos com rajadas entre 50 km/h e 70 km/h devem manter o mar agitado, formando ondas de 2,0 a 3,0 metros. Segundo a Defesa Civil, o nível de risco para ressaca e mar agitado é moderado.

Pescadores, banhistas e praticantes de esportes aquáticos devem evitar o mar enquanto durar o aviso. A Defesa Civil também recomenda evitar a navegação e a pesca. E redobrar a atenção ao caminhar ou pedalar pela orla se as ondas atingirem a ciclovia, porque elas podem invadir esse trecho.

Água invadiu comércios na praia do Cardoso

Na madrugada de segunda-feira (21), a Praia do Cardoso, em Laguna, foi tomada por um avanço súbito do mar. Móveis foram derrubados, uma porta de vidro de restaurante se quebrou e embarcações de pescadores locais acabaram arrastadas pela força da água.

Segundo relato divulgado pelo Bom Dia Santa Catarina, o mar recuou bruscamente segundos antes de a onda atingir a orla. A mesma praia registrou um tsunami meteorológico em 2023, o que reforça a raridade e a dificuldade de prever o fenômeno no litoral catarinense.

Alagamentos em três municípios do Sul catarinense

Jaguaruna, Laguna e Imbituba sofreram os efeitos mais visíveis do fenômeno, com ruas alagadas, areia espalhada pelas cidades e barcos arrastados pela correnteza. Até o momento, a Defesa Civil catarinense não contabilizou vítimas, embora equipes municipais sigam levantando os prejuízos causados pela água.

No Farol de Santa Marta, em Laguna, pequenas embarcações foram levadas pela correnteza repentina que atingiu a costa. Em Jaguaruna, o mar chegou a atingir ruas e imóveis próximos à faixa litorânea, ampliando os danos já registrados em outros trechos do Sul do Estado.

Defesa Civil confirma o fenômeno raro

O meteorologista Caio Guerra confirmou o episódio em nota da Defesa Civil, relacionando-o a uma linha de instabilidade — uma faixa de tempestades que costuma trazer mudanças bruscas na pressão do ar. Ventos entre 60 km/h e 90 km/h atuaram no momento em que a onda avançou sobre a orla.

O mecanismo por trás do meteotsunami

Nuvens carregadas e rajadas fortes que se deslocam rapidamente sobre o oceano formam pulsos de pressão capazes de gerar pequenas oscilações na superfície da água.

A onda cresce quando a velocidade e a direção dessa força atmosférica se alinham ao movimento natural do mar. Esse processo de ressonância amplia a elevação até provocar uma inundação repentina perto da praia.

Ao contrário dos abalos sísmicos no fundo do oceano, que costumam gerar ondas com maior poder destrutivo, o meteotsunami nasce inteiramente da atmosfera. Essa origem torna o fenômeno raro, pouco compreendido e de previsão limitada, mesmo entre quem vive perto do litoral catarinense.

Tempestades castigaram toda a região Sul

O mesmo sistema meteorológico que gerou o tsunami em Santa Catarina atingiu o Rio Grande do Sul e o Paraná com temporais, vendavais e granizo. No Litoral Norte gaúcho, cidades como Capão da Canoa sofreram rajadas superiores a 100 km/h, com destelhamentos e falhas no fornecimento de energia.

Na Serra Gaúcha, Caxias do Sul e a região vizinha registraram alagamentos, enxurradas e quedas de árvores, com relatos de desalojados. Também houve desaparecidos: um carro com uma mulher de 43 anos, um adolescente de 13 anos e uma criança de 4 anos foi levado pela enxurrada em Parada Cristal, e os três seguem sem localização.

Um homem foi arrastado para uma galeria pluvial no bairro de Farroupilha. A previsão é de que o tempo fique mais seco e frio nos próximos dias, o que diminui as chances de surgir uma nova linha de instabilidade sobre o mar. Mas o aviso de ondas fortes segue valendo até quinta-feira (24).

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