Tóquio já soma 35 dias seguidos de chuva, um recorde sem paralelo nos registros disponíveis. Quase o triplo do volume normal de precipitação caiu sobre a capital japonesa. Foram apenas 45,8 horas de sol acumuladas, e em 14 dias o sol não apareceu.
No Brasil, o cenário se inverte: as temperaturas podem ficar pelo menos 5°C acima da média. A origem climática, porém, é a mesma: El Niño. Uma análise do comportamento das temperaturas em anos de El Niño projeta pelo menos 6 ondas de calor entre setembro e dezembro de 2026 no Brasil.
O Instituto Nacional de Meteorologia já colocou áreas do Centro-Oeste, Sudeste e Sul sob aviso vermelho, com termômetros até 5°C acima da média por vários dias seguidos.
Os dois extremos nascem do mesmo fenômeno: as águas do Oceano Pacífico aquecidas de forma anormal, que empurram padrões meteorológicos para limites raramente vistos. De um lado, chuva sem trégua; do outro, calor que se repete em ondas sucessivas.
O que acontece em Tóquio
A sequência de dias chuvosos alterou a rotina de milhões de moradores da capital japonesa. A chuva afeta cultivos, a saúde da população e o transporte urbano.
A estagnação atmosférica prolongada é uma das explicações para o fenômeno, que mantém o céu praticamente fechado há mais de um mês. A combinação de umidade elevada e ausência quase total de luz solar não tem precedentes comparáveis na história recente da cidade.
Efeitos além da capital japonesa
As chuvas intensas registradas durante o verão provocaram inundações em diferentes zonas, e no início de setembro o tufão Dujuan causou inundações e deslizamentos de terra na prefectura vizinha de Chiba, com oito mortes e dezenas de casas destruídas.
Quando o El Niño vira 'Godzilla'
O apelido popular reflete a magnitude do episódio atual, considerado excepcional mesmo diante de anos anteriores marcados por esse padrão climático. Masayuki Kyoda, responsável da Agência Meteorológica do Japão, explicou que as frentes de chuva outonais estão permanecendo mais tempo do que o habitual.
Os efeitos também começam a aparecer nos mercados e na saúde. Os danos aos cultivos das áreas agrícolas próximas a Tóquio encareceram especialmente as verduras de folha. Uma alface chegou a custar 450 ienes, mais do dobro do valor habitual. A combinação de chuva prolongada, baixa pressão atmosférica e elevada umidade pode favorecer sintomas como dores de cabeça ou tonturas.
A Agência Meteorológica do Japão aponta uma mudança de longo prazo: o aquecimento global está alterando o clima do país, inclusive a quantidade de precipitação. Enquanto o El Niño continua ativo no Pacífico e as perturbações continuam a passar pela região, Tóquio espera que volte a ter um dia completamente seco.

