História

IAs tentam decifrar o Manuscrito Voynich, livro misterioso do século 15

A dúvida permanece a mesma de décadas atrás.

Há mais de um século, desde que o livreiro Wilfrid Voynich o adquiriu em 1912, um manuscrito resiste a todas as tentativas de leitura. Testes de radiocarbono apontam que o material foi produzido entre os anos de 1.404 e 1.438, período ao qual pertence um alfabeto sem equivalente em nenhum idioma já catalogado.

O acervo da Universidade de Yale, nos Estados Unidos, abriga as 240 páginas do documento na Biblioteca Beinecke de Livros Raros e Manuscritos. Entre os símbolos indecifráveis, aparecem desenhos de espécies vegetais sem correspondência na natureza, além de mapas do céu e representações de pessoas distribuídas pelo volume.

A dúvida permanece a mesma de décadas atrás: trata-se de um código complexo, de uma língua extinta sem registro em outro lugar, ou de uma invenção elaborada da época do Renascimento.

O que a inteligência artificial consegue medir

Como os métodos tradicionais não deram resultado, a aposta passou a ser em algoritmos capazes de mapear padrões invisíveis a olho nu. A tecnologia entra justamente onde a leitura humana trava: na contagem estatística de símbolos e no cálculo da entropia da escrita.

Professor de Engenharia de Software do Centro Universitário Uniceplac, Romes Heriberto compara essa ferramenta a uma lupa estatística usada para buscar regularidades no texto do códice, em entrevista ao Metrópoles. Segundo ele, o papel do computador é apontar onde existe organização, não traduzir palavra por palavra.

Padrões que imitam uma língua real

Nenhum trecho do Voynich parece resultado de letras jogadas ao acaso, de acordo com as análises computacionais já feitas. A forma como os termos se repetem segue a Lei de Zipf. Regra estatística que também aparece em idiomas falados por humanos, com poucas palavras muito frequentes e um grande número de termos raros.

Seções inteiras do manuscrito concentram vocabulário próprio conforme o assunto tratado, como botânica ou astronomia. Para o especialista em inteligência artificial Leo Soares, esse tipo de organização prova a existência de uma estrutura por trás do texto. Mas isso está longe de significar que o conteúdo foi finalmente traduzido.

A barreira que nenhum algoritmo resolve sozinho

Falta ao Voynich algo que outros enigmas históricos tiveram: um ponto de comparação direto entre duas línguas, como aconteceu com os hieróglifos egípcios graças à Pedra de Roseta. Esse tipo de referência cruzada costuma ser o que destrava a tradução de escritas desconhecidas.

Heriberto explica que decifrar qualquer texto normalmente exige algum apoio externo, recurso que o manuscrito simplesmente não oferece.

Soares reforça que a pouca informação disponível sobre idiomas antigos já extintos limita a confiabilidade dos testes computacionais. E os dois concordam que, sem uma chave vinda de fora, a inteligência artificial corre o risco de apontar uma solução que parece certa, mas não passa de coincidência estatística.

O que pode vir pela frente

Em 2025, uma descoberta do pesquisador Michael Greshko trouxe novo fôlego às investigações: o código Naibbe, técnica manual de cifragem do século 15 que combinava dados e cartas, consegue reproduzir em italiano e latim as mesmas propriedades estatísticas identificadas no texto do Voynich.

Romes Heriberto disse ao Metrópoles que o avanço depende de mais poder computacional e de novas evidências históricas que venham de arquivos, não apenas de algoritmos. Leo Soares reforça que a tecnologia amplia as oportunidades de análise, embora isso não signifique uma decifração garantida nem confirme se o manuscrito é uma mensagem cifrada, uma língua desconhecida, uma escrita artificial ou uma farsa.

Até que uma dessas duas frentes avance de verdade, o Voynich continua sendo o maior teste de limites da criptografia e da análise linguística moderna.

Dica caseira

O erro comum na hora de passar café em casa que está tirando o gosto da sua bebida

A qualidade da água altera a forma como os compostos do café são extraídos.

18/10/2026 07h34

Foto: Nanda Mends/Pexels

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Quando o café sai amargo, sem corpo ou com gosto estranho, a culpa nem sempre está nos grãos ou na máquina. Muitas vezes, o responsável é um ingrediente que passa despercebido: a água. Especialistas em café alertam que a composição da água influencia diretamente o resultado final da bebida, já que ela representa a maior parte do café pronto.

A qualidade da água altera a forma como os compostos do café são extraídos e afeta seus aromas e sabores. Por isso, prestar atenção a esse detalhe invisível pode fazer diferença, mesmo com grãos de excelente qualidade.

Como a água prejudica o resultado do café

A água da torneira não oferece as características ideais para preparar café de qualidade. Sua composição muda conforme a região e pode conter variações importantes de minerais e outras substâncias dissolvidas. A Specialty Coffee Association explica que esses componentes afetam a capacidade da água de extrair os sabores presentes no café.

Minerais como cálcio, magnésio, sódio, potássio e bicarbonatos modificam o resultado final da bebida. Quando a água é muito dura ou alcalina, o café perde o equilíbrio e alguns sabores ficam menos perceptíveis. Outro problema comum é o cloro usado para desinfectar a água da rede pública: em níveis altos, ele deixa notas desagradáveis na xícara.

Se a água da torneira tem gosto intenso, cheiro de cloro ou dureza elevada, vale procurar alternativas para melhorá-la.

Filtração: o caminho para o café melhor

Filtrar a água pode reduzir as substâncias que prejudicam o aroma e o sabor. Muitas cafeterias de especialidade usam sistemas de filtragem para controlar a composição da água e manter resultados consistentes. Um dos métodos mais comuns é a filtração com carvão ativado, que reduz o cloro e outros compostos responsáveis por odores e sabores ruins.

Em regiões onde a água é muito dura, é possível usar sistemas mais complexos, como a osmose reversa, para controlar o conteúdo mineral. Em casa, nem sempre é preciso instalar equipamento profissional: uma jarra filtrante ou um filtro simples pode funcionar se a água da torneira prejudica o sabor do café.

Mas o resultado depende do tipo de filtro e de como é a composição da água: nem todo sistema elimina as mesmas substâncias.

O perigo da água "pura" demais

Um engano frequente é achar que quanto mais pura a água, melhor fica o café — filtrar não significa tirar todos os minerais. Na verdade, uma quantidade certa de minerais é essencial para extrair bem o café. Cálcio e magnésio, por exemplo, participam da interação entre a água e os compostos da bebida.

Se a água tem poucos minerais, a extração fica comprometida e o café perde parte do seu equilíbrio. Especialistas recomendam não usar água completamente desmineralizada, mas encontrar uma composição apropriada para a bebida que se quer preparar.

Se comprar água mineral do supermercado, qual devo escolher?

Na hora de comprar água mineral, é preciso checar duas informações na embalagem: o pH e a densidade dos minerais. O pH ideal fica entre 5,0 e 6,5 — essa informação está no rótulo, e evite águas leves demais.

As águas "levíssimas" têm tão poucos minerais que não conseguem extrair adequadamente os sabores do café, tornando a bebida fraca e sem corpo. Por outro lado, águas com teor mineral muito alto podem deixar o café amargo ou com gosto metálico. O melhor é procurar uma água com concentração equilibrada de minerais — nem super pura, nem muito pesada.

Ciência

Rover da NASA analisa mais de 185 rochas em Marte e encontra sinais de água

Líquido circulou pela região conhecida como Unidade Marginal.

17/10/2026 18h22

Foto: RDNE Stock project/Pexels

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O rover Perseverance, da NASA, analisou mais de 185 formações rochosas na borda da cratera Jezero e revelou que o solo marciano não foi sempre seco. Ele identificou ao menos três momentos distintos em que líquido circulou pela região conhecida como Unidade Marginal. As marcas químicas deixadas em diferentes camadas de rocha preservam um registro geológico do passado do planeta.

Cada contato com água — ou outros fluidos — deixou uma assinatura mineral própria. E criou uma linha do tempo que vai de águas subterrâneas antigas a fluidos hidrotermais quentes muito mais recentes. A descoberta amplia a compreensão sobre a evolução de Marte e oferece pistas sobre ambientes que poderiam ter sustentado vida no subsolo.

Como o laser revelou a história da água

Pulsos de laser disparados pela SuperCam, instrumento instalado no equipamento, permitiram examinar a composição química das pedras sem tocá-las. Essa leitura remota revelou camadas de alteração que só se formam quando líquido reage com os minerais originais da crosta marciana ao longo do tempo.

A olivina presente nas rochas magmáticas resfriou lentamente no subsolo e preservou estruturas que registram esses contatos antigos. Esse resfriamento permitiu à equipe reconstruir, camada por camada, cada fase de circulação dos fluidos.

Os três ciclos aquosos gravados em pedra

O primeiro episódio começou quando água subterrânea saturada de dióxido de carbono penetrou fraturas profundas da rocha original. Esse contato prolongado converteu parte da olivina em carbonato e sílica, deixando um primeiro registro químico bem definido que marca o início dessa história de transformação.

Na segunda fase, um antigo lago cobriu a superfície marciana e acrescentou umidade às camadas já alteradas. Muito tempo depois, fluidos hidrotermais aquecidos atravessaram fendas subterrâneas e depositaram veios de sulfato de cálcio e fluorita, encerrando o terceiro ciclo identificado pela equipe de pesquisadores.

A pista rara que surpreendeu os cientistas

A fluorita chamou atenção porque esse mineral raro só se forma quando fluidos aquecidos percorrem rochas vulcânicas já fraturadas. Sua presença indicou que o calor interno de Marte permaneceu ativo numa fase bem posterior ao desaparecimento do lago que um dia cobriu aquele terreno.

Em outros contextos geológicos, ambientes aquecidos no subsolo podem manter condições estáveis por longos períodos, com calor e energia suficientes para sustentar reações químicas contínuas. Esses cenários podem abrigar nichos onde a atividade biológica poderia prosperar longe da superfície árida.

Um Registro que resiste ao tempo

Carbonato e sílica se acumularam ao redor dos grãos fraturados conforme a água reagia com os minerais da região. O resultado é um arquivo geológico durável, capaz de preservar informações químicas detalhadas por bilhões de anos.

As amostras coletadas pelo Perseverance serão analisadas em detalhe em laboratórios na Terra. Essas análises poderão revelar nuances sobre a evolução de Marte que a distância ainda não permite captar completamente e completar o registro geológico preservado nas rochas marcianas.

Quando a fluorita não garante que houve vida

A presença de fluorita e outros minerais hidrotermais comprova que fluidos quentes circularam pelas rochas, e isso criou condições potencialmente favoráveis à vida. Mas o mineral em si é apenas um sinal geológico — não é uma bioassinatura. Reações químicas puramente inorgânicas conseguem gerar fluorita sem qualquer envolvimento de organismos.

O calor e a energia dos fluidos são ingredientes necessários para vida, mas não são suficientes para provar que ela existiu.

Por isso, os cientistas deixam claro que as amostras coletadas pelo rover precisam ser analisadas em laboratórios terrestres com instrumentos muito mais poderosos. Só essa análise permitirá buscar sinais microscópicos de atividade biológica, como moléculas de carbono orgânico preservadas ou padrões que não se formam sem organismos. Nos minerais que a fluorita ajuda a manter intactos.

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