O ensaísta espanhol Jesús G. Maestro questiona a busca pela felicidade como principal objetivo da vida e propõe priorizar três pilares: saúde, liberdade e inteligência.
Em entrevista à La Vanguardia, em março de 2025, Maestro disse que perseguir a felicidade permanente pode levar as pessoas a perder de vista condições mais fundamentais para a existência. A crítica parte de uma questão simples: o que acontece quando alguém cresce acreditando que ser feliz é o objetivo supremo?
A felicidade deve vir acima da capacidade de decidir, compreender o mundo e cuidar da saúde? Para Maestro, a sociedade contemporânea elevou a felicidade a uma aspiração dominante, reduziu o espaço da liberdade e relegou valores essenciais.
Os três pilares da vida segundo Maestro
Para Maestro, a saúde vem primeiro porque permite realizar atividades, desenvolver projetos e enfrentar o cotidiano. Não se trata de garantir uma existência sem dificuldades, mas de reconhecer que as condições físicas e mentais são a base para qualquer ação significativa.
A liberdade vem em seguida: é a capacidade de tomar decisões e escolher como viver. Maestro considera esse valor essencial porque impede que as pessoas fiquem presas apenas às expectativas alheias ou às promessas de bem-estar impostas pela sociedade.
A inteligência completa o trio. O ensaísta a define como a capacidade de compreender a realidade, analisar as ideias em circulação e desenvolver pensamento próprio. Para ele, o conhecimento e a reflexão crítica permitem questionar aquilo que se apresenta como verdade indiscutível.
A falha na promessa da felicidade
Maestro critica a ideia de que a felicidade possa ser alcançada por meio do consumo de bens e da aquisição de experiências específicas. Para ele, essa concepção desvia a atenção de aspectos mais relevantes para a vida humana.
Em seu livro El fracaso de la felicidad, o ensaísta questiona a ideia de que alcançar esse estado emocional resolva os problemas da vida. Em entrevista ao El País, em março de 2026, Maestro disse que o mercado converteu a felicidade em um produto rentável, gerando expectativas difíceis de cumprir.
O problema surge quando a felicidade se apresenta como uma obrigação permanente, fazendo com que qualquer momento de tristeza, frustração ou dificuldade seja interpretado como fracasso pessoal. A vida cotidiana, porém, inclui situações que nem sempre podem ser resolvidas de imediato.
A reflexão de Maestro vai além de definir o que significa ser feliz. Ela propõe revisar quais valores orientam as decisões e como se constrói uma vida autêntica. Seu pensamento sugere que se concentrar nesses três pilares — saúde, liberdade e inteligência — oferece uma base mais sólida para uma existência significativa do que buscar uma felicidade permanente.
Se não devo buscar felicidade, o que faço quando me sinto infeliz?
A proposta não é ignorar a infelicidade nem fingir que ela não existe. Pelo contrário: é reconhecer que tristeza, frustração e dificuldade fazem parte da vida, não são sinais de que alguém está fazendo algo errado. Quando uma pessoa se sente infeliz, em vez de se culpar por "não estar feliz", pode usar a inteligência para entender o que está acontecendo, a liberdade para escolher como responder e a atenção à própria saúde para cuidar de si durante o processo. Isso não torna a infelicidade agradável, mas torna o enfrentamento mais produtivo.
Segundo um estudo publicado na revista Frontiers in psychology em 2026, saúde e liberdade percebida são os fatores mais importantes associados à felicidade, enquanto a satisfação com a vida depende de uma combinação mais ampla que inclui também conexões sociais e confiança nas instituições. Veja o estudo.


