Lionel Messi passou a ser dono de um clube catalão da quinta divisão espanhola, longe dos grandes holofotes do futebol europeu. Cristiano Ronaldo, também em atividade nos gramados, investiu em uma equipe da segunda divisão do próprio país.
Os dois, ao lado de outros craques globais, encontraram na compra de clubes pequenos uma frente de negócios que vai além da paixão pelo esporte. Jogadores que construíram fortunas ao longo da carreira apostam nesse tipo de operação por causa dos custos menores, do espaço para crescer e da exposição internacional associada a seus nomes.
Os movimentos recentes de Messi e Ronaldo
A Unió Esportiva Cornellà, clube catalão que disputa a Tercera Federación — a quinta divisão da Espanha —, passou a ter Messi como dono de 100% das ações em abril. Reconhecido pelo trabalho de formação de atletas, o clube chamou a atenção do argentino meses antes de outro negócio.
Um acordo preliminar pela compra do Eldense, da segunda divisão espanhola, foi selado por Messi logo em seguida. A operação envolve a totalidade das ações do grupo colombiano TH Soluciones e segue pendente de aval do Conselho Superior de Esportes da Espanha, além de trâmites jurídicos ainda em curso.
Do lado português, 25% do Almería, também da segunda divisão, foram adquiridos por Cristiano Ronaldo em fevereiro, por meio da CR7 Sports Investments, empresa que reúne os negócios esportivos do craque.
Um movimento global de grandes nomes
Em maior ascensão atualmente, Kylian Mbappé não ficou de fora também entrou nesse universo ao investir no Caen, da terceira divisão francesa. Seu compatriota, N'Golo Kanté, seguiu caminho parecido ao comprar uma fatia do Royal Excelsior Virton, da terceira divisão belga, enquanto Gerard Piqué apostou no Andorra, da segunda divisão espanhola. David Beckham investiu no Inter Miami e no Salford City, e zlatan Ibrahimovic escolheu o Hammarby, da Suécia.
A lista de atletas e ex-atletas indica que a compra de clubes se tornou uma tendência entre as estrelas do futebol mundial.
Existe ainda um diferencial que separa esses investidores de um empresário comum: o pacote que eles trazem junto do capital. Nome, seguidores e repercussão internacional acompanham a chegada de Messi, Cristiano ou Mbappé a qualquer clube, o que pode projetar imediatamente uma equipe regional para um público global — abrindo portas comerciais que vão de patrocínios a vendas de produtos.
Por que times pequenos atraem estrelas
Comprar uma parte de um gigante europeu exige somas bilionárias, inacessíveis para quase todos os investidores. Em clubes menores, o custo de entrada é menor, o que amplia o número de compradores possíveis. Aumentar as receitas comerciais, revelar talentos e ampliar a torcida pode elevar o valor de uma equipe que ainda não chegou à elite.
Um clube que disputa a Champions League já é caro e tem receitas consolidadas. Uma equipe pequena parte de um patamar muito mais baixo e, se subir de divisão, pode aumentar o valor do ativo.
Menos investimento costuma ser exigido nas competições de acesso, o que acelera o potencial de lucro para quem entra cedo nesse tipo de negócio. Esse ganho mais rápido é o que o mercado chama de "upside": quanto maior ele for, mais veloz tende a ser o retorno sobre o capital investido.
Essa combinação de baixo custo de entrada com espaço para valorização levou Messi ao Cornellà e ao Eldense, Cristiano Ronaldo ao Almería e Mbappé ao Caen. Para esses jogadores, o raciocínio de investimento caminha cada vez mais ao lado da paixão pelo futebol.


