Um desenho geométrico monumental feito com pedras intriga arqueólogos na Cordilheira dos Andes, na Argentina. Descoberta a mais de 3.000 metros de altitude, a estrutura apresenta valas e corredores que formam círculos e retângulos visíveis com nitidez em imagens de satélite.
O andinista Carlos Gobbi identificou o geoglifo no ano passado e chegou ao local, de difícil acesso, após várias tentativas no início do ano. Localizado na zona da cordilheira do Tigre, em Mendoza, o geoglifo será investigado por arqueólogos argentinos e espanhóis nos próximos meses.
Um achado que desafia a explicação
Pesquisadores acreditam que o local funcionou como um centro cerimonial de períodos antigos — possivelmente do Império Inca ou anterior. Na arqueologia, um centro cerimonial é um local sagrado onde ocorrem rituais, festividades religiosas e celebrações comunitárias. O desenho visto do céu parece ter relação com a arte rupestre dos Andes, embora nenhuma figura específica tenha sido confirmada até agora.
A estrutura tem grandes dimensões e desenho complexo, com valas e corredores organizados em círculos e retângulos. Pedras acumuladas sobre solos avermelhados formam muros que delimitam salas circulares. Um canal escavado e revestido com rochas desemboca em uma cavidade empedrada.
A descoberta é rara na região de Mendoza: não há antecedentes de arquiteturas que formem esse tipo de figura no centro-oeste argentino. Isso faz do local um dos geoglifos mais meridionais do Tahuantinsuyo, o império inca. Os pesquisadores associam o achado a uma possível conexão com o Tambo de Ranchillos, no Vale de Uspallata.

Investigação científica com tecnologia de ponta
Os pesquisadores Cristina Prieto-Olavarría, diretora da iniciativa ArqueoAndes, e Horacio Chiavazza, codiretor, coordenam a pesquisa, que tem apoio de universidades argentinas e da Universidade de Jaén. A primeira campanha vai analisar a função da estrutura, seu desenvolvimento ao longo do tempo e sua arquitetura em detalhes.
O trabalho incluirá amostragens de sedimentos, escavações para coletar materiais e análise de eventos paleoambientais e climáticos, além das ocupações humanas. Todo o mapeamento será feito com GPS de precisão, drones de alta resolução e imagens de satélite. As Linhas de Nazca foram feitas por valas, enquanto este geoglifo foi construído pela acumulação de pedras.
Essa técnica também distingue a descoberta de outros geoglifos encontrados no norte do Chile, de épocas e culturas distintas. A expedição está marcada para a temporada de verão, nos próximos meses.


