Ciência

O que vivia no Atacama antes de ele se tornar um deserto deixou cientistas espantados

A principal evidência é um pequeno dente fossilizado.

Paleontólogos internacionais descobriram fósseis de uma espécie semiacuática que habitou o deserto do Atacama há cerca de 9 milhões de anos. O achado derruba a teoria de que a região sempre foi árida e inabitável. A descoberta foi publicada na revista Scientific Reports e surpreendeu a comunidade científica.

A principal evidência é um pequeno dente fossilizado, com apenas 10 milímetros, pertencente a um carpincho ancestral. A presença desse roedor gigante na zona costeira chilena é extraordinária porque esses animais precisam de água doce permanente e vegetação densa para sobreviver.

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Junto ao dente de carpincho, a equipe multidisciplinar recuperou outros fósseis da mesma camada geológica: ossos e escamas de peixes de água doce. Restos de gaviais — um tipo de crocodilo de água doce — e fitólitos microscópicos que confirmam a presença histórica de palmeiras e plantas com flores.

Esses achados foram feitos no sítio de El Morro, dentro da Formação Bahía Inglesa, uma zona arqueológica marcada por depósitos marinhos e sedimentares.

A pesquisa contou com a participação da paleontóloga chilena Carolina Gutstein e da geóloga Priscilla Martinez, da Universidade do Arizona. Martinez destacou a raridade do achado: encontrar um dente de carpincho em um depósito marinho de uma das regiões mais secas do planeta é inusitado.

Como um roedor sul-americano chegou ao Atacama

Antes deste trabalho, a geologia indicava que o Atacama permanecia continuamente árido há 40 milhões de anos. Mas as evidências agora reunidas mostram que a região abrigava uma extensa rede de humedais — áreas úmidas com água e vegetação.

Como a Cordilheira dos Andes já alcançava cerca de 5.500 metros na época em que a criatura vivia, os cientistas descartaram uma travessia pela montanha. A hipótese mais provável é que os carpinchos tenham migrado da atual Venezuela, contornando toda a costa do Oceano Pacífico por um corredor costeiro estreito, coberto de vegetação e água superficial.

Essa rota permitiu que o animal avançasse milhares de quilômetros até a região do Atacama.

Inflação

Inflação dos alimentos em 2027 pode ser definida por fatores que não dependem do resultado eleitoral

Projeção divulgada pelo Banco Central.

28/09/2026 18h18

Foto: Helena Lopes/Pexels

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O El Niño, aquecimento anormal do Oceano Pacífico, deve aumentar a pressão sobre os preços dos alimentos e a inflação brasileira em 2027, independentemente de decisões políticas, segundo projeção divulgada pelo Banco Central na última quinta-feira (24/9).

A expectativa de inflação para 2027 subiu de 4,10% para 4,30%, acima da meta perseguida pelo Banco Central. A revisão incorpora efeitos que já aparecem gradualmente no indicador de preços dos alimentos consumidos pelas famílias, medido pelo Instituto Nacional de Geografia e Estatística.

Como o clima aquece os preços agrícolas

O fenômeno ocorre quando as águas do Oceano Pacífico próximas à América do Sul apresentam aquecimento incomum, alterando ventos e padrões de chuva. No Brasil, essa mudança costuma trazer mais precipitação ao Sul, enquanto provoca estiagem prolongada no Norte e Nordeste, com temperaturas acima do habitual em diversas regiões.

Culturas como soja, milho, arroz, algodão, café e cana-de-açúcar estão entre as mais vulneráveis ao fenômeno, segundo o Banco Central. O milho tende a sofrer mais, principalmente na segunda safra do ano, enquanto a soja costuma ser menos afetada.

O Banco Central, porém, alerta que é difícil calcular com precisão os impactos sobre a produtividade agrícola. Por isso, os números para 2027 devem ser lidos como sinais de risco, não como prognósticos fechados sobre o desempenho das lavouras, já que outras variáveis também influenciam essas oscilações.

Impacto direto na mesa e no bolso

Os alimentos in natura podem sofrer pressão de preços ainda neste ano, antes do pico dos efeitos esperados na safra de 2027. O Ministério da Fazenda, por meio da Secretaria de Política Econômica, aponta essa vulnerabilidade no Boletim Macrofiscal e revisou para cima sua projeção de inflação, de 3,6% para 3,8%.

O impacto se espalha pela cadeia: quando o clima prejudica os grãos, sobe o custo da ração, e essa alta chega aos preços das carnes. A alimentação tem peso elevado no cálculo do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), indicador oficial da inflação no país.

A pressão sobre os alimentos pode dificultar o trabalho do Comitê de Política Monetária e adiar cortes na taxa básica de juros, atualmente em 13,75% ao ano. Quando a inflação sobe, o Comitê precisa manter o aperto monetário por mais tempo, o que restringe o crédito por um período prolongado.

O fenômeno se repete a cada 2 a 7 anos e dura vários meses seguidos. Além de afetar a agricultura, também interfere na geração de energia e no abastecimento de água.

A probabilidade de a inflação de 2027 superar o teto da meta subiu de 28% para 33%, reforçando o risco de cenários fora do controle dos formuladores de política econômica.

Proibição

Alerta para quem bebe café: famosa marca sai de circulação após determinação da Anvisa

Determinação foi publicada no Diário Oficial da União.

28/09/2026 18h00

Foto: Erik Mclean/Pexels

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A Anvisa proibiu a fabricação, a distribuição e a venda de produtos da marca Moringa da Paz em determinação publicada em setembro de 2026 no Diário Oficial da União. Com isso, supermercados de todo o Brasil ficam impedidos de comercializar esses itens. A restrição afeta quatro produtos, entre eles cápsulas para máquinas de café expresso.

Segundo a agência reguladora, a moringa oleífera não tem segurança comprovada para consumo humano em nenhuma forma de apresentação, como bebidas, pós, comprimidos ou barras.

Quais produtos ficam proibidos

A Cápsula Nespresso de Moringa Oleífera é o principal item afetado da linha, mas não o único. Também saem de circulação o pó Orgânico puro, as cápsulas com pó Orgânico e o chá Orgânico derivado da planta. Todos os lotes desses produtos devem ser apreendidos. A fabricação e qualquer forma de divulgação também estão proibidas.

Por que a proibição acontece

Análises da Anvisa identificaram possíveis riscos genotóxicos e hepatotóxicos associados à moringa oleífera — ou seja, a possibilidade de danificar o material genético e causar lesões no fígado. O órgão já havia sinalizado essas preocupações em 2019, durante avaliação anterior do ingrediente.

Outro produto à base de moringa, o Dietary Supplement Rosabella Moringa Capsules, estava envolvido em um surto internacional de contaminação pela bactéria Salmonella resistente, conforme comunicado da FDA norte-americana. O caso reforçou a posição restritiva do regulador brasileiro.

Desde 2019, a comercialização de moringa como alimento já estava proibida no Brasil, ainda que alguns produtos continuassem sendo vendidos com alegações de propriedades medicinais e terapêuticas não permitidas para alimentos. A proibição agora se torna mais rigorosa, com apreensão compulsória de estoque e impedimento de qualquer forma de distribuição ou propaganda do ingrediente.

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