Paraíso pouco conhecido

Praias de água doce e águas azuladas: a vila a brasileira cercada pela Amazônia

O acesso é facilitado pela rodovia.

A 37 quilômetros de Santarém, no Pará, uma vila cercada pela Floresta Amazônica muda completamente de cara conforme o rio Tapajós sobe ou desce. Alter do Chão reúne areia clara e vegetação densa às margens do curso d'água, formando um cenário raro no país.

O acesso é facilitado pela rodovia estadual PA-457, pavimentada, que liga o distrito a Santarém com rapidez. Essa ligação direta faz da pequena vila um destino de fácil chegada mesmo estando dentro do bioma amazônico.

Um refúgio moldado pelo rio

O nível do Tapajós comanda o visual da orla e o cotidiano de quem mora por ali. A alternância entre cheia e seca redesenha os bancos de areia e transforma a rotina da comunidade ribeirinha ao longo do ano.

Essa oscilação cria duas experiências bem distintas na mesma vila: quando o leito sobe, as faixas arenosas somem sob a correnteza; quando baixa, elas reaparecem largas e convidativas para quem busca descanso à beira d'água.

Verão amazônico e a Ilha do Amor

Na vazante, o curso d'água recua e expõe extensos bancos de areia branca, dando início ao chamado verão amazônico. É nesse período que surgem as praias mais procuradas por quem viaja até o distrito paraense.

O principal cartão-postal dessa fase é a Ilha do Amor, uma ponta arenosa em frente à vila que reúne quiosques junto à margem. O visual atrai quem quer relaxar sob o sol e aproveitar as tonalidades azuladas do rio.

Passeios possíveis na temporada de cheia

Quando as chuvas elevam o volume das águas, boa parte das praias fica submersa e o cenário muda de função. Em vez do banho de sol, ganham espaço os passeios de barco por igarapés e trechos de mata alagada.

Canoas conduzem visitantes por canais estreitos entre árvores parcialmente cobertas pela correnteza, criando um roteiro silencioso de observação da natureza. Comunidades ribeirinhas tradicionais costumam guiar essas incursões pela vegetação submersa, unindo Turismo e vivência local.

Seja na seca ou na cheia, a vila mantém seu charme: o que muda é a forma de explorar as paisagens que só a combinação entre floresta e rio Tapajós consegue oferecer.

Apocalipse

"Fim do mundo" em 74 dias: a conta feita há 66 anos previu o colapso da humanidade

Um ponto sem volta na sexta-feira 13.

25/09/2026 16h01

Foto: Lucas Pezeta/Pexels

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O cálculo publicado há 66 anos previa que a expansão da população mundial atingiria um ponto sem volta na sexta-feira de 13 de novembro de 2026. A data veio de um estudo divulgado em 1960 na revista Science, assinado por Heinz von Foerster, Patricia M. Mora e Lawrence W. Amiot.

O estudo não previa meteoro nem cataclisma externo para aquele dia. Os três autores calcularam um cenário em que o próprio ritmo de crescimento humano se tornaria matematicamente "infinito". Von Foerster ilustrou esse extremo ao descrever que os tetranetos não morreriam de fome, mas ficariam sufocados.

De onde veio a conta original

Para chegar à data, o grupo reuniu 24 estimativas populacionais que cobriam cerca de 2 mil anos de história humana. Ao analisar essa série, os pesquisadores perceberam que o tempo necessário para a população global duplicar vinha encolhendo a cada século, em um ritmo mais acelerado que o do crescimento exponencial comum.

Os pesquisadores diferenciaram dois momentos da história: antes da industrialização, guerras, fome e epidemias travavam o avanço populacional; depois dela, esse freio praticamente desapareceu, e o crescimento ganhou tração.

Ao projetar essa curva sem mudanças, o intervalo entre as duplicações da população chegaria, em tese, a zero. Esse ponto teórico resultou na previsão para a sexta-feira de 13 de novembro de 2026, data batizada no título do artigo original como "Doomsday: Friday, 13 November, A.D. 2026".

Por que o colapso não se confirmou

Passadas mais de seis décadas, a trajetória real da humanidade tomou outro caminho. A fecundidade recuou em várias regiões do mundo, e o crescimento populacional perdeu velocidade em vez de acelerar como o modelo original sugeria.

O motivo está na própria limitação da conta: o cálculo tratava a expansão como algo capaz de seguir sem freios, sem espaço para transformações sociais que mudassem o comportamento reprodutivo das famílias. Esse tipo de mudança de comportamento — e não um evento único — foi o que rearranjou a curva demográfica nas décadas seguintes.

Estimativas atuais para a população

Órgãos ligados às Nações Unidas hoje trabalham com uma lógica bem distinta da projetada em 1960: nenhum crescimento infinito, mas um pico seguido de estabilização. A expectativa é de que o número de habitantes do planeta continue subindo por algumas décadas, porém em ritmo cada vez mais lento.

As projeções indicam que a população mundial deve alcançar cerca de 10,3 bilhões de pessoas em meados da década de 2080, para depois entrar em uma fase de recuo gradual rumo a 10,2 bilhões ao final do século.

É um roteiro bem diferente daquele que fez a dupla de cientistas apostar numa data específica de colapso: em vez de um ponto de ruptura marcado no calendário. O que se desenha agora é uma curva que sobe, se estabiliza e começa a ceder aos poucos.

O estudo do Instituto de Tecnologia da Geórgia sobre dinâmica populacional reforça esse quadro mais recente ao tratar o crescimento humano como um processo sujeito a ajustes constantes, não como uma equação fixa rumo ao infinito.

A data de 13 de novembro de 2026 segue existindo apenas no papel de 1960 — um marco que a própria realidade demográfica, seis décadas depois, deixou para trás.

Fenômeno marinho

Após tsunami em Santa Catarina, mar recua de forma intensa em Santos

Este foi o menor nível registrado do mar em 2026.

25/09/2026 15h26

Foto: DP/Pexels

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Logo após o tsunami meteorológico que atingiu Santa Catarina no início desta semana, outro fenômeno chamou a atenção dos brasileiros. Trata-se do recuo do mar em Santos, no Litoral de São Paulo. Segundo os dados, este foi o menor nível registrado do mar em 2026.

Um levantamento realizado pelo Núcleo de Pesquisas Hidrodinâmicas (NPH), da Universidade Santa Cecília, mostra que o mar chegou a -0,34 metro em agosto deste ano. Em 2025, o menor nível registrado foi de -0,36 metro.

Em Santa Catarina, por sua vez, praias e estabelecimentos comerciais do Litoral Sul foram surpreendidos por uma súbita elevação do nível do mar na segunda-feira (21). Segundo a Defesa Civil de Santa Catarina, tratou-se de um tsunami meteorológico, causado pela combinação entre mudanças repentinas na pressão do ar e rajadas fortes de vento sobre o mar.

Em Laguna, a Praia do Cardoso foi tomada pela água ainda antes das 6h. O pescador André Eduardo Bento contou ao Atribuna que esperava o tempo firmar para começar a pescaria. Havia raios e uma tempestade intensa quando ele viu a onda avançar.

Ele correu contra a correnteza para proteger sua embarcação e a de um colega. Durante o resgate, enfrentou água na altura do peito. Ninguém ficou ferido.

Como funciona o tsunami meteorológico

O tsunami meteorológico ocorre quando nuvens carregadas e ventos fortes avançam rapidamente sobre o mar, criando uma grande onda que se propaga até a costa.

Diferentemente do tsunami convencional, provocado por um abalo sísmico (terremoto) e geralmente mais destrutivo, o tsunami meteorológico ocorre exclusivamente por fatores atmosféricos. O fenômeno está associado a sistemas meteorológicos como linhas de instabilidade.

Segundo a Defesa Civil, a elevação rápida e temporária do nível do mar favorece o avanço da água em direção à faixa costeira. Essa associação com sistemas meteorológicos torna o tsunami meteorológico difícil de prever.

Repetição do fenômeno no local

Em 2023, a Praia do Cardoso já havia sido palco de um episódio semelhante. Na época, André atuava como salva-vidas no mesmo trecho de praia e acompanhou de perto o susto causado pela onda, que chegou a arrastar veículos e espantar quem estava no local.

O fenômeno confirmado pela Defesa Civil em Santa Catarina ocorreu durante uma tempestade severa, com raios e ventos intensos. Esses fatores alteraram a pressão atmosférica local e provocaram o avanço rápido das águas em direção à costa.

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