Paraíso pouco conhecido

Praias de água doce e águas azuladas: a vila a brasileira cercada pela Amazônia

O acesso é facilitado pela rodovia.

A 37 quilômetros de Santarém, no Pará, uma vila cercada pela Floresta Amazônica muda completamente de cara conforme o rio Tapajós sobe ou desce. Alter do Chão reúne areia clara e vegetação densa às margens do curso d'água, formando um cenário raro no país.

O acesso é facilitado pela rodovia estadual PA-457, pavimentada, que liga o distrito a Santarém com rapidez. Essa ligação direta faz da pequena vila um destino de fácil chegada mesmo estando dentro do bioma amazônico.

Um refúgio moldado pelo rio

O nível do Tapajós comanda o visual da orla e o cotidiano de quem mora por ali. A alternância entre cheia e seca redesenha os bancos de areia e transforma a rotina da comunidade ribeirinha ao longo do ano.

Essa oscilação cria duas experiências bem distintas na mesma vila: quando o leito sobe, as faixas arenosas somem sob a correnteza; quando baixa, elas reaparecem largas e convidativas para quem busca descanso à beira d'água.

Verão amazônico e a Ilha do Amor

Na vazante, o curso d'água recua e expõe extensos bancos de areia branca, dando início ao chamado verão amazônico. É nesse período que surgem as praias mais procuradas por quem viaja até o distrito paraense.

O principal cartão-postal dessa fase é a Ilha do Amor, uma ponta arenosa em frente à vila que reúne quiosques junto à margem. O visual atrai quem quer relaxar sob o sol e aproveitar as tonalidades azuladas do rio.

Passeios possíveis na temporada de cheia

Quando as chuvas elevam o volume das águas, boa parte das praias fica submersa e o cenário muda de função. Em vez do banho de sol, ganham espaço os passeios de barco por igarapés e trechos de mata alagada.

Canoas conduzem visitantes por canais estreitos entre árvores parcialmente cobertas pela correnteza, criando um roteiro silencioso de observação da natureza. Comunidades ribeirinhas tradicionais costumam guiar essas incursões pela vegetação submersa, unindo Turismo e vivência local.

Seja na seca ou na cheia, a vila mantém seu charme: o que muda é a forma de explorar as paisagens que só a combinação entre floresta e rio Tapajós consegue oferecer.

Oportunidade

Chile procura voluntários para viver em meio à floresta com acomodação em troca de 20 horas semanais

O programa é anunciado na plataforma Worldpackers.

17/10/2026 09h02

Foto: Silvia Cárcamo/Pexels

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Um projeto de voluntariado em Maullín, no sul do Chile, convida viajantes a participar de trabalhos em agricultura, jardinagem e construção sustentável. Em troca, oferece hospedagem gratuita em pequenas cabanas cercadas de floresta, uma refeição ao meio-dia todos os dias e dois dias de folga por semana.

O programa é anunciado na plataforma Worldpackers e oferece um intercâmbio para quem quer conhecer a vida em um ambiente natural, desenvolver novas habilidades e colaborar com a manutenção do espaço. Quem se inscreve trabalha 20 horas por semana no cultivo de framboesas, no cuidado dos jardins e em melhorias nas instalações.

Tarefas disponíveis no programa

As atividades variam conforme a estação e as necessidades do lugar. No verão, a colheita de framboesas é uma das principais ações. Fora desse período, o foco se volta para o cuidado do terreno e o preparo dos espaços.

As atividades incluem colheita e outras tarefas agrícolas, plantio e jardinagem, limpeza de áreas verdes, manutenção de trilhas e espaços compartilhados, bioconstrução com materiais reciclados e pintura de diferentes setores.

Um dos projetos envolve a construção de um espaço para oficinas e eventos comunitários com garrafas de vidro reaproveitadas. Os responsáveis pelo programa valorizam a experiência em técnicas de bioconstrução, mas ela não é obrigatória para começar.

Quem pode se candidatar

Interessados devem ter entre 20 e 60 anos e podem se inscrever como indivíduo, casal ou dupla de amigos. É necessário ter inglês em nível intermediário ou pelo menos conhecimentos básicos de espanhol para facilitar a conversa com a equipe.

Os candidatos devem demonstrar interesse por natureza, agricultura e práticas sustentáveis, além de estar preparados para trabalhos físicos ao ar livre e respeitar as regras de convivência do lugar.

Quem nunca trabalhou com bioconstrução não fica de fora: o programa aceita pessoas que queiram aprender essas técnicas durante sua participação. O que realmente importa é a disposição para colaborar e o respeito pelas normas estabelecidas.

Como se inscrever

A inscrição é feita pela plataforma Worldpackers, e o processo começa com a criação de uma conta e o preenchimento do perfil com informações sobre experiência anterior, interesses e habilidades. Depois, o candidato deve buscar a oportunidade em Maullín, verificar as tarefas, as condições de alojamento e as regras da comunidade e enviar uma solicitação com uma carta de apresentação.

O responsável pelo programa responde após analisar a solicitação. Antes de organizar a viagem, o candidato deve consultar a disponibilidade para as datas escolhidas e confirmar as condições vigentes de hospedagem, refeições e horários de trabalho.

Preciso de experiência em construção ou agricultura para me inscrever?

Não, e o programa aceita pessoas sem experiência prévia nessas áreas. A expectativa é que o participante tenha disposição para aprender e colaborar. Os responsáveis valorizam a experiência em bioconstrução, mas quem nunca trabalhou com isso pode aprender essas técnicas durante a participação.

É necessário estar preparado para trabalhos físicos ao ar livre, respeitar as normas da comunidade e demonstrar interesse por natureza e práticas sustentáveis.

Salvação

Cartas da esposa o salvaram da depressão durante a guerra e tiveram papel crucial contra Hitler

Depressão profunda gerava uma batalha tão devastadora quanto a guerra

17/10/2026 07h49

Foto: Anna Tarazevich/Pexels

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Em 1940, Winston Churchill enfrentava uma batalha invisível tão devastadora quanto a guerra que liderava: a depressão profunda, que ele próprio chamava de "o cão negro". Enquanto a França desabava diante dos alemães e o Reino Unido se via isolado politicamente, o primeiro-ministro britânico estava à beira do colapso emocional.

A angústia física e a fadiga mental ameaçavam paralisá-lo, comprometendo decisões que a Europa inteira acompanhava com inquietação. Mas Churchill não sucumbiu — e grande parte do mérito pertence às cartas de sua esposa, Clementine. O casal se casou em 1908 e teve cinco filhos. O casamento resistiria às pressões da política britânica e aos tormentos emocionais da guerra.

Quando a distância física ou os protocolos militares os separavam, as cartas de Clementine o sustentavam durante a crise.

O poder terapêutico das cartas

Clementine Hozier Churchill não era uma figura passiva na política britânica, ela dominava vários idiomas, tinha grande inteligência e havia demonstrado resiliência em diversas ocasiões ao longo da vida. Quando a guerra ou os protocolos militares os separavam, suas cartas se tornavam o porto seguro emocional que ninguém mais conseguia oferecer ao primeiro-ministro.

As correspondências cumpriam três funções vitais, e primeiro, ofereciam suporte psicológico e funcionavam como válvula de escape diante da pressão exercida por todos ao redor de Churchill. Segundo ele, Clementine fornecia um retorno crítico que ninguém mais ousava dar: apontava os erros e momentos de fraqueza do marido com clareza, enquanto todos temiam contradizê-lo.

Terceiro, as cartas ajudavam a esclarecer a estratégia política e diplomática que ele precisava seguir, enquanto Clementine articulava alianças políticas internas e Churchill se concentrava no conflito militar.

Validação e lembrança do destino

Nas cartas, Clementine validava os medos do marido, mas também o lembrava de seu "destino histórico". Ela o instava a não ceder ao "cão negro" e devolvia-lhe a confiança perdida nas horas mais sombrias da Segunda Guerra Mundial.

Entre 1940 e 1951, período documentado posteriormente em "O esplêndido e o vil", obra de Erik Larson que inclui diários e cartas do primeiro-ministro, fica evidente que a inteligência estratégica de Clementine complementou a liderança de Churchill.

Uma das correspondências mais famosas foi escrita em junho de 1940. Nela, Clementine advertiu Churchill sobre seu comportamento "áspero" e por vezes agressivo com os subordinados, que ela atribuía ao estresse extremo. Ela lembrou-lhe que, para liderar um povo, era preciso manter a calma e a grandeza.

Conforme descreve a biógrafa Sonia Purnell, o casal funcionava como uma equipe praticamente perfeita, em que a força, a independência. E a inteligência de Clementine foram tão cruciais quanto a capacidade de liderança militar de Churchill para frear o avanço nazista.

O contexto da Blitz e a resiliência compartilhada

A década de 1940 foi um pesadelo para a Grã-Bretanha. Enquanto a Alemanha avançava pela Europa e a Grã-Bretanha sofria os bombardeios da Blitz, Churchill precisava manter-se firme: politicamente isolado, militarmente cercado e emocionalmente despedaçado.

Nesse cenário, as cartas de Clementine lembravam Churchill de que a luta tinha sentido e de que ele tinha alguém que acreditava nele quando tudo apontava para o fracasso.

A correspondência entre eles revelava uma parceria estratégica que ia além do afeto pessoal. Enquanto todos ao redor temiam contradizer o primeiro-ministro, Clementine o alertava sobre seus erros. Quando Churchill se concentrava nas decisões militares, ela o aconselhava sobre as alianças políticas necessárias no Reino Unido.

Juntos, enfrentaram a depressão de Churchill e a guerra contra Hitler. Essa parceria, pouco destacada pela história, foi essencial para a vitória dos Aliados na Europa.

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