Tecnologia

Quantos salários mínimos são necessários para comprar um iPhone Duo

A companhia aposta no produto.

A Apple chega ao mercado de celulares dobráveis com um modelo batizado de iPhone Duo, vendido por US$ 2.000 nos Estados Unidos e R$ 21.999 no Brasil. O lançamento está marcado para 23 de outubro, e no Brasil, o preço equivale ao do MacBook Pro de 14 polegadas mais recente da marca.

O preço corresponde a 14 meses do salário mínimo, hoje fixado em R$ 1.621. Isso representa mais de um ano de trabalho remunerado nesse patamar para quem quiser levar o aparelho para casa. A companhia aposta no produto depois de registrar faturamento de US$ 200 bilhões no último ano apenas com a linha de smartphones.

Primeiras impressões de quem usou o aparelho

Jornalistas da CNN Internacional tiveram acesso ao dispositivo antes do lançamento oficial e passaram cerca de uma semana testando suas funções no dia a dia. O formato de livro, com duas telas distintas, chamou atenção por permitir usos que um smartphone tradicional não comporta.

O aparelho pode ser usado para streaming, como despertador de cabeceira à noite, segunda tela para acompanhar partidas de futebol e monitor compacto quando conectado a um teclado Bluetooth. Fechado, lembra um passaporte grosso, e aberto, parece um iPad Mini mais fino que o modelo tradicional.

Como funciona o design dobrável

Fechado, o visor externo mede 5,4 polegadas, e aberto, o aparelho revela um painel interno de 7,6 polegadas, voltado para quem busca mais espaço para ler ou visualizar conteúdo.

Uma das dúvidas de quem acompanha o lançamento é a visibilidade da dobra no meio do visor. Durante o uso, ela praticamente desaparece para quem navega pelos aplicativos ou pela tela inicial. Também não é perceptível ao toque quando o dedo desliza pela tela. A tela interna tem acabamento fosco, que reduz o brilho e evita marcas de dedo.

Funções que só o formato permite

Dobrado parcialmente, o celular vira um suporte autônomo, e apoiado como uma tenda ou um livro aberto, funciona como relógio de cabeceira, porta-retratos digital ou calendário na mesa. A função depende de o visor permanecer travado, sem necessidade de segurar o aparelho.

Alguns aplicativos, como a câmera nativa e o Apple Fitness Plus, aproveitam esse modo e exibem o conteúdo apenas na parte superior quando o telefone fica dobrado como um notebook.

Com a tela toda aberta, ainda é possível fazer selfies usando as câmeras traseiras, enquanto o visor externo mostra o enquadramento em tempo real. O recurso é útil, inclusive, para quem grava vídeos de avaliação do próprio produto.

O entrave que compromete a experiência

A maior limitação identificada pela equipe de testes não está no hardware, e sim nos aplicativos de desenvolvedores externos. Nem todos foram adaptados ao formato maior e à divisão de tela, o que gera telas mal ajustadas e funções que não respondem como deveriam.

Aplicativos populares como Google Maps, Gmail, Call of Duty Mobile e Uber ainda apareciam abertos em janelas flutuantes no centro da tela, com tamanho de tablet. Alguns foram atualizados para ocupar mais espaço, mas ainda apresentavam barras pretas nas laterais.

É possível rodar dois aplicativos lado a lado na tela aberta. O recurso ajuda em tarefas como pesquisar algo enquanto se consulta outro conteúdo. Ainda assim, a experiência completa depende de cada desenvolvedor atualizar seu próprio aplicativo para aproveitar o novo formato. Por ora, boa parte do catálogo de aplicativos ainda não fez essa adaptação.

Durante os primeiros dias de testes, mais aplicativos foram atualizados, incluindo Google, TikTok, Instagram e Threads. Aplicativos como Planet of Lana e Apple Books já exploram bem o novo formato. O Apple Books permite visualizar páginas em ambos os lados da tela, como em um livro.

Segundo a avaliação, o software do iPhone Duo é mais fluido que o de alternativas Android. Ainda assim, muitos recursos do aparelho já existem há anos em celulares dobráveis da Samsung e da Google. O maior diferencial da Apple aparece, portanto, na integração entre hardware e software, não necessariamente em funções inéditas no mercado.

Curiosidades

Vaso sanitário feito com 100 kg de ouro é vendido por R$ 50 milhões

O equipamento funciona de verdade.

22/10/2026 16h55

Foto: Reprodução

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Um trabalho polêmico do artista italiano Maurizio Cattelan, batizado de "América", arrematou US$ 10 milhões (R$ 50 milhões) em leilão realizado pela Sotheby's, em Nova York. Feito inteiramente de ouro maciço e com peso superior a 100 quilos, o vaso sanitário funciona de verdade e propõe um questionamento sobre luxo, utilidade cotidiana e os critérios que sustentam o mercado de arte contemporânea.

A peça é uma das três versões produzidas desde 2016, cada uma com trajetória distinta. O exemplar vendido permanecia em posse de um colecionador privado desde 2017, longe do circuito de exposições públicas até o leilão desta semana.

A Sotheby's informou que a obra foi comprada por uma marca americana de grande renome. Com a compra, adquiriu não apenas o objeto, mas também uma declaração crítica sobre a riqueza excessiva e o consumismo contemporâneo.

A instalação que desafiou museus

Um dos outros exemplares da obra chamou atenção quando passou a integrar o acervo exposto no Museu Guggenheim, em Nova York, no período entre 2016 e 2017. Naquele período, a obra funcionava como um banheiro real, acessível aos visitantes. Mais de 100 mil pessoas usaram o vaso de ouro maciço.

A decisão do museu de permitir o uso da obra refletia a intenção satírica de Cattelan: transformar um objeto mundano em algo precioso e questionar seu valor como símbolo de status.

A abordagem levava os frequentadores a confrontar a ironia: um vaso sanitário cumpre a mesma função, seja feito de cerâmica ou de ouro. A obra expunha, assim, a arbitrariedade da atribuição de valor na arte de luxo.

O episódio presidencial e o roubo

A trajetória de "América" ganhou dimensão política quando o Guggenheim respondeu ao então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de forma criativa. Trump havia solicitado o empréstimo de uma pintura de Van Gogh para decorar a Casa Branca. Em vez de recusar diretamente, a instituição ofereceu a privada de ouro como alternativa provocadora.

Posteriormente, uma versão foi exibida no Palácio de Blenheim, em Oxfordshire, na Inglaterra, local onde nasceu Winston Churchill. Em setembro de 2019, durante essa exposição, a obra desapareceu em um roubo que durou apenas cinco minutos. O crime causou danos estruturais e inundações no palácio, pois o vaso estava conectado ao encanamento da edificação.

James Sheen, de 39 anos, admitiu culpa pelo crime perante o Tribunal da Coroa de Oxford, conforme apurou a imprensa britânica.

Condenação e o paradoxo do valor

A confissão de Sheen pelo roubo foi registrada no Tribunal da Coroa de Oxford, com base em dados do Serviço de Acusação da Coroa divulgados pela imprensa britânica. O episódio ampliou o reconhecimento público de "América" também pelo aspecto criminal de sua trajetória.

Hoje, "América" encarna um paradoxo: uma obra criada para criticar a excessiva valorização de objetos luxuosos tornou-se, ela mesma, símbolo do mercado de arte que pretendia satirizar. A venda por milhões de dólares demonstra como a crítica de Cattelan foi absorvida e transformada pelo próprio sistema que questionava, tornando a ironia original parte do seu valor de mercado.

Quando a obra deixa de ser apenas arte e se torna alvo criminal

Embora "América" tenha sido criada para provocar reflexão sobre o valor arbitrário de objetos luxuosos, o fato de ser uma obra de ouro maciço a tornou alvo de roubo. Em 2019, no Palácio de Blenheim, o vaso foi roubado não como crítica ou intervenção artística, mas como crime comum de apropriação indébita. O roubo durou apenas cinco minutos e causou danos estruturais e inundações no palácio. Naquele momento, a obra deixou de funcionar como ferramenta de crítica social e passou a ser tratada como um bem valioso a ser recuperado criminalmente, no sentido oposto ao da intenção satírica original.

A obra funciona mesmo como um banheiro?

Sim. Quando "América" foi instalada no Museu Guggenheim entre 2016 e 2017, o vaso funcionava plenamente. Os visitantes podiam agendar um horário para usá-lo, com limite de três minutos para evitar filas. Mais de 100 mil pessoas usaram um banheiro feito de ouro maciço. Essa funcionalidade era central à intenção de Cattelan: levar as pessoas a confrontar o absurdo de um vaso sanitário cumprir a mesma função, seja feito de cerâmica comum ou de ouro, e mostrar como seu valor é atribuído de forma arbitrária.

Reflexão e Filosofia

A reflexão de Sêneca sobre mudanças: "Você deve mudar a alma, não o céu"

Filósofo estoico nasceu por volta de 4 a.C.

22/10/2026 16h09

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Fazer as malas e partir para uma nova cidade pode parecer a solução para tudo. O peso que incomoda por dentro — medos, hábitos e insatisfações — tende, porém, a atravessar as mesmas distâncias que o corpo percorre.

Na Carta 28 a Lucílio, Sêneca questiona quem acredita que basta trocar de endereço para deixar para trás uma vida inteira de desconforto. O filósofo estoico nasceu por volta de 4 a.C., em Córdoba, na Hispânia Romana, e não se opunha a recomeços ou viagens.

O alerta era outro: sem uma mudança genuína de postura interna, qualquer paisagem nova se torna apenas mais um cenário passageiro para a mesma inquietação de antes.

Quem era Sêneca e por que pensava sobre mudanças

Filósofo estoico, escritor, orador e homem público, Sêneca viveu próximo ao centro do poder imperial romano até morrer em 65 d.C., após receber ordem de suicídio do imperador Nero. Sua vida não se limitou a teorias abstratas: ele acumulou fortuna, ocupou cargos políticos de destaque e enfrentou os desafios práticos de quem vive sob pressão.

Nas Cartas a Lucílio — que escreveu no final da vida para um amigo — Sêneca transformava a filosofia em exercício diário. Os temas variavam entre medo, tempo, riqueza, amizade e instabilidade emocional. Sêneca buscava mostrar como alguém poderia reagir de forma mais saudável a desejos, perdas e desconfortos inevitáveis.

O que a Carta 28 diz sobre trocar de lugar

Na Carta 28, conforme tradução preservada no Wikisource, Sêneca escreve a um destinatário que viajou muito sem conseguir se livrar do peso da própria mente. A resposta é direta: é preciso mudar a alma, não o clima.

A ideia não é negar o valor de se deslocar geograficamente, mas reconhecer que nenhuma mudança externa substitui a transformação interna que ainda não aconteceu.

A passagem distingue duas experiências, e viajar pode renovar estímulos e ampliar perspectivas sobre o mundo, mas a mudança de ambiente, sozinha, não apaga hábitos emocionais enraizados. Quando a inquietação permanece intacta, ela transforma até a paisagem mais promissora em um cenário provisório, porque a pessoa leva consigo as mesmas dificuldades que deixou para trás.

Por que o desconforto reaparece em lugares diferentes

Sêneca reconhecia que afastar alguém de um contexto prejudicial pode fazer diferença. Existem relações tóxicas, empregos desgastantes e ambientes que causam sofrimento, e sair deles pode ser necessário. O problema surge quando a pessoa atribui toda a insatisfação ao cenário externo, sem examinar os próprios padrões de comportamento e pensamento.

Para o filósofo estoico, a transformação que realmente muda algo exige exame contínuo, prática repetida e constância, e uma nova vista pela janela não basta.

Quando alguém chega a um lugar novo carregando os mesmos medos, as mesmas expectativas irrealistas e os mesmos hábitos que o tornavam infeliz antes. A história tende a se repetir — porque o cenário mudou, mas a pessoa que o experimenta não.

O que muda na prática quando você aplica a lição de Sêneca sobre mudanças

Se a transformação interna não acompanha a mudança geográfica, você chega a um lugar novo com os mesmos padrões de comportamento que o tornavam infeliz antes. A história tende a se repetir: o cenário mudou, mas a pessoa que o experimenta não.

Por isso, você pode trocar de cidade, emprego ou relacionamento várias vezes sem alcançar estabilidade, ao tentar resolver por fora aquilo que só se resolve por dentro. Aplicar Sêneca, na prática, significa examinar com sinceridade quais hábitos emocionais e padrões de pensamento você carrega antes ou junto com qualquer mudança externa.

O exame contínuo, a prática repetida e a constância produzem resultados duradouros. Um novo lugar pode renovar estímulos e ampliar perspectivas sobre o mundo, mas isso só acontece se você já tiver trabalhado — ou trabalhar ao mesmo tempo — a transformação interior que impede a inquietação de transformar até a paisagem mais promissora em um cenário provisório.

Se Sêneca diz para mudar a alma e não o clima, devo ficar em um ambiente ruim?

Não, e sêneca não dizia que você deveria se resignar a ambientes prejudiciais. O alerta era que mudar de lugar sem mudar os hábitos internos não resolve o desconforto duradouro. A diferença é importante: se você identifica que está em um contexto genuinamente tóxico — uma relação abusiva.

Um trabalho que destrói sua saúde ou um ambiente hostil —, sair é legítimo e pode ser necessário. Mas, se espera que o novo lugar transforme magicamente sua ansiedade, seus medos ou suas expectativas irrealistas, provavelmente chegará lá com os mesmos problemas. O ideal é trabalhar a transformação interna enquanto considera a mudança externa, não uma depois da outra.

Por que Sêneca escrevia sobre transformação enquanto vivia sob pressão imperial

As Cartas a Lucílio não foram escritas por um filósofo isolado em uma torre de marfim. Sêneca foi dramaturgo de sucesso, uma das pessoas mais ricas de Roma, estadista e conselheiro do imperador Nero. Correu riscos, teve grandes feitos e também enfrentou desastre, exílio, saúde frágil e condenação à morte.

Essa experiência de negociar com pessoas poderosas e pouco cooperativas, lidar com o imprevisto e enfrentar o perigo dava credibilidade e urgência ao seu pensamento sobre a transformação interior. Ele não teorizava sobre o estresse: vivia sob essa pressão e registrava nas cartas como alguém poderia manter a sanidade mental e a clareza em situações extremas.

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