Oportunidade

Quer deixar o Brasil? Espanha oferece até 15 mil euros para incentivar novos moradores

Iniciativa busca atrair novos habitantes e revitalizar localidades

A Galícia, região noroeste da Espanha, lançou um programa que oferece subsídios de até 15 mil euros (Aprox. R$ 90.744) a jovens que comprem ou construam residências em pequenos municípios. A iniciativa busca atrair novos habitantes e revitalizar localidades com menos de 10 mil pessoas, facilitando a mudança para a região.

O governo regional investiu 2,3 milhões de euros em 2026 para financiar esse benefício, que cobre até 20% do valor total da compra ou construção, respeitando o teto de 15 mil euros por propriedade. Uma pessoa que adquira uma casa por 60 mil euros, por exemplo, pode receber até 12 mil euros de subsídio, desde que atenda aos critérios estabelecidos.

Quem pode participar do programa

O benefício se destina a candidatos entre 18 e 35 anos que possuam cidadania espanhola, europeia ou autorização válida de estância e residência na Espanha. Os interessados também precisam comprovar que os rendimentos familiares não ultrapassam 4,5 vezes o IPREM, um indicador de renda mínima interprofissional usado como referência no país.

Outro requisito é que a propriedade não ultrapasse 250 mil euros e esteja em um município galego dentro do limite populacional definido pelo programa. Além disso, o candidato não pode ser proprietário de outra residência na Espanha, salvo raras exceções previstas nas bases legais. Essa regra também se aplica aos demais membros da unidade de convivência.

Compromisso e prazos para candidatos

Quem receber o subsídio deverá residir no imóvel por pelo menos 5 anos após a aquisição ou a conclusão da construção. O compromisso atende ao objetivo do programa de fixar população na região.

O prazo para enviar as solicitações termina em 16 de novembro de 2026, às 14 horas, pela plataforma eletrônica da Xunta de Galicia, no procedimento VI501B.

O prazo pode terminar antes se o orçamento disponível se esgotar. Para quem deseja se mudar para um pequeno município espanhol, a oportunidade tem data definida. Quanto antes organizar a documentação, maiores serão as chances de aprovação antes do fim dos recursos.

Filosofia

A reflexão de Friedrich Nietzsche: "Deus é uma criação do homem"

Essa visão aparece de forma central em "Assim Falou Zaratustra".

01/11/2026 10h57

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O filósofo alemão Friedrich Nietzsche sustentou que Deus não é uma realidade externa, mas uma invenção humana. Para ele, as pessoas construíram a ideia de um ser superior e de mundos além da vida terrena para suportar a dor e a finitude da existência.

Essa visão aparece de forma central em "Assim Falou Zaratustra", um dos textos mais conhecidos do pensador, no qual ele também apresenta o conceito do Além-Do-Homem. A obra expõe a tentativa de Nietzsche de repensar a moral e os valores que sustentavam a sociedade europeia de sua época.

A Projeção humana por trás da fé

Na leitura do filósofo, a religião nasce de uma necessidade: lidar com a dor, a incerteza e o fim inevitável da vida. Diante disso, o homem teria criado entidades e promessas de um mundo superior como forma de consolo e fuga da realidade concreta.

Esse raciocínio sustenta uma das frases mais repetidas do pensador ao longo do tempo. "Deus está morto" aparece primeiro em "A Gaia Ciência" e depois ganha força máxima em "Assim Falou Zaratustra", sua principal obra.

Nietzsche não discutia a existência de um ser divino em termos científicos. Ele descrevia uma mudança cultural na qual o avanço da razão moderna esvaziou o peso que antes sustentava crenças e certezas religiosas.

A crítica à chamada moral do rebanho

Outro ponto central do pensamento nietzschiano é a rejeição daquilo que ele chamava de moral do rebanho. Segundo essa crítica, as tradições religiosas valorizavam a submissão, a culpa e a negação dos impulsos naturais do indivíduo em troca de uma recompensa prometida em outra vida.

Para o filósofo, esse tipo de moral enfraquecia a capacidade humana de viver com intensidade e autonomia. Em vez de incentivar a força e a criação, ela promovia resignação e conformismo diante das dificuldades do cotidiano.

O vazio deixado pelo fim das certezas

Com o esvaziamento da crença em verdades absolutas, Nietzsche identificava um risco real: o niilismo, a sensação de que nada mais tem sentido. Sem um Deus ou uma ordem externa para seguir, o indivíduo se vê sozinho diante da tarefa de dar significado à própria trajetória.

É nesse ponto que surge o conceito do Além-Do-Homem, o Übermensch. Descrito em "Assim Falou Zaratustra", o conceito se refere a um ser capaz de transcender as limitações convencionais e romper com valores tradicionais que Nietzsche via como restritivos.

Para Nietzsche, o sobre-homem é um ideal de humanidade que busca a autossuperação, a afirmação plena da vida e a criação de sua própria ética, livre das amarras das tradições moralistas.

Responsabilidade humana sobre os próprios valores

Esse ser não espera por respostas prontas vindas de fora; ele assume a tarefa de criar seus próprios valores e viver de acordo com eles. A proposta de Nietzsche não termina na negação da religião, mas segue adiante, cobrando do próprio homem a construção de um sentido para a vida na Terra.

Essa é a base do que ele chamou de autossuperação: transformar a ausência de certezas em espaço para liberdade e criação. A frase "Deus está morto" marca justamente essa virada, o momento em que a razão moderna cobra do indivíduo a responsabilidade de inventar o próprio caminho.

Como a transvaloração funciona na criação de novos valores

Para Nietzsche, o processo pelo qual alguém se torna um sobre-homem não é automático. Ele passa pela transvaloração de todos os valores do indivíduo — ou seja, uma reavaliação radical daquilo em que se acreditava até então. Não se trata apenas de rejeitar valores antigos, mas de examiná-los criticamente e reconstruir uma ética pessoal a partir dessa análise.

Esse processo está ligado à vontade de potência, que se manifesta de forma criativa. A pessoa usa essa energia não para destruir, mas para superar o niilismo (o vazio de sentido), criar ideais genuinamente novos ou reavaliar os antigos com lucidez.

Trata-se de um processo contínuo de superação de si mesmo, não de um destino final que se alcança uma vez.

Quando o conceito de sobre-homem não se aplica

Nietzsche contrastou o sobre-homem com o que chamou de "último homem", seu oposto direto. O último homem é aquele que aceitou confortavelmente as crenças tradicionais sem questioná-las, que vive de forma acomodada e conformista.

Enquanto o sobre-homem sai da "casa no lago" da certeza fácil para as "montanhas de inquietação e solidão", o último homem permanece na zona de conforto intelectual e moral.

Assim, o conceito de sobre-homem não vale para quem não está disposto a passar pela transformação pessoal, pela dúvida e pelo esforço contínuo de autossuperação. Não é uma categoria que descreve a maioria das pessoas; é um ideal, uma tarefa que a humanidade deveria estabelecer para si mesma, não uma realidade generalizada.

Se Deus não existe, para Nietzsche, o que impede as pessoas de fazer o que querem sem limites?

Uma questão frequente é se a morte de Deus, para Nietzsche, significaria o caos moral total. Mas Nietzsche não propõe a ausência de valores — propõe exatamente o oposto. O ser humano, ao perder a bengala externa da religião, deve assumir a responsabilidade de criar seus próprios valores e viver de acordo com eles.

Não é "tudo vale", mas "você é responsável por aquilo que você valoriza". O sobre-homem não faz o que quer, mas faz o que ele mesmo decidiu que tem valor, após uma reflexão profunda. A diferença é que esses valores não vêm de fora (de uma divindade ou tradição herdada), mas são construídos pelo próprio indivíduo com integridade e lucidez.

A frase "Deus está morto" não é original de Nietzsche

Embora Nietzsche seja o filósofo mais associado à frase "Deus está morto", ela não nasceu com ele. A expressão apareceu em escritos anteriores, como no poema "Cristo nas Oliveiras" de Gérard de Nerval em 1854, e até mesmo em Jean Paul no final do século XVIII.

Filósofos alemães como Hegel já discutiam o conceito em suas obras, argumentando que a morte de Deus era parte do ciclo de redenção cristão, não uma negação definitiva da fé.

O mérito de Nietzsche foi transformar essa frase em uma declaração sobre a mudança cultural trazida pelo Iluminismo, mostrando que as crenças religiosas perderam força com o avanço da razão moderna.

Ao popularizá-la em "Assim Falou Zaratustra", Nietzsche deu a ela uma força filosófica e cultural que a separou de seus antecedentes literários e a colocou no centro do pensamento sobre secularização e valores modernos.

Reflexão

Joaquim Nabuco: "O verdadeiro patriotismo concilia a pátria com a humanidade"

Nabuco fundou a Sociedade Brasileira Contra a Escravidão em 1880.

01/11/2026 10h22

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Joaquim Nabuco escreveu: "O verdadeiro patriotismo é o que concilia a pátria com a humanidade." Escritor, diplomata e abolicionista, ele marcou a política brasileira do século XIX. Hoje repetida em debates sobre cidadania e ética, a frase aparece em obras e discursos ligados à campanha contra a escravidão.

A frase é retomada quando a discussão pública esbarra nos limites entre orgulho nacional e respeito à dignidade humana. Para Nabuco, amar o próprio país não significava desprezar outros povos nem fechar-se ao mundo.

Da infância no Engenho à tribuna parlamentar

Nascido em Recife em 1849, Nabuco cresceu numa família tradicional e politicamente influente do Império. Ainda criança, foi criado pela madrinha no Engenho Massangana, onde testemunhou de perto a rotina da escravidão — experiência apontada como origem de sua rejeição ao sistema escravista.

Formado em Ciências Jurídicas e Sociais em Recife, construiu uma base intelectual voltada ao direito e à justiça. Elegeu-se deputado geral por Pernambuco e usou a tribuna da Câmara como principal espaço de denúncia contra o regime servil no país.

A construção do movimento abolicionista

Nabuco fundou a Sociedade Brasileira Contra a Escravidão em 1880 para organizar a militância interna e levar ao cenário internacional a pressão pelo fim da escravidão. A instituição se tornou um dos pilares da articulação da causa abolicionista no Império.

Em 1883, publicou "O Abolicionismo", obra em que defendia que a escravidão não feria apenas os negros escravizados, mas corrompia toda a estrutura social, econômica e política do Brasil. O livro consolidou Nabuco como principal voz intelectual do movimento.

O caminho até a Lei Áurea

Nabuco se aproximou da Coroa e apoiou a Princesa Isabel na causa abolicionista. Esse esforço conjunto culminou na assinatura da Lei Áurea, em 13 de maio de 1888, que extinguiu a escravidão no Brasil.

Além de lutar pela abolição, Nabuco atuou como diplomata e foi um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras. Sua frase sobre patriotismo e humanidade sintetiza uma visão que recusava o nacionalismo fechado em nome de valores éticos universais.

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