Reflexão

Santo Agostinho deixou uma lição: "A felicidade consiste em continuar desejando o que se possui"

Sua trajetória é a de quem buscou a verdade.

Santo Agostinho, maior padre da Igreja Latina, legou ao mundo mais do que tratados teológicos. Sua trajetória é a de quem buscou a verdade e descobriu que a felicidade está em valorizar o que já possui, não em acumular bens.

Nascido em Tagaste, no norte da África, em 13 de novembro de 354, Agostinho recebeu da mãe, Santa Mônica, educação sólida na fé católica. Aos 20 anos, já ensinava gramática e, mais tarde, tornou-se mestre reconhecido em retórica em Cartago, arte pela qual era apaixonado.

A busca pela verdade e a luta interna

A leitura de Hortensius, obra de Cícero, despertou em Agostinho o desejo de procurar a verdade para além das satisfações mundanas. Durante anos, ele buscou respostas no maniqueísmo e em outras filosofias para as perguntas que o atormentavam.

Embora educado na fé, Agostinho entregava-se aos vícios da luxúria e aos prazeres carnais, e teve um filho com uma de suas amantes.

Essa dualidade o consumia, e agostinho entendia que apenas Aquele que torna bom o homem poderia fazê-lo feliz e que a verdadeira felicidade estava na busca de Deus. Depois de se afastar dos maniqueus e mudar-se para Milão, começou a ouvir as pregações de Santo Ambrósio, bispo da cidade.

As palavras de Ambrósio, inspiradas no Antigo Testamento, e as orações fervorosas de sua mãe prepararam a transformação que viria.

A conversão e o encontro com a verdade

No dia 15 de agosto de 386, Santo Agostinho entregou sua vida a Cristo. Foi batizado aos 32 anos por Santo Ambrósio na catedral de Milão. Naquela decisão, encontrou a verdade que procurava: não apenas um conceito intelectual, mas uma realidade viva. A escolha foi custosa e exigiu a renúncia a paixões enraizadas havia anos.

Nas suas Confissões, obra que se tornaria uma das mais influentes da história cristã, Agostinho se dirige a Cristo com palavras que refletem essa descoberta: "Tarde Vos amei, ó Beleza tão antiga e tão nova, tarde Vos amei!" A frase não expressa arrependimento, mas a alegria de finalmente compreender que a verdadeira plenitude estava ali o tempo todo.

Um legado que atravessa séculos

Santo Agostinho deixou mais de mil publicações que influenciaram diretamente a teologia e o pensamento cristão.

Na audiência geral de 9 de janeiro de 2008. O papa Bento XVI citou Paulo VI ao afirmar que todo o pensamento da Antiguidade converge na obra de Agostinho e que dela derivam correntes de pensamento que permeiam toda a tradição doutrinal dos séculos seguintes.

Seu entendimento sobre a Graça de Deus, a liberdade da vontade e a natureza da verdade permanece central na fé cristã.

A frase frequentemente atribuída a ele — "a felicidade consiste em continuar desejando o que se possui" — resume o espírito de sua busca, embora sua autoria não tenha comprovação textual. A lição é simples: a satisfação verdadeira nasce da gratidão contínua pelo que já conquistamos e realmente importa.

Ciência

Fazer exercício físico é bom para o cérebro, mas novo estudo alerta para o contrário e aponta riscos

O achado oferece pistas sobre os problemas de sono associados ao excesso de treinamento.

03/11/2026 17h12

Foto: Victor Freitas/Pexels

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Um estudo da Universidade de São Paulo mostrou que o excesso de exercício altera a química cerebral e eleva os níveis de dopamina durante o repouso. O achado oferece pistas sobre os problemas de sono associados ao excesso de treinamento.

Camundongos submetidos a oito semanas de corrida progressivamente mais exigente em esteira apresentaram níveis mais altos de dopamina em uma região do cérebro envolvida na memória e no humor do que os animais sedentários.

A diferença surgiu durante o período de descanso habitual. Nesse momento, a dopamina, substância que ajuda a regular o estado de alerta e a motivação, pode dificultar o relaxamento quando permanece elevada.

O achado oferece uma possível explicação para relatos de problemas de sono e ansiedade entre atletas submetidos a excesso de treinamento, embora os pesquisadores não tenham medido diretamente esses sintomas.

Como o experimento foi estruturado

Os pesquisadores acostumaram os roedores à esteira durante cinco dias, com corridas de dez minutos por dia a seis metros por minuto. Na primeira semana, a duração aumentou para 15 minutos, a 60% da velocidade máxima de cada animal.

A partir da quinta semana, a inclinação da esteira foi ajustada para 14% de declive, o que exigia mais esforço muscular do que correr em terreno plano.

As sessões se tornaram cada vez mais longas, enquanto o tempo de recuperação diminuiu progressivamente. Na oitava semana, os animais corriam duas vezes por dia durante 75 minutos cada sessão, com apenas quatro horas de intervalo entre elas.

Testes de desempenho realizados no início, na quarta semana e ao final mostraram que o condicionamento físico melhorou até a metade do programa, mas esses ganhos foram perdidos ao término.

O que a dopamina revelou no repouso

Dois dias após o último teste de corrida, os cientistas coletaram amostras do hipocampo, região cerebral ligada à memória e ao humor e que responde ao exercício. Em quatro horários: às 18h, à meia-noite, às 6h e ao meio-dia.

Os camundongos submetidos a excesso de treinamento apresentaram níveis de dopamina significativamente mais altos no hipocampo ao meio-dia, período em que esses animais noturnos normalmente descansam, em comparação com os sedentários.

O grupo com excesso de treinamento também apresentou níveis mais altos de tirosina hidroxilase, enzima que auxilia na produção de dopamina. A serotonina, outro composto químico cerebral associado à fadiga causada pelo exercício, permaneceu em níveis semelhantes nos dois grupos, o que favoreceu a proporção de dopamina em relação a ela.

Um segundo experimento, com 20 roedores que fizeram uma única corrida no início da noite, também mostrou elevação imediata da dopamina. Os níveis da enzima responsável por sua síntese, porém, caíram logo depois. Os pesquisadores acreditam que essa combinação pode refletir um estado de fadiga em que a demanda por dopamina supera a capacidade biológica de produzi-la.

Eles não confirmaram essa explicação porque mediram apenas a quantidade da substância no tecido cerebral, não a rapidez com que o cérebro a produz.

O significado para o desempenho atlético

Alisson Luiz da Rocha, pesquisador que conduziu os experimentos como doutorando na Universidade de São Paulo. Afirmou ao Earth que o excesso de exercício afeta não apenas o músculo esquelético, mas também o funcionamento cerebral.

A combinação de níveis elevados de dopamina e redução da enzima produtora pode refletir um estado de fadiga em que a demanda por dopamina supera a capacidade biológica de produzi-la.

O padrão observado oferece uma possível explicação para a dificuldade para dormir e o aumento da ansiedade relatados por alguns atletas submetidos a excesso de treinamento. Esses problemas poderiam estar ligados a esse desequilíbrio químico cerebral persistente durante horas críticas de repouso.

Se a dopamina ajuda na motivação e no estado de alerta, por que níveis altos durante o repouso podem ser prejudiciais?

A dopamina é benéfica durante o exercício porque mantém o atleta motivado e alerta. O problema surge quando ela permanece elevada durante o repouso. O corpo precisa alternar entre os estados de atividade, durante o esforço, e de descanso, durante a recuperação.

No repouso, a dopamina deveria cair para permitir que o cérebro relaxe, a tensão muscular diminua e o sono chegue naturalmente. Se ela continua alta nas horas de descanso, o cérebro permanece em estado de vigília, o que dificulta o adormecimento e aumenta a ansiedade — o oposto do que um atleta precisa para se recuperar.

Ciência

Álcool pode estar ligado a uma vida mais longa, revela novo estudo

A associação, porém, não deve ser interpretada como incentivo ao consumo.

03/11/2026 17h11

Foto: Ketut Subiyanto/Pexels

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Estudos analisados por pesquisadores reunidos na Escola de Saúde Pública T. H, e chan de Harvard, nos Estados Unidos, associam o consumo diário de meia taça a uma taça de álcool a menor mortalidade por infarto e a uma vida mais longa.

A associação, porém, não deve ser interpretada como incentivo ao consumo. Os cientistas ressaltam que ela não comprova que a bebida prolongue a vida, não estabelece relação de causa e efeito nem indica proteção direta ao organismo.

O que os pesquisadores observaram

Timothy Rebbeck, diretor do Centro Zhu Family para Prevenção Global do Câncer de Harvard. Disse ao TN que o álcool faz parte da rotina das pessoas, do café da manhã às celebrações e tradições culturais.

Embora os estudos tenham associado o consumo a menos mortes por problemas cardíacos nesse grupo específico, o encontro em Harvard também discutiu os riscos crônicos do hábito, incluindo o câncer.

Eric Rimm, professor de Medicina e Epidemiologia da instituição, disse ao TN que algumas investigações associaram o consumo moderado a uma menor mortalidade por infarto.

Os riscos apontados pelos cientistas

Walter Willett, epidemiologista de Harvard, apontou uma relação entre a ingestão de álcool e o aumento do risco de determinados tipos de câncer, como o de mama. Mesmo um risco individual pequeno pode gerar impacto relevante quando analisado em escala de toda a população.

Idade, histórico familiar e condições de saúde preexistentes mudam a forma como o corpo de cada pessoa reage ao consumo.

Anna Grummon, diretora do Laboratório de Políticas Alimentares de Stanford, disse ao TN que o consumo de álcool também está associado à dependência. A transtornos ligados ao uso da bebida, a acidentes de trânsito e a episódios de violência, com consequências que atingem não só quem bebe, mas também quem está ao redor.

Atenção às bebidas do dia a dia

Os cientistas chamaram a atenção para escolhas simples da rotina, como trocar refrigerante por água. Segundo os pesquisadores, essa mudança ajuda a cortar o excesso de açúcar e reduz um dos fatores ligados à obesidade e ao diabetes.

No caso do álcool, a possível ligação entre o consumo moderado e menos mortes por infarto exige cautela e não deve ser interpretada como sugestão para começar a beber. Os especialistas ressaltam que os efeitos do álcool variam conforme fatores pessoais, como idade e histórico familiar de doenças.

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